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quarta-feira, 15 de abril de 2026

Palavras de esperança

Aurélio Muniz Freire

Dr. Aurélio Muniz Freire* | Garanhuns, 20/04/1985

"Não dispomos ainda de equipamento industrial, dos recursos técnicos, da disciplina e das virtudes públicas que caracterizam as comunidades anglo-saxônica; mas a grande balança do mundo. Todavia, acusa, em nosso favor, uma civilização respeitável ao calor dos trópicos; um potencial econômico inapreciável; a verdadeira noção de fraternidade que podem definir por base da democracia genética; o instituto de solenidade humana; o culto sistemático natural pelo nefasto orgulho de raça; o pacifismo construtivo;  o respeito tradicional à independência dos outros; a veneração aos tratados e aos compromissos assumidos; a bondade inata; a penetração rápida nos enigmas espirituais; o sentimento religioso na exaltação da caridade; a iniciativa do bem; a colaboração espontânea em todas as obras que colimam erguer o indivíduo para níveis superiores; o zelo pela justiça; a vocação da liberdade; o sonho da largueza; o desprendimento da posse material e, sobretudo, a devoção sublime à Humanidade que converteu os nossos oito milhões e meio de quilômetros quadrados em Novo Lar do Evangelho redivivo para  o mundo faminto de verdadeira  regeneração".

"Exalçando, assim, o Brasil, berço de  nossas melhores aspirações, saudamos o nosso glorioso futuro, rogando a Deus que tenhamos a coragem de sermos nós mesmos, unidos na execução do novo mandamento, que para os jovens da Nação pode ser resumido numa simples palavra: - trabalhar". (Impressões, de Deodoro da Fonseca. "in" Falando à Terra, na psicografia de Francisco Cândido Xavier).

"... o cultivo da fraternidade na terra brasileira, onde representantes de quase todos os povos se entrelaçam para  a obra do entendimento mundial, é, indubitavelmente, uma nova esperança para a vida na Terra".

"Sob a luz do Cruzeiro, o pensamento do Cristo adquire nova feição. Liberdade da velha clausura dos templos de pedra, caminha ao encontro de toda a gente, em obras de iluminação e assistência do mais alto mérito".

"O Brasil entendeu a sugestão divina e, em pleno século das grandes guerras, violentas e ferozes, vemo-lo agasalhando a Boa-Nova renascente, sob o manto luminoso do Espiritualismo, da solidariedade e da paz, erguendo templos e educandários, creches e sanatórios, abrigos e hospitais, com alicerces no sentimento puro de seus filhos, descerrando a era nova em que os homens se amarão realmente uns aos outros".

"Indiscutivelmente, achamo-nos ainda muito longe da vitória final; até lá milhões sofrerão o cerco das sombras e das lágrimas, diante da nova Pátria, verdejante e farta, que o Brasil oferece à fraternidade mundial, no elevado entendimento da missão que lhe cumpre, nossas esperanças se elevam, em cânticos de louvor, ao Céu, com a certeza de que a Terra porvindoura será o lar abençoado de uma Humanidade mais feliz". (Apreciações, de Robert Southey - "in" Falando à Terra, na psicografia de Francisco Cândido Xavier).

*Jurista e escritor.

domingo, 5 de abril de 2026

Jesus Cristo

Jesus Cristo

João Marques* | Garanhuns

Jesus, no seu tempo, era conhecido ou reconhecido por poucos. Não eram todos que acreditavam em suas palavras. As curas é que atraiam, e muitos o tinham apenas como mais um profeta. No meio dos discípulos, dos parentes ou da gente que o cercava, era uma pessoa comum, com algumas características próprias ou diferentes.

Seu rosto era natural, de um hebreu normal. E podia ser olhado à vontade. Sorria, também. Sua mãe, também, era normal. E, na época, ninguém a via como santa, era uma mulher igual às outras.

O homem Jesus era bonito, já pela lucidez que transmitia o rosto. Face larga, olhos azulados, sobrancelhas estendidas e finas, e de um brilho escuro. Cabelos e barba alourados e crescidos, não muito longos, conforme o costume. Um sorriso ameno e constante no rosto, de uma expressão animadora. Como quem está sempre contente. Andava de sandálias rústicas, roupa simples. E gostava de ficar só, a não ser quando estivesse conversando ou falando a muitos. Tratava sua mãe como Senhora... seu pai, com uma palavra de tratamento, sem tradução, que significava a pessoa a quem se deve respeito e obediência... Irmãos e discípulos pelo nome, muitas vezes pelo nome e o sobrenome. Era costume. E, apesar de homem simples, tinha gestos solenes, tratos amáveis.

Não repetia o que havia dito, ou o mesmo assunto, preferia dizer com outras palavras, como se falasse de algo novo. Sua fala era muito viva, vibrante, daí ser sempre superior nos diálogos. Numa conversa, ninguém conseguia contrariá-lo. Inclusive, os governadores e os sacerdotes não tiveram condição de conversar muito tempo. Não permitia ser tratado como Senhor, ou de forma diferente, com reservas. Recolhia-se da presença de todos, quando ia orar. E aos olhos de alguns, parecia outra pessoa, tal a atitude de paz e transfiguração do rosto. Quando reapareceu aos seus apóstolos, ressuscitado do corpo crucificado, a aparência não pôde ser reconhecida por todos, e nem todos o viam direito... Em espírito, o seu rosto ficou mais rejuvenescido, e de uma luz tênue e atrativa. É o que sei, pelo pensamento e pela graça de Deus.

*João Marques dos Santos, natural de Garanhuns, onde sempre residiu, é poeta, contista, cronista e compositor.  Teve diversas funções nas atividades culturais da cidade: foi Presidente da Academia de Letras de Garanhuns, durante 18 anos, Diretor de Cultura do Município e, atualmente, é presidente da Academia dos Amigos de Garanhuns - AMIGA. Compôs, letra e música, o Hino de Garanhuns. Mantém, desde 1995, o jornal de cultura O Século. Publicou quatro livros de poesia: Temas de Garanhuns, Partições do Silêncio, Messes do azul e Barro. João Marques dos Santos desencarnou em 22 de setembro de 2024.

terça-feira, 31 de março de 2026

Ave Maria

Luzinette Laporte de Carvalho

Luzinette Laporte de Carvalho*

A oração da Ave Maria, na sua primeira parte, é bíblica e se refere a Jesus. O Anjo Gabriel vai solicitar-lhe um fiat/sim. Deus quer alguém, uma pessoa humana, para inserir no Seu plano de amor... "Trama de amor", disse alguém. E escolheu Maria. As escolhas de Deus são luminosas. Ele é a Sabedoria. O anúncio do Anjo: "Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é contigo". Não apenas "está": é!

E, à pergunta de Maria: "Como se fará isto, se eu não conheço varão"? (Isto é, sem relação sexual!) "O Espírito do Senhor te cobrirá com sua Sombra". Cobrir. Envolver e penetrar. Eis Maria, a possuída por Deus. Pelo Amor de Deus. E o Filho que lhe será dado, tem o nome de Jesus. Eis a profunda ligação entre o Pai do Céu, o Filho (Jesus) e o Espírito de Amor, com Maria. O Pai se comunica, é com ela. O Filho é gerado em seu seio, pelo Espírito que a fecunda. O Espírito, "o AMOR que circula no seio da Trindade." Por isso, Isabel, "cheia do Espírito Santo" grita: "Bendita és entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. E de onde me vem a honra de receber a visita da mãe do meu senhor"? Mãe do meu Deus. Mãe de Deus. Ou a Bíblia enganou-se, embaraçou-se com esta expressão: Senhor. Que Senhor? Deus. "Bendita aquele que acreditou". A fé, em Maria. Toda a narrativa nos leva ao Apóstolo Evangelista João: "E o Verbo se fez carne e habitou entre nós". A Palavra de Deus pousou, nasceu, criou-se em Maria. Ela é/foi o Tabernáculo onde o Filho de Deus "se fez carne". Mãe do meu Senhor. Do meu Deus. "Ave Maria, cheia de graça"! O Espírito do Senhor cobriu-se. Consagrou-te. Desde então, toda ela pertence a Deus. Não se pode conceber que alguém mais a possua. Não cabe nem mesmo na sensibilidade, quanto mais na razão. Não é porém aqui e agora que se pode falar sobre tão imensa graça para o mundo inteiro. Porque. Ele veio, viveu, cresceu, passou no mundo "fazendo o bem". Morreu na Cruz para nos salvar. Ressuscitou. Ainda estamos no templo da Páscoa, isto é, da Ressureição. Por isso cantamos: "O Cristo, nossa Páscoa, foi imolado". E o canto do "aleluia!" enche a liturgia.

A segunda parte é um pedido: "Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós, pecadores, agora e na hora da nossa morte. Amém". Sabemos que o milagre de Canaã ainda não era tempo, mas realizou-se. Porque Maria disse ao Filho: "Estão sem vinho", falta vinho. A preocupação com os amigos, com todos. E Jesus adverte: "Minha hora ainda não chegou." Mas antecipou o milagre, para atendê-la. Ninguém é capaz de chegar até onde... Mas o Povo de Deus sabe que tem Mãe. E sabe também que à mãe a gente vai com o coração aberto. Entre nós e o Pai, "o Único Mediador" é Jesus. Porém entre nós e Jesus, Maria, os Apóstolos, os Santos.

"Não se vai ao Pai se não por Mim", afirma Jesus. E o sabemos e assim fazemos. Mas, entre nós e Jesus, o Homem Deus, o Deus que se Se fez Homem, o "Verbo" que Se fez carne..." nosso relacionamento é de irmãos. Para isso Ele nasceu e morreu e Ressuscitou. "Foi para isso que vim". Busquemos, pois, o Deus que se inseriu na humanidade. O Deus - Conosco, o Emanuel.

Através de Maria, Sua Mãe, "Rogai por nós, Santa Mãe de Deus, para que sejamos dignos das promessas de Cristo".

Quem não crê, não pode entender a fé, o milagre. Não queriam matar Jesus porque ressuscitou Lázaro? E não queriam matar Lázaro por ser o testemunho do milagre? "Tudo é graça". Maria, a cheia de graça", a escolhida, a Mãe do meu Senhor, rogai por nós a teu Filho Jesus - Amém. 

*Professora, jornalista, cronista e escritora | Garanhuns, Maio de 2012.

sexta-feira, 6 de março de 2026

Viver com intensidade


Dr. José Francisco de Souza* | Garanhuns, 21/12/1985

Acontecimentos uns após outros e referência de outros que não vieram. Passa o tempo a percorrer o curso das horas, dos dias, dos meses e dos anos. A menção de tudo isso reunido é um processo de inteligência em perene mutação. Dentro do seu universo tudo se purifica em busca de si mesmo e todos temos a nossa hora como um brilho de uma estrela. As obras das coisas são vastas e ninguém poderá modificá-las. Nem no tempo nem no espaço por não ser possível esquecer a projeção do nosso Eu que é o reflexo desses acontecimentos.

ENSINAMENTOS DOS ESPÍRITOS

O lema fundamental é, face a tudo isso, viver com intensidade. Acompanhar as modalidades que se projetam em todos os recantos do nosso mundo. Apressamo-nos em dizer desde logo que esse aspecto modal das coisas, que certas contradições de algumas pessoas fazem grande cabedal, são, em regra, mais aparentes que reais. Quase sempre aparecem mais na superfície do que no fundo das coisas e que, por consequência, carecem de importância. De duas fontes provém tudo isso do raciocínio do homem e dos ensinamentos dos Espíritos.

Desde que se considere que os Espíritos não são mais do que a humanidade despi-la do envoltório corporal, e que continuam vivendo em outra dimensão. A sua capacidade multiplicada pela amplitude de seu estado moral e de sua manifestação, o limite do tridimensional é problema superado no âmbito de suas atividades. Não há lei humana, emanada de qualquer poder político ou social, que possa evitar a manifestação da entidade espiritual aqui na terra. Ele se manifesta por toda parte do universo que á sua verdadeira Pátria. Não há força humana que possa coibir a plenitude de sua manifestação.

JUSTIÇA DE DEUS

Entendemos que a nossa luta no campo moral e intelectual, luta pela vida, é para que nos tornemos dignos de alcançar e dominar os mais altos objetivos da razão que é a Justiça de DEUS entre os homens. Tem que se formar valores que estão dentro de nós que são nossos porque procedem da nossa evolução em todos os campos. Há sempre um toque especial de nossa personalidade em tudo que transmitimos pela palavra, gestos e atos inteligentes. São valores importantes que definem a nossa condição de ordem psicológica. A instrução espiritual não abrange apenas ensinamentos éticos que os Espíritos dão, mas também o estudo dos fatos irreversíveis por natureza.

Incumbe-lhe a teoria de todos os fenômenos. a pesquisa das causas, a conservação de que é possível, em suma, a observação de tudo o que contribuir para o avanço da ciência no seu sentido mais amplo e humano possível.

Embora de menor relevo, nem por isso mesmo digno são de mais alto interesse para o observador, que neles vai encontrar ou confirmação de um princípio conhecido, ou a revelação intuitiva, que faz penetrar um pouco mais nos mistérios do mundo universal. Isso também é filosofia. Com os Espíritos elevados que nos enviam mensagens de conteúdo doutrinário e profundamente humana, ampliam-se os quadros dos estudos da doutrina das entidades de um mundo maior.

Essa sensibilidade de ordem moral e de efeito puramente sublimado, frequentemente descrito, é a existência em si mesma. De nada serve discutir se esse raciocínio se reduz a um conjunto de representação ou se é, ou deve ser mais do que isso. O certo é que o que se constata não pode ser produzido por nossa espontaneidade. Existir para nós, é ter consciência de sua própria existência.

Com efeito, viver-se com intensidade é perfumar-se com a essência das coisas. E por essência não entendemos (segundo Sartre) somente a estrutura, mas, ainda, a individualidade mesma. A essência do universo moral de todo indivíduo, é o ESPÍRITO

*Advogado, jornalista, cronista e historiador. 

terça-feira, 28 de outubro de 2025

Compreensão


Associação  de elementos humanos se torna mais perfeita e mais feliz, na medida em que se concentra mais fraterna. É nesta atmosfera da amizade cívica que uma sociedade se constitui mais humanística e realiza fraternalmente o seu  bom. O homem como criatura racional deve ser consciente de sua capacidade de criar no eterno. Liberta-se da oscilação mental e entende as coisas acima do bem e do mal.

O tempo e o espaço se conjugam dentro do sistema biológico da espécie humana. O ser aprende pelo desdobramento de sua própria natureza tridimensional. Nesse estado, a dimensão vibratória se identifica entre dois mundos de comunicações. Esse estado cultural aparelha a mente às reflexões de ordem fraternal. E este estágio afasta o separatismo por  meio da espiritualidade universal.

Não é preciso uma natureza angelical para sentir os efeitos aureolados pelos caminhos da perfeição. O homem pelo seu espírito, sabe imprimir um  cunho de sociabilidade afetuosa em todas as dimensões de  sua alta compreensão. Não é  exibição previamente programada contra a autocensura do  talento político e social da presença humana do homem criar dor de amplas possibilidades. Isso é mais um dos aspectos da improvisação mental do homem traquejado pela rebeldia. Isto é pela capacidade indefinida de criar a presença do histórico.

Autor dessa filosofia de vida o ser humano sabe que neste mundo, o domínio da compreensão não é fácil. Contudo, a presença difícil não chega atingir às raias de um problema. Nesse conceito, a capacidade de enfrentar os problemas anula os seus efeitos. Problema equacionado perde a sua qualificação, e passa para o  plano da mentalidade comum.

Os problemas das massas são os mesmos da soma dos indivíduos multiplicados. Embora a psicologia coletiva nos  adverte que a sociedade é mais  condensadora do que as somas dos indivíduos. A sua natureza essencial implica em certo casuísmo. Dai o velho e estupidamente explorado conceito de direito público: os interesses da sociedade são  superiores aos do indivíduo. 

Mas não é um fato evidente que isto que sou nos meus contatos com os outros é que  gera a sociedade? É que, se eu não me transformo radicalmente nunca poderá haver uma transformação na função essência da sociedade? "Quando nos baseamos num sistema para transformar a sociedade estamos apenas descartando o problema, porque um sistema não pode transformar o homem". Esse raciocínio é do privilegiado humanista cultural, Krisnhamurti, considerado "O Instrutor do Mundo".

A história nos mostra que  sempre é o homem quem transforma o sistema. O homem esclarecido domina pela inteligência e é superior ao meio ambiente.

Se não me compreendo nos  meus encontros com os meus semelhantes, eu sou a causa do caos, da miséria, da destruição, do medo e da brutalidade. E nos tornamos coparticipantes das agressões à natureza humana e a destruição passa cominar boa parcela da sociedade. Compreender-me não é  uma questão de tempo. Queremos dizer que posso compreender-me neste instante. A compreensão não depende do tempo no sentido "cronométrico".

"Se eu digo: "eu me compreenderei amanhã", eu quero dizer que não posso compreender neste instante. Tentando adiar o tempo estou retardando o tempo, e gero o caos e a  miséria, minha ação é destruidora. "A partir do momento em que digo: "eu me compreenderei" introduzo um elemento de duração e já estou mergulhado na onda de confusão e aniquilamento.

A compreensão é forçosamente AGORA. E não amanhã. Amanhã é para o espírito preguiçoso, para o espírito apático, para o homem desinteressado do problema. Quando nos apercebemos, no momento exato da ação, agimos imediatamente, existe compreensão e  transformação imediata. A mudança que acontece amanhã é  apenas uma modificação e não uma transformação. A transformação acontece agora: a revolução mental é AGORA, e não amanhã. O exemplo do  agora se eterniza porque pertence a vida no tempo e no espaço que são o eterno presente, onde a compreensão é sempre AGORA.

*Advogado, jornalista, cronista e historiador | Crônica transcrita do jornal O Monitor.

segunda-feira, 27 de outubro de 2025

A evolução do conhecimento humano

Jesus de Oliveira Campelo

Jesus de Oliveira Campelo*

O mundo de hoje invade o cotidiano do ser humano de tal forma que vai se tornando cada vez mais difícil vislumbrar-se o que está dentro do intimo de cada de cada um e, por conseguinte, visualizar as causas de determinados desequilíbrios causadores de angústias e de outros problemas tratados nas áreas da psicologia.

Não há tempo disponível nos afazeres diários e, até mesmo, falta de interesse para dedicar-se ao conhecimento de algo que faz parte da vida, algo que comanda seu destino aqui na terra e que prosseguirá vivendo depois da morte.

Estuda-se o corpo humano, a natureza, o universo, prepara-se exaustivamente para se enfrentar a vida aprendendo várias matérias que lhes servirão para palmilhar os caminhos em busca de um futuro que o faça mais poderoso, mais rico, mais respeitado, mas não se preocupa em conhecer às razões de sua passagem pela terra ou faz de maneira superficial.

À medida que o ser humano vai estudando e compreendendo a razão de sua existência, vai penetrando nos mistérios da criação e retificando as ideias que até então formou acerca da origem das coisas e de si mesmo.

O que se deu na ordem física, com a ciência esclarecendo a origem da Terra e dos seres vivos que nela habita, deu-se também na ordem dos conhecimentos  acerca do mundo espiritual. A busca pelo desenvolvimento é inerente ao ser humano. O estudo de inter-relação entre sintonias do corpo físico e do espírito leva o ser humano a compreensão do mundo espiritual. O aprofundamento desse conhecimento deverá comprovar o que hoje ainda é para muitos, apenas evidências ou de outro tipo de manifestação.

Assim, para compreender um mundo em evolução incessante, é necessário explorar e empurrar os limites da consciência. As mentes fechadas são incapazes de aprender qualquer coisa.

O simples fato de ainda não se compreender totalmente evidências, fatos comprovados, depoimentos, pesquisas, não significa, por exemplo, ser a TVP - Terapia de Vidas Passadas, apenas fruto de fantasia, imaginação, alucinação ou alguma outra explicação proferida por incrédulos.

Pode-se se recusar a acreditar em reencarnação e vidas passadas, porém os resultados práticos não podem ser negados. Eles acontecem em consultórios de renomados médicos em várias partes do mundo, firmando-se como um novo degrau para psicologia. A Terapia de Vidas Passadas une conceitos espirituais e terapêuticos em um único caminho.

Pode-se dizer que esse novo ramo da medicina está se vislumbrando no novo cenário do conhecimento humano. O ser humano não é exclusivamente um ser orgânico, uma máquina, mas também espírito que é a fonte e o condutor de energia que se interage e é influenciada por todo universo que o cerca, tanto visível para os nossos olhos, como também o invisível.

Segundo depoimentos de renomados médicos, esse novo método de tratamento é capaz de conscientizar os pacientes de que é possível viver melhor, libertando-os dos sintomas de desequilíbrios oriundos de vidas passadas.

A história mostra que a ciência sempre contribuiu e continuará contribuindo para o progresso da humanidade, em todas as suas esferas de atividades. Vale  a pena estudar esses fenômenos através das experiências vividas em consultórios médicos em várias partes do mundo.

Sobre este assunto, assim se expressou o renomado médico norte americano, Dr. Raymond A. Moody, jr, M.D., PhD.. "Tenho plena confiança de que, dentro de poucos anos, esta pesquisa avançará até o ponto no qual experiências profundas que podem pelo menos ser chamadas de "psíquicas", e que bem poderiam ser chamadas de "espirituais", possam facilmente ocorrer em indivíduos psicologicamente normais". 

*Poeta, cronista e jornalista.

sexta-feira, 17 de outubro de 2025

Um mundo de paz

José Francisco de Souza

Na presença da realidade devemos enfrentá-la fitando com serenidade a luz  de seus olhos. Não devemos ser esquivos falando apenas de suspeitas. Elas ocasionam pressões muitos fortes, a ponto de nos deixar tomado, até mesmo imersos, dédalo de dúvidas torturantes. Não há nada mais dubitativo do que vivermos na  voragem de marginalização de tudo o que é certo. Isso deve ser apreciado com certa profundidade por quem não sente a consciência onerada.

A crise da família, que é apenas uma parte da crise geral do mundo contemporâneo, encontra explicação satisfatória à luz do princípio da reencarnação. Das lei do Carma, consequências de vida anterior, ou reações de atos praticados em outras oportunidades de vida, nesta ou em outra dimensão. Com o auxílio e determinação do código genético o mundo científico presta indeclinável colaboração. Ninguém pode prescindir das investigações da ciência, cujas pesquisas têm constatado meios idôneos e reais.

Tudo se encadeia na Natureza, desde do átomo até o arcanjo, que também já foi átomo. Estudando a evolução em todos os campos da vida, Léon Denis, autor do "Problema do Destino e da Dor", ensinou no alto de sua cátedra: "A  alma dorme na pedra, sonha na vegetal, agita-se no animal e acorda no homem. Ligando assim o destino humano ao destino das coisas. Dessa ligação surgem as comparações e os estímulos. Civilizar é, sobretudo, humanizar.

O homem não passa subitamente da infância à maturidade. O intelectualismo vaidoso é uma espécie de resíduo que dificulta o movimento da válvula natural da intuição espiritual e apressa o momento fatal. Nossos instintos animais, nossas ambições desmedidas, nosso orgulho ferido, nossas pretensões de supremacia aceleram dia a dia o ritmo da pressão interna.

O mundo interior de cada um de nós, é cheio de cogitações, onde o silêncio profundo desperta certa tranquilidade pontilhada de algo que nos sublima. É o Reino de Luz que habita, cuja presença dissipa todas as trevas em que o ser humano no encontro o domínio da paz que o mundo precisa.

Se queremos a paz, teremos de nos preparar para a paz. Só os pacíficos espalham as virtudes que transformam em  tranquilidade as tempestades das almas conturbadas pela guerra.

Assim o nosso pensamento encontra receptividade no universo moral e intelectual, do maior Instrutor do mundo, já desencarnado. Dessa maneira o Krishna Murtiano falar sabiamente nos ilumina como se deve conquistar a Paz.

Para implantar a paz no mundo, para pôr fim a todas as guerras, faz-se mister uma revolução no indivíduo, em vós e em mim. Sem esta revolução interior, a revolução econômica não terá significação, porque a fome é resultado do desajustamento das condições econômicas produzido pelos nossos estados psicológicos. A avidez, a inveja, a malevolência, a ânsia de posse. Para pôr fim ao sofrimento, à fome, à guerra, faz-se necessária uma revolução psicológica, e poucos de  nós têm disposição para tal. Estamos dispostos a conversas sobre a paz, planejar legislações, criar novas organizações, mas não estamos dispostos a ganhar a paz, porque não queremos renunciar à posição, à autoridade, ao dinheiro, às propriedade, as nossas vidas estúpidas.

Contar com os outros é inteiramente fútil; eles não podem trazer-nos a paz. Nenhum chefe irá dar-nos a paz, nenhum governo, nenhum país. O que trará a paz é a transformação interior. A transformação interior não significa isolamento ou retraimento da ação exterior. Pelo contrário, só pode haver ação correta quando há pensar correto, quando há autoconhecimento. Se não conheceis a vós mesmos, não há paz.

Para por fim à guerra exterior, temos que por fim à guerra que está em  nós mesmos. Alguns ficarão de acordo, depois sairão, para fazer exatamente a mesma coisa que vinham fazendo há muitos anos. Só haverá paz quando formos pacíficos, quando vivermos em Paz conosco e com o próximo. "A paz seja convosco". É a saudação do grande mestre Jesus o Cristo.

*Advogado, jornalista, cronista e historiador. 

quinta-feira, 7 de agosto de 2025

PAI NOSSO DE GARANHUNS


João Marques | Garanhuns

Pai nosso, que estás na cidade das flores,

Santo sempre seja o teu nome

E bem aventurado seja também o nome de Garanhuns.

Venha a nós o domínio divino das belezas e da paz,

Seja feita a tua vontade, nesta terra amada e no céu.

A farta sobrevivência do pão e da justiça nos dá em todo o tempo,

Perdoa os nossos erros e indiferenças,

Assim como festejamos a amizade e abraçamos os amigos.

Não nos deixas cair em tentações de poder desviar os nossos olhos dos encantos desta terra.

E livra-nos do mal...

Amém!

*João Marques dos Santos, natural de Garanhuns, onde sempre residiu, é poeta, contista, cronista e compositor.  Teve diversas funções nas atividades culturais da cidade: foi Presidente da Academia de Letras de Garanhuns, durante 18 anos, Diretor de Cultura do Município e, foi presidente da Academia dos Amigos de Garanhuns - AMIGA. Compôs, letra e música, o Hino de Garanhuns. Manteve desde 1995, o jornal de cultura O Século. Publicou quatro livros de poesia: Temas de Garanhuns, Partições do Silêncio, Messes do azul e Barro.

quarta-feira, 6 de agosto de 2025

Não devemos temer a morte


Jesus de Oliveira Campelo*

Desde os grande primórdios, grande parte da humanidade vem fazendo indagações sobre a razão de sua existência, e continua a se questionar: De onde vim? Para onde vou?

Mesmo, em se tratando de um fenômeno natural, a morte ainda se constitui num desafio para o ser  humano. Muito embora os religiosos acreditem na imortalidade da alma, o medo da morte continua desafiando e perturbando as suas mentes.

Os que não acreditam na sobrevivência do espírito após a morte, - os materialistas - estão convictos de que tudo no mundo é constituído exclusivamente de  duas coisas: energia e matéria. Elas podem ser transformadas, mas, nunca destruídas. Se for alguma coisa, a vida é energia. E, sendo energia, pode passar por várias transformações, mas nunca destruída. E, concluem: se a morte não é uma simples mudança, nada existirá depois dela, a não ser um sono eterno. Por isso não a desejam, mas dizem não temê-la.

O que difere na postura de quem possui a visão espiritual, daquele que é materialista, ou, ainda, daquele que possui ideias vagas a respeito da vida após a morte, é a falta de conhecimento dos vários aspectos da espiritualidade. O despreparo, o medo da definitiva separação, a angústia, a incerteza, o medo do desconhecido, o pagamento das penas pelas faltas cometidas, atormentam os que possuem superficiais conhecimentos sobre a morte.

A morte deve ser entendida como um fenômeno inevitável na natureza, que merece ser estudada e analisada em seus vários aspectos, a fim de ser melhor compreendida, e para que o ser humano possa lidar com ela com simplicidade e, não  apenas temê-la.

Não é possível que milhões de depoimentos em todo o planeta, sobre a experiência realizada por renomados médicos sobre o fenômeno da chamada Experiência de Quase Morte EQM, e o tratamento feito através da Terapia de Vidas Passadas - TVP, em indivíduos das mais variadas condições sociais, econômicas e culturais, por milhares de pesquisadores sérios, não mereçam crédito. Acreditamos não ser lógico nem científico, negar-se simplesmente pelo fato de não se acreditar.

Morte e vida são dois fenômenos mergulhados numa só experiência. A vida é essa oportunidade extraordinária que Deus deu para propiciar nosso progresso material e espiritual e que deverá ser vivida em toda sua intensidade, a fim de que se possa obter dela o máximo de aproveitamento. A morte é apenas um fenômeno natural de transformação que marca o fim da jornada terrestre e a volta para o mundo espiritual. O conhecimento da vida espiritual, em todos os seus aspectos, liberta o homem do medo da morte.

A ciência vai aos poucos vasculhando a vida e ampliando seus horizontes tentando mudar o paradigma deste importante acontecimento.

A psiquiatra suíça, Elizabeth Kubler Ross, deixou magnífica contribuição a respeito desse tema, através de estudos que mostram que a morte apresenta-se, não como um aspecto aterrador, mas como um fenômeno natural. Suas conclusões foram extraídas de longos anos de pesquisas junto a moribundos e pessoas que foram ressuscitadas em hospitais, onde mais de vinte mil casos foram estudados.

Outros pesquisadores de renome como o Dr. Ian Stevenson, Dr. Bryan Weiss, Dr. Raymond Mood Jr., Dra, Julita Kiskis, Dra. Patrick Druot, Camille Flammarion, o Engenheiro Gabriel Delane e tantos outros que, tanto no passado como no presente, continuam prestando suas colaborações na elucidação deste importante tema. O estudo do esplendor da vida pode, perfeitamente, clarear o entendimento humano, a fim de que a morte possa ser aceita como fenômeno natural.

Mesmo tendo conhecimento da imortalidade da alma, isso não significa que o momento do desenlace não seja desprovido de fortes emoções. A convivência física, o amor, a vida em conjunto, fazem brotar um sentimento de tristeza e saudade em qualquer criatura. Mas, em seguida vem a conformação, e tudo voltará ao normal.

*Jornalista, cronista, é membro da Academia de Letras de Garanhuns.

A busca do verdadeiro amor


Jesus de Oliveira Campelo*

As estatísticas demonstram que a cada ano cresce o número de separações de casais, principalmente entre os jovens, em todas as camadas da sociedade

Será que existe outra atividade tão importante, que seja iniciada com tamanha esperança e expectativa que apresente resultados tão negativos, quanto à união de casais? Pelos resultados das estatísticas parece que está havendo alguma coisa errada na escolha do parceiro(a) ideal.

A impressão inicial é que a escolha está sendo feita de maneira precipitada, e em muitos casos, baseada apenas nos dotes físicos da pretendente ou levada por interesses meramente materiais. Seria de suma importância, que antes de se comprometerem, os interessados se conhecessem melhor, e que durante a fase de namoro/noivado, procurassem conhecer os segredos de  uma união perfeita, para evitar que no futuro não viessem a amargar a desilusão do insucesso.

É uma aventura arriscada, pensar que o problema resulta da impressão de que seu amor estar sendo plenamente correspondido. Muitas vezes a escolha é feita, baseada unicamente nos atributos físicos da pessoa pretendida, ou seja: pela beleza do seu corpo, pelo sucesso de sua carreira profissional, ou por se  destacar na sociedade por sua riqueza, ou pela posição que ocupa ou ainda, por ter uma conversa agradável e interessante.

A maioria das pessoas de nossa cultura entende que bastam algumas das qualidades acima, para ser considerado(a) o tipo ideal que lhe trará felicidade no casamento. Agindo dessa forma as duas pessoas se apaixonam quando sentem que encontraram o melhor "objeto" disponível no mercado.

Numa cultura em que prevalece a orientação em que apenas são observadas algumas qualidade da pessoa escolhida, não há por que espantar que as relações humanas do amor obedeçam ao mesmo modelo que governa os bens materiais.

Hodiernamente, o que se observa mais frequentemente é a união precipitada de casais que se apaixonam sem se conhecerem totalmente e sem a perspectiva de se amarem por toda vida.

São duas pessoas estranhas, que em dado momento, derrubam a barreira que os separa e se sentem uma só, loucamente apaixonadas. Esse momento se transforma em uma das experiências mais estimulantes e excitantes da vida de ambos que estavam isoladas e sedentas de amor.

A parente solidificação desse amor está na consumação da relação sexual que hoje em dia está se  transformando num comportamento corriqueiro entre os jovens.

Mas esse tipo de amor por sua própria natureza, não pode ser duradouro. No decorrer da convivência no lar, quando passa então a se conhecerem melhor na intimidade, vai aos poucos perdendo seu caráter milagroso, até que o antagonismo entre eles, às decepções, o ciúme e os aborrecimentos liquidam o que restou da excitação inicial.

Quem se decide amar, tem que observar algumas premissas de vital importância para a felicidade futura do casal: Observar se o amor que se oferece, suscita realmente amor ao outro, e se é integralmente correspondido; Se existe confiança mútua na prática de seus atos: Se existe a intenção de dedicar-se inteiramente ao outro, dando provas de que é um amante apaixonado, que tem ao seu lado, não um objeto à sua disposição, mas um tesouro; E, finalmente, não medir esforços para tornar o seu amor cada vez mais pujante e feliz.

O verdadeiro amor é aquele que tem projeção para o futuro e não a ilusão do presente. O sonho do casal deve ser a família que é a maior conquista do ser humano. A felicidade é conseguida através da compreensão, do cuidado, da responsabilidade, e do respeito mútuo que deve fazer parte da convivência do casal.

E, depois de encontrar seu verdadeiro amor, e de desfrutar de uma longa convivência, diga com os olhos brilhando de felicidade: como é maravilhoso ser feliz e viver em paz com meus familiares!

*Jornalista, cronista e historiador, é membro da Academia de Letras de Garanhuns.

Reflexões

Sensibiliza-nos o drama de sua vida, ciente como estamos das acerbas experiências por que atravessa. Que fazer, pergunta-se. - Revista-se da calma necessária ao reequilíbrio. Sem tranquilidade nas atitudes; sem conformação em nossas vidas, tudo se transforma em noites de amarguras, em canseiras de angústias. Seria um caminho de ansiedade sem nome...

Em tudo há um porém. Valha-se da oportunidade que o existir lhe oferece. Sem desespero, paramos e pensamos. Seu pensamento (feito silêncio) tem respostas profundas às suas indagações. Primeiro ele lhe diz da inexistência do acaso. Depois, por consequência, afirma a tudo presidir uma razão de ser.

Em cada canto, estão as lições às nossas vidas. Não ignoramos as ofensas e as injustiças, das quais você se afirma grande vítima. No entanto, se não soubermos tomar as pedras que nos oferecem, como objeto de construção, seremos inúteis à própria vida. Talvez o seu silêncio já lhe tenha segredado uma outra verdade. É que, quando atiramos contra outrem, - as explosões da nossa violência, somos os primeiros a ser por elas atingidos. Isto não é uma reflexão necessária à nossa conduta?

Você se queixa. Reclama. Lamenta-se. Acusa. E, de quem a culpa? - Nada recebemos, senão na exata proporção do quanto merecemos. Se não fazemos jus a melhores créditos, não poderemos sorrir com a vida. Esta, qual eterno sorriso de criança é sempre alegre e indiferente à nossa imaturidade. Se a tudo apanhamos com dificuldades e tropeços; se a problemas, somamos outros problemas, maiores entraves recebemos. "Quem semeia ventos, colhe tempestades", não é a voz do refrão?

Nada vem por acaso. É lição bem repetida. Há um encadear de fatos e de acontecimentos. Tudo isto se situa como suporte de outros fatos. É uma sucessão infindável. Estas coisas despertam a nossa atenção para maiores reflexões. Do contrário, deixamo-nos vencer pelo desajuste. O desequilíbrio seria o charco, onde quase vivemos a nos coisificar.

Com frequência, fazemos os nossos problemas, bem maiores que realmente são. Nossas tristezas, as mais tristes que todas. Mas, há um pouco de sol em cada um de nós. Sim em você também. E, sol e vida. É esplendor. Luz. Seus reflexos batem e penetram nos pantanais de nossas vidas. Que acontece? - O sol é sempre o mesmo. Puro, nos seus raios. Brilhante, em sua majestade. Caminha todos os caminhos... Não se suja.

*Jurista, escritor e cronista.

terça-feira, 5 de agosto de 2025

Ambiente Social


Dr. José Francisco de Souza* | Garanhuns, 06/09/1986

Não é regra, nem modelo. É um preceito político e social. Algo que não modifica em sua disposição moral. O psicológico é relativo. Não obstante a sua estrutura não é muito sólida. A ato reflexivo não é divino. É material e exerce domínio no ser humano. Ninguém poderia negar a influência do ambiente na formação e comportamento de cada um de nós.

É preciso que depreenda com certa acuidade o valor elucidativo de tal influência. Ela se manifesta com muita habilidade a ponto de exercer, quase plenamente, a sua ingerência. Daí, a variedade de modificações, que domina quase todos os recantos do universo moral dos menos avisados. É um posicionamento de ordem e de costumes associativos. É preciso ser ativado pela própria natureza em processo de execução e com certa argúcia.

O cumprimento dessa ordem é um imperativo do sociológico. Do homem como elemento capaz de criar no eterno, onde o presente modifica-se assim mesmo, em busca de sua autêntica finalidade. O fator emocional é muito importante no comportamento de cada um que vive integrado no sistema dominante.

Isso pode ensejar um prognóstico de proporções, até certo ponto assustadora, no ponto de vista político. E em se falando em política, não se pode afastar as amplas possibilidades de princípios e reforma de base. O fundamental  é o apercebimento na ação conjunta dessas determinações. Qualquer organismo social quando afetado de qualquer infecção, todos os elementos humanos de sua constituição são passíveis de contaminar-se.

Impõe-se cuidado especial a fim de que não se modifique o equilíbrio entre o indivíduo e a sociedade. A coexistência pacífica é fundamental para que haja estabilidade em todos os segmentos da vida pública do homem.

O indivíduo para manter-se capaz de acionar as possibilidades de justiça social é preciso que a sua concepção seja fundamentalmente humana. Amigos de seus irmãos e irmãos de seus amigos. Em todos os setores em que o homem é figura central do progresso, o princípio moral do cristianismo deverá ser indeclinável. Compreendidos assim, os cuidados do embelezamento e de acabamento pessoais, se consolidam, sem alternativas.

Como consequências das mudanças que há um século, vem modificando, juntamente com as nossas representações experimentais do Mundo em que vivemos. O valor moral de muitos dos seus elementos, "o ideal religioso humano" tende a sublinhar tendências e a exprimir-se em locuções que parecem à primeira vista não coincidirem com o "ideal religioso". 

Não se busque nestes conceitos senão o dever de aproximação em tudo que se relacione com a realidade. Os fatos acontecem e pela sua própria essência determinam observações importantes. O que se verifica em torno de nós, quase sempre é determinada por circunstâncias de ordem psicológicas, onde o desfeito moral altera a percepção da realidade em si mesma.

Com efeito, o "Meio Divino" perderia toda a sua grandeza e todo o seu sabor para o conceito "místico", se por toda sua percepção gradativamente justificada, por toda a sua vontade solicitada e fortificada, este não sentisse perder tão completamente o pé no oceano divino, que nenhum ponto de apoio primeiro lhe fosse deixando, no fim de contas, a si mesmo, no fundo de si próprio, para a sua ação, que é sobretudo superar o ambiente social pelo bem comum.

*Advogado, jornalista, cronista e historiador.

segunda-feira, 4 de agosto de 2025

A felicidade

Geruza Herculano

Francisco Gueiros | Garanhuns 12/07/1986

Logo que homem sentiu a presença da adversidade, no curso da sua existência, ele começou a se desdobrar numa luta desigual, ansiando um futuro promissor e feliz. Imbuído da confiança no seu próprio valor intrínseco, ele tenta inutilmente, conseguir para si uma condição ideal de vida, aliada a um bem-estar duradouro. É do conhecimento de todos, o esforço que homem vem desenvolvendo com a finalidade de acumular riquezas, para assegurar-lhe "estabilidade e  paz" mesmo por um período existencial bastante curto. A felicidade completa e verdadeira é uma dádiva do Deus vivo, ao homem, visto que, cumpre na íntegra as suas promessas para com os que o amam e guardam os seus mandamentos.

Vejamos o que diz a Palavra de Deus, registrada em Lucas 11.9: "E eu vos digo a vós: Pedi e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei, e abrir-se-vos-á". A corrida do homem em busca da "felicidade" vem de muito longe, ao ponto de fomentar sangrentos combates com o uso de armas sofisticadas, e, as suas principais vítimas, na maioria são: inocentes e indefesos, atingindo povos e nações com as suas históricas "lutas libertárias", que, no decorrer dos anos são transformados em ideais frustrados. Para que o homem seja o alvo da felicidade oriunda dos céus, torna-se imprescindível seguir o caminho estabelecido na Bíblia, que é a bússola de Deus. Leiamos Salmos 37.5: "Entrega o teu caminho ao Senhor; confia nele e ele tudo fará".

E, para o homem gozar da plenitude de chuvas de bênçãos celestes, é preciso estar com o coração pleno e transbordante de Fé no Senhor dos Exércitos, recitando os Salmos 23.1: "O Senhor é meu pastor e nada me faltará". É enganoso pensar que a felicidade depende de um bom relacionamento social, seguido do indispensável elevado padrão de conforto, juntando-se a isto, as reservas suficientes para garantir o futuro. Todas estas coisas são boas e agradáveis, porém carecem da aprovação de Deus com as suas imensuráveis bênçãos.  Lembremos a recomendação encontrada em Mateus 6.33: "Mas buscai primeiro o reino de Deus e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas".  Mateus 6.20: "Mas ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem e onde os ladrões não minam nem roubam". Mateus 6.21: "Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração.

A felicidade não é uma conquista do homem, e sim um dom de Deus. Ela depende da comunhão direta e ininterrupta do homem com o Criador, como ensinam as Sagradas Escrituras.

Evangelho no Lar


Dr. Aurélio Muniz Freire

Nosso tempo necessita de evangelização. Mais ainda, de espiritualização. Continuamos sem entender aquele aviso: "Meu fardo é leve, o meu jugo é suave"

Nosso mundo está muito carente de fraternidade, de amor. Do coração de muitos homens, fogem o entendimento, a verdadeira compreensão. Entregam-se mais à discórdia, à desarmonia, às ambições desmedidas, à transitoriedade das paixões do terra-a-terra. Vivem os frutos do desamor, na expansão sem freios de muita violência. São caminhos de desassossego. Estradas de intranquilidade.

Nosso orbe, a grande  morada do  homem, vive assim desajustada e infeliz, porque  a instabilidade psíquica de muitos escreve as tempestades de suas preocupações. Tudo isso acontece, visto corrermos incessantemente na  perseguição quase exclusiva de valores transitórios, descurando de nossas casas mentais, de sua limpeza, e abrigamos os nossos espíritos em corpos tisnados pela sujidade dos nossos desvios. Assim, moramos distanciados da harmonia que constrói um mundo melhor, engrossando os agentes poluidores de nossa psicosfera, retardando a  melhoria de condições gerais, pelos vícios do nosso tempo.

A humanidade poderia viver tranquila, serena, sem maiores problemas de desajustes, caso buscasse primeiramente os valores do espírito, os tesouros que as traças não roem, nem roubam salteadores. "Buscai, em primeiro lugar, o reino de Deus e a sua  justiça, e tudo o mais vos será acrescentado". É um princípio de realização interior e de integração com o mundo  exterior. É felicidade. No entanto, ainda procuramos em primeiro lugar, amar o "mundo de Deus" depois buscarmos o "Deus do mundo", contrariando a sublime mensagem do filósofo (Huberto Rohden), que nos recomenda sentirmos o "Deus do mundo", para, então, compreendermos e amarmos "o mundo de Deus".

O próprio Evangelho vem de há muito sofrendo tremenda inversão. Muitos dos seus  princípios (notadamente sua filosofia de vida) estão sendo torcidos, para  uma satisfação de interesses materiais e uma civilização que foge das coisas do espírito. A mudança e tão acentuada que até mesmo pessoas que se dizem mentoras, guias, condutores religiosos, consciente ou inconscientemente aderiram à metamorfose evangélica. Para estes, que invertem a palavra de sabedoria milenar, Jesus teria dito: "Buscai primeiro as coisas do mundo (terras, justiça social, dinheiro, casas, bens materiais, riquezas, prestígio, "status" social, posições, etc) porque o reino de  Deus e a sua justiça vos serão dados por acréscimo de sua misericórdia". Como resultado deste evangelho de homens tornados minúsculos, responde a própria sociedade: sem paz, sem  tranquilidade, num mundo que lhe parece um inferno, pois que esta "espiritualidade", que é do mundo dos homens e não do "mundo de Deus" é apenas um verniz. Nosso comportamento tem sido materialista, sem Deus, ainda quando nos afirmemos cristãos ou espiritualistas.

Nosso tempo necessita de evangelização. Mais ainda, de espiritualização. Continuamos sem entender aquele aviso: "Meu fardo é leve, o meu jugo é suave". Prosseguimos lançando peso e insuavidade à vida. Nossa morada, que é o mundo, nesta imensa casa de  Deus, o seu universo, somente será o reino da felicidade, quando as criaturas se transformarem interiormente, na construção da paz que não faz a guerra, na edificação do amor que desconhece o ódio.

A Doutrina Espírita, que se dirige notadamente à reforma do homem, defende e apregoa o Evangelho no Lar, como um dos meios ao progresso da Terra. Se se eleva o lar, todos os seus recebem paz. Se a maioria das famílias passam à tranquilidade de vida, novas condições surgiriam na sociedade. Haveria a implantação normal, espontânea de uma justiça natural, qual nova ordem alicerçada nas leis de amor. Jamais teremos um mundo melhor, enquanto inquietos vivermos tão somente pelas coisas que passam. A civilização contemporânea retrata o estado mental de um povo ansioso, angustiado, habituado em casas que deixam de ser lares...

*Jurista, escritor e cronista | Garanhuns, 06 de outubro de 1984.

Deixar-se surpreender por Deus


Marcílio Lins Reinaux* | Recife, 11/08/2013

O título que encima estas linhas foi uma das expressões usadas pelo Papa Francisco, na sua Homilia quando da sua visita ao Brasil. A frase faz parte do contexto de um parágrafo daquele documento oficial de Igreja Católica, estando inserida no meio de duas outras: "Conservar indescritível de qualquer um que busque à Deus e se deixe por Ele, surpreender. Quem o fizer vai comprovar que não raras vezes, quando buscamos a Sua presença, ficamos surpresos com as coisas que nos acontecem. Algumas quase tão inacreditáveis, que parecem ser até miraculosas.

A oportunidade de se ter agradáveis surpresas, é desafiadora. É só conferir: E será que antes que clamem, Eu responderei, estando eles ainda falando, Eu os ouvirei". (Isaias: 65:24). Haverá surpresa maior do que esta de ter a resposta dada antes do pedido terminado? Só Deus. Este é, pois, um dos muitos exemplos irrefutáveis de que "deixar-se surpreender por Deus", será sempre maravilhoso, pois Ele com certeza, nos dará bênçãos sobre bênção em forma de surpresas.

E assim surpresos e ou surpreendidos pela Graça de Deus, que nos diz e assegura: "Basta-te a minha graça", estaremos diante da terceira recomendação que é: "Viver com alegria". Alegria por tudo que Deus nos tem dado, em especial o maravilhoso e inefável dom da vida. E mais ainda: a vida na plenitude da presença de Deus.

Conservar a esperança é coisa boa. Ter alegria é muito bom também. Quem não gosta de ter alegria? Mas de todas, experimentar as surpresas que Deus nos reserva a cada dia a cada hora, será sempre uma indescritível de qualquer um que busque à Deus e se deixe por Ele, surpreender. Quem o fizer vai comprovar que não raras vezes, quando buscamos a Sua presença, ficamos surpresos com as coisas que nos acontecem. Algumas quase tão inacreditáveis, que parecem ser até miraculosas.

A oportunidade de se ter agradáveis surpresas, é desafiadora. É só conferir: "E será que antes que clamem, Eu responderei, estando eles ainda falando, Eu os ouvirei". (Isaias: 65:24). Haverá surpresa maior do que esta de ter a resposta dada antes do pedido terminado? Só Deus. Este é, pois, um dos muitos exemplos irrefutáveis de que "deixar-se" surpreender por Deus", será sempre maravilhoso, pois Ele com certeza, nos dará bênçãos sobre bênção em forma de surpresas.

E assim surpresos e ou surpreendidos pela Graça de Deus, que nos diz e assegura: "Basta-te a minha graça", estaremos diante da terceira recomendação que é: "Viver com alegria". Alegria por tudo que Deus nos tem dado, em especial o maravilhoso e inefável dom da vida. E mais ainda: a vida na plenitude da presença de Deus.

Conservar a esperança é coisa boa. Ter alegria é muito bom também. Quem não gosta de ter alegria? Mas de todas, experimentar as surpresas que Deus nos reserva a cada dia a cada hora, será sempre uma bênção a ser somada na nossa vida. Deixar-se surpreender por Deus é enfim o melhor e mais oportuno conselho nos dias atuais. Fica a recomendação pastoral.

*Jornalista, poeta, escritor, pintor e professor.

Os rumos da humanidade

Jesus de Oliveira Campelo | Garanhuns Se compararmos o comportamento da humanidade de hoje com de décadas passadas, vamos verificar que exis...