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domingo, 10 de maio de 2026

Oração a Mãe

João Marques dos Santos

João Marques | Garanhuns

Ave, mãe

te invoco santa

pela graça do céu

e a bênção da vida

nessa terra em construção


mãe que multiplica

ama e ampara e toca

dando vida ao ser,

com certeza anjo

que se doou...

ventre seios

e as mãos amigas

da  esperança e da guarda


mãe, bendita  

entre as mulheres

e escolhida entre os homens

para ser geradora

como vaso sagrado

da verticalidade da espécie,

ensina-nos, ó mãe 

a amar a vida

e roga a Deus

pelos filhos desgarrados,

e pela paz do mundo.

Dia das Mães, 12 de maio de 2024.

Mãe é exemplo de vida - Sandoval Ferreira

Cultura Popular

Direção artística: Everton Kelly

Direção Musical: Gido Silva

Percussão: Fabricio Vasconcelos

Mixagem: Juka Mix

Produção: Michael David

SANDOVAL FERREIRA

Sandoval Ferreira nasceu em 27 de fevereiro de 1983, em Iati, Pernambuco. Morou no Sítio Aguazinha até os seus 15 anos. Filho de  pais pobres morava numa casa sem energia onde a principal atração à noite era a luz de candeeiro a gás. O pai reunia os vizinhos e seu irmão mais velho era quem lia os folhetos de literatura de cordel. Depois Sandoval passou a ler e despertou o interesse pela poesia.

Aos 15 anos mudou-se para o Povoado Bela Vista, também em Iati, onde fez muitos amigos, viveu por lá até os 22 anos.

Aos 18 anos de idade fez uma apresentação de cordel em sua escola para o secretário de educação de Pernambuco, sendo que todos gostaram, foi o que lhe deu motivação para seguir em frente. É técnico agrícola e reside em Garanhuns.

Publicou os livros e CDS: Meu Sertão em 12 Versos - Causos Nordestinos, Porteira Velha se Abrindo Faz Meia Lua no Chão e o CD Humor Cordel e Repente.

terça-feira, 5 de maio de 2026

Lembranças


Natanael de Vasconcelos, Santo André/SP, 1971

Teus cabelos negros, sedosos, alongados,

São macios como uma flor ao amanhecer.

Iluminam os caminhos do meu viver

Teus olhos negros, meigos e avivados.


Em teu rosto sereno, dias passados

De felicidade, brandura e de prazer,

Mesmo da infância ainda se ver

Neste lindo semblante retratados.


O teu nome sempre procurei saber

E sabendo-o não poderei esquecer,

Como também, momentos são lembrados.


Quando a saudade insiste aparecer

Rapidamente corro p'ra te ver 

Nos retratos comigo guardados.

quarta-feira, 29 de abril de 2026

Passarinho aprisionado - Paulo de Melo

 Produção Musical: Beto Viola e Deir

Composição: Paulo de Melo

Paulo Dácio de Melo é poeta, cantor, escritor, cronista, repentista e um defensor da natureza.

Tendo escrito seu primeiro livro poético intitulado “O Respaldo do Progresso" em   2017 . Paulo afirma com bom humor: “O segundo melhor livro do mundo, o primeiro é o do meu professor”. Em 2018 escreveu o segundo livro "Fragmentos" e gravou seu primeiro CD de poesias no mesmo período, também intitulado “Fragmentos”.

Paulo de Melo é proprietário de uma sementeira trabalhando com árvores frutíferas, a exemplo da jaca enxertada, Flores do Deserto, Sumaúma e Baobás, entre outras raridades. Seu objetivo é reflorestar e reparar os danos à natureza por conta do progresso e do mau uso das pessoas. Este tema é o que o inspira a construir suas poesias, crônicas e discursos literários.

Nasceu em Palmeirina, Pernambuco e se criou em Saloá ao lado de cachoeiras e matas. Teve também agregado em sua experiência de vida, passagens em outros estados do país e até mesmo no exterior.

domingo, 26 de abril de 2026

Os 200 Zé da Cidade de Lajedo - Pernambuco


Wilson China  / 2014

Resolvi fazer pesquisa
Só pra ver como é que é
Descobri que em Lajedo
Tem um punhado de Zé
Alguns que já morreram
E outros que estão de pé.

Contrariando a música
E fazendo meu banzé
Mostro pra todo mundo
E não é coisa qualquer
Que não é só na Paraíba
Que existe tanto Zé.

Meu Lajedo Querido
Por si mostras o que és
Grande celeiro de artistas
Poetas e menestréis.
Agora eu peço licença
Para falar dos seus Zés.

Veja só o resultado
Queiram me acompanhar
Pesquisei e perguntei
Ao povo deste lugar
Vou mostrar neste Cordel
Quanto Zé eu vou falar.

Zé Vicente e Zé do Talho
Zé Gaguinho forrozeiro
Zé Pelado, Zé Macambira
E também Zé Borracheiro
Zé Panela e Zé Bispo
Zé da Beata e Zé Celeiro.

Dr. Zé Alberto é dentista
Tem Zé Branco e Zé Preto
Zé esteves cantador
Que cantava no coreto
Zé Cajú e o Zé Dino
Zé Mulher e Zé Galeto.

Zé de Bia, Zé do Carmo
Zé Cocada e Zé Crispim
Zé do Bode e Zé Mané
Zé Gato e Zé Fumim
Zé Pangola e Zé Izidio
E Zé de seu Joaquim.

Zé Pedro pai de Adeilzo
Zé Braguinha e Zé de Nuta
Zé Merquire era meu pai
Que não fugia da luta
Zé Arnaldo é metalúrgico
E seu Zé que vende fruta.

Zelito e Zé Mário de Lelé
Zé Mochila e Zé Pretinho
Zé Cosme e Zé Baixinho.

Zequinha do cachorro quente
Zé Braúna e Zé de Tião
Lembrei de Zezé do Cartório
Zezinho de João Jordão
Saudoso Zé da Madalena
Na sanfona um campeão.

Zé de Basto e Zé Leite
E Zezinho Cozinheiro
Zé Aurélio da COHAB
Zé Dentista e Zé Pedreiro
Zé Maria de Iza
Zé Ita e Zé Fogueteiro.

Seu Zé do Mungunzá
Zé Bento comerciante
Zé Amaral de Salobro
Zé Lima foi estudante
Zé Papa Vento pedreiro
Zé Piaba ambulante.

Zé Baixinho da Caçamba
Zé de Sátiro pipoqueiro
Zé Bimbau e Zé celer
Zé Cosme foi fazendeiro
Zé Belo ex-vereador
Zé Vital era Bicheiro.

Zé Laurindo e Zé de Juca
Zé Daniel foi Padeiro
Zé de Sales Escriturário
Zé Rocha faz fogareiro
Zé Burgos foi político
Zé Maria do Candeeiro.

Zé Candeia e Zé bigode
Zé de Rafael pedreiro
Zé do Saco é motorista
Zé Coelho é bodegueiro
Seu Zezé da padaria
E Zezinho cachaceiro.

Zé Lacerda e Zé Matuto
Zé de Júlio e Zé de Jarino
Zé Antonio de Tungueira
Zé Crisostomo e Zé Menino
Zé Corujão e Zé da Pedra
Zé Roberto e Zé Quirino.

Zé Nicolau e Zé de Psiu
Seu Zé Deca da oficina
Zé Inácio e Zé das Máquinas
E também Zé de Porcina
Zé de Quitério e Zé Crente
Zé do Grude contamina.

E o Zezinho de Baiano
Escreve verso popular
Zé Rosa que foi eleito
Pra Lajedo governar
Zé Mariano ainda é
Músico deste lugar.

Zé da Jega poda árvore
Zé Nivaldo é professor
Zé Pretinho e Zé Caetano
Zé Calça Feita vendedor
Zé Homem da COMPESA
Zé Chico e Zé de Chicor.

Zé Pereira da Madalena
Zé da Água Zabumbeiro
Zé Gago hoje té cego
E continua maloqueiro
Zé Rufino do moinho
Zé do Foto e Zé Ribeiro.

Zé Tostão, Zé Caxaramba
Zezinho Carioca e Zé do Ouro
Zé Nonato foi prefeito
Nas urnas deu um estouro
Zé do Gorro e Zé do Gás
Zé Viana e Zé de Louro.

Zezinho do Olha D'água
Zé Paulo que é cantor
Zé Rocha e Zé de Pai
Zé Luiz e Zé Pastor.
Zé Braga e Zé Jordão
Zé de Holanda tocador.

Zé de Dona Nêga e Zé Brás
Zé de Afrânio e Zé Senhor
Zé de Jonas Motorista
Zé de Lima professor
Zé Coco do Ônibus
Zé Maria ex-vereador.

Zé Cordeiro da Gráfica
Zé carlos Relojoeiro
Zé de Zulmira e Zé Boi
Zé Bispo e Zé Barbeiro
Zé Correia e Zé Tomaz
E Zé de Chico Funileiro.

Zé de Tereza e Zé Galego
Zé Monteiro da vidraçaria
Zé de Zito e Zé de Zulmira
Zé Vicente e Zé de Lia
Zé de Ginu Zé de Chianca
Zé Berto e Zé Anania.

Zé Antonio que é maestro
Zé Carro da serraria
Zé Preto de Dedé Mofado
No Olho d'água tem Zé Maria
O mestre Zezinho Carpinteiro
Zé Cabeleira e Zé Vigia.

Zé Trupé e Zé Cambista
Zé Luiz e Zé Pintor
Zezé Perna de Alicate
Era atleta amador
Zé Onofre pai de Berto
Zé Duda e Zé Doutor.

Zé Alberto de Peinha
Na CELPE tinha Zé Cancão
Zé Felix era pifeiro
O melhor da região
Seu Zequinha alfaiate
Me lembrei de Zé Fofão.

Seu Zé das Bicicletas
Zé Liar e Zé lambreta
Zé Auri e Zé Pencor
Zé Maria de Riqueta
Zé de Noza e Zé Neco
Zé de Lôzo e Zé Perneta.

Zé de Pedrinho taxista
Zé que vende Coentro
Zé Aureliano pedreiro
Zé trocador de Jumento
Zezé de Cirilo e Zé Pindoba
E chegou Zé Passo Lento.

Zé Clovis de Chico Doido
Zé Aluízio "Perninha santa"
Zé Milton é Seresteiro
Sua voz nos encanta
Zé de Lulu, Zé Anastácio
Zé Cambista e Zé Panta.

Zezinho Lauça e Zé Lêdo
Zé Mucica carreteito
Em frente ao Industrial
Morou Zequinha Salgueiro
Zeca Ferreira conserta rádio
Zé Ivo que é motoqueiro.

Falei em mais de 200 Zé
Escrevi de forma correta
Seu Zé Paulo Barbosa
É nome de poeta
Além de ser escritor
Fazia a rima correta.

Nunca pensei que na vida
Tanto Zé eu conhecia
E junta-los em um Cordel
Pensei que não conseguia
Quanto mais Zé eu lembrava
Mas outra Zé me aparecia.

Acredito que em versos
Eu fiz a coisa direito
Perdoe-me se deixei algum
De fora deste folheto
Mas todos que eu falei
Merecem nosso respeito.

Que Deus abençoe o Zé
Do sítio ou da cidade
Letrado ou analfabeto
Pois todos tem capacidade
De viverem muito felizes
Até com uma tenra idade.

Pra mim foi uma alegria
Escrever este Cordel
Memorizei os nomes
Decorar é meu papel
Pra eles e seus familiares
Eu tiro o meu Chapéu.

O nome Zé é Bonito
Mas tem gente que não quer
Eu me chamo Wilson China
Minha mãe quase bota Zé
Até o pai adotivo de cristo
Tem o apelido de Zé.

Wirge! Com tanto Zé
Isso até parece praga
Lajedo é cheio de Zé
Somente o tempo apaga
Ontem falei com Zé Augusto
No mercado de Zé Chaga.

Finalizando o Cordel
Encontro de tanto Zé
Isso foi satisfatório
Tudo fiz com muita fé
O Cordel ficou bonito
Sobrou Zé pra ser escrito
Ave Maria! Quanto ZÉ.

sexta-feira, 17 de abril de 2026

Floresta agonizante

Genivaldo Almeida Pessoa

Genivaldo Almeida Pessoa

Antes...

Terra de índios valentes

Que habitavam a mata virgem,

Que amparavam, animais, árvores e rios,

Guerreiros e, mais ninguém...


Tupã Deus indígena

Mandava-lhes forças do além...

Contra qualquer invasão

Às suas terras sagradas...


Os rios de águas límpidas

Corriam serenas pela floresta,

Sem quem tombasse

Uma só árvore ao chão...


Terra de tribos e lendas...

Amazonas era uma só festa

De animais e plantas nativas,

Templo do verde e da vida...

Que protegia com força e fé

Toda raça de animal tal como Arca de Noé...


Ninguém sentia que um dia,

O próprio homem com ambição

Destrói o seu mundo...

O Amazonas sem vida

E a terra sem seu pulmão,

A esperança esquecida, em cada árvore caída,

Que o machado lhe leva ao chão...


O homem sucumbe em sua última "quimera"...

As queimadas ardentes

Que destrói tudo na frente...

É fogo!

E o inferno que lhe espera...

Garanhuns, Pernambuco |  Ano 2008.

terça-feira, 31 de março de 2026

Solidão

José Hildeberto Martins

José Hildeberto Martins

Toda solidão é a mesma.

Tem  feição pálida e sombria.

parece mais farol esquecido

nos confins do mundo.

O amor perde o viço,

quer água e café;

murcha tão depressa

e nunca mais situa,

delirando na terceira idade.

Toda solidão é igual,

tecida de desprezo e saudade,

de contatos perdidos.

Garanhuns | Ano 2006.

O sapo namorando com a jia - Zé Castor

terça-feira, 24 de março de 2026

Uma canção para Garanhuns

Maurilo Campos Matos

Maurilo Campos Matos

Resplende na terra, num vale virente,

E o grito da seiva que explode na serra,

Atrai o Quilombo e o Cariri.

Do audaz sertanista dos passos ressoam

E alcançam o vale dos bravos Unhanhuns:

Os sangues se mesclam e os campos povoam

Então tu nasceste assim, Garanhuns.


Garanhuns,

Canta alegre a canção que tu és;

Que da paz sejas sempre o cenário,

E teus filhos, do amor os Lauréis.

Canta forte a canção da nascente,

Que fecunda teus vales, teus montes;

Esta mesma canção que da gente

Jorra como as águas das fontes.


Do herói bandeirante tu foste pousada,

Refúgio de negros nos teus alcantis.

Dançaste o toré e fizeste toada,

Promessas, macumbas e ouricuris.

Ó bela Simôa, teus filhos conclama

E lembra teus feitos desde o alvorecer.

A quem bem alto teu nome proclama,

Exulta no hino do teu florescer.

Padre Gabriel Hofstede - Literatura de Cordel

Padre Gabriel Hofstede e Anchieta Gueiros

Nelson Wanderley / 2019

Queridos paroquianos

Vou descrever em cordel

Algo do que nós sabemos

Deste que foi tão fiel

Um pouco de sua história

Do Bom Padre Gabriel


No dia nove de abril

Em trinta e três era o ano

Nasceu lá no estrangeiro

Mas Deus já tinha um plano

Mandá-lo para o Brasil

Para ser pernambucano


No dia em que nasceu

Foi pra igreja levado

Era domingo de Ramos

Neste dia celebrado

Com o nome de Adrianus

Ele já foi batizado


Aos treze anos de idade

No seminário ele entrou

Para ser Redentorista

Esta missão que abraçou

E já com seus vinte anos

Foi quando se consagrou


No ano cinquenta e cinco

Chega ao Rio de Janeiro

Foi cursar teologia

Junto do povo mineiro

E no ano cinquenta e nove

Ordenou-se em fevereiro


Como novo Sacerdote

De grande potencial

Foi estudar lá em Roma

Teologia Moral

E depois foi professor

Em Recife capital


Com ardor missionário

Foi seu foco principal

A ajudar quem precisa

Seu lema espiritual

E Dom Helder lhe tratava

Como "Meu provincial"


Atendendo a um chamado

Em Monteiro foi morar

Viveu lá por sete anos

Que lhe marcou no lugar

ele ajudou tanta gente

Que é difícil enumerar


Além da evangelização

Seu forte era caridade

Olhava gente da roça

Ajudava os da cidade

E quem queria estudar

Ele dava oportunidade


Ajudou a muita gente

E que não tinha condição

Mas precisava sair

Para uma outra região

Ele foi um pai bondoso

Na área de educação


Centenas de estudantes

Ele ajudou a formar

Consegui lá da Holanda

Sempre alguém a lhe ajudar

Fez até que holandês

Com paraibana casar


Sua vida foi em ajudar

Desde a criança ao idoso

Criou uma creche em Monteiro

Foi sempre bem corajoso

E deu casa a quem não tinha

E ao cansado o repouso


O povo jamais esquece

Por tudo que o tinha feito

Na Região de Monteiro

Conquistou muito respeito

Para ajudar o pobre

Ele sempre dava um jeito


Ele trabalhou no Recife

Campina Grande também

Nas terras onde passou

Sempre ajudou alguém

Em matéria de caridade

Gabriel foi mais além


Vindo para Garanhuns

Para cumprir seu legado

Continuou sua missão

Sendo um desapegado

E como Pai Abraão

Pelo clero era chamado


Sua vida foi marcada

Por seu jeito paternal

Que acolhe o filho pródigo

Sendo este impessoal

E lutar pelo mais fraco

Com a justiça social


Com amigos da Holanda

Construiu até capela

Bem pertinho do Castelo

E ele inaugurou ela

E com ajuda de outros

Fez reformas na favela


Na área de educação

Muita gente ele ajudou

A quem queria estudar

Muitos cursos ele pagou

E com dinheiro da Holanda

Muita gente se formou


Deu casa a quem não tinha

Ajudou quem precisava

Dividia com os demais

Tudo que ele ganhava

E era grande a soma

Dos boletos que pagava


Contas de água e de luz

Só lhe entregavam o papel

Que ele pagava sempre

Como pagador fiel

Pagava conta em farmácia

E também de aluguel


Era grande a romaria

Que a ele procurava

Lhe pedindo algum dinheiro

E ele sempre ajudava

Ou pagar alguma conta

Que ele nunca negava


E na fazenda esperança

O seu apoio ele dava

Onde com muita alegria

No domingo celebrava

Eu vou ver minhas meninas

Era assim que as tratava


Para confessar o povo

Ele jamais se cansava

E para ajudar alguém

Uma solução procurava

Ele jamais se negou

Quem sua ajuda buscava


Se ganhasse algum presente

A ele não se apegava

Se fosse roupa ou calçado

Ou coisa que ele usava

Ele com muita alegria

daria a quem precisava


Ele também foi exemplo

De devoção à Maria

De Deus Pai Nosso Senhor

Como sempre ele dizia

E com amor celebrava

A sagrada Eucaristia


Apesar de sua idade

Não demonstrava cansaço

Ao jovem que o encontrava

Sempre teve o seu abraço

E em seu coração de Pai

Todos tinham seu espaço


Ele tinha um jeito alegre

Com os vivas que anunciava

E viva a nossa Igreja

Que sorridente gritava

Era Viva Nossa Senhora

Com alegria ele dava


Nosso Padre Gabriel

Abraçava cada criança

Com seu jeito carinhoso

Lhe transmitia esperança

E o sorriso de seu rosto

Ficou em nossa lembrança


Vinte anos em Garanhuns 

Na maior simplicidade

Pois seu leme era ajudar

Sem jamais ter vaidade

As sandálias que usava

Tinham nelas santidade


Para os redentoristas

Ele foi um grande esteio

Um exemplo a ser seguido

E que mostrou pra que veio

E para nós, seus amigos

Foi um santo em nosso meio


No dia que nos deixou

No céu, festa aconteceu

Santo Afonso sorridente

Lá também o recebeu

E seu amigo Dom Helder

Um grande abraço lhe deu


Para nós fica o legado

Esse exemplo de cristão

Que fazia na caridade

Completar sua oração

Por isso deixo a você

Esta breve descrição.

Foto: Padre Gabriel Hofstede e Anchieta Gueiros - Instituto Histórico Geográfico e Cultural de Garanhuns - IHGCG  em 2014.

sábado, 21 de março de 2026

Biu de Bilú e a Ditadura Militar - Sandoval Ferreira

Cultura Popular

Biu de Bilú e a Ditadura Militar - Sandoval Ferreira

Direção artística: Everton Kelly

Direção Musical: Gido Silva

Percussão: Fabricio Vasconcelos

Mixagem: Juka Mix

Produção: Michael David

SANDOVAL FERREIRA

Sandoval Ferreira nasceu em 27 de fevereiro de 1983, em Iati, Pernambuco. Morou no Sítio Aguazinha até os seus 15 anos. Filho de  pais pobres morava numa casa sem energia onde a principal atração à noite era a luz de candeeiro a gás. O pai reunia os vizinhos e seu irmão mais velho era quem lia os folhetos de literatura de cordel. Depois Sandoval passou a ler e despertou o interesse pela poesia.

Aos 15 anos mudou-se para o Povoado Bela Vista, também em Iati, onde fez muitos amigos, viveu por lá até os 22 anos.

Aos 18 anos de idade fez uma apresentação de cordel em sua escola para o secretário de educação de Pernambuco, sendo que todos gostaram, foi o que lhe deu motivação para seguir em frente. É técnico agrícola e reside em Garanhuns.

Publicou os livros e CDS: Meu Sertão em 12 Versos - Causos Nordestinos, Porteira Velha se Abrindo Faz Meia Lua no Chão e o CD Humor Cordel e Repente.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

A Feira de Garanhuns

Bois puxando carros, chiando na madrugada,  chegando pra feira

Marcílio Reinaux

Toldas de galinha guisada,

e fava verde, logo cedo se armavam,

bois puxando carros, chiando na madrugada,

chegando pra feira. O sol nascendo

por traz da serra, "O Monte Sinai".

A feira surgindo,

A feira de Garanhuns.


Na feira, de tudo tinha:

Pinhas gigantes; até tanajuras

com prenúncio das trovoadas,

Camarão pequeno: "a Pitiguirra";

Castanha assada, Fubá de milho

e fotógrafo lambe-lambe.

O velho pedindo esmola 

 e a carne de primeira, pendurada nas barracas.


O troca-troca movimentado: Canários,

Bicicletas, "baixo-falantes", roupas...

O vendedor de remédio de verme gritando,

Uma velha cantando, bacia de queijo

A mão, menino de frete, carroça em punho, rangindo.

Toldas de secos e molhados, com 

Sabão, feijão, açúcar e charque,

Mulheres e homens com aventais, despachando.


Literatura de cordel, todos folhetos.

Chocalhos, candeeiros de lata, erva

Pra todos os males, bonecos de barro,

Jarras, quartinhas; toldas de doce

de coco e de batata.

Bolacha "mata-fome" e água de pote.

Caldo de cana em copos mau lavados.


A feira de Garanhuns

meninos correndo,

Mulheres se encontrando e 

matracando a vida alheia... vozerio.

Cantadores, o mágico,

vendendo cartas de baralho aos meninos

E matutos, por perto o famigerado

Fiscal da Prefeitura cobrando impostos.

Pão doce, com queijo e café

Nas toldas de comida.

Um cigarro de palha aceso,

Na boca da mulher e o 

Ativo cheiro dominando e espaço.


A feira era na rua do comércio,

A loja "Atrativa", e pertinho a 

Sapataria Moderna. Adiante a 

"Farmácia Osvaldo Cruz", onde seu

Ernano receitava o povo, o consultório

Do doutor Othoniel Gueiros se enchia de 

Mulheres para consultas, o lado de cima

"Agência Reinaux", a loja do meu pai.


No lado de baixo o bilhar com os viciados.

Na rua a feira fervilhava de gente.

A tarde devagar ia chegando. O sol ia

Se pondo por traz da outra serra "O Magano".

O carro de boi seguia gemendo, de volta

Pra casa. A feira ia se findando.

Garanhuns ia adormecendo.

Garanhuns Ano Cem | Fevereiro de 1979.

Os rumos da humanidade

Jesus de Oliveira Campelo | Garanhuns Se compararmos o comportamento da humanidade de hoje com de décadas passadas, vamos verificar que exis...