sexta-feira, 6 de março de 2026

Um Homem

Luzinette Laporte de Carvalho

Luzinette Laporte de Carvalho*

Podem até estranhar essa denominação à pessoa do  Padre Adelmar.

Ele foi um ser humano de cujo valor, ninguém sozinho (a) pode fazer-lhe o perfil. Cada pessoa que  teve contato com ele, conhecia seu aspecto austero. Para todos porém ele revelava seu humor, condescendência, compreensão, indulgência. Falo do total: todos. Havia, porém, nele, uma tamanha compaixão pela fraqueza do próximo que  me deixou até agora, encantada. Era aquela expressão de  Jesus que ele encarnava em seu dia-a-dia: "Sede misericordiosos como vosso pai do Céu é misericordioso".

Muitas - quantas vezes - vi o Padre consolar as chagas morais e espirituais. Ele possuía, realmente, o olhar de quem era habitado pelo Espírito de Deus. Com uma palavra ou um olhar - se a gente soubesse ouvir e ver - ele reduzia a nada, o  julgamento de qualquer um sobre alguém. Era a encarnação do Evangelho: "Sede misericordiosos" ...E isso estendia-se às necessidades materiais. Quantos ex-alunos pobres recebiam bolsas de estudo? Ouvi de uma mulher cujo filho estudara durante anos em determinado Colégio, porém, tendo ficado viúva, não podia mais pagar. Embora tantos anos naquele estabelecimento, não conseguiu uma bolsa para seu  filho. Alguém falou-lhe sobre o Padre. Ela o procurou. Recebeu a bolsa, o fardamento, sapatos, livros. Ela dizia: "Encontrei um verdadeiro cristão no Diretor do Diocesano. Ouvi muitos se dizerem cristãos, mas somente ele agiu como cristão, para comigo e meu filho. Só ele"

Durante os 12 de outubro, festa do Diocesano, quantos depoimentos de ex-alunos que jamais poderiam alcançar os elevados postos que atingiram, não fosse a generosidade do Padre Adelmar.

Se fossemos narrar tudo, não terminaríamos nunca.

Celebrar o Centenário do Padre é celebrar grandeza de alma e coração. É celebrar sacerdócio vivido em plenitude. E dizer para quem não o conheceu, a inteligência privilegiada,  a cultura profunda que se abrigavam na sua  humildade, mas que se respirava através de cada palavra e gesto.

Felizes aqueles que tiveram a alegria de conviver com ele. Era uma lição viva do Evangelho.

*Professora, jornalista e escritora.

Fonte: Monsenhor Adelmar da Mota Valença (Vida e Obra) / Centenário de Nascimento 1908 - 2008 / Coordenação das Irmãs Cândida Araújo Correia e Maria Mirtes de Araújo Corrêa / 2008. 

Viver com intensidade


Dr. José Francisco de Souza* | Garanhuns, 21/12/1985

Acontecimentos uns após outros e referência de outros que não vieram. Passa o tempo a percorrer o curso das horas, dos dias, dos meses e dos anos. A menção de tudo isso reunido é um processo de inteligência em perene mutação. Dentro do seu universo tudo se purifica em busca de si mesmo e todos temos a nossa hora como um brilho de uma estrela. As obras das coisas são vastas e ninguém poderá modificá-las. Nem no tempo nem no espaço por não ser possível esquecer a projeção do nosso Eu que é o reflexo desses acontecimentos.

ENSINAMENTOS DOS ESPÍRITOS

O lema fundamental é, face a tudo isso, viver com intensidade. Acompanhar as modalidades que se projetam em todos os recantos do nosso mundo. Apressamo-nos em dizer desde logo que esse aspecto modal das coisas, que certas contradições de algumas pessoas fazem grande cabedal, são, em regra, mais aparentes que reais. Quase sempre aparecem mais na superfície do que no fundo das coisas e que, por consequência, carecem de importância. De duas fontes provém tudo isso do raciocínio do homem e dos ensinamentos dos Espíritos.

Desde que se considere que os Espíritos não são mais do que a humanidade despi-la do envoltório corporal, e que continuam vivendo em outra dimensão. A sua capacidade multiplicada pela amplitude de seu estado moral e de sua manifestação, o limite do tridimensional é problema superado no âmbito de suas atividades. Não há lei humana, emanada de qualquer poder político ou social, que possa evitar a manifestação da entidade espiritual aqui na terra. Ele se manifesta por toda parte do universo que á sua verdadeira Pátria. Não há força humana que possa coibir a plenitude de sua manifestação.

JUSTIÇA DE DEUS

Entendemos que a nossa luta no campo moral e intelectual, luta pela vida, é para que nos tornemos dignos de alcançar e dominar os mais altos objetivos da razão que é a Justiça de DEUS entre os homens. Tem que se formar valores que estão dentro de nós que são nossos porque procedem da nossa evolução em todos os campos. Há sempre um toque especial de nossa personalidade em tudo que transmitimos pela palavra, gestos e atos inteligentes. São valores importantes que definem a nossa condição de ordem psicológica. A instrução espiritual não abrange apenas ensinamentos éticos que os Espíritos dão, mas também o estudo dos fatos irreversíveis por natureza.

Incumbe-lhe a teoria de todos os fenômenos. a pesquisa das causas, a conservação de que é possível, em suma, a observação de tudo o que contribuir para o avanço da ciência no seu sentido mais amplo e humano possível.

Embora de menor relevo, nem por isso mesmo digno são de mais alto interesse para o observador, que neles vai encontrar ou confirmação de um princípio conhecido, ou a revelação intuitiva, que faz penetrar um pouco mais nos mistérios do mundo universal. Isso também é filosofia. Com os Espíritos elevados que nos enviam mensagens de conteúdo doutrinário e profundamente humana, ampliam-se os quadros dos estudos da doutrina das entidades de um mundo maior.

Essa sensibilidade de ordem moral e de efeito puramente sublimado, frequentemente descrito, é a existência em si mesma. De nada serve discutir se esse raciocínio se reduz a um conjunto de representação ou se é, ou deve ser mais do que isso. O certo é que o que se constata não pode ser produzido por nossa espontaneidade. Existir para nós, é ter consciência de sua própria existência.

Com efeito, viver-se com intensidade é perfumar-se com a essência das coisas. E por essência não entendemos (segundo Sartre) somente a estrutura, mas, ainda, a individualidade mesma. A essência do universo moral de todo indivíduo, é o ESPÍRITO

*Advogado, jornalista, cronista e historiador. 

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

A Feira de Garanhuns

Bois puxando carros, chiando na madrugada,  chegando pra feira

Marcílio Reinaux

Toldas de galinha guisada,

e fava verde, logo cedo se armavam,

bois puxando carros, chiando na madrugada,

chegando pra feira. O sol nascendo

por traz da serra, "O Monte Sinai".

A feira surgindo,

A feira de Garanhuns.


Na feira, de tudo tinha:

Pinhas gigantes; até tanajuras

com prenúncio das trovoadas,

Camarão pequeno: "a Pitiguirra";

Castanha assada, Fubá de milho

e fotógrafo lambe-lambe.

O velho pedindo esmola 

 e a carne de primeira, pendurada nas barracas.


O troca-troca movimentado: Canários,

Bicicletas, "baixo-falantes", roupas...

O vendedor de remédio de verme gritando,

Uma velha cantando, bacia de queijo

A mão, menino de frete, carroça em punho, rangindo.

Toldas de secos e molhados, com 

Sabão, feijão, açúcar e charque,

Mulheres e homens com aventais, despachando.


Literatura de cordel, todos folhetos.

Chocalhos, candeeiros de lata, erva

Pra todos os males, bonecos de barro,

Jarras, quartinhas; toldas de doce

de coco e de batata.

Bolacha "mata-fome" e água de pote.

Caldo de cana em copos mau lavados.


A feira de Garanhuns

meninos correndo,

Mulheres se encontrando e 

matracando a vida alheia... vozerio.

Cantadores, o mágico,

vendendo cartas de baralho aos meninos

E matutos, por perto o famigerado

Fiscal da Prefeitura cobrando impostos.

Pão doce, com queijo e café

Nas toldas de comida.

Um cigarro de palha aceso,

Na boca da mulher e o 

Ativo cheiro dominando e espaço.


A feira era na rua do comércio,

A loja "Atrativa", e pertinho a 

Sapataria Moderna. Adiante a 

"Farmácia Osvaldo Cruz", onde seu

Ernano receitava o povo, o consultório

Do doutor Othoniel Gueiros se enchia de 

Mulheres para consultas, o lado de cima

"Agência Reinaux", a loja do meu pai.


No lado de baixo o bilhar com os viciados.

Na rua a feira fervilhava de gente.

A tarde devagar ia chegando. O sol ia

Se pondo por traz da outra serra "O Magano".

O carro de boi seguia gemendo, de volta

Pra casa. A feira ia se findando.

Garanhuns ia adormecendo.

Garanhuns Ano Cem | Fevereiro de 1979.

O Estatuto da Vida - Paulo de Melo

Produção Musical: Beto Viola e Deir

Composição: Paulo de Melo

Paulo Dácio de Melo é poeta, cantor, escritor, cronista, repentista e um defensor da natureza.

Tendo escrito seu primeiro livro poético intitulado “O Respaldo do Progresso" em   2017 . Paulo afirma com bom humor: “O segundo melhor livro do mundo, o primeiro é o do meu professor”. Em 2018 escreveu o segundo livro "Fragmentos" e gravou seu primeiro CD de poesias no mesmo período, também intitulado “Fragmentos”.

Paulo de Melo é proprietário de uma sementeira trabalhando com árvores frutíferas, a exemplo da jaca enxertada, Flores do Deserto, Sumaúma e Baobás, entre outras raridades. Seu objetivo é reflorestar e reparar os danos à natureza por conta do progresso e do mau uso das pessoas. Este tema é o que o inspira a construir suas poesias, crônicas e discursos literários.

Nasceu em Palmeirina, Pernambuco e se criou em Saloá ao lado de cachoeiras e matas. Teve também agregado em sua experiência de vida, passagens em outros estados do país e até mesmo no exterior.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Tristeza do Mundo

Seca no Sítio Aguazinha - Iati, PE em 2019
Seca no Sítio Aguazinha - Iati, PE em 2019 | Créditos da foto: Anchieta Gueiros

Paulo de Melo (O poeta da natureza)

A falta de chuva na terra

Tira a beleza do mundo

Existe um mistério profundo

Com a vida que foi criada

Ela não foi transformada

Simplesmente foi criada

O eterno projetou e criou todas as coisas

Eu creio nisso e o resto é especulação.

Por isso está faltando chuva pra molhar o chão.

Meu sentimento não erra

É certeza é profundo

A falta de chuva na terra,

Tira a beleza do mundo.

A água é a riqueza... O bem mais precioso da vida

A água é até mesmo, mais importante que a comida.

Sem comida ainda se passa, mas sem, água é impossível.

Pois vamos cuidar do bem, mais precioso da vida.

Por um tempo ainda há, mas aos poucos está sumindo.

E o homem desmatando e poluindo.

O cão que uiva na guerra,

Com certeza é vagabundo

A falta de chuva na terra,

Tira a beleza do mundo!

*Paulo Dácio de Melo é compositor, cantor, poeta, ambientalista e membro da União Brasileira de Escritores - UBE.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Prefácio do Livro 'Fragmentos' de Paulo de Melo

Vital Correia de Araújo

Paulo Dácio de Melo, amigo e poeta, cujo estilo de  vida (modo de vestir, de ser, de ver e sentir a vida, a vida em suas dimensões sutis e amplas, em seu enfoque ético avançado que  envolve toda a natureza e não só o ego rasteiro da pessoa em trânsito fugaz no mundo). Saliento a ética ecológica de Paulo de Melo, que  tem uma sementeira Pré-Histórica na rodovia em São João, onde trata as plantas como iguais a nós, na perspectiva cósmica, em que a ecologia abrange também os tais  humanos (muitos, nem tantos).

Paulo pratica a hard ecology real, real, profunda e não a superficial proforma, que funciona como justificação da ideologia da verdade e do falso orgulho pequeno burguês. Que é o idiota movimento ecológico que o Brasil pratica.

Livro  "Fragmentos" de Paulo de Melo
O primeiro livro editado por Paulo me surpreendeu. Este segundo... o maravilhamento, desencadeado pelo seu verbo santo decorre da postura ética dos poemas e cânticos elevados à ordem primária da natureza incutida na visão ecológico do homem, em sua  inteireza e consequência vital.

A presença de Deus, ubiquidade poética, a participação do  espírito, o envolvimento do todo... e não a glorificação do Ego, como meta da vida alienada. Em que ocorra a plena coisificação do ser, no  âmbito da visão pequeno burguesa do mundo, concepção em que  todo o humano é estranho, posto que o enfoque é a ordem da pela, não da alma.

Ao longo dos 10 anos, em que permaneci em atuação na UBE - União Brasileira de Escritores, construí cerca de 130 prefácios (orelhas, mensagens posfácios, etc). No entanto, este, do segundo livro de Paulo Dácio, me atraiu em especial, e conduziu à revisão de minhas ideias - não tanto ideias - da ecologia, me lavando a uma abertura do pensamento ecológico, para a perspectiva da  Ecologia Humana, sem a qual não se faz possível evitar o desastre que a natureza prepara para nós, não para ela.

Quando se diz que, cientificamente considerando, o mundo (a terra) não duraria mais  de 4 bilhões de anos, esquece-se que, nessa humana equação temporal, a humanidade não está posta, o homem está excluído, pois não duraremos mais de 4 milhões de anos. Somente, mesquinho 0,1% duraremos em relação ao mundo.

É que nosso ego ególatra e soberbo, aloprado mesmo, pensa que o mundo somos nós, quando somos uma  minúscula pela devassável e descartável por excelência: detidamente mortais, não por suposto, mas realmente. E pecinha especial, tipo praga, que vai acabar com a parte do mundo que é nossa. E nos abriga.

Essa apreciação visionária do mundo humano independente do mundo real - mas confundindo-se entre si, de modo que o mundo sé se acaba se o homem acabar-se (mundo como servo), é a de Murilo Gun também.

No imundo mundo humano, onde guerras se aprimoram e se sucedem, não episódicas, como as mundiais do século XX, mas permanentes, como as que diariamente espoucam no Brasil de agora, aqui, guerras reais sem causa, finalidade, declaração, verdadeiras guerras civis ocultas... e diárias, como as de Sartre.

O homem não só agride a natureza e a explora como escrava, movido pelo lucro imediato a qualquer custo social e natural, mas o homem é mais eficiente: nós degradamos as condições de nossa própria existência, sistematicamente.

E a excelência real reside nessa nova e ímpar obra de Paulo de Melo, pois objetiva servir de apoio e estímulo à educação ecológica consequente e eficaz, a partir das palestras e intervenções de Paulo Dácio nas escolas, no âmbito de seu projeto de vida ecológica, que  busca garantir a sobrevivência decente da humanidade.

*Vital Correia de Araújo | Garanhuns, PE - 2018.

domingo, 18 de janeiro de 2026

Lembranças


Natanael de Vasconcelos, Santo André/SP, 1971

Teus cabelos negros, sedosos, alongados,

São macios como uma flor ao amanhecer.

Iluminam os caminhos do meu viver

Teus olhos negros, meigos e avivados.


Em teu rosto sereno, dias passados

De felicidade, brandura e de prazer,

Mesmo da infância ainda se ver

Neste lindo semblante retratados.


O teu nome sempre procurei saber

E sabendo-o não poderei esquecer,

Como também, momentos são lembrados.


Quando a saudade insiste aparecer

Rapidamente corro p'ra te ver 

Nos retratos comigo guardados.

O mar não envelhece

Waldimir Maia Leite

Assim vou, neste paço. Entre um dia e outro, com acentuado cansaço das coisas, a necessidade de fixação em pessoas, em fuga de outras; o imperativo de ádito isolamento. Tenho várias coisas iniciadas, dolorosamente inacabadas. Uma busca de ser, integral e uno, o balanço negativo feito: a incompletude evidente.

Domingo passado, por exemplo, não cumpri um roteiro: o ir a Candeias. Lembrei que, numa  carta tarde germânica, estava eu, em Bonn, visitando a casa (que hoje é Museu) onde viveu o imenso gênio da música de todos os tempos.

Ora - direis - qual a afinidade entre Candeias e  Beethoven? E, parcialmente, concordo. Nenhuma e muita, sob contradição imagética. Candeias - um mítico mistério meu que  irrevelo, nestas crônicas - Candeias é o território onde, por vezes, habito. Chego ali sempre sozinho ou - como diria Fernando Pessoa - com os comigos de mim mesmo.

Navego, em Candeias, o que não tenho sido, o que fui e, desesperadamente, o que jamais serei. Levo os meus instrumentos: um certo desencanto, uma inseparável tristeza, o sabor de procura, de busca.

Sem ter fórmulas matemáticas, nem receitas domésticas, sequer, tento a solução (impossível) dos meus problemas íntimos, olhando o mar que, liquefeito, caminha em direção ignota. Candeias, pois, que me perdoe o não ter ido vê-la, nesse domingo que passou.

Neste meio de ano sinto-me também dividido: seis  meses já vividos e a incerteza de suportar os outros seis.

De casa, neste meio de ano, tenho saído menos frequentemente. No convívio dos meus livros e das minhas músicas. Não consigo, porém, sair de dentro de mim mesmo, enconchado que sou. (Algumas vezes, em brusco desespero, procuro a  chave que, hermeticamente, fecha a porta de mim mesmo. Tento sair, pular por uma das janelas; e, não raro, me acidento).

Dirijo, pois, a  Candeias - minha irmã - o pedido de desculpas, por não ter ido vê-la, no domingo que passou.

O mar não envelhece, não tem rugas na face, há sempre um renovar na formação estrutural das ondas, o vento é  sempre menino recém-nascido, as aves marinhas não são as  mesmas, o sol (re)surge cada dia mais rubro da placenta matinal atlântica do horizonte. Eu, porém, em mim sinto um crescimento envelhecer. E contribuo, com o meu cansaço e o meu desencanto, para um talvez frio e calculado fim.

Embora, em Candeias, o mar não envelheça. Ou tenhamos de dizer, como no poema de Natal, de Vinicius de Moraes:

"Hoje, a noite é jovem: da morte apenas nascemos imensamente".

Recife | Ano 1985.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Ecos do Centenário de Garanhuns em 1979

Ivo Tinô do Amaral
Prefeito Ivo Tinô do Amaral no hasteamento das bandeiras

Jornal O Monitor | 10 de fevereiro de 1979

ACADEMIA DE LETRAS

Em homenagem ao Centenário de Garanhuns, ocorreu às 20:30 horas, na sede social da Academia de Letras de Garanhuns, à Rua 15 de Novembro, uma Sessão Solene, com o comparecimento de figuras de proa da cultura local. Falaram entre outros o Dr. Rilton Rodrigues, Presidente da aludida Casa do Saber desta terra. A sessão ocorreu no sábado último, com a presença da Banda de Música do Município.

FAMOSOS CANTORES

No sábado dia 3, à noite, na avenida Santo Antônio, Quartel General das festividades populares do Centenário, apresentaram-se os grandes cantores nacionais, Luiz Gonzaga, o "Rei do Baião", nascido na cidade de Exu, e João Gonçalves, arrancando delirantes aplausos da grande  multidão. Luiz Gonzaga cantou a música "Onde o Nordeste Garoa", letra de  Onildo Almeida, atual Diretor da Rádio Cultura do Nordeste, de Caruaru. A música é sobre esta cidade, onde fala sobre Simôa Gomes, as flores e o clima de Garanhuns "Onde o Nordeste Garoa".

BAILES

A Associação Garanhuense de Atletismo (AGA), o Independente Atlético Clube (IAC) e outros, fizeram grandes bailes, na véspera do dia  do Centenário da Cidade (3 de fevereiro).

SERESTAS

Às 24 horas do sábado, foi iniciada na Prefeitura, uma Seresta, onde compareceram elementos seresteiros desta cidade e de Pesqueira. Várias ruas foram percorridas pelos "boêmios".

OTONI RODRIGUES  PROPAGANDA

Sucesso absoluto, o carro de som da firma Otoni Propaganda, de Vitória  de Santo Antão, tocando na Avenida Santo Antônio, músicas da jovem guarda (discoteque), fazendo a moçada vibrar. Umas 500 pessoas de ambos os sexos, estevam dançando a música estridente, a música que faz corações em pedaços, palpitando ao ritmo do  carro com seus maravilhosos alto-falantes.

Esse carro a cores, fez irradiar a missa campal e a apresentação da Orquestra Sinfônica do Recife, e ao mesmo tempo fazia a própria gravação.

O carro custou 3 milhões de cruzeiros e a firma tem mais 2.

O controlista é o Sr. José Luiz e o seu auxiliar, Alcidézio.

Alegria contagiante. Entusiasmo da mocidade garanhuense que gosta da  música quente, tipo Dance Days.

Esse carrinho berrante, jamais será esquecido. Ele buliu demais com a turma jovem esta é a verdade.

ORQUESTRA SINFÔNICA DO RECIFE

Simplesmente maravilhosa, a participação da Orquestra Sinfônica do Recife, sob a regência do afamado maestro Mário Guedes Peixoto, defronte a Catedral de Garanhuns, às 18hs do dia 4 - data magna do Centenário de Garanhuns. Músicas apresentadas, pela ordem: Nabuco, de Verdi, Finlandia, de Sibelius (opus 26 - nº 7), Ciranda, de Guedes Peixoto, Dança do Cavalo Marinho, de Levino Ferreira, Guarani, de Carlos Gomes, uma  das maiores músicas do  mundo, no gênero, 1812 - Abertura Solene, de Tchaikovsky. Essa música é baseada na guerra franco-russa, principalmente na batalha de Moscou. O início dela é com o hino antigo da Rússia (tempos do Czar). Aparece, também acordes da bela "Marselhesa", o grande Hino da França. No final dessa música, ocorreram 5 tiros de canhão de 2 peças postadas defronte o Colégio Santa Sofia. Tais tiros, fazem parte da imortal música. Foi também destaque, essa apresentação.

Queremos agradecer ao  violinista Álvaro Mattos Vieira, bacharel em Direito, compositor e Secretário do  Centro de Formação Profissional da Orquestra Sinfônica do Recife, que ajudou nesta reportagem. Ele envia ao prefeito Ivo Amaral, o seu fraternal abraço pela grande festa centenária.

A MISSA CAMPAL

Às 17 horas, ocorreu a missa campal em frente a Catedral de Santo Antônio de Garanhuns, concelebrada pelos Bispos Dom Tiago Postma, Acácio Alves, de Palmares (filho de Garanhuns) e o do ex-Bispo Dom Adelino Dantas um dos  grandes amigos desta terra. 14 sacerdotes, auxiliaram a preciosa missa solene, inclusive os monsenhores Adelmar da Mota Valença, Tarcísio Falcão e o padre Benevenuto, o novo Pároco de Santo Antônio. Falaram o Bispo de Garanhuns e  Monsenhor Tarcísio, que historiou a terra dos Garanhuns, desde os seus primórdios até a data presente, inclusive na parte religiosa.

Autoridades presentes, entre outras: prefeito Ivo Amaral e esposa, Senador Aderbal Jurema e esposa, Secretário de Agricultura, Sr. José Neto, ex-prefeito, Dr. Luiz Souto Dourado, ex-prefeito Amílcar da Mota Valença, vereador José Ferreira Filho e esposa, Sra. Maria Santana Capitó, professor Erasmo Vilela, Sr. José Sales Primo, Sra. Elisa Callou, irmã do saudoso monsenhor Anchieta Callou e, o jornalista Ulisses Pinto, representando este semanário.

CANNES PRODUÇÕES CENEMATOGRÁFICAS

Presente ao acontecimento máximo de nossa terra,  o Coordenador de produção Ricardo Santiago e Erondi Lucena, de reportagens, além de um auxiliar. Eles filmaram todas as festividades de Garanhuns, a fim de produzirem um filme documentário, que será passado em quase todas as grandes do País. A prefeitura fez o devido  contrato e a nossa terra será observado através do  filme, ficando mais conhecido graças ao dinamismo do prefeito Ivo Tinô do Amaral.

ALVORADA FESTIVA

No dia 4, quando a nossa cidade completava 100 anos, graças ao projeto do deputado provincial, Silvino Guilherme de Barros (Barão de Nazaré), filho do Cabo, mas representante da cidade de Nazaré, neste Estado, a cidade acordou com estrondos de  bombas e foguetões por todos os bairros da cidade (Santo Antônio, Boa Vista, Heliópolis, Magano, São José e Aloísio Pinto). Era a grande Alvorada Festiva. Era a Cidade do Coronel Antônio Souto, o primeiro prefeito constitucional que iniciava uma nova era, de  paz, de trabalho, de fé, de grandeza de nossa gente, dentro de sua "destinação histórica" no dizer da Mensagem do prefeito Ivo Amaral, assinada nesta gloriosa data.

BANDEIRAS HASTEADAS

Ao som da banda MANOEL RABELO, tocando o Hino Nacional, verificou-se  defronte ao Palácio Municipal Celso Galvão, o hasteamento das Bandeiras do Brasil, de Pernambuco, de Garanhuns  e dos Estados Nordestinos. A de nossa Pátria, deste Estado e a de nossa terra, coube a gloriosa tarefa do hasteamento por parte, respectivamente, pelo prefeito do Município, Sr. Ivo Tinô do Amaral, Cel. Augusto Tavares, Comandante do 71º B. I (Batalhão do Agreste) e vereadores Antônio Edson, Presidente da Câmara Municipal.

Numa homenagem ao jornal O Monitor, o Sr. Ulisses Pinto, hasteou a bandeira do Rio Grande do Norte.

O Hino do Centenário de Garanhuns, foi também tocado nessa ocasião.

Foi um espetáculo de profundo sentimento cívico por parte dos presentes, inclusive autoridades municipais, estaduais e federais, os primeiros movimentos das festividades, dentro do programa da COCEN, que sofreu algumas alterações, mas no bom sentido de melhorar ainda mais a festa jamais vista em nossa cidade.

BACAMARTEIROS

Merece destaque especial, a iniciativa do pecuarista Antônio Guerra , de ter formado uma boa equipe de bacamarteiros, a fim de dar brilho às festividades. Como se sabe, o Guerra é gente que gosta do bacamarte, para fins pacíficos. Por isso foi o manobreiro. Disse ele que houve 1.300 tiros controlados, no pátio da Rádio Difusora, no Monte Sinais, no Cristo Redentor (alto do Magano, 1025 metros acima do nível do mar), em frente à Prefeitura e durante a solenidade da pedra fundamental do Monumento do Centenário, lá no alto da Boa Vista, perto do atual Monumento da Independência, inaugurado a 7 de setembro de 1923.

Tomaram parte nessa brincadeira tradicional de nossa gente, elementos do Castainho e da Rua São Miguel, desta cidade, Riacho do Mel, Padra do Navio e Brejo Velho, de Paranatama e dos Neves, de Jupi.

RADIALISTA SOLON GOMES

Entre outros, merece uma homenagem deste jornal, o radialista José Solon Gomes, filho também desta terra, que foi um dos timoneiros da grande festa Centenária, através da sua voz vibrante e equilibrada.

O "Compadre Solon", pertence a Rádio Difusora de Garanhuns, uma das glórias desta cidade, hoje dirigida pelo competente e fidalgo, Lúcio Mário, da terra do Cel. Chico Heráclio, mas muito ligado a nossa gente.

GALERIA DOS EX-PREFEITOS

No dia 4, às 10;40hs, no Edifício da Prefeitura, realizou-se a Inauguração da Galeria dos Ex-Prefeitos desta terra.

A Mesa dos trabalhos, ficou assim constituída: Ivo Amaral, o nosso prefeito, Cel. Tavares, Cmt do 71º B.I. Mtz, ex-prefeitos Souto Dourado, Everardo Gueiros, Pedro de Souza Lima, além dos drs. José Henrique Wanderley Filho, Secretário de Indústria e Comércio, representando o governador Moura Cavalcanti, Antônio Edson de Araújo Lima, Presidente da Câmara Municipal e professor Erasmo Vilela.

O prefeito Ivo Amaral, fez um importante pronunciamento agradecendo a presença dos ex-prefeitos, dos familiares de outros, inclusive de alguns já falecidos. Disse que fez convite para todos os ex-chefes da Edilidade e para as famílias. Contudo, muitos, ainda faltam entregar retratos.

Devemos dizer que alguns passaram dias, à frente do Município, como Interventores, Presidentes da Câmara, como Vice-Prefeitos.

Até aquela solenidade, constavam da galeria os  prefeitos, Cel. Antônio da Silva Souto, primeiro Edil de Garanhuns e genitor do Dr. Antônio Souto Filho (dr. Soutinho), José de Almeida Filho, Euclides Dourado, genitor do Dr. Souto Dourado, Dr. Celso Galvão, Antônio Cesário Brasileiro, Dr. Luiz da Silva Guerra, Cel. Francisco Simão dos Santos Figueira, Dr. Mário Matos, Sr. Mário Sarmento Pereira de Lira, Sr. Aloísio Souto Pinto, Tomaz da Silva Maia, Dr. José Henrique Wanderley, Everardo Gueiros, Álvaro Rocha, Abdias de Noronha Branco e Pedro de Souza Lima. Em nome dos  ex-prefeitos falou o Dr. Everardo Gueiros, que, ao que parecia era o mais moço dos que já passou pela Prefeitura, embora por poucos dias. Foi uma bela peça oratória.

Muitos familiares dos  ex-prefeitos, estiveram presentes, como o Dr. João Luiz Monteiro Guerra, médico no Rio de Janeiro e filho do Dr. Luiz da Silva Guerra, Dr. José Maria Brasileiro, filho do Sr. Antônio Brasileiro, Fernando Pinto, filho do Sr. Aloísio Souto Pinto, Dr. Givaldo Calado e esposa, representando Amílcar da Mota Valença, Drs., Antônio e Joaquim Figueira, irmão do Cel. Figueira, Antônio Sarmento de Pontes e esposa, irmão de Mário Lira, dona Sílvia Galvão, viúva do Dr. Celso Galvão, Dr. José Henrique Wanderley Filho, representando seu pai, Dr. José Henrique, Jorge Branco e esposa, representando o Sr. Abdias Branco. Pessoas também presentes entre outras: Drs. José de Abreu Santos, Aurélio Muniz Freire e Rilton Rodrigues, Juízes das 2ª., 1ª. Varas e do Crime, respectivamente, Dr. José Amaral, Delegado de Polícia, Sr. Jaime Pinheiro, Secretário de Planejamento Municipal, Dr. Paulo Tavares, Sr. Adalberto Vilela Calado, residente no Recife, filho do  antigo comerciante desta terra, Aureliano Calado, professor José Rodrigues da Silva, Diretor de O Monitor, Irmã Julieta Maria de Sá Leitão, Diretora do Colégio Santa Sofia, jornalista Nelson Paes, autor da letra do Hino do Centenário, jornalistas Davi Lima, Ulisses Pinto, Adelson José Costa Silva, Mauro Lima, Jaime Luna de Oliveira Luna e o seu filho, também jornalista Marcílio Luna, um dos grandes vultos da imprensa do Recife, Sr. José de Carvalho Florêncio, Secretário do governo municipal, radialista Solon Gomes, monsenhor Tarcísio Falcão, Dr. Mair Lapenda antigo promotor e Cidadão de Garanhuns, Dr. Uzzae Canuto, também Cidadão desta terra, através da Câmara, Dr. Urbano Vitalino Filho, Dom Gerardo Wanderley, beneditino, Dr. José Tinoco, deputado eleito pela região, Radialista e Jornalista Aguinaldo Barros, Dr. Petrônio Fernandes, Diretor do Colégio Municipal Padre Agobar Valença, Sr. José Neto, Secretário de Agricultura do Município, senhorita Antonieta Santos, Secretária do prefeito Ivo Amaral, Sr. Eudes Pires, Agente da Previdência Social de Garanhuns, vereadores Audálio Ramos Machado, Florismundo Carrilho de Morais, José Ferreira Filho, Dr. Paulo Faustino de Albuquerque, Osvaldo Ferreira, Dr. José Inácio Rodrigues, chefe da Ciretran loca, fotógrafo Waldemir Pessoa de Carvalho, conhecido agora como o "fotógrafo do Centenário", Dr. Abelardo Fernandes, Marçal Pedrosa, Sr. José Maria Costa, da Fazenda Estadual, Paulo Francisco Gomes, servidor desta Edilidade, Dr. Othoniel Furtado Gueiros, Sr. Orlando Wanderley, Cidadão de Garanhuns, bancário Pedro Leite Cavalcanti, professor Evanderly Felix da Costa, Dr. Osvaldo Gonçalves de Medeiros, Antonio Vaz da Costa Neto, Sra. Djanira Branco de Pontes, Senhorita Gracieth Branco, Sr. Genésio Pessoa de Albuquerque, gerente da Caixa Econômica Federal de Garanhuns.

A Rádio Difusora, através do radialista Solon Gomes, transmitiu os acontecimentos. Compareceu a Banda Manoel Rabelo, a fim de dar uma melhor dimensão as festividades. Logo após, foi servido refrescos gelados de variadas frutas.

Livro: Luís Jardim As Múltiplas Faces do Talento

Autor: Marcílio Lins Reinaux

Editora: Inojosa

Ano: 1991

Tipo: Usado

Conservação: Bom Estado

Páginas: 208

Medidas: 15x22

R$ 50,00 + frete

Livro: A Cobertura Jornalística da Hecatombe de Garanhuns 1917

Autor: José Cláudio Gonçalves de Lima

Editora: Livro Rápido

Ano: 2017

Tipo: Novo

Páginas: 417

Medidas: 14x20,5

R$ 80,00 + frete

Livro: Todos os caminhos nos conduzem ao lar

Autor: Jule C. Spach

Editora: Bagaço

Ano: 2000

Tipo: Usado

Conservação: Bom Estado

Páginas: 421

Medidas: 14x21

R$ 70,00 + frete

(A obra não feneceu)

Crônica e Marcílio Reinaux*

Inegavelmente a semente plantada para a germinação do Colégio Quinze de Novembro, foi muito bem fecundada. Só os que viveram contudo, o dia-a-dia da grande instituição, podem aquilatar os sacrifícios e a luta insana para levar avante tão auspicioso ideal. Mas quem faz alguma coisa de útil sem sacrifícios? Parece mesmo que nada tem o devido valor, se o suor e até as lágrimas não caírem como um forte tempero que sedimenta a vida das grandes instituições. O Colégio, foi, é, e será iniludivelmente sempre assim. Os longos dias dessa sua história trajetória, são testemunhos eloquentes e que Deus, esteve bem perto, sempre presenta na vida dos grandes missionários, que as deram para o cumprimento da missão a que vieram.

Nos primeiros anos da década de 1960 permanecia na direção do educandário Dr. Jule Spach. Nos anos seguintes ela ficou a cargo do professor Arthur M. Lindsay que diante de outros compromissos com a missão ficou apenas um ano. Voltaria depois para mais outro período de direção. Com a saída do professor Arthur Lindsay ocupou a direção do Colégio o Reverendo Ismael Feijó de Melo. Inegavelmente o pastor Ismael impregnou o colégio de uma maior e mais forte ação espiritualista, ao lado das atividades educacionais.

Nos anos de 1967 a 1975 o Quinze ficou com a responsabilidade direcional do Reverendo Josias Rocha. Um bom período, segundo se atesta, conforme testemunho de ex-alunos desse tempo.

A partir de final 1975 voltou a direção o professor Arthur Lindsay, que - segundo se sabe - foi um período difícil de ser enfrentado. A valiosa colaboração do professor Lindsay neste segundo período da sua administração, prolongou-se por pouco mais de um ano, isto é durante o ano de 1978, quando no final teve que regressar aos Estados Unidos.

Em princípios de 1979 ocupou a direção o professor Nivaldo Felipe, demonstrando incomparável competência como gestor dos negócios do colégio. Fase difícil a anterior, agora com novas perspectivas...

Livro: Fatos de Miracica (Garanhuns, Pernambuco)

Autor: Hugo Pereira de Lima e Osmar Paulino de Vasconcelos

Editora: CEPE

Ano: 2019

Tipo: Usado

Conservação: Ótimo Estado

Páginas: 233

Medidas: 15,5x22,5

R$ 100,00 + frete

De Baraúnas a Miracica

Corria os idos de 1924 e a localidade onde hoje se insere o distrito de Miracica, expendia-se expressivamente pela força pujante da produção de Café e de Caju. O chamado Ouro verde, o café garantiu por muitos anos, o nascimento de um dos mais alvissareiros distritos de Garanhuns. Na verdade, Miracica foi fundada no mês de Março daquele início de século, pelo senhor Cândido de Araújo Neves, popularmente conhecido como "Caboclo Neves", o destemido agricultor, tratou de estimular a cultura do café e do caju, enquanto incentivava a aglomeração de residências no começo da Vila, que recebeu a princípio o nome de Baraúnas. Com a campanha de erradicação do café no final dos anos 30 e começo dos anos 40, toda a região de Miracica sofreu forte queda econômica, passando a manter-se praticamente com a produção de caju e outras culturas agrárias hoje comuns na região.

Livro: Anatomia de Uma Tragédia A Hecatombe de Garanhuns

Autor: Mário Márcio de Almeida Santos

Editora: CEPE

Ano: 1992

Tipo: Usado

Conservação: Bom Estado

Páginas: 304

Medidas: 16x23

R$ 110,00 + frete

Livro: Othoniel Gueiros O Leão do Senhor

Autor: Everardo Ribeiro Gueiros

Editora: Comunigraf

Ano: 2006

Tipo: Usado

Conservação: Ótimo Estado

Páginas: 233

Medidas:15x21

R$ 40,00 + frete

Livro: Chico Heráclio O Último Coronel

Autor: Reginaldo Heráclio

Editora: CEPE

Ano: 1979

Tipo: Usado

Conservação: Bom Estado

Páginas: 230

Medidas: 15,4x22,5

R$ 100,00 + frete

Livro: Os Cintra de São Bento

Autor: Sebastião Soares Cintra

Editora: CEPE

Ano: 1983

Tipo: Usado

Conservação: Bom Estado

Páginas: 309

Medidas: 16x23

R$ 150,00 + frete

terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Pesquisa refaz primazia poética na Literatura Brasileira

A temida e devastadora Inquisição, arma destrutiva da Igreja Católica, responsável por centenas de prisões sumárias e execuções na fogueira, entre os quais os próprios Bento Teixeira e Bartolomeu Fragoso

Manoel Neto Teixeira*

O pesquisador, acadêmico e escritor pernambucano José Paulo Cavalcanti Filho acaba de desnudar um equívoco histórico na literatura brasileira: ao manusear arquivos na Torre do Tombo em Lisboa, a propósito do seu pronunciamento como novo membro da Academia das Ciências de Lisboa, constatou que, ao contrário de todos os registros históricos, de que Bento Teixeira seria o primeiro poeta brasileiro, esta primazia deve-se ao poeta Bartolomeu Fragoso.

E  justifica, ao confrontar datas: A Prosopopeia, de Bento Teixeira, foi publicada em 1601, enquanto a obra poética de Bartolomeu Fragoso vem de entre 1579 e 1952. E, creio que terá valido a pena esta releitura do papel que teve, entre nós, por se tratar de algo muito relevante para a literatura brasileira. Mudando um marco, até aqui generalizadamente aceito, de atribuir essa primazia a Bento Teixeira - por conta de poema claramente posterior, no tempo, aos de Bartolomeu Fragoso, esclarece.

Esses outros pontos foram comentados em conferência que o Dr. José Paulo Cavalcanti Filho proferiu, dia 11 do corrente, na Academia Pernambucana de Letras. Ocasião em que distribuiu brochura sobre o tema de sua pesquisa na Torre do Tombo, entre os convidados - acadêmicos, escritores, professores e pesquisadores que lotaram o salão nobre da APL, da qual faz parte.

Na oração de posse na Academia das Ciências de Lisboa, o escritor José Paulo Cavalcanti disse, entre outros aspectos: "É uma honra enorme fazer parte  desta Academia das Ciências de Lisboa, denominação que passou a ter com a República. Agradeço aos agora confrades e o faço na figura de dois personagens relevantes. Um representando a direção, presidente da Casa e de sua classe de Letras, o Professor Dr. José Luís Cardoso, tão generoso nesta  acolhida; e outro representando seus membros, o ilustre acadêmico Antônio Valdemar, símbolo da cultura portuguesa, inclusive por seu trabalho incansável de aproximar as duas Academias, esta e a Brasileira de Letras, onde tenho a honra de ocupar a Cadeira 39 - que tem como patrono um personagem familiar a Portugal, o historiador Francisco Adolfo de Varnagem, o visconde de Porto Seguro. A todos, e a cada um, muito obrigado".

Discorrendo sobre "O triste Fim de Bartolomeu Fragoso", Dr. José Paulo observou que "Não se trata de uma descoberta pessoal. Primeiro a se manifestar a respeito foi o historiador Victor Eleutério. Cabendo-me agora estudar mais detalhadamente, na Torre do Tombo, o processo da Inquisição que sofreu e pelo qual foi condenado. Com detalhes sobre os caminhos que percorreu e a vida que teve em terras do Brasil; ainda, e especialmente, para tornar públicos os seus poemas, até agora desconhecido, já vertidos em um português que se possa compreender nos dias de hoje".

Na sua obra Literatura no Brasil Colonial, o professor e escritor pernambucano José Brasileiro Vilanova registra que "não será possível admitir que a literatura brasileira, pelo simples fato de ter sido escrita aqui, mas que cresceram nos moldes lusitanos, com mentalidade portuguesa e linguagem da Corte, excetuados casos esporádicos, entre outros, Gregório de Matos e Caldas Borba. De fato, falta-lhes ainda o espírito brasileiro.

Entre a farta documentação manuseada nos arquivos da Torre do Tombo, Dr. José Paulo discorre sobre a instalação e o papel do "Santo Ofício", a temida e devastadora Inquisição, arma destrutiva da Igreja Católica, responsável por centenas de prisões sumárias e execuções na fogueira, entre os quais os próprios Bento Teixeira e Bartolomeu Fragoso. Discorre sobre a vida familiar de ambos, suas viagens para o Brasil, bem como sobre as suas respectivas obras.

Na saudação ao acadêmico José Paulo Cavalcanti, sob o título "Pernambuco Universal", Dr. Antônio Valdemar, jornalista, escritor e também membro da Academia de Ciências de Lisboa, discorre sobre o seu extenso currículo, obras, destacando Fernando PessoaUma Quase Autobiografia, com sucessivas edições. 

*Manoel Neto Teixeira (foto), historiador e jornalista, autor, dentre outros títulos, da série MULTIVISÃO, composta de dez volumes, é membro da Academia Pernambucana de Letras Jurídica. E-mail: poysneto@yahoo.com.br | Texto transcrito da Revista Cultural O Século |Janeiro de 2024.

Um Homem

Luzinette Laporte de Carvalho * Podem até estranhar essa denominação à pessoa do  Padre Adelmar. Ele foi um ser humano de cujo valor, ningué...