quarta-feira, 25 de março de 2026

Prefácio do Livro 'Partições do Silêncio'

Luzinette Laporte de Carvalho

Luzinette Laporte de Carvalho*

A poesia de João Marques é rica e nova. Houve um salto qualitativo. Uma nova dimensão que impressiona. Há poesia de  verdade naqueles versos pequeninos, maiores em valor e sentido. Humor, alegria, dor, sátira. E  o que mais o universo da alma humana conheça, estão presentes. Desde o primeiro poema "Confissão":

Como poeta

vejo com a alma

mas fora disso

envelhecendo e míope

eu vejo mesmo

é com os óculos.

Humor e certa nostalgia, saudade de um passado (juventude) que afinal, não é tão remoto. Na mesma linha (quase) o segundo. Em outros a  observação do entorno e das pessoas. É difícil destacar. O "Ofício do Silêncio", "Noites",  "Moça do Recife". Desisti. Uma atrás das  outras, as poesias de João Marques encantam. Porque advertem, descobrem e dizem de  maneira absolutamente única a vida. Sua visão é  bem mais profunda que ampla. E retoma o humor, pois:

Coisa pior

pagar imposto de renda

como aposentado

pior ainda

quando eu morrer

o governo que conheço 

não me conhece

uma só lágrima

não sairá por mim.

Livro "Partições do Silêncio" de João Marques dos Santos
Há também a dor da perda do amigo: "eu nem sabia do sol posto / dez horas da manhã" ("Réquiem a um amigo"). A beleza da gravidez ("Esferas") da mulher. É muita beleza distribuídas aos que sabem percebê-la. A visão do  poeta sobre o (s) poeta (s). Canta a saudade  e o voo das borboletas. Mãos que se tocam, montes,  chuva, manhãs, encontros e desencontros. A extrema delicadeza de sentir cada coisa, cada mínimo detalhe ("Compartilhamento" "Fases" "Dia dos anos"). Passar pela poesia de João Marques é caminhar de encantamento em encantamento. Somos alguém a quem ele vai abrindo portas e janelas (Mais portas do que janelas). E vamos desvendando quadros e  quadros novos, espelhos, atos, realidades, sonhos. Tudo o que este poeta viu/vê é  condensado em uma poesia sem possíveis adjetivos comuns. Melhor ler e sentir. E descobrir que nasceu no poeta João Marques um  poeta novo. Seu olhar não ficou diferente. Diferentes é a tradução do que vê. Nem tão pouco sente diferente. Diferente é a expressão poética ("Clarividência", "História do Cinema", "Abandono"). Torna-se, de repente, impossível falar em prosa, sobre a poesia de João Marques. ("Profecia"). Ele sabe e nos diz como é o caminhar por trilhas, veredas, caminhos, passando por pessoas, árvores, tempo, exposições de arte. O escoar, o fugir, o permanecer do tempo. Tudo está ali, na poesia de João Marques. Ele não (re) nega a alegria nem as lágrimas. Observa tudo e, vê "com a alma". Canta o que é. E o que foi. Seus últimos poemas são sonetos partidos ao meio, isto é, sete versos em vez dos catorze do soneto tradicional. É uma poesia-poesia. Deixa na alma da gente um raio de alegria, um travo de saudade, um sorriso provocado por um inesperado humor. Garanhuns ganhou mais um poeta cheio de vida e força, realidade e sonho. João Marques, o Poeta.

*Professora e escritora / Garanhuns, PE - 2005.

Anchieta Gueiros e tios

José Gueiros, Geraldo Gueiros e Anchieta Gueiros | Sítio Baixa do Imbé, Brejão - Pernambuco, em 2015.

Retratos de Garanhuns


Abril de 2013 - Da esquerda para a direita: Anchieta Gueiros e José César Filho (Didi Gueiros). José César foi eleito subprefeito do Distrito de Miracica em 2 de agosto de 1959 com 249 votos. Foi por muitos anos Oficial do Cartório de Registro Civil do Distrito de Miracica em Garanhuns.

terça-feira, 24 de março de 2026

Uma canção para Garanhuns

Maurilo Campos Matos

Maurilo Campos Matos

Resplende na terra, num vale virente,

E o grito da seiva que explode na serra,

Atrai o Quilombo e o Cariri.

Do audaz sertanista dos passos ressoam

E alcançam o vale dos bravos Unhanhuns:

Os sangues se mesclam e os campos povoam

Então tu nasceste assim, Garanhuns.


Garanhuns,

Canta alegre a canção que tu és;

Que da paz sejas sempre o cenário,

E teus filhos, do amor os Lauréis.

Canta forte a canção da nascente,

Que fecunda teus vales, teus montes;

Esta mesma canção que da gente

Jorra como as águas das fontes.


Do herói bandeirante tu foste pousada,

Refúgio de negros nos teus alcantis.

Dançaste o toré e fizeste toada,

Promessas, macumbas e ouricuris.

Ó bela Simôa, teus filhos conclama

E lembra teus feitos desde o alvorecer.

A quem bem alto teu nome proclama,

Exulta no hino do teu florescer.

Padre Gabriel Hofstede - Literatura de Cordel

Padre Gabriel Hofstede e Anchieta Gueiros

Nelson Wanderley / 2019

Queridos paroquianos

Vou descrever em cordel

Algo do que nós sabemos

Deste que foi tão fiel

Um pouco de sua história

Do Bom Padre Gabriel


No dia nove de abril

Em trinta e três era o ano

Nasceu lá no estrangeiro

Mas Deus já tinha um plano

Mandá-lo para o Brasil

Para ser pernambucano


No dia em que nasceu

Foi pra igreja levado

Era domingo de Ramos

Neste dia celebrado

Com o nome de Adrianus

Ele já foi batizado


Aos treze anos de idade

No seminário ele entrou

Para ser Redentorista

Esta missão que abraçou

E já com seus vinte anos

Foi quando se consagrou


No ano cinquenta e cinco

Chega ao Rio de Janeiro

Foi cursar teologia

Junto do povo mineiro

E no ano cinquenta e nove

Ordenou-se em fevereiro


Como novo Sacerdote

De grande potencial

Foi estudar lá em Roma

Teologia Moral

E depois foi professor

Em Recife capital


Com ardor missionário

Foi seu foco principal

A ajudar quem precisa

Seu lema espiritual

E Dom Helder lhe tratava

Como "Meu provincial"


Atendendo a um chamado

Em Monteiro foi morar

Viveu lá por sete anos

Que lhe marcou no lugar

ele ajudou tanta gente

Que é difícil enumerar


Além da evangelização

Seu forte era caridade

Olhava gente da roça

Ajudava os da cidade

E quem queria estudar

Ele dava oportunidade


Ajudou a muita gente

E que não tinha condição

Mas precisava sair

Para uma outra região

Ele foi um pai bondoso

Na área de educação


Centenas de estudantes

Ele ajudou a formar

Consegui lá da Holanda

Sempre alguém a lhe ajudar

Fez até que holandês

Com paraibana casar


Sua vida foi em ajudar

Desde a criança ao idoso

Criou uma creche em Monteiro

Foi sempre bem corajoso

E deu casa a quem não tinha

E ao cansado o repouso


O povo jamais esquece

Por tudo que o tinha feito

Na Região de Monteiro

Conquistou muito respeito

Para ajudar o pobre

Ele sempre dava um jeito


Ele trabalhou no Recife

Campina Grande também

Nas terras onde passou

Sempre ajudou alguém

Em matéria de caridade

Gabriel foi mais além


Vindo para Garanhuns

Para cumprir seu legado

Continuou sua missão

Sendo um desapegado

E como Pai Abraão

Pelo clero era chamado


Sua vida foi marcada

Por seu jeito paternal

Que acolhe o filho pródigo

Sendo este impessoal

E lutar pelo mais fraco

Com a justiça social


Com amigos da Holanda

Construiu até capela

Bem pertinho do Castelo

E ele inaugurou ela

E com ajuda de outros

Fez reformas na favela


Na área de educação

Muita gente ele ajudou

A quem queria estudar

Muitos cursos ele pagou

E com dinheiro da Holanda

Muita gente se formou


Deu casa a quem não tinha

Ajudou quem precisava

Dividia com os demais

Tudo que ele ganhava

E era grande a soma

Dos boletos que pagava


Contas de água e de luz

Só lhe entregavam o papel

Que ele pagava sempre

Como pagador fiel

Pagava conta em farmácia

E também de aluguel


Era grande a romaria

Que a ele procurava

Lhe pedindo algum dinheiro

E ele sempre ajudava

Ou pagar alguma conta

Que ele nunca negava


E na fazenda esperança

O seu apoio ele dava

Onde com muita alegria

No domingo celebrava

Eu vou ver minhas meninas

Era assim que as tratava


Para confessar o povo

Ele jamais se cansava

E para ajudar alguém

Uma solução procurava

Ele jamais se negou

Quem sua ajuda buscava


Se ganhasse algum presente

A ele não se apegava

Se fosse roupa ou calçado

Ou coisa que ele usava

Ele com muita alegria

daria a quem precisava


Ele também foi exemplo

De devoção à Maria

De Deus Pai Nosso Senhor

Como sempre ele dizia

E com amor celebrava

A sagrada Eucaristia


Apesar de sua idade

Não demonstrava cansaço

Ao jovem que o encontrava

Sempre teve o seu abraço

E em seu coração de Pai

Todos tinham seu espaço


Ele tinha um jeito alegre

Com os vivas que anunciava

E viva a nossa Igreja

Que sorridente gritava

Era Viva Nossa Senhora

Com alegria ele dava


Nosso Padre Gabriel

Abraçava cada criança

Com seu jeito carinhoso

Lhe transmitia esperança

E o sorriso de seu rosto

Ficou em nossa lembrança


Vinte anos em Garanhuns 

Na maior simplicidade

Pois seu leme era ajudar

Sem jamais ter vaidade

As sandálias que usava

Tinham nelas santidade


Para os redentoristas

Ele foi um grande esteio

Um exemplo a ser seguido

E que mostrou pra que veio

E para nós, seus amigos

Foi um santo em nosso meio


No dia que nos deixou

No céu, festa aconteceu

Santo Afonso sorridente

Lá também o recebeu

E seu amigo Dom Helder

Um grande abraço lhe deu


Para nós fica o legado

Esse exemplo de cristão

Que fazia na caridade

Completar sua oração

Por isso deixo a você

Esta breve descrição.

Foto: Padre Gabriel Hofstede e Anchieta Gueiros - Instituto Histórico Geográfico e Cultural de Garanhuns - IHGCG  em 2014.

Retratos de Garanhuns


Setembro de 2016 - Câmara Municipal de Garanhuns (Casa Raimundo de Moraes). Anchieta Gueiros, presidente do Instituto Histórico, Geográfico e Cultural de Garanhuns (IHGCG), e o Sr. José Florêncio, presidente do Instituto Histórico de Pesqueira.

Participação de Anchieta Gueiros no Instituto Histórico de Garanhuns - Parte II



Retratos de Garanhuns

Mauro Souza Lima e Anchieta Gueiros

Câmara Municipal de Garanhuns (Casa Raimundo de Moraes) - Em julho de 2013 Anchieta Gueiros recebe o “Troféu Mauro Souza Lima”. Comenda dedicada às pessoas que trabalham voluntariamente em prol de uma sociedade mais justa e humana.

sábado, 21 de março de 2026

José Hildeberto e "As Travessuras de Coco Chinês"


João Batista Leal | Garanhuns, 27/10/1990

Logo mais à noite o professor  José Hildeberto Martins estará lançando o seu primeiro livro intitulado "As Travessuras de Coco Chinês". O livro foi editado pela VOZES, uma das mais conceituadas editoras do Brasil, que adquiriu do autor os direitos de publicação, o que por si só já diz do grande  valor literário da obra. Trata-se de um romance infanto-juvenil destinado às crianças e aos jovens de todas as idades. É a história de um garoto inteligente e travesso, igual a milhares de meninas e meninos que há por aí. Ele tem seus sonhos, seus gestos, suas irreverências... Entretanto, vive carente de mais atenção e amor devido às incompreensões que sofre. A trama se desenvolve num clima ora jocoso, ora trágico. Situa-se no lar do garoto e, principalmente, na escola. E é um convite a se pensar sobre como as crianças devem ser melhor tratadas, dentro de um clima de maior respeito, sinceridade e compreensão, isto o que está contido na capa do livro. O obra já foi lançada pela VOZES em Petrópolis, matriz da editora, no dia 28 de junho deste ano e os exemplares se encontram à venda nas grandes livrarias do país. Além desse livro José Hildeberto Martins, que é professor e ex-diretor de "O Monitor", tem já prontos para publicação mais dois outros livros, sendo um baseado na mesma temática de "As Travessuras de Coco Chinês" e o outro uma obra poética, gênero literário que o autor também abraça, com poemas de alto padrão.

Falar sobre José Hildeberto Martins é como que voltarmos aos idos de 1966, quando aqui chegamos para fixar residência. Conhecemos o autor naquela época e como colegas da turma do curso de Letras da FESP sempre divagávamos sobre o futuro literário de nossa geração. Ao longo desses vinte e cinco anos, acompanhamos toda sua trajetória literária e, quando o autor nos dizia que tinha um livro para publicação, nos alegramos e não nos surpreendeu, pois sabíamos de seu grande potencial como escritor nato, sempre ligado às letras e à educação, o que hoje afirma pela profissão que abraçou como um sacerdócio, educando crianças e jovens para a vida. José Hildeberto está de parabéns pelo livro que é um marco em sua carreira de escritor. Vale ressaltar que o trabalho já está fazendo parte do último catálogo de livros editados pela VOZES, recentemente distribuído pelas livrarias do país. De parabéns também está o mundo literário e cultural de Garanhuns, quando no Ano Internacional da Alfabetização vem à lume uma obra com um assunto que está mobilizando o Brasil que é a criança, mormente no que se refere aos seus direitos. O autor numa linguagem fluente consegue levar sua mensagem ao público, convidando o adulto a repensar melhor sobre a problemática da criança em nossos dias, com referência à educação no lar e na escola.

Biu de Bilú e a Ditadura Militar - Sandoval Ferreira

Cultura Popular

Biu de Bilú e a Ditadura Militar - Sandoval Ferreira

Direção artística: Everton Kelly

Direção Musical: Gido Silva

Percussão: Fabricio Vasconcelos

Mixagem: Juka Mix

Produção: Michael David

SANDOVAL FERREIRA

Sandoval Ferreira nasceu em 27 de fevereiro de 1983, em Iati, Pernambuco. Morou no Sítio Aguazinha até os seus 15 anos. Filho de  pais pobres morava numa casa sem energia onde a principal atração à noite era a luz de candeeiro a gás. O pai reunia os vizinhos e seu irmão mais velho era quem lia os folhetos de literatura de cordel. Depois Sandoval passou a ler e despertou o interesse pela poesia.

Aos 15 anos mudou-se para o Povoado Bela Vista, também em Iati, onde fez muitos amigos, viveu por lá até os 22 anos.

Aos 18 anos de idade fez uma apresentação de cordel em sua escola para o secretário de educação de Pernambuco, sendo que todos gostaram, foi o que lhe deu motivação para seguir em frente. É técnico agrícola e reside em Garanhuns.

Publicou os livros e CDS: Meu Sertão em 12 Versos - Causos Nordestinos, Porteira Velha se Abrindo Faz Meia Lua no Chão e o CD Humor Cordel e Repente.

Participação de Anchieta Gueiros no Instituto Histórico de Garanhuns

Anchieta Gueiros e Gonzaga de Garanhuns

Anchieta Gueiros presidiu o Instituto Histórico, Geográfico e Cultural de Garanhuns (IHGCG) em 2016. Fotos entre 2013 à 2016.


Socorrinho Gueiros, Kleber Cysneiros e Anchieta Gueiros


Marcílio Lins Reinaux e Anchieta Gueiros


Anchieta Gueiros e Geraldo Ferraz


Professor Rafael Brasil, Anchieta Gueiros e Roberto Gueiros


Anchieta Gueiros e Givaldo Calado de Freitas 


Professor Cláudio Gonçalves de Lima, escritor Geraldo Ferraz e Anchieta Gueiros


Anchieta Gueiros e Geraldo Ferraz


Anchieta Gueiros e Roberto Carneiro


Cláudio Gonçalves, Maricelia Barros, Anchieta Gueiros, Juvenal Lopes e César Biasotto


João Marques dos Santos e Anchieta Gueiros


Sandoval Ferreira e Anchieta Gueiros

Ulisses Viana e Givaldo dos Santos

Nego Pai e Ulisses Viana de Barros Neto

Ano de 2016 - Sede do Instituto Histórico, Geográfico e Cultural de Garanhuns  - IHGCG - "Exposição Eleição 1916" - Historiadores Givaldo dos Santos, conhecido popularmente como "nego-pai" e Ulisses Viana de Barros Neto (in memoriam), pai de Anchieta Gueiros. O curador da Exposição foi o professor, escritor e historiador José Cláudio Gonçalves de Lima.

Retratos de Garanhuns

Socorrinho Gueiros, Jáder Cysneiros e Anchieta Gueiros

Julho de 2016 - Da esquerda para a direita: artistas plásticos Socorrinho Gueiros e Jáder Cysneiros e o historiador Anchieta Gueiros. Sede do Instituto Histórico, Geográfico e Cultural de Garanhuns (IHGCG). Praça Dom Moura, 44.

Retratos de Garanhuns

Anchieta Gueiros e Pedro Ferrer

Julho de 2016 - Da esquerda para a direita: Pedro Ferrer, Presidente do Instituto História e Geográfico de Vitória de Santo Antão e Anchieta Gueiros, Presidente do Instituto Histórico, Geográfico e Cultural de Garanhuns (IHGCG). Visita a "Exposição Eleição de 2016". Sede do Instituto Garanhuns, Praça Dom Moura, 44.

Retratos de Garanhuns


Julho de 2016 - Da esquerda para a direita: Escritores Vital Corrêa de Araújo e Osman Holanda; Sr. Renan Cysneiros (filho do poeta Lauro de Alemão Cysneiros), Jáder Cysneiros e Anchieta Gueiros. Sede do Instituto Histórico Geográfico e Cultural de Garanhuns (IHGCG). Praça Dom Moura, 44.

Prefácio do Livro 'Partições do Silêncio'

Luzinette Laporte de Carvalho * A poesia de João Marques é rica e nova. Houve um salto qualitativo. Uma nova dimensão que impressiona. Há po...