quinta-feira, 16 de abril de 2026

História de Angelim - PE

Primeiros prefeitos de Angelim, Pernambuco
Joaquim Salgado de Vasconcelos e Ana Santa Cruz de Oliveira Vasconcelos, foram os primeiros povoadores de Angelim. Oriundos  do Engenho São Boaventura, em Correntes, Pernambuco, aqui chegaram no penúltimo decênio do Século XIX. Estabeleceram-se no lugar denominado "Broca", às margens do Riachão, em uma fazenda destinada à criação de gado. Casal com muitos filhos, entretanto, todos nascidos em Correntes. Logo à chegada do casal, teve início a construção da ferrovia ligando Paquevira a Garanhuns. Também na mesma época, surgiram as primeiras construções onde pernoitavam os trabalhadores da estrada de ferro. Iniciou-se assim, a povoação num plano inclinado, quase às margens do Riachão, próximo à Broca.

Aberto o tráfego ferroviário, a povoação cresceu e seu comércio se expandiu, graças ao intercâmbio comercial entre Correntes e a capital do Estado. A estação ferroviária de Angelim, inaugurada a 13 de maio de 1887, servia de ponto de embarque e desembarque de mercadorias.

Os primeiros influentes  políticos da localidade foram pela ordem cronológica: Francisco Valpassos e Luiz de França Cordeiro, conhecido como "seu" Lú.

Ainda no final do século XIX, o comerciante português Manoel Domingos da Silva Maia, trouxe de Portugal, em sua  bagagem, uma imagem de São José, carinhosamente esculpida em madeira de lei, construindo uma pequenina capela de orações onde a colocou, tendo início o 'Orago de São José', sendo hoje o padroeiro de Angelim.

O distrito foi criado pela Lei Municipal nº 42, de 22 de dezembro de 1908, com sede na povoação. No ano seguinte, por força da Lei Estadual nº 991, de 01/07/1909, foi elevada à categoria de vila. A partir de dezembro de 1911, com a ascensão do  general Dantas Barreto ao governo do Estado, a chefia política do distrito passou às mãos de João Salgado de Oliveira Vasconcelos (Janjão) e a seguir às de seu irmão Azarias Salgado de Vasconcelos, ambos filhos de Joaquim Salgado e de sua esposa. Azarias representou o distrito em várias legislaturas como vereador com assento no Conselho Municipal de Garanhuns.

Criado o município de Palmeira, hoje Palmeirina, em 1928, através da lei Estadual 1931, de 11/09/1928, o distrito de  Angelim passou a fazer parte do novo município, até que o Decreto Estadual nº 74, de 06/06/1931, desmembrava o então distrito de Angelim da sede do município de Palmeirina.

O primeiro prefeito do Município foi Miguel Calado Borba, nomeado naquela mesma data. Em 1936, foi eleito Miguel Calado Borba para primeiro prefeito constitucional do município. Nessa época, foram eleitos os primeiros vereadores para a Câmara Municipal, período 1936/1940: Azarias Salgado de Vasconcelos, Jacinto Medeiros da C. Torres Tamarindo, José de Souza Vilaça, José Peixoto Pinto, Pedro Quirino Ferreira, José Matias da Rocha, Júlio Figueiredo Epifani e Antonio Hilário da Silva.

Fonte: Jornal Imprensa do Agreste / 15 de Junho de 2001

Foto: Primeiros prefeitos de Angelim, Pernambuco.

Fogueiras de São João

João Marques* | Garanhuns, 26/06/1993

Toda vez que o São João passa, me lembro do tempo em que eu festejava a fogueira e chorava as cinzas no outro dia. Sempre havia festa em minha casa, no sítio, com muitos tiros de roqueira e tudo que faz parte de um São João animado. As moças, sendo eu ainda menino, me puxavam para a dança e saiam me conduzindo nas evoluções e piruetas caipiras. Um tempo, como se diz, que não volta mais... Mas, as cinzas nunca acabaram.

Ficava de cócoras ao lado da fogueira, que ainda mantinha dois ou três tições e poucas brasas, já cobertas pela cinza. Um fio de fumaça, pedaços de papel colorido pelo chão, das pequenas bombas, "beijos-de-moça" e fogos de artifício queimados na noite. Assistia àquele crepúsculo de foto e de festa e via, contemplativo, as cinzas em que tudo se tornava. Chorava as cinzas, como uma vez cheguei a chorar mesmo, num São João em que não houve a festa costumeira, porque os meus irmãos, que moravam longe, não vieram.

Embora, depois tenham acontecido muitas outras festas, as cinzas, estas cinzas realmente choradas, ficaram nos meus olhos e, sentimental, em todo São João de hoje, as vejo mais cinzentas e frias.

Pela saudade, já fiz poesia e música. É o consolo que encontro, quando explode em meu peito o sentimento mais forte. 

Já publiquei o poema Labareda e, agora, complementando esta crônica, a letra da música Fogueira de São João. Esta composição foi gravada em disco, um compacto feito com a participação do Quinteto Violado já há uns 5 anos.

FOGUEIRAS DE SÃO JOÃO

Como é bom o coração

deste pobre sertanejo

quando é noite de São João, 

sua grande emoção

é fazer uma fogueira.


São João, meu São João,

vendo tudo lá no céu,

as fogueiras de São João

espalhadas pelo chão

cá embaixo são estrelas.


Noite cheia de alegria,

milho verde, milho assando

labaredas, melodia,

foguetes assobiando...

É a festa de São João!


Grande noite abençoada...

Salve todos! Viva o Santo!

Quem me diz que as estrelas

não são lá outras fogueiras

em louvor de São João.

*João Marques dos Santos, natural de Garanhuns, onde sempre residiu, é poeta, contista, cronista e compositor.  Teve diversas funções nas atividades culturais da cidade: foi Presidente da Academia de Letras de Garanhuns, durante 18 anos, Diretor de Cultura do Município e, atualmente, é presidente da Academia dos Amigos de Garanhuns - AMIGA. Compôs, letra e música, o Hino de Garanhuns. Mantém, desde 1995, o jornal de cultura O Século. Publicou quatro livros de poesia: Temas de Garanhuns, Partições do Silêncio, Messes do azul e Barro.

Créditos do Vídeo:

Fogueiras de São João - Autor: João Marques dos Santos

Fogueiras de São João (feat. Quinteto Violado) - Dalva Diniz -  Quinteto Violado - João Marques Dos Santos  

De Labiata a Canoa da Lagoa (Passando por Tacaratu, Via Quipapá ou Caruaru)

℗ Humaita Music Pub

Released on: 2018-11-14

Recife em 1960

Souto Dourado

Luiz Souto Dourado*

O Recife cresceu muito e muito penou na década de 1960. Administra esta cidade é, antes de tudo, saber lidar com a água e a terra, saber domo dosá-las, promovendo a sua conciliação, evitando os seus conflitos. Em princípio, é realizar um trabalho de artesão pobre mas imaginoso, um trabalho de modelagem, sabendo tirar da terra e da água os elementos  necessários; depois, é fazer uma espécie de mutirão, reunindo esforços e recursos para o bem comum. Foi justamente o que fez em 1960 o prefeito Miguel Arraes.

Com a terra alargou a Rua da Aurora, fazendo a sua ligação com a Avenida Norte. Sobre as águas, fez surgir a Ponte do Limoeiro, "projetada e mandada construir por Arraes", segundo o escritor Paulo Cavalcanti. Abria-se assim um novo caminho para o mar; cumpria-se a vocação do Recife, não mais em direção às antigas praias do Forte do Brum, porém a que levava o recifense dos bairros mais pobres da Zona Norte às mais movimentadas praias do zona Sul, sem passar pelo centro da cidade.

Ao mesmo tempo, Arraes organizou um mutirão entre os proprietários de Boa Viagem com o interessante Plano de Urbanização daquele bairro, pavimentando parte da avenida à beira-mar e muitas outras avenidas e ruas. Preparou por assim dizer Boa Viagem para o desenvolvimento de hoje. Por outro lado, estendia os trabalhos a Imbiribeira, concretando a sua principal avenida - hoje Mascarenhas de Moraes - que leva ao aeroporto dos Guararapes.

Com Arraes, surgiu um outro mutirão tão importante como o das obras em Boa Viagem: o mutirão do Movimento de Cultura Popular, onde reuniu intelectuais, artistas e professores - inclusive Paulo Freire, cujo método é hoje conhecido e aplicado internacionalmente - empenhados todos num extraordinários plano de alfabetização de adultos.

O Recife crescia naquela década, com duas estações de televisão, com a Sudene funcionando, com a Companhia Telefônica aumentando consideravelmente as suas linhas, com os grandes edifícios surgindo na Avenida Boa Viagem.

Mas, por outro lado, apareceram no Recife novos hábitos de comportamento. Como já foi dito, o automóvel fizera a família sair de casa enquanto a televisão a trouxera de volta. Não para conversar como antigamente mas para assistir aos seus programas e - pior ainda - para afastar as visitas, que hoje já não podem aparecer durante as horas do Jornal Nacional e da novela preferida. Na verdade, hora de visita não tem mais hora...

Em 1962, vencia-se o contrato com a Pernambuco Tramways para o serviço de bondes no Recife devendo reverter ao Estado todo o acervo da concessionária ou justa indenização. Aquela altura, os bondes praticamente já haviam desaparecido da cidade: haviam sido atingidos pela aposentadoria contratual e descansavam em várias garagens. Tinham tido como companheiros ou concorrentes ônibus de diversas empresas, inclusive a Pernambuco Autoviária, fundada pelo dinamismo de Vivi Menezes.

Quem da nossa geração pode esquecer os bondes, que diminuíam gentilmente a marcha ao chegar próximo à Faculdade de Direito, na Praça Adolfo Cirne, ou à Faculdade de Medicina, no Derby? Nem por isso os estudantes deixaram de desligar a "banana" do fio elétrico. Era a graça sempre repetida e para eles sempre engraçada de quem tinha tempo e mocidade para fazer graça. Quem tinha talento e inspiração, como Capiba - hoje glorioso nos seus 80 anos - fazia música, como aquela que dizia que "quem vai para Farol é o Bode de Olinda", pois "essa história de mentir, meu bem, não convém, viaje ao menos de loré (carro de segunda, atrelado ao bonde).

E agora falando sério, ainda de bonde, por onde anda, quem viu, quem sabe do acervo de Pernambuco Tramways? Houve quem reclamasse pela sua indenização na Assembleia Legislativa, mas perdeu o seu tempo. No vácuo do movimento revolucionário de 1964, o Governo Federal apressou-se em comprar as empresas do Grupo "Amforp" e na transação teria entrado o acervo da Pernambuco Tramways. O Governo era forte e Pernambuco, com seus governadores nomeados, fraco. Perdemos os bondes, o acervo e a indenização. As mãos e os anéis. Como lembrança, foi visto um na Rua da Aurora, outro no Sport Club do Recife, e ainda outro no Parque Euclides Dourado, em Garanhuns. Somente das cadeiras dos bondes se tem notícia certa: foram em boa hora doadas pelo ex-governador Nilo Coelho ao Centro Cultural daquela cidade, e lá estão.

O bonde, que durante 50 anos se incorporou à paisagem e a vida do Recife, cederia oficialmente em 1961 o seu lugar ao ônibus elétrico na administração Miguel Arraes, se bem que Pelópidas Silveira - recebera o plano de José do Rego Maciel - já tivesse adquirido algumas unidades. O bonde, da paisagem viva desta cidade ("em cada poste uma esperança de bonde", como escreveu Rubem Braga) passaria a trafegar apenas na memória de muitos dos seus passageiros, como veículo que transportava também os melhores sonhos de cada, a doer como aquela "fotografia na parede", em que se transformou. (*Advogado, jornalista, escritor, foi prefeito de Garanhuns, deputado estadual e secretário de estado | Recife, 26 de janeiro de 1985 | Transcrito do jornal O Monitor).

O Diocesano é como uma tatuagem, quem passa por lá fica com uma marca eterna

Augusto Duque: "O Diocesano é como uma tatuagem, quem passa por lá fica com uma marca eterna".

No começo de setembro (1979) fui ao Colégio Diocesano rever o Padre Adelmar e lembrar dos anos em que lá estudei. Tudo continua no mesmo e ao ver, num domingo ensolarado, o padre lendo os seus antigos livros religiosos, me emocionou e pensei: "Esta profundidade e dedicação às boas causas são admiráveis".

Quem assim falou foi o desembargador Augusto Duque (foto), ex-aluno do Diocesano de Garanhuns, que elogiou o nível do educandário. "Nosso colégio era simples, dentro de uma realidade fora do comum. Escola de interior feita para pessoas do interior. Nada de sofisticação, no entanto tudo era organizado e lá se aprendia mesmo e com alegria".

O magistrado enfatizou que foi à sombra do exemplo dos diretores do educandário, a princípio Padre Anchieta Callou e depois Padre Adelmar Valença que se fez completa sua formação. O que eu aprendi em casa, as noções de honradez e moralidade, foram complementados pelos ensinamentos recebidos naquele colégio.

Finalizando, Augusto Duque disse que o Diocesano é "como uma tatuagem. Quem passa por lá fica com uma marca eterna". E explicou: De todas as partes do Brasil vem constantemente ex-alunos do colégio visitá-lo. Isso aconteceria se o Diocesano fosse uma escola igual às outras? Não. Mas a nossa escola sempre foi muito especial".

Aqui deves entrar como um templo.

Com a alma pura e o coração sem susto.

Aqui recebes da virtude o exemplo.

Aqui aprendes a ser meigo e justo.

Ama esta casa! Pede a Deus que a guarde.

Pede a Deus que a proteja eternamente.

Porque. Talvez, em lágrimas, mais tarde

Te vejas, triste, desta casa ausente.

Fonte: Caderno Especial do Jornal do Comercio | Domingo, 28 de Outubro de 1979.

As cores e as vozes do verão

Luzinette Laporte de Carvalho

Luzinette Laporte de Carvalho* | Garanhuns, 06/01/1993

Saio pela manhã e as cores do verão me envolvem: o fogo dos "flamboyants", o amarelo dos lírios (hemerocálix), o vermelho dos gerânios, o rosa das acácias, o branco das margaridas, o roxo, lilás, vermelho, branco das buganvílias (as hortênsias!), o roxo e o amarelo dos ipês. E as cores - mais nuances que cores - de - dezenas de outras flores.

De repente, o impacto: rosas de todas as cores. Destaco as vermelhas e as amarelas. E aquela, cor de pérola, de delicadeza e floração ímpares.

Há todas as nuances do verde e o azul intenso no céu.

(No coração, a prece de louvar, o hino de ação de graças, o cântico de alegria). À tarde, as vozes do verão: cigarra e pássaros. Orquestra a executar prelúdios, cantatas de  sonho.

Gritos agudos das criancinhas, na praça. Ruídos de insetos invisíveis e desconhecidos. Tudo é beleza.

Mas, ó meu Deus, existe a dor do sertanejo que morre de sede e fome. Existem pessoas que não podem ver e ouvir a beleza que espalhas na terra, porque estão morrendo à mingua.

À míngua de uma decisão política.

À míngua da compreensão dos seus governantes. À míngua de humanidade.

E, no entanto, há imensos lençóis d'agua subterrâneos. Vida escondida sob o manto áspero e árido da terra.

Quem quer fazer jorrar vida no deserto? Quem quer resgatar um povo inteiro? Quem que ver florir a aridez?

Estupidamente, tenta-se, como a avestruz, enterrar a cabeça no chão, para não ver a esperança acenando. Para não ouvir o chamado da terra abandonada.

Dizia alguém que "eterno é o debate entre a eficiência e a pureza. E os que escolheram a eficiência, conservam a nostalgia da pureza." Não penso assim. A eficiência e a pureza devem andar lado a lado, de mãos dadas. Para que  o trabalho seja um ato de dignidade e de bem estar. Urge que o homem pense no homem, o irmão no irmão. Isto não significa dar o que tenho, mas, repartir o que posso.

Cores e vozes do verão levam-me até o alto sertão, ali, onde se bebe e respira sol.

É necessário que o  cinza da caatinga, a face rachada da terra deem lugar às cores múltiplas, ricas, variadas do  trópico. E às suas vozes.

Urge olhar para o  sertão. Qual será a força que  resgatará o "homem forte".  "O forte" de Euclides da Cunha?

Recolho-me e rezo e peço a Deus o milagre. Porque milagre, agente pede a ELE.

Apresentação do Livro 'Monsenhor Adelmar da Mota Valença - Vida e Obra'

Dom Fernando Guimarães

Dom Fernando Guimarães 

Na conclusão do Ano do Centenário do saudoso Mons. Adelmar da Mota Valença, o CMA, do Instituto Secular das Missionárias de Nossa Senhora de Fátima do Brasil, a ele tão ligado, deseja homenagear a sua memória, publicando em forma de Memórias alguns testemunhos dos que tiveram a graça de conhecê-lo.

Minha lembrança corresponde aos anos de 1958 a 1961, quando como um pré-adolescente frequentei o seminário menor então mantido pelos Missionários Redentoristas em  Heliópolis. Monsenhor já era considerado por todos como uma daquelas figuras que aparecem raramente na História. Recordo-me da sua postura sacerdotal, ao mesmo tempo austera e jovial. Perto dele, nós, seminaristas menores, éramos invadidos por um temor reverencial.

Livro "Monsenhor Adelmar da Mota Valença - Vida e Obra" das Irmãs Cândida e Maria Mirtes de Araújo Corrêa
Hoje, retornando a esta Diocese depois de tantos anos, como seu Bispo, descubro sempre mais claramente a grandeza de Mons. Adelmar, vivida durante toda a sua longa vida, na discrição que deve ser própria de todo sacerdote autêntico. O carisma de educador que o caracterizou emanou diretamente do seu caráter sacerdotal e foi expressão do seu ser Padre.

O servo de Deus João Paulo II afirmou, certa vez, que  a santidade nunca envelhece. Apraz-me  aplicar esta frase ao testemunho de Mons. Adelmar: sua figura de Padre e de  Educador nunca envelhece. Ela permanece viva, como poderemos constatar lendo os testemunhos que se encontram reunidos neste livro.

Que a sua memória, tão bem ilustrada pela presente obra, nos estimula a dar continuidade ao seu ideal de educação, em prol da Juventude de nossa região.

Garanhuns, 13 de Maio de 2009.

Festa de Nossa Senhora de Fátima.

Dom Fernando Guimarães

Bispo Diocesano de Garanhuns.

Uma bela crônica de José Tadeu de Goes

Alfredo Correia Rocha
Poeta Alfredo Rocha

Sebastião Jacobina | Garanhuns, 21/01/1995

No último número deste semanário e nesta página de Letras e Artes, foi publicado um texto lido em reunião do Grêmio, na qual falei sobre a personalidade do poeta Alfredo Rocha.

Decidimos, os gremistas, sempre trazer a público, em sequência, notícias sobre a atuação e trabalhos literários de companheiros que nos deixaram por variados motivos, iniciando-se com o texto acima citado.

Achei de bom alvitre, pela qualidade de boa literatura demonstrada na atividade gremista de José Tadeu de Goes, que deixou Garanhuns, há anos, em virtude de transferência de suas funções profissionais, de dar continuidade à intenção do programa idealizado, publicando uma das crônicas da autoria daquele gremista (premiada em concurso de âmbito nacional), a seguir transcrita:

O Galo Apátrida - "O último galo urbano que anunciava o amanhecer, comi ontem a bordo do "Concorde", "Coq au vin"."

Tocou-me o íntimo a crônica intitulada HISTÓRIA PESSOAL, do jornalista Paulo Fernando Craveiro - publicada em edição do Diário de Pernambuco - em que o cronista quase se esvai num misto de lamento e denúncia acerca do incontrolado processo de extinção "dos grandes quintais pernambucanos de árvores barrocas".

É incrível com certas realidades estão fadadas a morrer. Haverá uma época em que nos sentiremos destituídos até da faculdade de poder evocar alguns valores, antigos conhecidos de nossa infância remota e irreversível.

Há dois anos - quando da leitura da crônica sob comentário - fui à cidade do Recife e fiquei hospedado nas imediações do Derby, velho bairro que considero privilegiado pela complacência dos inimigos da ecologia, visto que ainda tem de resto um galo e alguns quintais.

Na ocasião, em determinada noite em que ali dormi, lá pelas tantas acordei ouvindo o cantar insistentemente frágil e solidário de um galo - a que denominei de o Galo do Derby - que em vão tentava ouvir o eco do seu veemente protesto contra a iminente invasão do seu sítio.

Os edifícios podem formar gigantescas "florestas", podem igualmente ser denominados de verdadeiras "montanhas", por sua imponência, porém jamais reconstituirão e devolverão o habitat dos galos solidários cuja sorte mais provável talvez seja transformarem-se em apetitosas receitas sugeridas por qualquer falso "Maitre-d'Hotel" (Ou eu não me chamo Pierre).

Na minha infância os galos também já eram desprotegidos, em pleno Sertão. Mamãe costumava fazer deliciosos pratos de galinha à cabidela, ou ao molho pardo, só que as vítimas nem sempre eram necessariamente galinhas; podiam ser também frangos ou capões.

E foi de tais lembranças e reflexões que cheguei a uma lamentável conclusão: no Recife, como em todas as metrópoles do mundo, não só os quintais, barrocos ou não, estão morrendo ou já mortos, mas também as próprias madrugadas estão à mercê da inclemente metamorfose pela qual vem sendo vitimada a natureza.

Os museus ditos da imagem e do som que se cuidem. Urge que certos elementos - a que não denomino mais de valores - sejam arquivados para a posteridade, a fim de que um saudosista visitante do futuro possa ouvir através de serviços de som sofisticados, explicações do tipo: - Senhores visitantes, a cena a que assistem tenta representar uma madrugada (belo espetáculo de que nossos antepassados desfrutavam "in-loco"). O som de fundo é o arremedo do galo: macho da galinha doméstica. Ave extinta do gênero das galináceas, da ordem dos galiformes. Era muito. Era muito apreciada por sua carne tenra e rica em propriedades nutritivas. Antigamente teciam as manhãs com o seu cantar belo e majestoso, como no poema de João Cabral de Melo Neto: Um galo sozinho não tece uma manhã: / ele precisará sempre de outros galos / De um que apanhe esse grito que ele / e o lance a outro, de um outro galo / que apanhe o grito que um galo antes / e o lance a outro, e de outros galos / que com muitos outros galos se cruzem / os fios de sol de seus gritos de galo, / para que a manhã, desde uma tela tênue se vá tecendo entre todos os galos.

Mas os galos estão abandonando as madrugadas do mundo, e com eles - lamentavelmente, nos quintais remanescentes do Recife - estão a morrer as próprias madrugadas.

Código de Postura do Município de Garanhuns

Anchieta Gueiros | História de Garanhuns e do Agreste
Anchieta Gueiros | História de Garanhuns e do Agreste
Anchieta Gueiros | História de Garanhuns e do Agreste
Anchieta Gueiros | História de Garanhuns e do Agreste
Anchieta Gueiros | História de Garanhuns e do Agreste
Anchieta Gueiros | História de Garanhuns e do Agreste
Anchieta Gueiros | História de Garanhuns e do Agreste
Anchieta Gueiros | História de Garanhuns e do Agreste
Anchieta Gueiros | História de Garanhuns e do Agreste
Anchieta Gueiros | História de Garanhuns e do Agreste
Anchieta Gueiros | História de Garanhuns e do Agreste
Anchieta Gueiros | História de Garanhuns e do Agreste
Anchieta Gueiros | História de Garanhuns e do Agreste
Anchieta Gueiros | História de Garanhuns e do Agreste
Anchieta Gueiros | História de Garanhuns e do Agreste
Anchieta Gueiros | História de Garanhuns e do Agreste
Anchieta Gueiros | História de Garanhuns e do Agreste
Anchieta Gueiros | História de Garanhuns e do Agreste
Anchieta Gueiros | História de Garanhuns e do Agreste
Anchieta Gueiros | História de Garanhuns e do Agreste
Anchieta Gueiros | História de Garanhuns e do Agreste
Anchieta Gueiros | História de Garanhuns e do Agreste
Anchieta Gueiros | História de Garanhuns e do Agreste
Anchieta Gueiros | História de Garanhuns e do Agreste
Anchieta Gueiros | História de Garanhuns e do Agreste
Anchieta Gueiros | História de Garanhuns e do Agreste
Anchieta Gueiros | História de Garanhuns e do Agreste
Anchieta Gueiros | História de Garanhuns e do Agreste
Anchieta Gueiros | História de Garanhuns e do Agreste
Anchieta Gueiros | História de Garanhuns e do Agreste
Anchieta Gueiros | História de Garanhuns e do Agreste
Anchieta Gueiros | História de Garanhuns e do Agreste
Anchieta Gueiros | História de Garanhuns e do Agreste
Anchieta Gueiros | História de Garanhuns e do Agreste
Anchieta Gueiros | História de Garanhuns e do Agreste
Anchieta Gueiros | História de Garanhuns e do Agreste
Anchieta Gueiros | História de Garanhuns e do Agreste
Anchieta Gueiros | História de Garanhuns e do Agreste
Anchieta Gueiros | História de Garanhuns e do Agreste
Anchieta Gueiros | História de Garanhuns e do Agreste
Anchieta Gueiros | História de Garanhuns e do Agreste
Anchieta Gueiros | História de Garanhuns e do Agreste
Anchieta Gueiros | História de Garanhuns e do Agreste
Anchieta Gueiros | História de Garanhuns e do Agreste
LEI Nº 1.439 - Institui o Código de Postura do Município e dá outras providências".

Garanhuns, 17 de novembro de 1969.

Luiz Souto Dourado
Prefeito

História de Angelim - PE

Joaquim Salgado de Vasconcelos e Ana Santa Cruz de Oliveira Vasconcelos, foram os primeiros povoadores de Angelim. Oriundos  do Engenho São ...