terça-feira, 31 de março de 2026

Um homem simples

José Francisco de Souza
José Francisco de Souza

Dr. José Francisco de Souza*

Era um homem simples e sem complicações. Seu mundo interior era ornado de luz. Projetava-se por meio de uma qualidade importante: a sublime faculdade de escutar. Escutar em todas as épocas sempre foi tarefa difícil. Em geral nunca prestamos ouvidos senão à vez de nosso próprio pensar. Ignoramos que o outro é o nosso semelhante. De modo que na realidade nada nós é comunicado. Esse processo não ocasiona a feliz oportunidade porque transforma o homem modesto em complicações filosóficas.

A cultura livresca torna o leitor bem informado sobre pensamentos esquematizados. Em ideias configuradas em textos e contextos e suas passagens paralelas. Nesse labirinto de palavras a nossa mente fica completamente alheia ao sentido real das coisas. Daí a mera convenção de princípios e ideologia. Faz-se mister sintomático casuísmo de qualidades inerentes à personalidade.

As qualidade são frutos de construção nossas. E nunca poderemos esquecer que a escolha divina começará pelo esforço próprio de cada um. Quando isto se verifica ocorre às nossas intenções que determinam assumirmos novas atitudes perante a vida. Para isso é recomendável é o homem se ilustrar pela sabedoria de autoconhecimento. Essa estrutura se constituíra a ponto de sua aprendizagem. Esse foi o comportamento do nosso modesto homem de letras focalizado neste trabalho jornalístico de hoje e de sempre.

MANOEL GOMES DA SILVA (NÉU)

Nasceu aqui em Garanhuns, na cidade das madrugadas loiras cheirando a baunilha. Serra das Antas, Pau Pombo, Vila Maria, Várzea, Jardim e do Magano de olhos fitos sempre em nós. Néu Rodrigues era o nome consagrado pela comunidade dos amigos de sua terra. Abriu os olhos para a vida à rua São Vicente no dia 5 de julho de 1923. Filho de João Gomes da Silva e sua esposa Dona Custódia, verdadeiro ornamento de graça e beleza moral da tradição familiar da terra das flores. Néu Rodrigues iniciou a sua vida com a mesma profissão de seu pai; barbeiro. Frequentou o Colégio Diocesano onde foi aluno aplicado e estudioso. Procurou sempre ceder à sua vocação para as artes. Gostava de teatro, integrante de elencos de alguns grupos cômicos. Integrou-se em muitos circos, fundador do Teatro Ferroviário do Recife. Integrante do Clube Mágico da Capital do Estado. Técnico em telecomunicação com estágio pela INBELSA. Mestre Maçom pela Loja Legionários de Ordem de Jaboatão. Condutor de trem pela REFESA.

Como se deduz o currículo de Néu demonstrava a recomendável participação de seu espírito, em vários segmentos da sociedade. Foi uma figura de destaque em todos os setores de suas atividades sempre crescente. Casado com Dona Maria Luzinete Cordeiro e pai de numerosa prole. Em todas as circunstâncias se conduzia pela inspiração de seu universo moral. Amigo devotado e sincero, foi nosso amigo e admirador, Declarava alguns dos nossos poemas destacando entre eles "Dentro da Noite". Quando nós e o imortal Luís Maia tentamos uma excursão com o Departamento de teatro de Centro de Cultura Intelectual Severiano Peixoto". Néu nos acompanhou por algumas  cidades de Pernambuco e Alagoas. A sua  psicologia revelava profunda emoção no campo da arte poética.

MANOEL GOMES DA SILVA (NÉU)

Passou a residir no Recife. Exercia um cargo técnico em atividades tributárias pelo Ministério da Fazenda. Sua produção intelectual é admirável pelo autodatismo de sua inspiração. Autor de poemas, sonetos e poesias matuta, acrósticos. Interpretação teatral: Ladra, as Mãos de Euridices e a Louca do Jardim. E no dia 13 de maio de 1985, vitima de um enfarte, faleceu e Jaboatão, onde residia. 

*Advogado, jornalista e historiador | Garanhuns, 01 de junho de 1985.

De Labiata a Lagoa da Canoa

José Alexandre Saraiva

Por José Alexandre Saraiva*

A aconchegante Calçado, da Andréia Ferreira e do boi preto de patas brancas (o topônimo surgiu desse detalhe no animal), fica ali à esquerda, entrando por Jupi. Logo após Neves, distrito de Jucati, terá à frente Garanhuns, berço de Dominguinhos, do Quinteto Violado, do sanfoneiro Zé da Onça, Chá Preto, Preto Limão, do Zezinho de Garanhuns, Gonzaga de Garanhuns, de Dalva Diniz, de Anchieta Gueiros, de Antonio Vilela de Souza, de Yale Feitosa, de Zeca Preto, das vaquejadas, dos festivais de inverno e do Castelo de João Capão.

Sabedor de minha queda por Garanhuns, parada de Francisco Rodrigues de Melo antes de chegar a Labiata (Panelas) para construir, no início do século XIX, a capela Senhor Bom Jesus dos Remédios, após longa caminhada desde  Petrolina, Derinho novamente cede-me a palavra.

- Comovente a história desse castelo. O então menino de rua João Ferreira da Silva, nome de registro de João Capão, prometeu presentear a mãe com um castelo medieval igual ao por ele visto num filme exibido no cinema. O primeiro passo foi juntar pacientemente, durante logo período, o bota-fora das construções e das reformas realizadas nas casas da cidade. Doou-se ao sonho até a sua morte, aos 81 anos. A obra, iniciada já na fase adulta, quando era encanador e eletricista, recebeu acréscimos e inovações constantes. O castelo de João Capão e ponto turístico dos mais visitados em todo o Agreste Pernambucano.

Há outro castelo em Garanhuns. Direi melhor: Garanhuns é em si um monumento imaterial sedimentado e erguido nas páginas seculares de sua história. O topônimo da cidade provém de seus habitantes pioneiros - indígenas da nação cariri (Kiriri). Entre outras características, eram aguerridos, calados e sinceros. Garanhuns significa campo dos guarás e dos anuns. A  origem dos cariri, como de resto de todos os ancestrais dos indígenas brasileiros, remonta aos movimentos migratórios de ameríndios andinos. Conforme relata Abdias Moura em seu excelente livro "O Sumidouro do  São Francisco - Subterrâneos da Cultura Brasileira", arrimado em pesquisas científicas, milênios de anos antes do descobrimento da Terra de Vera Cruz, eles teriam fugido do rigor totalitário do império inca e alcançado o nosso solo.

Os primitivos habitantes das terras dos Garanhuns já estavam de certo modo amalgamados com os desbravadores brancos, incluindo europeus, e com os negros fugidos da escravidão quando, no início da década de 1690, o mestre de campo Domingos Jorge Velho estabeleceu quartel general na região para exterminar os remanescentes do Quilombo dos Palmares na Serra da Barriga. Frustrada a primeira tentativa, permaneceu dez meses com seu exército naquelas cercanias planejando o ataque decisivo. "O negro está deliberado a morrer dentro da estacada; pois está inexpugnável",  escreveu ele ao então governador de Pernambuco Caetano de Melo Castro. Por conta disso, pediu e recebeu gigantesco reforço de guerra, conforme relata o historiador paranaense Rocha Pombo, citado pelo pesquisador João de Deus de Oliveira Dias em seu belo livro "A Terra dos Garanhuns". Nesse interregno, dissipou núcleos isolados de resistência, cooptou índios e mamelucos e atraiu apoio de ruralistas em conflito com quilombolas.

A derrocada da Confederação dos Palmares rendeu vastas áreas de terras, no sistema sesmarial, a Domingos Jorge Velho e aos demais envolvidos na guerra. Descontado o quinto da Coroa, o "rateio" baseou-se no nível pessoal de comportamento no massacre. Após o lancinante massacre, os sobreviventes aptos para trabalhos braçais foram divididos na condição de escravos entre seus caçadores. Outros, com mais sorte, buscaram esconderijo nas matas e nas serras distantes. Sítios, currais e fazendas expandiram-se a galope nos arredores da Serra da Barriga e nos brejos de Garanhuns.

A uma dessas propriedades - fazenda ou sítio Tapera do Garcia, de Simôa Gomes, neta de Domingos Jorge Velho -, a História reservaria capítulo especial. Nascida no auge da campanha contra Zumbi, graças a um idílio de Miguel Coelho Gomes, filho daquele mestre de campo paulista com uma nativa cariri, Simôa, embora analfabeta, era mulher inteligente, expedita e generosa. Um dia, no ano de 1756, quando passava os olhos em suas terras montada em cavalo adrede selado, foi tomada de louvável sentimento: decidiu doar parte da fazenda, herdada do segundo casamento, à Irmandade das Almas da paróquia local. A única  condição da então sexagenária dama consistia na destinação dos rendimentos e dos frutos havidos do bem doado à celebração de missas para as almas no  purgatório. Com a finalidade de assegurar a plena satisfação de sua vontade, no termo lavrado em cartório foram nomeados procuradores da própria confraria religiosa. Cem anos depois, porém, constatado o descumprimento absoluto do requisito sine quanon, a justiça anulou a doação e declarou devoluta a propriedade, incorporando-a ao patrimônio público. Na área, encontra-se hoje a "Suiça Pernambucana", erguida entre sete colinas, são elas: Antas, Columinho, Ipiranga, Monte Sinai, Triunfo, Quilombo e Magano. Ainda no distante ano de 1887 Garanhuns recebeu sua ferrovia com ligação para duas capitais, Recife e Maceió. Os ciclos do couro, do café e, mais recentemente, do leite elevaram o município ao maior polo econômico do Agreste Meridional de Pernambuco, reunindo em seu entorno dezenas de municípios. Também é referência regional na área da saúde e na formação educacional, com destaque para os laudáveis colégios XV de Novembro, Santa Sofia e Diocesano de Garanhuns.

O legado de Garanhuns aos pósteros não se limitou ao solo fértil e às riquezas materiais nele produzidas. Na terra "onde o Nordeste garoa", brotaram expressões humanas com presença proeminente nos diversos campos do conhecimento humano. Entre eles, o engenheiro, poeta e pesquisador Ruber van der Linden, idealizador de aprazível parque ecológico cravado no coração da cidade, por ele batizado de Pau Pombo (depois oficializado com seu nome), o escritor e artista plástico Luís Jardim, laureado pela Academia Brasileira de Letras com as obras "Isabel do Sertão" e  "Proezas do Menino Jesus". No rol da vasta criação literária de Luís Jardim, foram ainda aclamados pela crítica nacional os livros "Boi Aruá", premiado em concurso de literatura infantil do Ministério da Educação, e "Maria Perigosa", vencedor em 1938 do tradicional "Prêmio Humberto de Campos" da Livraria José Olympio. Neste último certame, cuja banca contava com abalizadores julgadores, a exemplo de Graciliano Ramos, um dos livros concorrentes era o clássico Sagarana, de Guimarães Rosa, na versão original.

É extensa a galeria dos vultos históricos, literários e culturais da terra de Luís Jardim, sejam eles ali nascidos ou com raízes inquebrantáveis, alguns citados na bibliografia deste trabalho como fonte valiosa de pesquisa. Além dos já mencionados, despontam os  os nomes de Alfredo Leite Cavalcanti, com sua alentada obra "História de Garanhuns"; Augusto Calheiros, "A Patativa do Norte", filho adotivo da cidade, Manoel Neto Teixeira, nascido na vizinha cidade de Itaíba, biógrafo de Pinto Ferreira e autor do luminoso e denso livro "Garanhuns - Álbum do Novo Milênio (1811/2016)"; Márcio Mário de Almeida Santos; Arthur Brasiliense Maia; Luzinette Laporte, nascida em  Catende; Humberto Alves de Moraes; Maurilo Matos, Waldimir Maia Leite; Cônego Magno Godoy; monsenhor Adelmar da Mota Valença; Ronildo Maia Leite; Edson Mendes, Jodeval Duarte; Bahia Filho; Fernando Castelão; Rubens Vaz da Costa; Carmosina Araújo; Gladstone Vieira Belo; José Mário Rodrigues; Luzilá Gonçalves Ferreira; Luís Afonso de Oliveira Jardim; Cristina Tavares e João Marques dos  Santos, jornalista, poeta e escritor, nascido no bucólico povoado Mochila. Autor de "Temas de Garanhuns" e do romance "euHeroi", fundador do jornal O Século e compositor de músicas gravadas pelo Quinteto Violado, da mente brilhante de João Marques nasceu o hino da terra dos guarás e dos anuns:

Filhos da terra, oh! gente
Ergam a voz, brilhem as frontes
Cantando com a alma que sente
E que vai nas brisas dos montes
Salve Garanhuns!
Os jardins, as palmeiras e alguns 
Pedaços do céu... mãos divinas!
Salve as sete colinas!
(...)

A nova safra de intelectuais garanhuenses faz por merecer o bastão cultural recebido das gerações anteriores. Conta com o brilho de uma plêiade de literatos, artistas plásticos, pesquisadores, memorialistas e historiadores, a exemplo, de Igor Cardoso, autor do magistral livro "Fernand Jouteux: O Maestro de Chapéu de Couro". A obra consiste em exaustiva pesquisa biográfica sobre o maestro francês Fernand Jouteux, notável peregrino da arte musical. No fim do século XIX, ele veio conhecer sons e ritmos do nosso país, aportando primeiro no Nordeste. Atraído pelo clima de montanha da "Suiça Pernambucana", anos depois voltou para fincar raízes em Garanhuns, onde adquiriu um sítio batizado por ele de Belle Alliance. Sem delonga, dedicou-se à criação de histórica ópera inspirada no clássico "Os sertões", de Euclides da Cunha. Discípulo do compositor Jules Massenet e aclamado na Europa, Jouteux levou longos anos percorrendo o país em busca de recursos para encenar sua famosa criação, genuinamente brasileira. Já em  provecta idade, pobre e com saúde fragilizada, finalmente contou com apoio de Juscelino Kubitschek, então governador de Minas Gerais (1951-1955), estado onde viveu os últimos anos. Segundo apurou o escritor Igor Cardoso, momentos antes da estreia da ópera em Belo Horizonte, no Teatro Francisco Nunes, o octogenário e incansável maestro Farnand Jouteux desabafou feliz: "Quem, durante 40 anos, não morreu de dor, de certo não morrerá em uma dia de alegria, como este." Morreu dois anos depois. sem bens materiais a inventariar, foi sepultado em jazigo adquirido por um amigo.

- Nota: Matéria extraída do Livro "De Labiata a Lagoa da Canoa" a ser publicado brevemente.

Fonte: Jornal O Século fevereiro|2018

José Alexandre Saraiva (Panelas, 27 de abril de 1954) é um advogado, jornalista, músico e escritor brasileiro. Especialista em Direito Tributário, pertence às seguintes instituições jurídicas: Instituto dos Advogados do Paraná; Instituto de Direito Tributário do Paraná; e Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário. É inscrito na Ordem dos Advogados do Brasil, Seção do Paraná; na Federação Nacional dos Jornalistas, com registro no Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná; e na Ordem dos Músicos do Brasil, Seção do Paraná.

Missionário da Pátria

José Francisco de Souza

Dr. José Francisco de Souza* | Garanhuns, 30/04/1983

Para as tropas portuguesas aqui residentes, aqueles que a história consagrou como heróis da Independência eram simples rebeldes, inclusive o SENHOR REGENTE. Os arquivos Espirituais da Independência do Brasil, nos orienta no sentido de que TIRADENTES trabalhava ativamente. A certa altura, consulta ISMAEL, sobre se não teria chegado o momento decisivo. Sentia que era preciso aproveitar a exaltação patriótica dos ânimos. As possibilidades estão dispersas, mas poderíamos reunir todas as forças para  o fim de derrubar as últimas muralhas que se impõem à liberdade da Pátria do Evangelho.  (Reencarnação e Imortalidade).

Valores humanos dos mais expressivos, da época, se concentraram à assimilação da palavra candente de  TIRADENTES.

TIRADENTES


Missionário sublime. Nem sempre este título implica o exercício do poder temporal. Dá-se, por unânime consenso, a todo aquele que pelo seu gênio, ascende à primeira plana numa ordem de ideias quaisquer, a todos aqueles que domina o seu século e influi sobre o progresso da humanidade. Joaquim José da Silva Xavier, foi o missionário de mais amplas liberdades. Símbolo do civismo e dos princípios éticos e espirituais, entre dois mundos, cujo poder impunha a renovação da pátria livre de jugo de Portugal. Os grupos inspirados pelas inteligências de escol se caracterizam pela epopéia cintilante de rebeldia dos autênticos e puros sentimentos de um povo que impunha o lábaro da sua INDEPENDÊNCIA, DA EMANCIPAÇÃO POLÍTICA DO SOLO PÁTRIO DA TERRA DO CRUZEIRO DO SUL - berço de uma civilização. Fenômenos psíquicos formados de sensação e imagens telúricas. A consciência de seu próprio valor como apóstolo do civismo, era fundamental entre seus  companheiros.


Eis porque, em todas as situações, o ideal divino da fé será sempre o antídoto dos venenos morais, desobstruindo o caminho da alma para as conquistas elevadas da perfeição. SILVÉRIO DOS REIS foi um lapso humano da conjuração, não tinha consciência dos efeitos de seus atos. Célula enferma do organismo social, representante de um caráter patológico dos seus próprios interesses de pessoas contaminados pelos vírus da traição. Traindo os seus companheiros do movimento, transformou em bandeira a cabeça de TIRADENTES, no campo da Lampadosa.

Memórias, crenças e desejos em todos os recantos de VILA RICA, essa beleza da alma desse Brasil Continente, só o grande Alferes sentia plenamente. Tudo que fundamentava a sua emancipação, começou com ELE. Depois da consolidação não poderia deixar de se processar a reforma no eterno presente.

Depois de sua morte, por enforcamento passou ao lado da falange de ISMAEL a convocar nova dimensão de glória no mundo dos Espíritos em prova, para sua superioridade moral de acordo com alto padrão de sua  vida. De suas atitudes e de seus atos. Essa historiologia é fascinante. A fonte de pesquisa são os Arquivos Espirituais da Independência do Brasil. Mecanismo secreto  de altos ensinamentos que purificam e sugerem temas ainda inéditos. É por esse ângulo de vibração pontilhada de harmonia entre dois mundos, que se deve apreciar a missão nobre sobre e a grandeza moral constatadas pelos caminhos da ETERNIDADE. Seus  passos cadenciados e firmes, a serenidade de seu porte em marcha para o patíbulo, revelou a consciência de sua missão, como CRISTO DO CIVISMO. 

Essa atitude caracteriza a sua superioridade em todos os dados do julgamento da percepção de seu superior comportamento, muito acima do nível cultural de seus contemporâneos. As provas têm por fim exercitar a inteligência, tanto quanto a paciência e a resignação. Por meio das provas irrecusáveis veio regular os verdadeiros obreiros do bem, a natureza do mundo espiritual e as suas relações com o mundo terrestre. Os que estão no mundo dos espíritos já estiverem aqui e os que estão neste mundo vieram de lá.

A missa de TIRADENTES não fora de um simples legislador, teve por exclusiva autoridade a sua palavra, seu VERBO FLUENTE pontilhado de rebeldia cívica. Era um brasileiro de aspirações profundas que dignificam, em todos os tempos, a ALMA NACIONAL.

*Advogado, jornalista, cronista e historiador.

Simplesmente viver


Dr. José Francisco de Souza* | Garanhuns, 30 de maio de 1987

Viver é bem relacionar-se, É sentir profundamente o desejo do diálogo. Um passo deve ser dado no sentido de esvaziar à mente. As ideias preconcebidas induzem a estática mental. Para isso, o mais  importante é o efeito de uma autoanalise completa. Uma espécie de renovação nasce o processo das coisas que nos  rodeiam. Assim a nossa mente se liberta do velho. E passa a se objetivar no currículo do que é novo.

Esse impulso criado, é essencial para que possamos criar um mundo novo. Um diferente estado de relação uma diferente estrutura moral. Essa realidade existe em cada um de nós. É uma nova maneira de viver, agindo harmoniosamente. A busca que gera os conflitos desaparece. Implica em nova maneira de pensar e de viver simplesmente, livre dos problemas. Nós somos os problemas.

A vingança, a violência com a sua crueldade, a destruição do ser humano, através de declaração de guerra em terra, e nas estrelas, são declaradas pelos  homens que ostentam a força pela desumana impiedade. As guerras só se materializam na plenitude selvagem, porque é raro o homem que seja livre. Todos justificam as guerras nacionais e internacionais.

Sem a libertação desses propósitos de  violência, de decomposição física e moral, por mais que fizermos para dissipar a confusão e trazer a ordem à estrutura social, nada conseguiremos. Os sofrimentos se renovam e as angústias permanecem. Tais fatos nos parece evidentes, se observarmos, os acontecimentos políticos e sociais que se desenrolam no mundo. 

Há  o apreender que começa com o autoconhecimento, um aprender oriundo da percepção das atividades diárias, o que fazemos, o que pensamos, a natureza de nossas mútuas relações, maneira como o nosso mundo responde a cada incidente e desafio do cotidiano viver. Se não estamos cônscios de nós mesmos, se  não conhecemos como a nossa mente reage a cada desafio da vida, não há autoconhecimento. Não existe bom relacionamento entre os seres humanos, porque  não alcançamos a sabedoria.

O melhor para os homens é sempre um problema de escolha. O fato de ser melhor não decorre que seja o mais desejável. Ser filósofo é melhor do que ser estupido, e ganhar dinheiro, porém não é  mais desejável para o que carece das coisas da vida. O poder, não deve ser desejável sem a prudência. Mas, a prudência é desejável sem o poder. Uma coisa sempre manifesta por si mesma a sua  essência, não é uma propriedade mas uma definição.

Mas, em grau secundário, a vida de acordo com a outra espécie de virtude é feliz, porque as atividades que concordam com esta condizem com a nossa condição humana. Os atos corajosos e justos, bem como outros atos virtuosos, nós praticamos em relação uns aos outros, observando nossos respectivos deveres no tocante a contratos, serviços e toda sorte de  ações e iniciativas que ligam os homens uns com os outros através do entendimento.

A sabedoria prática também está ligada as caráter virtuoso e este à sabedoria, já que os princípios de tal sabedoria concordam com as virtudes morais e  retidão moral concorda com ela. Ora essas virtudes são humanas, por  conseguinte, humanas são também a vida e a felicidade que lhes correspondem.

As premissas necessárias mediante as  quais se efetua o nosso raciocínio não devem ser propostas diretamente e de forma muito explicita. Convém, que pairemos acima delas o mais longe possível. 

*Advogado, jornalista e historiador 

Foto: Garanhuns - Parque Ruber van der Linden (Pau Pombo. Créditos da foto: Anchieta Gueiros.

Ato de libertar


Dr. José Francisco de Souza* | Garanhuns, 24 de março de 1984

Não é desistência de princípios, nem violação de  todos os sistemas. Implica em alcançar o porque das  modalidades impostas, que nos domina cautelosamente. Com muita sutileza. São normas que a psicologia nos  apresenta como orientação. Nesse estado de coisas a nossa liberdade é comprometida. A nossa atenção é desviada pela representação do exterior. O que representa não é o real. É mais o que queremos. Nem sempre o nosso desejo é bom e razoável. Divergência e acomodações de pensamentos se dividem. Se bifurcam em positivos e negativos conforme o estado de Espírito.

Essa instabilidade emocional domina quase todos os setores da conjuntura política. Afirma-se e nega-se ao mesmo tempo que se elabora algo de estranho. O campo mental de muitos homens amolda-se de modo e de aspecto sui generis. As contradições se revelam e acentuam o seu domínio. É a negação da personalidade. A autoafirmação seria o mais importante a vida do ordenamento social. Essa tomada de posição individual é a linha mais correta da evocação humana. É a manifestação plena de um bom estado de consciência. É a emancipação restrita de certos contornos do mundo social; das comunidades que se chocam e se assemelham pela analogia dos  contrários, dos opostos. A sensação, o contato, e a finalidade do desejo de ser o que  em verdade deveria não ser. Será que refreando os sentidos se alcança o caminho certo para o ato de se libertar?

A resposta é não. Porque não há caminhos para se chegar a um ponto de segurança chamado de LIBERDADE. Mesmo porque na vida não há segurança. Nada é seguro em si mesmo, tudo se transforma. Neste sentido a libertação é algo de novo. Sua busca se opera desde que o homem tomou consciência de si mesmo. Se a libertação se nos apresenta como algo de novo. Não se pode chegar ao novo por caminhos velhos. Liberdade é coisa muito importante. É um acontecimento moral muito elevado. Temos de mergulhar às profundidades do silêncio para sentir o seu  desabrochar. O silêncio que não é fuga à realidade, nem isolamento. É um recolhimento, onde as forças vivas se multiplicam, projetando as vivas expressões do sentimento humano. Quanto mais o homem se aprofunda nos conhecimentos, e sobretudo, nas  sublimações da sabedoria, mais  silencioso, e discreto é o universo mental. Mundo em que a criatividade se renova constantemente.

Olvida-se que a natureza é coisa de sua perfeição, os sintomas modificam-se corrigindo-se espontaneamente por uma espécie de regeneração, ou autodepuração. Podem coexistir caracteres compensados de valor social. Silêncio não é reclusão. É acima de tudo sublimação da beleza interior de cada um de nós. Aí a  fonte das virtudes humanas se purificam. Crescem de dentro para fora, como a flor cuja função natural é trescalar perfume. Quando o homem atinge a maioridade no seu  universo interior passa a ser discípulo amado. E quando se alcança o mandato de discípulo, o MESTRE APARECE. Isso não é muito explicável, porque o que  se explica não é verdade. Note-se o silêncio de CRISTO diante da indagação de Pilatos: "O que é a verdade?".

O silêncio dentro do homem é condutor de libertação porque saboreia-se as leis eternas. Quem nunca viveu essa simbiose do silêncio sominal-sideral não tem a mesma ideia de sua fascinante realidade e indizível beatitude. O homem assim cosmificado, ouve a silenciosa legislação  do universo, e vive plenamente o ato integral de sua libertação.

Advogado, jornalista e historiador.

Sensibilidade

Anchieta Gueiros - História de Garanhuns e do Agreste

Dr. José Francisco de Souza* | Garanhuns, 18 de Julho de 1987

Faculdade de experimentar sensações psíquicas. Percepção de conteúdo e forma. Ordenamento específico que todo ser humano é portador. O seu desenvolver requer apercebimento. É uma qualidade do processamento de suas atividades intelectuais. Da mente que se renova em cada momento, inspirada pelo desfilar do  pensamento criador.

Essa harmonia se sintoniza simplesmente as vibrações do agora. Não se deve perder nenhum instante de nossas atividades. Tudo se renova de acordo com o processo vital da existência. Na ocasião em que as coisas se revelam, é uma complementação à vida de cada um de nós. É uma espécie de élan que nos levará, sem esperar mais nada, à visão da realidade. Chega-se assim a uma mestria da linguagem, que nos permita meditar em voz alta. A base da meditação é o autoconhecimento.

Penetrando nas renovações do silêncio do nosso mundo interior, alcançaremos a tranquilidade que todo ser humano deseja. Percebendo esta oportunidade de agir devemos fazê-lo nesse tempo exato. É o tempo de agir, de deixar as palavras mortas para aqueles que se alimentam delas. Os julgamentos, as apreciações infundidas de pessoas de mentalidade conflitaria, são vias de fugas que se perdem no  espaço.

Os que vivem sob o domínio da sabedoria do silêncio, entendem que o julgamento dos filisteus da cultura, não merecer a audição, bem como a presença dos qualificados pelo entendimento. O homem sofre e goza conforme o uso de sua liberdade. A liberdade depende de certa modalidade do entendimento. Ninguém é obrigado a entender. Contudo, é óbvio que os  que não entendem são sempre repelidos pela razão.

A vida fechada na algazarra de sons, é um instante de poluição sonora. Paralisa-nos fisicamente. E os nossos atos não passam de pálidas imagens das nossas ideias. Especificamente das ideias  portadoras de desequilíbrio mental, ocasionado  pela repetição de opiniões sistemáticas e ofensivas. O cheiro da morte paira sobre o telhado do cubículo do homem escravizado. Do homem que fala de tudo e de todos porque em tudo sente a imagem de seu próprio ser.

É um símbolo de destruição - porque sente o desejo de ser célebre, porque interiormente não é nada. Vazio, sozinho, pobre criatura que se reveste de pumas da celebridade e não tem uma técnica, um talento, e muito mal sabe manejar as palavras. Se nesse processo de exame ou observação se faz uso do método negativo, há então, separação entre o pensador e o pensamento. Entre o homem mentalmente corrompido e a corrução do meio, em que age como figura central.

O fio do nosso raciocínio encontra o patamar de sua tecelagem nesses conceitos aprimorados: "Um recipiente só é utilizável quando está vazio, e um espírito cheio de crença, dogmas, afirmações e citações, é na verdade um espírito estéril, uma máquina de repetição. Deste estado de vazio é que tentamos sempre fugir por todos os meios. É por isso que a solidão é perigosa" Esses tipos vivem na busca constante de outros, ou seja de seus  iguais em pensamentos e palavras.

A solidão coloca o homem apercebido e desejoso e francamente interessado na  sua libertação, num autêntico estado de  receptividade. É um recolhimento, onde  todas as forças vivas do ser humano se concentram num deslumbramento de  seu próprio universo... Neste estado procuramos, então, aquilo que chamamos de  divertimentos, encher o silêncio por barulho que, transportando-nos ao passado ou o futuro, nos afasta do vazio. 

Um notável pregador, cujos sermões se constituíam verdadeira obra de arte sacra. Subiu ao púlpito e abriu a Bíblia para o tema do Sermão, o templo estava literalmente cheio, quando um pássaro penetrou, e voando pelo salão e pousando no púlpito começou a cantar... Quando a ave terminou de cantar, o grande pregador fechou o livro santo e disse: por hoje dou por encerrado a minha palavra.

O canto desse pássaro foi mais uma  revelação que Deus é Perfeito em todas as Suas Obras. Foi um verdadeiro ato puro da natureza. Superior ao esplendor da natureza do verbo humano, onde a sabedoria do silêncio é mais sublime.

*Advogado, jornalista, cronista, poeta e historiador 

Créditos da foto: Anchieta Gueiros.

Movimento e vida


Dr. José Francisco de Souza*

Na vida tudo é constante movimento. As coisas crescem e se transformam. Teremos não só de compreender as suas transformações mas, acompanhá-las em todas as suas modificações. Por isto há ensejos nesta vida em que devemos olvidar as efemérides, para nos integrarmos às coisas sérias e mais importantes. Os fatos dessas naturezas são sempre uma complementação de outros talvez mais consideráveis. Depende de nosso estado de atenção, do apercebimento no anto da  execução. Apercebimento pleno é contemplação.

O cumprimento desse mandato não se impõe a ninguém. Cada um por si precisa se integrar à tarefa escolhida, no sentido de jamais sentir a vida passar imperceptível, como se fosse uma sombra. O indivíduo não pode se alheiar  o ponto de não sentir o que se passa no seu mundo interior. Um instante que perdemos o  contato com a nossa própria vida começamos a morrer. E não poderemos mais recompô-la integralmente. O despertar dessa modorra alarga uma nova perspectiva de vida. Quando as sensações passam e não voltam mais  as mesmas. Voltam vivamente renovadas. Por intuição natural a realidade se configura em outras modalidades. O nosso campo de ação também altera o  seu contexto psicológico.

A nossa conceituação de cada momento depende da  importância que lhe emprestamos. É um resultado do  nosso estado de vigilância. Isto exige a coroação do  centro de todas as nossas atividades. O melhor, como entendemos, nem sempre acontece, embora esteja às  esferas dos limites e das expressões da nossa vida. Os  nossos desejos se constituem ensaios do mundo subjetivo em busca da sua própria realidade. Entra em ação o plano mental, aquilo que se pensa já existe no mundo da mente. Essa força interior em muitos casos tem a capacidade de decisão. Daí os pensamentos  positivos como elemento complementar e decisório.

A constância de séries de acontecimentos, que se revelam nos setores da vida, geram naturais sequências de traumas que comprometem o saldo intelectual e psíquico. Estes traumas se elaboram sutilmente alimentando a ânsia de desespero. Desespero é o medo interior que contagia à vida em relação.

Indubitavelmente, províncias de angústias primitivas e reparadoras existem, nos mais variados recantos  do Universo, assim como vibram consciências escuras e terríveis nos múltiplos estados sociais.  No entanto, o serviço teológico nesse sentido; não obstante respeitável, atento ao dogmatismo. Essa é mais uma das vias de fuga que os domínios das ilusões insistem com receio de enfrentar a realidade. Situações criadas por elas mesmas. Estas situações pertencem ao mundo da realidade. Viver em completa harmonia - cousa que exige grande inteligência e não a persecução de desejos egoístas - então haverá o bem estar para o TODO. Isto é movimento e VIDA.

*Advogado, jornalista e historiador | Garanhuns, 27 de agosto de 1983.

Um pouco de Krishmanurti


Dr. José Francisco de Souza* (foto) | Garanhuns, 12 de Setembro de 1992

A sabedoria  do silêncio se alcança em plenitude, pela concentração do autoconhecimento. Só de uma mente muito tranquila podem nascer coisas grandiosas. E esse estado mental não se adquire por meio de esforço, de controle, de disciplina. Ele acontece natural e espontaneamente. É um ato de  psicologia natural, inerente a todo ser que sentiu o desabrochar do  poder da inteligência. É a beleza interior que dá graça a singular delicadeza à forma ao movimento exterior. E que é esta beleza interior  sem a qual a nossa vida é tão superficial.

Perguntaram a KRISHNAMURTI: Que é o Destino?

"Desejais realmente examinar esse problema? Fazer uma pergunta é a coisa mais difícil do mundo, mas uma pergunta só tem significação se vos interessa diretamente, se levais muito a sério.  Não tendes notado como muitas pessoas perdem todo o interesse depois de fazerem uma pergunta? Há dias um homem pergunta e, em seguida, começou a bocejar, a coçar a cabeça e a conversar com seu vizinho (de cadeira): tinha perdido todo o interesse. Assim sugiro não façais perguntas, a menos que  a tomeis realmente a sério". Agora, começa o raciocínio do Instrutor.

"Este problema do destino é muito difícil e complexo. Vede, quando uma causa é posta em marcha, produzirá inevitavelmente um resultado, um efeito. Se um grande número de pessoas - russos, americanos, ou hindus - se preparam para a guerra, seu destino é a guerra; ainda que alguém que deseja a paz que está preparando apenas para sua própria defesa, apenas, puseram em movimento causas que originam a guerra. Analogamente, quando milhões de pessoas vêm tomando parte, há séculos, no desenvolvimento de uma certa civilização ou cultura, puseram em marcha um movimento pelo qual os entes humanos são  colhidos e arrastados, a gosto ou a contragosto; e esse processo em que se é colhido e levado de roldão por determinada corrente de cultura ou civilização, pode se chamar de Destino. Pode-se chamar de  Destino...

"Afinal de contas, se nasceis filho de advogado e vosso pai insiste em que também vos torneis advogado, se vos submeteis a seus  desejos, ainda que prefirais ser outra coisa, então, evidentemente, vosso destino é ser advogado. Mas, se vos recusardes a ser advogado, se estiverdes firmemente determinado a fazer o que sentis ser correto para vós, ou seja o que realmente gostais de fazer - que pode ser escrever, pintar, ou viver sem dinheiro, pedindo esmolas - se isso ocorrer, tereis saído da corrente, ter-vos-eis libertado do destino que  vosso pai traçara para vós. O mesmo se dá em relação à cultura ou civilização".

"Por isso é tão importante sermos educados corretamente - educados, para não nos deixarmos sufocar pela tradição, para não termos o destino de um dado grupo racial, cultural ou familiar; educados para não nos tornarmos entidades mecânicas, movimentadas para um fim pré-estabelecido. O homem que compreende esse processo em sua inteireza, que dele si liberta e fica só, cria o seu impulso próprio; e, se sua ação consiste em libertar-se de falso para conhecer a  verdade, então esse próprio impulso se torna a verdade. ESSES HOMENS ESTÃO LIVRES DO  DESTINO.

Julgam-se os espíritos e os homens pela sua linguagem. A inteligência longe está de constituir um indício certo de superioridade, porquanto a inteligência e a moral nem sempre andam emparelhadas. Pode um homem, ou um espírito ser bom, afável, e ter conhecimentos limitados, ao passo que outro, inteligente e instruído, pode ser  muito inferior em moralidade. São estes princípios que determinam o  comportamento de muitas pessoas que se dizem destinadas.

Se pudéssemos receber a correta educação desde a idade mais tenra, criar-se-ia um estado completamente isento de contradição, tanto interior como exteriormente, e não haveria então necessidade de disciplina ou compulsão, porquanto cada um faria as coisas completamente, livremente, com todo o seu ser. As disciplinas só se tornam existentes quando há condição imposta pelos que pretendem dominar em lugar do outro.

Os políticos, os governos, as religiões organizadas querem que tenhamos uma única maneira de pensar, porque, se podem fazer de cada um de nós um completo instrumento de sua vontade.

*Advogado, jornalista e historiador 

Krisnhamurti

Anchieta Gueiros - História de Garanhuns e do Agreste

Dr. José Francisco de Souza*

Krisnhamurti considerado pelos iniciados como um grande instrutor; "nasceu em maio de 1895 no Sul da Índia, perto de Madras. Oitavo filho de uma família de brâmanes e recebeu este nome em  homenagem ao deus Krishna.  Natureza doce e espiritual de sua mãe contribuiu para logo cedo se revelasse um caráter meditativo, e como ele mesmo contou mais  tarde enquanto seus colegas de escola sonhavam ser um dia comerciante, "seu coração" se fechava a esta ideia porque  queria entrar no domínio espiritual.

Assim, antes que sua mãe morresse quando ainda não tinha seis anos, aprendeu com ela a busca espiritual que nunca mais esqueceria. Eis pois um menino, muito jovem, que aspira a "outra coisa" além da simples vida material. Natureza excepcional e naturalmente dirigida  para busca interior. nasceu com este dom desenvolvido com a ajuda da mãe, e já  aos seis anos firmemente consolidado. Por volta de 1904, quando Krisnhamurti e seu irmão mais novo, Nityananda, brincavam, um dos chefes da Sociedade Teosófica de Adyar se interessou por eles e  apresentou-os a Annie Besant, admirada com as qualidades das duas crianças, adotou-as e dirigiu seus estudos.

Em 1920 os dois foram mandados para Londres. Na mesma época os chefes da Sociedade Teosófica fundaram a Ordem da Estrela do Oriente, cuja finalidade era agrupar os espiritualistas do mundo inteiro na espera de um grande instrutor. Com 15 anos de idade, foi Krisnhamurti  declarado chefe da Ordem: Órgão de ligação era um impresso o jornal da Estrela destinado a transmitir conselhos aos milhares de membros dispersos por todo o mundo.

Foi nesta época que Krisnhamurti escreveu conforme os ensinamentos  recebidos do seu mestre. Mme Besant, num curto prefácio diz que essas páginas constituem a primeira oferta de Krisnhamurti ao mundo. Uma frase deste livrinho resume - uma parte do seu ensinamento futuro: "A superstição é um  dos maiores flagelos do mundo, um dos  entraves dos quais é preciso se libertar inteiramente". Isto foi escrito por um rapaz de 14 anos. Ainda como sinal do futuro educador, ele escreveu: "Aquele que esquece sua infância perdeu toda a simpatia pelas crianças nunca poderá instruí-las e ajudá-las". Foi também à mesma época, ainda criança, que Krisnhamurti  começou a falar em público. Suas conferências tornaram-se em pouco cada vez mais numerosas. Em 1911, com 16 anos, escreveu Krisnhamurti  o seu segundo livro. "O Serviço na Educação".

Estava em Londres, onde a aproximação da grande guerra criava um clima tenso. Consciente da responsabilidade individual de todo o ser, escreveu esta frase no seu livro: "um crime não deixa de  ser um crime porque é cometido por muitas pessoas". As palavras de Krisnhamurti não foram aquelas que seus tutores esperavam ouvir. Menino ainda já vivia num estado de revolta. Nada lhe satisfazia. Escutava, observava, procurava qualquer coisa além das ilusões das palavras.

A vigília no momento da ação convoca a mais límpida das elucidações do  conhecimento. O EU está sempre em movimento e nunca em repouso. É necessário ficarmos interessados em acompanhar seus movimentos. Essa mutação implica em sentirmos a plenitude sem esforço, nem conflitos. É muito importante a maneira de pensar sem coação dos desejos. Estes são fontes que alimentam o acúmulo de necessidades fictícias. O pensamento correto não tem divisão, entre o sujeito que pensa e o objeto pensado. É preciso que se saiba que o erro consiste em aceitar em vez de compreender. É superando os sistemas e as estruturas particulares ou de qualquer espécie, que poderemos atingir a liberdade.

Entendimento é sobretudo, ação. Apanhar intelectualmente uma ideia, ou um pensamento, não é entender o conteúdo de sua realidade. A vida é para ser vivida e não para ser imitada. Daí a busca de segurança no outro, e o meio de  fuga se impõe. A felicidade está em nós mesmos. Não é questão de escolha, de preferência particular do indivíduo, é  um estado natural de silêncio. Esse perene estado do Espírito vislumbra o panorama das belezas do eterno presente. É pois, uma das modalidades dos ensinamentos de Krisnhamurti, cujo desenlace ocorreu em dias do mês transato, nos Estados Unidos.

A linguagem do Mestre é diferente da linguagem dos "mercadores" da verdade". Suas palavras simples, comuns se  revestiam de significados próprios e especificamente renovadas. Imagens e figuras de pureza  lirial transportando os  seus ouvintes de todo o mundo às asas do  silêncio através do espaço do universo de  cada um de nós. Essa libertação revela que adiante dessa maravilha da vida, somos apenas indigentes espirituais.  Krisnhamurti tomou consciência de que não deveria conhecer o fim que busca a verdade, mas ser este fim. "Quando se procura a verdade, a gente traz o refluxo sobre o rosto. Quando se torna a verdade, a gente não a reflete mais. Ela irradia de modo integral toda a nossa personalidade.

*Advogado, jornalista e historiador / Garanhuns, 19 de abril de 1986.

Créditos da foto: Anchieta Gueiros.

O bom homem

Anchieta Gueiros - História de Garanhuns e do Agreste

Dr. José Francisco de Souza*

O bom homem possui maneira específica de se comportar. Em todos os seguimentos de suas ações a sua conduta é impar. Não se impõe ao meio em que vive. Esse é que exige a sua presença no sentido de se completar. Os seres humanos dotados de superioridade sempre plasmaram o meio ambiente. É princípio normativo da conduta ética. Daí a sua superioridade.

No coração do homem de bem, em todas as circunstâncias, não guarda ódio, nem rancor contra os seus semelhantes. Há muito espaço sempre ocupado, onde os moralistas de subúrbio não encontram receptividade. Pensa, e age harmoniosamente ditado pelo sentimento mais nobre do ser, da criatura humana, que  é a sublimação do amor. Esse sentimento é tão puro quanto é simples. É o ordenamento da felicidade que exalta pelo desdobramento de tudo que é simples.

Os destruídos dessa coragem moral só alcançam as coisas pelo prisma da arrogância. As concentrações preparatórias são tocadas por um festival de milionários, um leilão de consciências, onde a pessoa humana vale pelo que pesa, e não pela nobreza de seus sentimentos. É o exagero dos que não conseguem raciocinar.

Não obstante muitas luzes, cujas lâmpadas são opacas e sombrias, como se fossem chamas decadentes. Não adianta a indagação dessas coisas que nem eles mesmos podem explicá-las.

Se fossem portadores de cultura de ordem vertical, onde a profundidade revela os efeitos da sabedoria de seu universo intelectual, o entendimento começava a brincar com os pensamentos e palavras, como fazem os poetas... Em sua presença, sem contar com a idade cronológica, todos nós somos eleitos das musas.

O fio desse raciocínio não se alcança por meio de esforço mental. Só o que  é natural e espontâneo pode sentir os efeitos de sua sublimação. Só o bom homem que sofre pelo sentimento de alguns de seus auxiliares, está a altura de penetrar na verticalidade desses conceitos de humanismo puro e elevado. É óbvio que não nos propomos a esclarecimentos  desnecessários, porque o sentimento é mais puro e mais sábio do que as palavras.

Assim, não tentaremos descrever aquilo que para nós é a verdade, pois seria uma tentativa impossível porque ninguém pode descrever ou transmitir tudo de uma experiência. Cada um de nós precisa vivê-la por si mesmo. Isto porque ninguém pode entender nada por nos. Somos únicos e independentes para agir livremente. Por consequência, se vivemos sob esta concepção, a nossa ação é restritiva. A nossa ação é um esforço constante, incessante, infinito. E este esforço está sempre voltado para a segurança.

"Naturalmente, quando há esta busca de segurança, há temor, e este temor cria a contínua consciência do que chamamos "EU". As mentes da maioria das pessoas estão presas nesta ideia de conseguir, de atingir, de subir mais e mais alto, por regras escusas. Isto é, na ideia de escolher entre o essencial e o não essencial. Ora, a questão não é saber como preencher esse vácuo, mas antes verificar qual a sua causa. Para nós, vacuidade é ação nascida da escolha na procura do lucro. A vacuidade aparece quando a ação se origina da escolha.

*Advogado, jornalista e historiador / Garanhuns, 4 de Outubro de 1986.

Créditos da foto: Anchieta Gueiros

Voltear Garanhuns


Voltaire antes de dormir o último sono de sua vida, resolveu sentir de perto, a visão panorâmica da cidade luz. Paris foi a sua eterna namorada. Era a  cidade mais linda do mundo. Tomou um carro aberto e desfilou com seu sorriso irônico por todas as ruas, recebendo pela última vez os aplausos da terra comum da filosofia e da história. Berço da Enciclopédia e da  tomada da Bastilha.

Apercebido às ações de todas às horas, se soubermos viver com intensidade os momentos que passam, a morte seria tão sublime quanto a plenitude da vida. Identificado com essa nossa filosofia de vida, o amigo VALDER VAN DER LINDER, nos convidou para revermos a renovação da nossa Garanhuns. Dirigindo o seu carro nos conduziu pelos recantos mais pitorescos e sentimos os troncos e barrancos de estrada primitiva fora da pista, contornamos uma das colinas. Visão altaneira da cidade Bairro da Boa Vista, alto do Ipiranga, percorrendo todas as suas ruas e travessas. Penetramos em todos os contornos habitáveis e habitados. O Mundaú (rio) e o velho açude ainda com muita água. Retomamos por três vezes o asfalto a indicar o rumo das  cidades de Bom Conselho e Correntes. Na margem direita do asfalto, via-se a esplanada telúrica em que alguns bovinos pastavam, até nutridos. A seca ainda assola a gleba mas os referidos animais não mugiam exaustos no pasto. Natureza cinzenta, sol muito quente e o  calor causticante. Vimos a cidade se renovando e se  espreguiçando morta de cansaço. Mesmo assim, tudo era  impressionante pela sua própria natureza. Entre vielas e ruas surgiam construções bem cuidadas. Espécie de contrastes e confrontos.

O novo bairro chamado FRANCISCO FIGUEIRA muitas casas bem ordenadas, notava-se a presença do construtivo. Ruas espaçosas e bem divididas. Pessoas se revezando na luta pela vida. Transporte mais ou menos fácil. Ruas numeradas pela ordem. Pequenas casas comerciais a luta pela subsistência bem competida. Contudo, notava-se na fisionomia das pessoas algo da importância de viver.

MAGANO sempre virente, ponto culminante das  nossas colinas. Num monumento de granito, um rústico muito expressivo, presidindo a altaneira e poética cidade, ergue-se a imagem do CRISTO de braços abertos implorando aos céus a concretização de sua mensagem aos homens da TERRA: "A PAZ SEJA CONVOSCO". A brisa soprava os nossos cabelos, ensejando a VALDER LINDEN a seguinte observação: "Esse monumento é muito bonito, parece um daqueles da velha Roma".

BAIRRO SÃO JOSÉ se caracteriza pela remodelação de muitas residências. Muito habitado e muitas casas comerciais indicando progresso. Esse pequeno comércio de modo alternado e esparsos propaga-se até a  "Central de Abastecimento". O Galpão da feira livre, centralizando o Mercado ainda se apresenta como uma  perspectiva.

No planalto da BRASÍLIA  começou sentir a lentidão do avanço. Em todos os recantos possíveis nosso VALDER VAN DER LINDEN penetrava sempre orientado pelo seu filho, VALBER. "MORRO DO TRIUNFO" sempre historicamente sedutor. 

A última estação foi o suntuoso  e elegante salão de entrada da cidade HELIÓPOLIS, onde novas e modernas construções erguem-se harmoniosamente por todos os seguimentos de terreno. Ruas largas e bonitas construções se multiplicam. É uma beleza que agrada os que têm a visão do alto. Até mesmo a COHAB multiplicou-se, apenas não se renovou como aconteceu com suas congêneres.

HELIÓPOLIS  é muito importante no sentido de  se constatar a capacidade da iniciativa particular, do  nosso "PIPE DOURADO", a quem a nossa cidade lhe deve muito. "Hotel Monte Sinai" é  um soberbo monumento pela sua implantação. 

Esse trabalho é mais uma colaboração do nosso VALDER VAN DER LINDEN, por nosso intermédio, proporcionando aos verdadeiros amigos da grandeza da nossa terra, cuja visão panorâmica deslumbra aos  que possuem vibrante e profundo sentimento do BELO.

*Dr. José Francisco de Souza (foto) | Advogado, jornalista, cronista e historiador | Garanhuns, 28 de janeiro de 1984.

Tempo no tempo


Não se trata de duração calculável dos seres e das coisas. De sucessão de dias e momentos. Nem acontecimentos notáveis mencionados em calendário. Tempo psicológico é muito diferente do tempo que estamos habituados. Implica em ação da vontade, "devo", "não devo", que significa movimento de um recanto mental para outro. Também não representa jogo dos opostos. A volição de vontade é apenas sintomática. Do tempo cronológico e do tempo em que a emoção determina. Fatores outros entram em ação. Influências modificam os critérios das atividades. As nossas palavras não traduzem claramente o objetivo da comunicação. Daí o motivo de muitas incompreensões.

Devemos alcançar obviamente o sentido de uma nova consequência moral, que provoca obstáculos à aproximação entre os seres em certos momentos da vida. São ecos das palavras que provocam recordações amargas. As lembranças do agradável aproximam, ditam normas de simpatias. Quando alguém sente-se ofendido essa negativa perdura por muito tempo nos recantos do nosso universo mental. Daí as reservas mentais que  dissipam os movimentos de intimidade. Muitas vezes se afirma que alguém é portador de atitudes e gestos negativos. Não simpatizo com fulano. Sempre nos proporciona fluídos negativos. Essa reação é que domina muitos egoístas, cuja atividade maior consiste em fazer elogios mútuos. Nestas condições julgamos muito mal os nossos semelhantes. Geralmente não conhecemos bem o comportamento dos nossos amigos. O tempo empregado nessa área é psicológico. Vive tanto quanto o indivíduo é capaz de não perdoar, ou seja de entender melhor.

Em tudo que se manifesta como atividade social obedece um novo conceito gerado por nova maneira de  viver. O estudo dos fenômenos parapsicológicos, por meio de manifestação mediúnica, é uma das modalidades de outra dimensão de vida, entre nós. Não é de maneira alguma uma confissão do que se elabora no interior do nosso mundo, aquilo que se sabe por meio de confissão é muito menos do que o que se aprendeu antes de se saber alguma coisa. Por isto as pessoas que não vivem com intensidade todos os momentos, sentem-se impossibilitadas de entender. Vivem em vacuidade transformando a beleza da vida em fatalidade. Como se a vida fosse em si mesma uma SENTEÇA. Esses escravos do tempo vulgar vivem encarcerados dentro das  lembranças. Mas existe outro tempo que divide, infundindo cisão entre o observador e a coisa observada. Embora o raciocínio seja muito sutil, não é do domínio do abstrato.

O que estamos objetivando, nesse trabalho, implica em sofrimento do universo hominal, para os que ignoram que sofrer é prova de purificação. É uma opção da realidade plena. Isso é da própria psicologia do aperfeiçoamento do mundo em que vivemos. Tudo deve ser  preparado e bem executado, a serviço do homem criador de possibilidades. Nesse campo de ação poderemos descobrir. Não se descobre nada, apenas acumulando informações de mestres, ou douto de qualquer espécie. Teremos de descobrir todas as forças existentes dentro de nós, onde as manifestações do amor se encontram. É lá que as coisas se modificam pela força dos  nobres e elevados sentimentos. Devemos estar sempre livres para aprender, para enriquecer cada vez mais  o patrimônio da vida como saber.

Isto é superior ao tempo e ao espaço. Cronologicamente, há o amanhã. Mas psicologicamente, não  há o amanhã, tão separado pela divisão mental. Isso  representa uma formidável revolução interior. Nesse  estado o amor, a ação, a beleza, o espeço, a liberdade, tem um significado totalmente diferente do raciocínio vulgar.

Dr. José Francisco de Souza (foto) | Advogado, jornalista e historiador | Garanhuns, 24 de dezembro de 1983.

Incerteza interior

Dr. José Francisco de Souza
A incerteza interior, que existe em  todo homem, impede a confiança em  si mesmo. E exige a confirmação de seu  próprio valor. Sempre posto em dúvida, por meio do julgamento dos outros. O ser humano que penetra profundamente no seu mundo interior, encontra-se capaz de muitos recursos. Nesse estado já não se lhe reflete a opinião exterior. Seu talento pode objetivar o seu futuro.

Os influenciados colocam a sua opção contaminada pelo orgulho, em  plano superior, à vida de qualquer indivíduo, que não seja ele mesmo. No seu conceito o outro que é seu semelhante na escala biológica, é simplesmente um objeto preferível de ser usado, no momento em que se lhe impõe a escolha. Por isso quando as dúvidas de  natureza psicológica se manifestam, a  sua personalidade se apaga. 

Nestas condições o seu desejo de  resistência se atrita consigo mesmo, ofusca o brilho das aspirações e a ideia da morte lhe agrada, na penumbra do não ser é um sonâmbulo a sentir a cada passo a sombra de uma morte interina. Onde as madrugadas são pálidas porque perderam o brilho do sol que fecunda a alma do mundo. A marcante influência do verbo brilhar não se projeta à oratória pujante da vida. É o fim e o começo de outra dimensão da existência eterna da vida. As palavras evocam as coisas.

Devemos sentir, nestas condições, o efeito das palavras, mas, daquilo que elas traduzem e representam, que é algo muito diferente. Preparar-se para enfrentar os embates do dia-a-dia. Comportamento que não condiz que, a  pessoa seja submissa a efeitos de causa remota ao seu ordenamento moral. É um estado regular de todo ser humano. Essa viabilização é da conjuntura do momento. Consequência lógica de  outros momentos e instantes da vida social e política. O fator apercebimento aqui é importante.

Essa atitude, em sua expressão mais  acentuada, é favorecida, e até mesmo, necessariamente causada, por um fato incontestável. Trata-se da crença em que, de modo geral, às grandes obras correspondem a grandes êxitos. As coisas diferentes não são fáceis de se pesar e medir em capacidade. Elas têm características próprias e definidas no  processo comum da vida.

Mentalmente e diante dessa tomada de posição, certos homens vivem sempre em repouso interino.

Se não se apercebem das sutilezas desse processo, projetam-se no meio das  coisas que lhes rodeiam, contudo ignorando-se a si mesmos. Poucos podem entender as razões que estão dormindo na essência dessas coisas. Assim os homens que desejam grande êxito (e tanto mais  desejarão quanto menos seguros se  sentirem de seu próprio valor). Segundo a lei da supercompreensão e não são capazes de produzir grandes obras, e  que dependem, por um lado, de sua constituição pessoal íntima, e por outro lado, de sua consciência de valor próprio e, pois, de sua coragem. Os que desejam um êxito extraordinário depois de  uma única produção, esses homens decairão numa ambição perniciosa e falsa, numa ambição que não pode levar às  verdadeiras obras e que devem ser consideradas um erro aos que se sentem atraídos.

As palavras não devem ser usadas senão com os seus significados próprios. Não se devem entende-las como tradução como do que se ignora o seu verdadeiro sentido. E sim de acordo com o que  na realidade os fatos marcam significados reais. Um fato, não é uma ideia. É um acontecimento real e objetivo, e  deve ser interpretado como ação objetiva em si mesmo e de acordo com a sua  natureza.

*Dr. José Francisco de Souza | Advogado, jornalista, cronista e historiador | Garanhuns, 28 de junho de 1986.

Último adeus


Dr. José Francisco de Souza* (foto) | Garanhuns, 23/01/1982

Só no grande silêncio, o homem comum escuta a voz de sua infinita solidão. Nesta existência sentimos a necessidade inexplicável de uma separação. Talvez seja a viagem que  todos fazemos um dia à nossa pátria de origem, à pátria do Espírito. Essa nova dimensão de vida é chamada vulgarmente de morte. Esse desprendimento é inerente à vida. Quando nascemos esse processo se inicia no sentido biológico do termo. Contudo, no ar leve do dia, somos surpreendidos por caminhos infinitos de esperança, a correr na claridade.

Naquele tempo a rua 15 de Novembro era muito diferente e não possuía o número de casas como hoje. No local está o  jardim da praça que tomou seu nome, era um tapete esmeraldino de grama. De pés descalços e braços nus como diria Cassimiro de Abreu, corríamos não  atrás de borboletas azuis, e sim de  pequena bola de futebol. O panorama era mais agradável à saúde e a jovialidade espiritual. A linha férrea ficava à nossa frente. E o trem partia às oito horas da manhã. Logo após o trem o trole conduzia o "chefe de linha" que era "Seu Gracindo" figura de porte impressionante para todos os meninos do nosso ambiente. Onde hoje reside a família "Faustino" ali nasceu Luiz Américo, um dos rebentos da família de Américo seu genitor era "pedreiro", homem pobre e honrado. Desse casal Manoel Américo e TAPUIA, nasceram muitos filhos: Antônio José Américo (Seu Dé) Luiz Américo e Hermes e ainda Júlia, Lídia, Maria e Dida, que era nossa madrinha. Todas se constituíam o ornamento da graça feminina do nosso tempo.

Depois de muito tempo e de muitos anos relativamente bem vividos moralmente. Aos poucos foram tomando novos rumos e deixaram de viver ou entre nós, com a ausência deles ficou para todos nós a lembranças carinhosa de um convívio sadio e honrado José Américo (Seu Dé) trabalhou muitos anos nas oficinas gráficas do "Norte Evangélico", foi também o grande jogador de futebol, defendeu as cores do  Esporte Clube de Garanhuns e do Botafogo Esporte Clube, grande amigo e companheiro de lutas, hoje, ao que parece reside na capital paulista. Só o nosso amigo Luiz Américo permaneceu aqui.

LUIZ AMÉRICO, homem honrado e amigo sincero, portador de uma lealdade muito profunda. Sempre gostou de música. Soprava diariamente o seu  instrumento em casa. Depois casou-se, e com a morte de seus pais, tentou a vida na agricultura, possuía uma pequena propriedade ou seja  um Sítio no "Muniz". A família foi crescendo e as dificuldades aumentando e não encontrou mais condições de manter a sua terra pois sempre foi um homem pobre de vida modesta. Voltou a residir aqui na cidade dos arrebóis.  Trabalhou com vários prefeitos.

Foi guarda arrecadador mas sempre integrado na Banda Musical Manoel Rabelo. Era um homem modesto e pobre e de muita dignidade. Conduta ilibada.  Tocava  com seu instrumento particular ou seja com seu instrumento próprio. Era considerado como colega e ótimo companheiro de vida artística. Gostava de espalhar o bom som e harmonia. Assim vivia da maneira possível sem praticar atos que desabonasse a sua dignidade. Seu comportamento psicológico era de um cavalheiro de alto porte. Quando jovem também praticou esporte, e era um inveterado entusiasta de nossa seleção.

LUIZ AMÉRICO, filho de Garanhuns, nasceu à rua 15 de Novembro, pertencia a tradicional família dos "Rodrigues". Seus genitores foram amigos e vizinhos dos nossos. Homem honrado na legítima expressão do termo, que soube como pessoa humana ocupar com dignidade o espaço de sua vida aqui na terra. Nos encontramos na praça 15 e ele  não sabia que estivemos doze dias na casa de saúde, às portas da morte. Lamentara por não nos ter visitado. E dias depois, sexta-feira, estávamos em frente à nossa residência, e Luiz, em uma destas tardes mornas de dezembro. Três dias depois, quase de repente, fechou os olhos para este mundo e nos deixou como recordação de nossa velha e tradicional amizade o seu ÙLTIMO ADEUS.

*Advogado, jornalista, cronista e historiador.

Conhecer o próximo


Dr. José Francisco de Souza*

Existe certo tipo de conhecimento que não se concebe dentro das categorias de uma consciência em si, puramente contemplativa. É preciso que haja diálogo, onde a palavra seja transmissora de certa recepção íntima. Em todos os nossos atos se caracteriza um pouco de cada um de nós. Existe certo tipo de conhecimento que não determina algo do nosso entendimento. Ai está a principal fonte de erros que precisa de exame no presente contexto psicológico. Para o homem escravo da lógica dos sistemas. Somente uma pessoa que ama ou odeia vê, no objeto passível do ódio ou do amor, certas características indivisíveis aos outros. Os outros são apenas simples espectadores. Não se identificam com as pessoas e as coisas senão por força de impulsos negativos. É um ato reflexo que se manifesta sob o domínio de impulsão do ego inferior.

Sobre aspectos positivos da libertação o nosso próximo pode ser conhecido muito bem. Ele não é simplesmente o outro e sim uma integração da nossa vida. A nossa individualidade é íntegra. A nossa personalidade é que por sua  própria natureza plasmável. Não há  dois indivíduos iguais perante o mesmo conceito social. cada um possui qualidade indeclináveis e dignas de respeito. O princípio fundamental é que só podemos conhecer ao nosso próximo quando alcançamos o mérito de conhecermos a nós mesmos. É um fato que desafia a  qualquer contestação. É um princípio humano de conhecimento natural pelo qual o ser atinge a sua verdadeira finalidade.

Isto não implica em isolamento em  que a presença do motivo e uma concentração falsa como se possível fosse a eliminação do pensamento criador. Ninguém cria sozinho e nem para si só. Viver é bem relacionar-se. Vivemos e  agimos com os outros. E muitos contribuem com seu esforço para que haja um mundo melhor. segundo o nosso entendimento os seres humanos não possuem traços "que possamos considerar separadamente deles e que, como nós habituamos a dizer errôneamento se manifestem automaticamente". Este não é nem mesmo um problema. É um ato da vida dinâmica do homem, no curso de sua conduta com elemento criador de possibilidades. É um confronto natural dos seus problemas com a capacidade de resolvê-los. Este é sentido real do homem como integração de vivência. A própria autoconsciência não surge de  mera contemplação. Mas - somente através das nossas lutas com o mundo isto é, no decorrer do processo em que  nos tornássemos conscientes de nós mesmos. A consciência de nós mesmos e a  consciência dos outros se pluraliza em  atividade.

É um processo de integração social. A sociedade não foi criada para escravizar o homem. Nem para limitá-la a ponto de criar impossibilidade ao seu direito de pensar, sentir e agir livremente. Enquanto por um lado a tese de que o homem isolado é uma ficção, o positivismo proclama que ele só é  responsável porque vive em sociedade. Então - para que não se perturbe a lógica desses conceitos, entre a sociedade e o homem deve existir uma coexistência pacífica.

Sempre que se isola o produto do  processo e da participação no ato, os  fatos mais essenciais são deformados. Esta deformação é a feição fundamental do pensamento dirigido para a natureza morta. Ou seja a natureza humana geradora dos conflitos que estiolam  a alma de guerra e destruição do  que há mais belo na criação que acima de todas as coisas - a vida humana.

*Advogado, jornalista, cronista e historiador / Garanhuns, 19 de junho de 1982.

Programação do 1º Festival de Inverno de Garanhuns realizado em 1991

Programação do 1º Festival de Inverno de Garanhuns realizado em 1991

GARANHUNS CAPITAL DO FRIO, DA ARTE E DA CULTURA

O 1º Festival de Inverno de Garanhuns, foi o maior evento cultural do interior pernambucano, que durante 15 dias, reuniu entre coordenadores e profissionais, 500 pessoas, além de centenas de participantes dos cursos, seminários e oficinas que foram aplicados durante o período.

UM SONHO ANTIGO

A realização de um Festival de Inverno em Garanhuns, é um antigo sonho do prefeito Ivo Amaral, desde sua primeira gestão. 

Nesta época do ano, Garanhuns, caracteriza-se como uma cidade avessa às demais cidades nordestinas, oferecendo um clima bastante frio, chegando aos 8 graus à noite, projetando-se nacionalmente com este fato. Ganha aspectos de cidade europeia, com muita garoa que desce do topo das montanhas até seus inúmeros vales. As ruas ganham um tom cinza-pastel por entre os coloridos das flores dos seus vários jardins, das praças e avenidas.

PROGRAMAÇÃO DO 1º FESTIVAL DE INVERNO DE GARANHUNS

Dia 13 - Exposição de Artes Plásticas - Lançamento de Livros - Banda Estadual de Pernambuco - Banda do Colégio Diocesano de Garanhuns e Show com Zé Ramalho

Dia 15 - Teatro "Caxuxa", 21h - Show com a Super Banda Pierre Campos às 22h

Dia 16 - Teatro "João Simplício", 21h e Show de Alceu Valença às 22h

Dia 17 - Dança "Trapiá de Danças", 21h - Show com Marcos Rosila às 22h

Dia 18 - Teatro "O Caso do Boi", 21h - Show com Maurilinho às 22h

Dia 19 - Show com Gláucio Costa e Banda, 21h - Reginaldo do Acordeon

Dia 20 - Mostra de Vídeo, 15h - Teatro "Ciranda do Recife" às 16h

Dia 21 - Mostra de Vídeo, 15h - Teatro "Saltimbancos", 16h - Show de Dominguinhos

Dia 22 - Show com Vanutit às 22h

Dia 23 - Teatro "Dorotéia vai à Guerra", 21h - Show com Rocir Santiago às 22h

Dia 24 - Dança "Passo de Dois", 21h - Show com Carlos Janduy e Waldir Mansur às 22h

Dia 25 - Teatro "Lira dos Vinte Anos" 21h - Música com o Rapa, 22h

Dia 26 - Dança "Nascimento do Passo" 21h - Show com o Grupo Arte Livre às 22h

Dia 27 - Artes Plásticas, Exposição dos Alunos - Show com Trio Elétrico.

SEMINÁRIO DE ARTE

Dia 16 - A Volta do Menino - Jornalista Waldimir Maia Leite

Dia 17 - Fundamentos da Arte Educação - Professor Marcos Camarotti

Dia 18 - Teatro Infantil - Professor Marcos Camarotti

Dia 19 - Necessidades da Arte - Professor Marcelo Santos

Dia 22 - O sonho como Paradigma na Literatura Contemporânea - Lucila Nogueira

Dia 23 - Paisagem Sonora - Professor Geraldo Menuci

Dia 24 - Linguagem da Dança - Professoras Lúcia Costa Lima, Christiane Fernandes de Moraes e Célia Meira Cavalcanti das Chagas

Dia 25 - Artes Plásticas na Atualidade - Pintor Montez Magno

Dia 26 - O Cinema e o Vídeo no Nordeste - Cineastas Jomard Muniz de Brito, Fernando Spencer e Emmanoel Cavalcanti

Dia 27 - O Moderno Está Matando a Imprensa Matuta - Jornalista Ronildo Maia Leite, Humberto Alves Morais, Antônio Miranda, Rocir Santiago e Nagib Jorge Neto

OFICINAS

Curso de Fotografia - Professor Firmo Neto - Horário: 8 às 12h

Oficina de Projeto Fotográfico - Professora Eliane Velozo de Souza - Horário: 8 às 12h

Curso de Vídeo - Professor Marcelo Jorge Perez - Horário: 8 às 12h

Arte Integrada para Educação - Professor Givaldo Araújo - Horário: 8 às 12h

Arte Integrada para Criança - Professora: Hebe Gurgel - Horário: 8 às 12h

Dança para Educadores - Professora: Lúcia Costa Lima - Horário: 14 às 18h

Dança Contemporânea - Professora: Christiane Fernandes Moraes Rêgo - Horário: 14 às 18h

Dança Popular - Professor Célio Meira Cavalcanti das Chagas - Horário: 14 às 18h

História do Espetáculo Teatral - Professor: Rubem Rocha Filho - Horário: 10 às 12h / 16 às 18h

Teatro para Educadores - Professora: Lúcia Machado - Horário: 10 às 12h / 16 às 18h

Oficina de Iniciação ao Teatro - Professor: Carlos Varela - Horário: 10 às 12h / 16 às 18h

Poesia Lírica de Pernambuco da Segunda Metade do Século XIX aos Nossos  Dias - Professor: Pedro Américo de farias - Horário: 8 às 12h

As Metamorfoses do Amor na Poesia Brasileira - Professora Luzilá Gonçalves - Horário: 14 às 18h

O Conto Brasileiro: Uma Evolução - Professores: Amália Cristina de Barros e Silvia Botelho - Horário: 14 às 18h

Iniciação à Escultura - Professor João Batista de Queiroz - Horário: 14 às 18h

Iniciação à Pintura - Professor: Francisco Dantas Filho - Horário: 14 às 18h

Oficina de papel Artesanal - Professor: José Patrício - Horário: 14 às 18h

Oficina Básica de Desenho - Professor: Rinaldo José da Silva - Horário: 8 às 12h

Curso de Xilogravura - Professor Unhandeijara Lisboa - Horário: 14 às 18h

Violão Popular (iniciação) - Professor Ildeufrates Silva - Horário: 8 às 12h

Percussão (técnicas diversas) - Professor: Israle de Souza Ramos Filho - Horário: 8 às 12h

Técnica Instrumentista - Professores Gilberto Correia Pontes (clarinete e sax), José Roque Neto (trompete) e Leonildo Fausto Araújo (trombone) - Horário: 8 às 12h.

Um homem simples

José Francisco de Souza Dr. José Francisco de Souza* Era um homem simples e sem complicações. Seu mundo interior era ornado de luz. Projetav...