sábado, 21 de março de 2026

José Hildeberto e "As Travessuras de Coco Chinês"


João Batista Leal | Garanhuns, 27/10/1990

Logo mais à noite o professor  José Hildeberto Martins estará lançando o seu primeiro livro intitulado "As Travessuras de Coco Chinês". O livro foi editado pela VOZES, uma das mais conceituadas editoras do Brasil, que adquiriu do autor os direitos de publicação, o que por si só já diz do grande  valor literário da obra. Trata-se de um romance infanto-juvenil destinado às crianças e aos jovens de todas as idades. É a história de um garoto inteligente e travesso, igual a milhares de meninas e meninos que há por aí. Ele tem seus sonhos, seus gestos, suas irreverências... Entretanto, vive carente de mais atenção e amor devido às incompreensões que sofre. A trama se desenvolve num clima ora jocoso, ora trágico. Situa-se no lar do garoto e, principalmente, na escola. E é um convite a se pensar sobre como as crianças devem ser melhor tratadas, dentro de um clima de maior respeito, sinceridade e compreensão, isto o que está contido na capa do livro. O obra já foi lançada pela VOZES em Petrópolis, matriz da editora, no dia 28 de junho deste ano e os exemplares se encontram à venda nas grandes livrarias do país. Além desse livro José Hildeberto Martins, que é professor e ex-diretor de "O Monitor", tem já prontos para publicação mais dois outros livros, sendo um baseado na mesma temática de "As Travessuras de Coco Chinês" e o outro uma obra poética, gênero literário que o autor também abraça, com poemas de alto padrão.

Falar sobre José Hildeberto Martins é como que voltarmos aos idos de 1966, quando aqui chegamos para fixar residência. Conhecemos o autor naquela época e como colegas da turma do curso de Letras da FESP sempre divagávamos sobre o futuro literário de nossa geração. Ao longo desses vinte e cinco anos, acompanhamos toda sua trajetória literária e, quando o autor nos dizia que tinha um livro para publicação, nos alegramos e não nos surpreendeu, pois sabíamos de seu grande potencial como escritor nato, sempre ligado às letras e à educação, o que hoje afirma pela profissão que abraçou como um sacerdócio, educando crianças e jovens para a vida. José Hildeberto está de parabéns pelo livro que é um marco em sua carreira de escritor. Vale ressaltar que o trabalho já está fazendo parte do último catálogo de livros editados pela VOZES, recentemente distribuído pelas livrarias do país. De parabéns também está o mundo literário e cultural de Garanhuns, quando no Ano Internacional da Alfabetização vem à lume uma obra com um assunto que está mobilizando o Brasil que é a criança, mormente no que se refere aos seus direitos. O autor numa linguagem fluente consegue levar sua mensagem ao público, convidando o adulto a repensar melhor sobre a problemática da criança em nossos dias, com referência à educação no lar e na escola.

Biu de Bilú e a Ditadura Militar - Sandoval Ferreira

Cultura Popular

Biu de Bilú e a Ditadura Militar - Sandoval Ferreira

Direção artística: Everton Kelly

Direção Musical: Gido Silva

Percussão: Fabricio Vasconcelos

Mixagem: Juka Mix

Produção: Michael David

SANDOVAL FERREIRA

Sandoval Ferreira nasceu em 27 de fevereiro de 1983, em Iati, Pernambuco. Morou no Sítio Aguazinha até os seus 15 anos. Filho de  pais pobres morava numa casa sem energia onde a principal atração à noite era a luz de candeeiro a gás. O pai reunia os vizinhos e seu irmão mais velho era quem lia os folhetos de literatura de cordel. Depois Sandoval passou a ler e despertou o interesse pela poesia.

Aos 15 anos mudou-se para o Povoado Bela Vista, também em Iati, onde fez muitos amigos, viveu por lá até os 22 anos.

Aos 18 anos de idade fez uma apresentação de cordel em sua escola para o secretário de educação de Pernambuco, sendo que todos gostaram, foi o que lhe deu motivação para seguir em frente. É técnico agrícola e reside em Garanhuns.

Publicou os livros e CDS: Meu Sertão em 12 Versos - Causos Nordestinos, Porteira Velha se Abrindo Faz Meia Lua no Chão e o CD Humor Cordel e Repente.

Participação de Anchieta Gueiros no Instituto Histórico de Garanhuns

Anchieta Gueiros e Gonzaga de Garanhuns

Anchieta Gueiros presidiu o Instituto Histórico, Geográfico e Cultural de Garanhuns (IHGCG) em 2016. Fotos entre 2013 à 2016.


Socorrinho Gueiros, Kleber Cysneiros e Anchieta Gueiros


Marcílio Lins Reinaux e Anchieta Gueiros


Anchieta Gueiros e Geraldo Ferraz


Professor Rafael Brasil, Anchieta Gueiros e Roberto Gueiros


Anchieta Gueiros e Givaldo Calado de Freitas 


Professor Cláudio Gonçalves de Lima, escritor Geraldo Ferraz e Anchieta Gueiros


Anchieta Gueiros e Geraldo Ferraz


Anchieta Gueiros e Roberto Carneiro


Cláudio Gonçalves, Maricelia Barros, Anchieta Gueiros, Juvenal Lopes e César Biasotto


João Marques dos Santos e Anchieta Gueiros


Sandoval Ferreira e Anchieta Gueiros

Ulisses Viana e Givaldo dos Santos

Nego Pai e Ulisses Viana de Barros Neto

Ano de 2016 - Sede do Instituto Histórico, Geográfico e Cultural de Garanhuns  - IHGCG - "Exposição Eleição 1916" - Historiadores Givaldo dos Santos, conhecido popularmente como "nego-pai" e Ulisses Viana de Barros Neto (in memoriam), pai de Anchieta Gueiros. O curador da Exposição foi o professor, escritor e historiador José Cláudio Gonçalves de Lima.

Retratos de Garanhuns

Socorrinho Gueiros, Jáder Cysneiros e Anchieta Gueiros

Julho de 2016 - Da esquerda para a direita: artistas plásticos Socorrinho Gueiros e Jáder Cysneiros e o historiador Anchieta Gueiros. Sede do Instituto Histórico, Geográfico e Cultural de Garanhuns (IHGCG). Praça Dom Moura, 44.

Retratos de Garanhuns

Anchieta Gueiros e Pedro Ferrer

Julho de 2016 - Da esquerda para a direita: Pedro Ferrer, Presidente do Instituto História e Geográfico de Vitória de Santo Antão e Anchieta Gueiros, Presidente do Instituto Histórico, Geográfico e Cultural de Garanhuns (IHGCG). Visita a "Exposição Eleição de 2016". Sede do Instituto Garanhuns, Praça Dom Moura, 44.

Retratos de Garanhuns


Julho de 2016 - Da esquerda para a direita: Escritores Vital Corrêa de Araújo e Osman Holanda; Sr. Renan Cysneiros (filho do poeta Lauro de Alemão Cysneiros), Jáder Cysneiros e Anchieta Gueiros. Sede do Instituto Histórico Geográfico e Cultural de Garanhuns (IHGCG). Praça Dom Moura, 44.

domingo, 15 de março de 2026

Toada Terra de Garanhuns


Créditos do vídeo:
Forró da Casa Grande
Sandro Rogério e Jú da Sanfona - O forró aqui é assim - Vol. 2
1976 - Passarela

TERRA DE GARANHUNS

Num recanto do meu Pernambuco,
Uma linda cidade nasceu...
Foi crescendo, bonita e formosa,
Com os encantos que só Deus lhe deu.

Oh! que terra de clima excelente!
Água pura, na fonte, a jorrar!
O seu solo, que é rico e fecundo,
Produz tudo que a gente plantar!

ESTRIBILHO

É Garanhuns! É Garanhuns!
Uma cidade elegante e altaneira!
É Garanhuns! É Garanhuns!
Já conhecida por - Suíça Brasileira (BIS)

Garanhuns, a cidade-turismo,
Tem, de fato, beleza sem par:
- Lá do Monte Sinai a grandeza!
Lá em baixo, o Pau Pombo a vibrar!

O seu povo, que é inteligente,
De famílias tradicionais,
Faz a terra mais nobre e mais forte,
E lhe traz dimensões colossais!

Faz lembrar Patativa do Norte!
Também homens de alto valor!
De Simôa, ninguém esquece,
Na cidade, o seu nome é louvor!

Garanhuns, a cidade serrana,
Deve ter mais um nome, afinal...
E esse nome é, pois, com certeza:
- Garanhuns, a cidade imortal!

O capim da lagoa - Zé Castor

O sapo namorando com a jia - Zé Castor

sábado, 14 de março de 2026

Prefácio do Livro 'Como falar de Saudades...'

Livro "Como falar de Saudades..." de Teté Quitéria Costa

Se algumas vezes torna-se difícil expressarmos o que sentimos interiormente, quanto mais tentarmos transportar os nossos sentimentos ao maravilhoso mundo da poesia!

Imagine: Pegar om papel, o lápis; contemplar o céu, as estrelas; sentir a brisa suave refrescando o rosto; ouvir o mavioso canto dos  pássaros anunciando a liberdade em constantes revoadas; lembrar alguém "que já foi" ou que ainda é, mas que não está... Transcrever tudo em forma de arte, dando um toque mágico de vida. E assim nasce a  obra, poucas palavras que resultam em uma parte de sua história.

Assim queria "Teté", assim conseguiu e com méritos!

Como falar de saudades é uma coletânea de belos poemas que refletem a realidade tão comum ao ser humano.

Vai ao âmago, à memória e desperta ao mundo dos sonhos, a fantasia, quebrando o "gelo" e a tensão dos difíceis dias os quais vivemos, nos reportando ao encantado mundo das lembranças e nos fazendo enxergar que o amor ainda existe e que ainda pode ser compartilhado.

Falamos, pois, de Saudade!

Maurício Pais.

Garanhuns, PE - 1992.

Encontro de historiadores no Instituto Garanhuns

Encontro de historiadores no Instituto Histórico, Geográfico e Cultural de Garanhuns (IHGCG). Anchieta Gueiros, Manoel Neto Teixeira, Rivelino Tenório entre outros. Garanhuns, Pernambuco em 2015.

Retratos do Agreste

Da esquerda para a direita: Paulo Sérgio, Anchieta Gueiros, Cláudio Gonçalves e Orlando Almeida Calado

Julho de 2015 -  Da esquerda para a direita: Paulo Sérgio, Anchieta Gueiros, Cláudio Gonçalves e Orlando Almeida Calado. Sede do Instituto Histórico, Geográfico e Cultural de Garanhuns (IHGCG), Praça Dom Moura, 44.

Retratos do Agreste


Janeiro de 2017 - Da esquerda para a direita: escritores Cláudio Gonçalves, Geraldo Ferraz de Sá Torres Filho e Anchieta Gueiros. Centenário da Hecatombe de Garanhuns. Sede do Instituto Histórico, Geográfico e Cultural de Garanhuns (IHGCG), Praça Dom Moura, 44.

sexta-feira, 6 de março de 2026

Um Homem

Luzinette Laporte de Carvalho

Luzinette Laporte de Carvalho*

Podem até estranhar essa denominação à pessoa do  Padre Adelmar.

Ele foi um ser humano de cujo valor, ninguém sozinho (a) pode fazer-lhe o perfil. Cada pessoa que  teve contato com ele, conhecia seu aspecto austero. Para todos porém ele revelava seu humor, condescendência, compreensão, indulgência. Falo do total: todos. Havia, porém, nele, uma tamanha compaixão pela fraqueza do próximo que  me deixou até agora, encantada. Era aquela expressão de  Jesus que ele encarnava em seu dia-a-dia: "Sede misericordiosos como vosso pai do Céu é misericordioso".

Muitas - quantas vezes - vi o Padre consolar as chagas morais e espirituais. Ele possuía, realmente, o olhar de quem era habitado pelo Espírito de Deus. Com uma palavra ou um olhar - se a gente soubesse ouvir e ver - ele reduzia a nada, o  julgamento de qualquer um sobre alguém. Era a encarnação do Evangelho: "Sede misericordiosos" ...E isso estendia-se às necessidades materiais. Quantos ex-alunos pobres recebiam bolsas de estudo? Ouvi de uma mulher cujo filho estudara durante anos em determinado Colégio, porém, tendo ficado viúva, não podia mais pagar. Embora tantos anos naquele estabelecimento, não conseguiu uma bolsa para seu  filho. Alguém falou-lhe sobre o Padre. Ela o procurou. Recebeu a bolsa, o fardamento, sapatos, livros. Ela dizia: "Encontrei um verdadeiro cristão no Diretor do Diocesano. Ouvi muitos se dizerem cristãos, mas somente ele agiu como cristão, para comigo e meu filho. Só ele"

Durante os 12 de outubro, festa do Diocesano, quantos depoimentos de ex-alunos que jamais poderiam alcançar os elevados postos que atingiram, não fosse a generosidade do Padre Adelmar.

Se fossemos narrar tudo, não terminaríamos nunca.

Celebrar o Centenário do Padre é celebrar grandeza de alma e coração. É celebrar sacerdócio vivido em plenitude. E dizer para quem não o conheceu, a inteligência privilegiada,  a cultura profunda que se abrigavam na sua  humildade, mas que se respirava através de cada palavra e gesto.

Felizes aqueles que tiveram a alegria de conviver com ele. Era uma lição viva do Evangelho.

*Professora, jornalista e escritora.

Fonte: Monsenhor Adelmar da Mota Valença (Vida e Obra) / Centenário de Nascimento 1908 - 2008 / Coordenação das Irmãs Cândida Araújo Correia e Maria Mirtes de Araújo Corrêa / 2008. 

Viver com intensidade


Dr. José Francisco de Souza* | Garanhuns, 21/12/1985

Acontecimentos uns após outros e referência de outros que não vieram. Passa o tempo a percorrer o curso das horas, dos dias, dos meses e dos anos. A menção de tudo isso reunido é um processo de inteligência em perene mutação. Dentro do seu universo tudo se purifica em busca de si mesmo e todos temos a nossa hora como um brilho de uma estrela. As obras das coisas são vastas e ninguém poderá modificá-las. Nem no tempo nem no espaço por não ser possível esquecer a projeção do nosso Eu que é o reflexo desses acontecimentos.

ENSINAMENTOS DOS ESPÍRITOS

O lema fundamental é, face a tudo isso, viver com intensidade. Acompanhar as modalidades que se projetam em todos os recantos do nosso mundo. Apressamo-nos em dizer desde logo que esse aspecto modal das coisas, que certas contradições de algumas pessoas fazem grande cabedal, são, em regra, mais aparentes que reais. Quase sempre aparecem mais na superfície do que no fundo das coisas e que, por consequência, carecem de importância. De duas fontes provém tudo isso do raciocínio do homem e dos ensinamentos dos Espíritos.

Desde que se considere que os Espíritos não são mais do que a humanidade despi-la do envoltório corporal, e que continuam vivendo em outra dimensão. A sua capacidade multiplicada pela amplitude de seu estado moral e de sua manifestação, o limite do tridimensional é problema superado no âmbito de suas atividades. Não há lei humana, emanada de qualquer poder político ou social, que possa evitar a manifestação da entidade espiritual aqui na terra. Ele se manifesta por toda parte do universo que á sua verdadeira Pátria. Não há força humana que possa coibir a plenitude de sua manifestação.

JUSTIÇA DE DEUS

Entendemos que a nossa luta no campo moral e intelectual, luta pela vida, é para que nos tornemos dignos de alcançar e dominar os mais altos objetivos da razão que é a Justiça de DEUS entre os homens. Tem que se formar valores que estão dentro de nós que são nossos porque procedem da nossa evolução em todos os campos. Há sempre um toque especial de nossa personalidade em tudo que transmitimos pela palavra, gestos e atos inteligentes. São valores importantes que definem a nossa condição de ordem psicológica. A instrução espiritual não abrange apenas ensinamentos éticos que os Espíritos dão, mas também o estudo dos fatos irreversíveis por natureza.

Incumbe-lhe a teoria de todos os fenômenos. a pesquisa das causas, a conservação de que é possível, em suma, a observação de tudo o que contribuir para o avanço da ciência no seu sentido mais amplo e humano possível.

Embora de menor relevo, nem por isso mesmo digno são de mais alto interesse para o observador, que neles vai encontrar ou confirmação de um princípio conhecido, ou a revelação intuitiva, que faz penetrar um pouco mais nos mistérios do mundo universal. Isso também é filosofia. Com os Espíritos elevados que nos enviam mensagens de conteúdo doutrinário e profundamente humana, ampliam-se os quadros dos estudos da doutrina das entidades de um mundo maior.

Essa sensibilidade de ordem moral e de efeito puramente sublimado, frequentemente descrito, é a existência em si mesma. De nada serve discutir se esse raciocínio se reduz a um conjunto de representação ou se é, ou deve ser mais do que isso. O certo é que o que se constata não pode ser produzido por nossa espontaneidade. Existir para nós, é ter consciência de sua própria existência.

Com efeito, viver-se com intensidade é perfumar-se com a essência das coisas. E por essência não entendemos (segundo Sartre) somente a estrutura, mas, ainda, a individualidade mesma. A essência do universo moral de todo indivíduo, é o ESPÍRITO

*Advogado, jornalista, cronista e historiador. 

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

A Feira de Garanhuns

Bois puxando carros, chiando na madrugada,  chegando pra feira

Marcílio Reinaux

Toldas de galinha guisada,

e fava verde, logo cedo se armavam,

bois puxando carros, chiando na madrugada,

chegando pra feira. O sol nascendo

por traz da serra, "O Monte Sinai".

A feira surgindo,

A feira de Garanhuns.


Na feira, de tudo tinha:

Pinhas gigantes; até tanajuras

com prenúncio das trovoadas,

Camarão pequeno: "a Pitiguirra";

Castanha assada, Fubá de milho

e fotógrafo lambe-lambe.

O velho pedindo esmola 

 e a carne de primeira, pendurada nas barracas.


O troca-troca movimentado: Canários,

Bicicletas, "baixo-falantes", roupas...

O vendedor de remédio de verme gritando,

Uma velha cantando, bacia de queijo

A mão, menino de frete, carroça em punho, rangindo.

Toldas de secos e molhados, com 

Sabão, feijão, açúcar e charque,

Mulheres e homens com aventais, despachando.


Literatura de cordel, todos folhetos.

Chocalhos, candeeiros de lata, erva

Pra todos os males, bonecos de barro,

Jarras, quartinhas; toldas de doce

de coco e de batata.

Bolacha "mata-fome" e água de pote.

Caldo de cana em copos mau lavados.


A feira de Garanhuns

meninos correndo,

Mulheres se encontrando e 

matracando a vida alheia... vozerio.

Cantadores, o mágico,

vendendo cartas de baralho aos meninos

E matutos, por perto o famigerado

Fiscal da Prefeitura cobrando impostos.

Pão doce, com queijo e café

Nas toldas de comida.

Um cigarro de palha aceso,

Na boca da mulher e o 

Ativo cheiro dominando e espaço.


A feira era na rua do comércio,

A loja "Atrativa", e pertinho a 

Sapataria Moderna. Adiante a 

"Farmácia Osvaldo Cruz", onde seu

Ernano receitava o povo, o consultório

Do doutor Othoniel Gueiros se enchia de 

Mulheres para consultas, o lado de cima

"Agência Reinaux", a loja do meu pai.


No lado de baixo o bilhar com os viciados.

Na rua a feira fervilhava de gente.

A tarde devagar ia chegando. O sol ia

Se pondo por traz da outra serra "O Magano".

O carro de boi seguia gemendo, de volta

Pra casa. A feira ia se findando.

Garanhuns ia adormecendo.

Garanhuns Ano Cem | Fevereiro de 1979.

O Estatuto da Vida - Paulo de Melo

Produção Musical: Beto Viola e Deir

Composição: Paulo de Melo

Paulo Dácio de Melo é poeta, cantor, escritor, cronista, repentista e um defensor da natureza.

Tendo escrito seu primeiro livro poético intitulado “O Respaldo do Progresso" em   2017 . Paulo afirma com bom humor: “O segundo melhor livro do mundo, o primeiro é o do meu professor”. Em 2018 escreveu o segundo livro "Fragmentos" e gravou seu primeiro CD de poesias no mesmo período, também intitulado “Fragmentos”.

Paulo de Melo é proprietário de uma sementeira trabalhando com árvores frutíferas, a exemplo da jaca enxertada, Flores do Deserto, Sumaúma e Baobás, entre outras raridades. Seu objetivo é reflorestar e reparar os danos à natureza por conta do progresso e do mau uso das pessoas. Este tema é o que o inspira a construir suas poesias, crônicas e discursos literários.

Nasceu em Palmeirina, Pernambuco e se criou em Saloá ao lado de cachoeiras e matas. Teve também agregado em sua experiência de vida, passagens em outros estados do país e até mesmo no exterior.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Tristeza do Mundo

Seca no Sítio Aguazinha - Iati, PE em 2019
Seca no Sítio Aguazinha - Iati, PE em 2019 | Créditos da foto: Anchieta Gueiros

Paulo de Melo (O poeta da natureza)

A falta de chuva na terra

Tira a beleza do mundo

Existe um mistério profundo

Com a vida que foi criada

Ela não foi transformada

Simplesmente foi criada

O eterno projetou e criou todas as coisas

Eu creio nisso e o resto é especulação.

Por isso está faltando chuva pra molhar o chão.

Meu sentimento não erra

É certeza é profundo

A falta de chuva na terra,

Tira a beleza do mundo.

A água é a riqueza... O bem mais precioso da vida

A água é até mesmo, mais importante que a comida.

Sem comida ainda se passa, mas sem, água é impossível.

Pois vamos cuidar do bem, mais precioso da vida.

Por um tempo ainda há, mas aos poucos está sumindo.

E o homem desmatando e poluindo.

O cão que uiva na guerra,

Com certeza é vagabundo

A falta de chuva na terra,

Tira a beleza do mundo!

*Paulo Dácio de Melo é compositor, cantor, poeta, ambientalista e membro da União Brasileira de Escritores - UBE.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Prefácio do Livro 'Fragmentos' de Paulo de Melo

Vital Correia de Araújo

Paulo Dácio de Melo, amigo e poeta, cujo estilo de  vida (modo de vestir, de ser, de ver e sentir a vida, a vida em suas dimensões sutis e amplas, em seu enfoque ético avançado que  envolve toda a natureza e não só o ego rasteiro da pessoa em trânsito fugaz no mundo). Saliento a ética ecológica de Paulo de Melo, que  tem uma sementeira Pré-Histórica na rodovia em São João, onde trata as plantas como iguais a nós, na perspectiva cósmica, em que a ecologia abrange também os tais  humanos (muitos, nem tantos).

Paulo pratica a hard ecology real, real, profunda e não a superficial proforma, que funciona como justificação da ideologia da verdade e do falso orgulho pequeno burguês. Que é o idiota movimento ecológico que o Brasil pratica.

Livro  "Fragmentos" de Paulo de Melo
O primeiro livro editado por Paulo me surpreendeu. Este segundo... o maravilhamento, desencadeado pelo seu verbo santo decorre da postura ética dos poemas e cânticos elevados à ordem primária da natureza incutida na visão ecológico do homem, em sua  inteireza e consequência vital.

A presença de Deus, ubiquidade poética, a participação do  espírito, o envolvimento do todo... e não a glorificação do Ego, como meta da vida alienada. Em que ocorra a plena coisificação do ser, no  âmbito da visão pequeno burguesa do mundo, concepção em que  todo o humano é estranho, posto que o enfoque é a ordem da pela, não da alma.

Ao longo dos 10 anos, em que permaneci em atuação na UBE - União Brasileira de Escritores, construí cerca de 130 prefácios (orelhas, mensagens posfácios, etc). No entanto, este, do segundo livro de Paulo Dácio, me atraiu em especial, e conduziu à revisão de minhas ideias - não tanto ideias - da ecologia, me lavando a uma abertura do pensamento ecológico, para a perspectiva da  Ecologia Humana, sem a qual não se faz possível evitar o desastre que a natureza prepara para nós, não para ela.

Quando se diz que, cientificamente considerando, o mundo (a terra) não duraria mais  de 4 bilhões de anos, esquece-se que, nessa humana equação temporal, a humanidade não está posta, o homem está excluído, pois não duraremos mais de 4 milhões de anos. Somente, mesquinho 0,1% duraremos em relação ao mundo.

É que nosso ego ególatra e soberbo, aloprado mesmo, pensa que o mundo somos nós, quando somos uma  minúscula pela devassável e descartável por excelência: detidamente mortais, não por suposto, mas realmente. E pecinha especial, tipo praga, que vai acabar com a parte do mundo que é nossa. E nos abriga.

Essa apreciação visionária do mundo humano independente do mundo real - mas confundindo-se entre si, de modo que o mundo sé se acaba se o homem acabar-se (mundo como servo), é a de Murilo Gun também.

No imundo mundo humano, onde guerras se aprimoram e se sucedem, não episódicas, como as mundiais do século XX, mas permanentes, como as que diariamente espoucam no Brasil de agora, aqui, guerras reais sem causa, finalidade, declaração, verdadeiras guerras civis ocultas... e diárias, como as de Sartre.

O homem não só agride a natureza e a explora como escrava, movido pelo lucro imediato a qualquer custo social e natural, mas o homem é mais eficiente: nós degradamos as condições de nossa própria existência, sistematicamente.

E a excelência real reside nessa nova e ímpar obra de Paulo de Melo, pois objetiva servir de apoio e estímulo à educação ecológica consequente e eficaz, a partir das palestras e intervenções de Paulo Dácio nas escolas, no âmbito de seu projeto de vida ecológica, que  busca garantir a sobrevivência decente da humanidade.

*Vital Correia de Araújo | Garanhuns, PE - 2018.

domingo, 18 de janeiro de 2026

Lembranças


Natanael de Vasconcelos, Santo André/SP, 1971

Teus cabelos negros, sedosos, alongados,

São macios como uma flor ao amanhecer.

Iluminam os caminhos do meu viver

Teus olhos negros, meigos e avivados.


Em teu rosto sereno, dias passados

De felicidade, brandura e de prazer,

Mesmo da infância ainda se ver

Neste lindo semblante retratados.


O teu nome sempre procurei saber

E sabendo-o não poderei esquecer,

Como também, momentos são lembrados.


Quando a saudade insiste aparecer

Rapidamente corro p'ra te ver 

Nos retratos comigo guardados.

O mar não envelhece

Waldimir Maia Leite

Assim vou, neste paço. Entre um dia e outro, com acentuado cansaço das coisas, a necessidade de fixação em pessoas, em fuga de outras; o imperativo de ádito isolamento. Tenho várias coisas iniciadas, dolorosamente inacabadas. Uma busca de ser, integral e uno, o balanço negativo feito: a incompletude evidente.

Domingo passado, por exemplo, não cumpri um roteiro: o ir a Candeias. Lembrei que, numa  carta tarde germânica, estava eu, em Bonn, visitando a casa (que hoje é Museu) onde viveu o imenso gênio da música de todos os tempos.

Ora - direis - qual a afinidade entre Candeias e  Beethoven? E, parcialmente, concordo. Nenhuma e muita, sob contradição imagética. Candeias - um mítico mistério meu que  irrevelo, nestas crônicas - Candeias é o território onde, por vezes, habito. Chego ali sempre sozinho ou - como diria Fernando Pessoa - com os comigos de mim mesmo.

Navego, em Candeias, o que não tenho sido, o que fui e, desesperadamente, o que jamais serei. Levo os meus instrumentos: um certo desencanto, uma inseparável tristeza, o sabor de procura, de busca.

Sem ter fórmulas matemáticas, nem receitas domésticas, sequer, tento a solução (impossível) dos meus problemas íntimos, olhando o mar que, liquefeito, caminha em direção ignota. Candeias, pois, que me perdoe o não ter ido vê-la, nesse domingo que passou.

Neste meio de ano sinto-me também dividido: seis  meses já vividos e a incerteza de suportar os outros seis.

De casa, neste meio de ano, tenho saído menos frequentemente. No convívio dos meus livros e das minhas músicas. Não consigo, porém, sair de dentro de mim mesmo, enconchado que sou. (Algumas vezes, em brusco desespero, procuro a  chave que, hermeticamente, fecha a porta de mim mesmo. Tento sair, pular por uma das janelas; e, não raro, me acidento).

Dirijo, pois, a  Candeias - minha irmã - o pedido de desculpas, por não ter ido vê-la, no domingo que passou.

O mar não envelhece, não tem rugas na face, há sempre um renovar na formação estrutural das ondas, o vento é  sempre menino recém-nascido, as aves marinhas não são as  mesmas, o sol (re)surge cada dia mais rubro da placenta matinal atlântica do horizonte. Eu, porém, em mim sinto um crescimento envelhecer. E contribuo, com o meu cansaço e o meu desencanto, para um talvez frio e calculado fim.

Embora, em Candeias, o mar não envelheça. Ou tenhamos de dizer, como no poema de Natal, de Vinicius de Moraes:

"Hoje, a noite é jovem: da morte apenas nascemos imensamente".

Recife | Ano 1985.

José Hildeberto e "As Travessuras de Coco Chinês"

João Batista Leal | Garanhuns , 27/10/1990 Logo mais à noite o professor  José Hildeberto Martins estará lançando o seu primeiro livro inti...