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sexta-feira, 6 de março de 2026

Viver com intensidade


Dr. José Francisco de Souza* | Garanhuns, 21/12/1985

Acontecimentos uns após outros e referência de outros que não vieram. Passa o tempo a percorrer o curso das horas, dos dias, dos meses e dos anos. A menção de tudo isso reunido é um processo de inteligência em perene mutação. Dentro do seu universo tudo se purifica em busca de si mesmo e todos temos a nossa hora como um brilho de uma estrela. As obras das coisas são vastas e ninguém poderá modificá-las. Nem no tempo nem no espaço por não ser possível esquecer a projeção do nosso Eu que é o reflexo desses acontecimentos.

ENSINAMENTOS DOS ESPÍRITOS

O lema fundamental é, face a tudo isso, viver com intensidade. Acompanhar as modalidades que se projetam em todos os recantos do nosso mundo. Apressamo-nos em dizer desde logo que esse aspecto modal das coisas, que certas contradições de algumas pessoas fazem grande cabedal, são, em regra, mais aparentes que reais. Quase sempre aparecem mais na superfície do que no fundo das coisas e que, por consequência, carecem de importância. De duas fontes provém tudo isso do raciocínio do homem e dos ensinamentos dos Espíritos.

Desde que se considere que os Espíritos não são mais do que a humanidade despi-la do envoltório corporal, e que continuam vivendo em outra dimensão. A sua capacidade multiplicada pela amplitude de seu estado moral e de sua manifestação, o limite do tridimensional é problema superado no âmbito de suas atividades. Não há lei humana, emanada de qualquer poder político ou social, que possa evitar a manifestação da entidade espiritual aqui na terra. Ele se manifesta por toda parte do universo que á sua verdadeira Pátria. Não há força humana que possa coibir a plenitude de sua manifestação.

JUSTIÇA DE DEUS

Entendemos que a nossa luta no campo moral e intelectual, luta pela vida, é para que nos tornemos dignos de alcançar e dominar os mais altos objetivos da razão que é a Justiça de DEUS entre os homens. Tem que se formar valores que estão dentro de nós que são nossos porque procedem da nossa evolução em todos os campos. Há sempre um toque especial de nossa personalidade em tudo que transmitimos pela palavra, gestos e atos inteligentes. São valores importantes que definem a nossa condição de ordem psicológica. A instrução espiritual não abrange apenas ensinamentos éticos que os Espíritos dão, mas também o estudo dos fatos irreversíveis por natureza.

Incumbe-lhe a teoria de todos os fenômenos. a pesquisa das causas, a conservação de que é possível, em suma, a observação de tudo o que contribuir para o avanço da ciência no seu sentido mais amplo e humano possível.

Embora de menor relevo, nem por isso mesmo digno são de mais alto interesse para o observador, que neles vai encontrar ou confirmação de um princípio conhecido, ou a revelação intuitiva, que faz penetrar um pouco mais nos mistérios do mundo universal. Isso também é filosofia. Com os Espíritos elevados que nos enviam mensagens de conteúdo doutrinário e profundamente humana, ampliam-se os quadros dos estudos da doutrina das entidades de um mundo maior.

Essa sensibilidade de ordem moral e de efeito puramente sublimado, frequentemente descrito, é a existência em si mesma. De nada serve discutir se esse raciocínio se reduz a um conjunto de representação ou se é, ou deve ser mais do que isso. O certo é que o que se constata não pode ser produzido por nossa espontaneidade. Existir para nós, é ter consciência de sua própria existência.

Com efeito, viver-se com intensidade é perfumar-se com a essência das coisas. E por essência não entendemos (segundo Sartre) somente a estrutura, mas, ainda, a individualidade mesma. A essência do universo moral de todo indivíduo, é o ESPÍRITO

*Advogado, jornalista, cronista e historiador. 

sexta-feira, 17 de outubro de 2025

Um mundo de paz

José Francisco de Souza

Na presença da realidade devemos enfrentá-la fitando com serenidade a luz  de seus olhos. Não devemos ser esquivos falando apenas de suspeitas. Elas ocasionam pressões muitos fortes, a ponto de nos deixar tomado, até mesmo imersos, dédalo de dúvidas torturantes. Não há nada mais dubitativo do que vivermos na  voragem de marginalização de tudo o que é certo. Isso deve ser apreciado com certa profundidade por quem não sente a consciência onerada.

A crise da família, que é apenas uma parte da crise geral do mundo contemporâneo, encontra explicação satisfatória à luz do princípio da reencarnação. Das lei do Carma, consequências de vida anterior, ou reações de atos praticados em outras oportunidades de vida, nesta ou em outra dimensão. Com o auxílio e determinação do código genético o mundo científico presta indeclinável colaboração. Ninguém pode prescindir das investigações da ciência, cujas pesquisas têm constatado meios idôneos e reais.

Tudo se encadeia na Natureza, desde do átomo até o arcanjo, que também já foi átomo. Estudando a evolução em todos os campos da vida, Léon Denis, autor do "Problema do Destino e da Dor", ensinou no alto de sua cátedra: "A  alma dorme na pedra, sonha na vegetal, agita-se no animal e acorda no homem. Ligando assim o destino humano ao destino das coisas. Dessa ligação surgem as comparações e os estímulos. Civilizar é, sobretudo, humanizar.

O homem não passa subitamente da infância à maturidade. O intelectualismo vaidoso é uma espécie de resíduo que dificulta o movimento da válvula natural da intuição espiritual e apressa o momento fatal. Nossos instintos animais, nossas ambições desmedidas, nosso orgulho ferido, nossas pretensões de supremacia aceleram dia a dia o ritmo da pressão interna.

O mundo interior de cada um de nós, é cheio de cogitações, onde o silêncio profundo desperta certa tranquilidade pontilhada de algo que nos sublima. É o Reino de Luz que habita, cuja presença dissipa todas as trevas em que o ser humano no encontro o domínio da paz que o mundo precisa.

Se queremos a paz, teremos de nos preparar para a paz. Só os pacíficos espalham as virtudes que transformam em  tranquilidade as tempestades das almas conturbadas pela guerra.

Assim o nosso pensamento encontra receptividade no universo moral e intelectual, do maior Instrutor do mundo, já desencarnado. Dessa maneira o Krishna Murtiano falar sabiamente nos ilumina como se deve conquistar a Paz.

Para implantar a paz no mundo, para pôr fim a todas as guerras, faz-se mister uma revolução no indivíduo, em vós e em mim. Sem esta revolução interior, a revolução econômica não terá significação, porque a fome é resultado do desajustamento das condições econômicas produzido pelos nossos estados psicológicos. A avidez, a inveja, a malevolência, a ânsia de posse. Para pôr fim ao sofrimento, à fome, à guerra, faz-se necessária uma revolução psicológica, e poucos de  nós têm disposição para tal. Estamos dispostos a conversas sobre a paz, planejar legislações, criar novas organizações, mas não estamos dispostos a ganhar a paz, porque não queremos renunciar à posição, à autoridade, ao dinheiro, às propriedade, as nossas vidas estúpidas.

Contar com os outros é inteiramente fútil; eles não podem trazer-nos a paz. Nenhum chefe irá dar-nos a paz, nenhum governo, nenhum país. O que trará a paz é a transformação interior. A transformação interior não significa isolamento ou retraimento da ação exterior. Pelo contrário, só pode haver ação correta quando há pensar correto, quando há autoconhecimento. Se não conheceis a vós mesmos, não há paz.

Para por fim à guerra exterior, temos que por fim à guerra que está em  nós mesmos. Alguns ficarão de acordo, depois sairão, para fazer exatamente a mesma coisa que vinham fazendo há muitos anos. Só haverá paz quando formos pacíficos, quando vivermos em Paz conosco e com o próximo. "A paz seja convosco". É a saudação do grande mestre Jesus o Cristo.

*Advogado, jornalista, cronista e historiador. 

quarta-feira, 6 de agosto de 2025

Vida a dois


Dr. José Francisco de Souza* | Garanhuns, 04/07/1981

O mundo em que o jovem situa o seu comportamento psicológico é um jardim suspenso em atitude de espera. Sonho em busca da realidade. Em busca do universo, onde vive o eleito de seu coração

O mundo do jovem e o universo do seu amado sintonizam-se na mesma dimensão. É um estado de espírito purificando vibrações de amor.

Esse profundo sentimento emanado do Perfeito. As divisões não devem ser objeto de cogitação dos que se unem para uma vida a dois. O compasso da espera perdeu a sua atração. Não é mais centro de atenções. O desagradável e muitas vezes decepcionante é a intenção de se prolongar este comportamento pela vida inteira.

Depois surge o entendimento de que a união dos corpos, não é só atração física, é o resultado de uma integração moral. Essa união pode se modificar o pensamento, dando maior conteúdo a vida. Trata-se aqui de um novo tipo de relacionamento em que as pessoas tomam maior importância dentro do seu contexto social.

A constituição da família é o centro de equilíbrio da sociedade. É o sustentáculo de tudo quanto se relaciona e vive nesse esquema. Daí o desejo dos puros sentimentos em unir os dois mundos. Duas vidas que se integram e passam a sentir as belezas do seu próprio universo unificado. Não se deve possibilitar o desencanto. Nem confusão de sentimentos que provoca a fuga. Tudo deve ser claro e nítido. A bondade deve ser retida no mais profundo do coração. Só as águas procuram se perder no mar. As vezes, por falta de compreensão, momentos desagradáveis surgem. Quando isso acontece não se conturbe o coração. Basta indagar quem deu causa e logo o efeito desaparece. O estado de vigília é aconselhável a dois. A mente é muito letárgica não gosta de se modificar. O apercebimento total é o remédio. Memorizar as belas expressões do verbo, das palavras que dignificam, é um contentamento espiritual. 

Deve-se lembrar das expressões que foram talhadas no rosto matinal como se hoje fosse as madrugadas de todos os tempos. Assim a vida será sempre pontilhada de luz da aurora de todos os dias. E as noites não são mais tristes, nem sombrias porque existe em cada uma, um resto de luz da aurora de todos os dias. E as noites não são mais tristes, nem sombrias porque existe em cada uma, um resto de luar e miríades de estrelas nos céus. Assim se conquista a certeza de que é possível dominar as trevas. Sempre se encontra dentro de nós um pouco de esperança. Deve-se manter iluminada o templo do lar para que os filhos vivam cercados de luz. Essa imagem representa a luz crística que existe no mundo interior de cada um de nós.

Os caminhos conduzem os jovens unidos pelo matrimônio às suas mais altas aspirações, que o rebento do amor, para ser apresentado no tabernáculo do Senhor. Eis aqui a glória do primeiro fruto do amor. Ao longo das horas o tempo avança e as distâncias proporcionam muitos alvitres diferentes. A busca de outra dimensão da própria vida indica a verdade de que todos somos peregrinos da eternidade em trânsito para a VIDA SUPERIOR.

*Advogado, jornalista, cronista e historiador.

terça-feira, 5 de agosto de 2025

Ambiente Social


Dr. José Francisco de Souza* | Garanhuns, 06/09/1986

Não é regra, nem modelo. É um preceito político e social. Algo que não modifica em sua disposição moral. O psicológico é relativo. Não obstante a sua estrutura não é muito sólida. A ato reflexivo não é divino. É material e exerce domínio no ser humano. Ninguém poderia negar a influência do ambiente na formação e comportamento de cada um de nós.

É preciso que depreenda com certa acuidade o valor elucidativo de tal influência. Ela se manifesta com muita habilidade a ponto de exercer, quase plenamente, a sua ingerência. Daí, a variedade de modificações, que domina quase todos os recantos do universo moral dos menos avisados. É um posicionamento de ordem e de costumes associativos. É preciso ser ativado pela própria natureza em processo de execução e com certa argúcia.

O cumprimento dessa ordem é um imperativo do sociológico. Do homem como elemento capaz de criar no eterno, onde o presente modifica-se assim mesmo, em busca de sua autêntica finalidade. O fator emocional é muito importante no comportamento de cada um que vive integrado no sistema dominante.

Isso pode ensejar um prognóstico de proporções, até certo ponto assustadora, no ponto de vista político. E em se falando em política, não se pode afastar as amplas possibilidades de princípios e reforma de base. O fundamental  é o apercebimento na ação conjunta dessas determinações. Qualquer organismo social quando afetado de qualquer infecção, todos os elementos humanos de sua constituição são passíveis de contaminar-se.

Impõe-se cuidado especial a fim de que não se modifique o equilíbrio entre o indivíduo e a sociedade. A coexistência pacífica é fundamental para que haja estabilidade em todos os segmentos da vida pública do homem.

O indivíduo para manter-se capaz de acionar as possibilidades de justiça social é preciso que a sua concepção seja fundamentalmente humana. Amigos de seus irmãos e irmãos de seus amigos. Em todos os setores em que o homem é figura central do progresso, o princípio moral do cristianismo deverá ser indeclinável. Compreendidos assim, os cuidados do embelezamento e de acabamento pessoais, se consolidam, sem alternativas.

Como consequências das mudanças que há um século, vem modificando, juntamente com as nossas representações experimentais do Mundo em que vivemos. O valor moral de muitos dos seus elementos, "o ideal religioso humano" tende a sublinhar tendências e a exprimir-se em locuções que parecem à primeira vista não coincidirem com o "ideal religioso". 

Não se busque nestes conceitos senão o dever de aproximação em tudo que se relacione com a realidade. Os fatos acontecem e pela sua própria essência determinam observações importantes. O que se verifica em torno de nós, quase sempre é determinada por circunstâncias de ordem psicológicas, onde o desfeito moral altera a percepção da realidade em si mesma.

Com efeito, o "Meio Divino" perderia toda a sua grandeza e todo o seu sabor para o conceito "místico", se por toda sua percepção gradativamente justificada, por toda a sua vontade solicitada e fortificada, este não sentisse perder tão completamente o pé no oceano divino, que nenhum ponto de apoio primeiro lhe fosse deixando, no fim de contas, a si mesmo, no fundo de si próprio, para a sua ação, que é sobretudo superar o ambiente social pelo bem comum.

*Advogado, jornalista, cronista e historiador.

Trabalho Intelectual

Dr. José Francisco de Souza

Dr. José Francisco de Souza* | Garanhuns, 18/01/1986

A mais sublime ocupação do homem, é sem dúvida, o trabalho intelectual. Ação mental de transmitir ideias através de palavras que possam identificar corretamente as dimensões do pensamento criador. Essa operação aproxima o ser humano dos mais elevados planos de ordem espiritual. Não há pensamentos ocultos que não sejam desvendados pela auréola do apercebimento.

A inteligência concatena os efeitos que revelam os ornamentos das causas. O mundo mental possui características de sua própria natureza existencial. Manifesta-se na plenitude de sua exteriorização, revelando-se como elemento capaz de criar no eterno. Assim proporciona e estabelece o equilíbrio do Espírito.

As nossas ações se sublimam quando constatadas pelos crivos da razão pura. Elas sempre estão se multiplicando no sentido de alcançar os mais altos propósitos. Como revelação pessoal pertence a sua natureza, o desejo de serem identificadas como projeção em todas as camadas sociais. O intelectual espiritualista pensa, sente e age em função do aperfeiçoamento que se revela digna de sua clarividência, de translucidez.

O intelectual, ostenta com humildade, com fé e resignação, o lábaro do amor desfraldado pelos ensinamentos e sabedoria dos Espíritos da verdade, não se identificam senão através das mensagens ricas de conteúdo e forma, segundo e forma, segundo os textos das obras codificadas. É sobretudo, generoso, de consciência purificada pelas belezas morais da caridade. Não se ufana de considerações, não ditadas, pelo profundo conhecimento aos meus semelhantes e irmão no Senhor.

Seu Espírito em prova, neste mundo de dores e lágrimas, vive a desabrochar um sorriso franco pela ventura de ter sido apontado, pelo mundo da espiritualidade maior, a resgatar com resignação e paciência, os seus débitos. No silêncio de seu mundo interior aprendeu que uma palavra de carinho, dita no momento preciso, conquista mais corações que um cofre de ouro, filho do pecado. A lealdade e a generosidade são o verdadeiro, embora oculto, escudo de nobreza. A nobreza da alma se purifica pelo amor. Consiste, acima de tudo, nas virtudes exemplares do amor ao próximo como a si mesmo.

Não é viver ilhado em si mesmo, que se passa a entender a autoridade e a sabedoria da solidão. A solidão é um fecundo recolhimento, onde o amor purifica o ser humano. E o tempo não se escoa em isocronia mortificante, mesmo que estivéssemos a angustia de passar a última noite na terra. Morrer para renascer, tal e a Lei fundamental da CRIAÇÃO.

No problema da solidão não existe forma, nem regras, cada um procura resolver como sabe. Saber não se limita ao conhecimento de escola filosófica, nem a boa informação através dos livros. O imprescindível é que, o autoconhecimento esclareça os segredos da vida eterna que existe em cada um de nós. Temos de ficar psicologicamente investidos de todos direitos que a Divindade nos outorgou pela imanência da perfeição de sua Infinita Bondade.

"Em suma, Jesus na Cruz, é o símbolo e a realidade, ao mesmo tempo, do imenso labor secular que pouco a pouco eleva o espírito criado para conduzir para as profundezas do Meio Divino. Ele representa (e, num certo sentido, é) a criação, a qual amparada por DEUS, sobe as encostas do ser, umas vezes agarrando-se às coisas para nelas estabelecer um ponto de apoio, outras vezes desprendendo-se delas para ultrapassar, sempre compensando pelos esforços o cansaço físico, e recuar pelas suas quedas, no caminho do calvário".

Todo ser humano, por ser humano, precisa dedicar a sua vida e uma obra do verdadeiro espírita CRISTÃO.

*Advogado, jornalista, cronista e historiador.

segunda-feira, 4 de agosto de 2025

Momento Esperado

Dr. José Francisco de Souza* | Garanhuns, 11/01/1985

Esperamos tanto o momento, e quando ele chega é tão rápido, que até parece não ter acontecido. Essa ânsia que domina em cada um de nós, mobiliza nossos sentimentos, tornando-os cada vez mais profundos e carentes. Introspecção que nos proporciona meios adequados e definitivos do autoconhecimento.

Meio eficaz de amplas possibilidades no sentido de alcançarmos o mundo gratificante a se consolidar em todos os segmentos de nossas atividades sociais. Dessa conquista estamos a esperar os instantes de nossa existência. Viver é lutar, e sobretudo é também relacionar-se. Todos nós somos parte um  do outro, somos dotados de Espírito, essência divina, a construir o seu Reino dentro de cada um de nós. A auto vigilância é importante.

A temática preferível do nosso mundo moral se acentua em todos os atos ordenados à busca da plenitude de nós mesmos. Constituiu-se a razão de ser dos nossos objetivos, a se completarem na esfera do presente. "Do hoje que, foi, o ontem tão ansiosamente esperado". Natural é, estejamos preparados para novas coisas, e acontecimentos novos que não estavam na pauta do nosso ordenamento diário. A opção é a seguinte: ficaremos sempre onde estamos para descobrir o que somos. A nossa ligação com o mundo pelo emocional é muito forte e por demais comprometedora.

O silêncio do compasso da espera é sintomático. A mente continua como receptora e transmissora de pensamentos e ideias, não podemos ficar parados quando tudo nos rodeia se movimenta. O que existe não é servidão moral nem espiritual porque não altera o descanso de quem utiliza o seu mundo interior. Descanso é apenas, uma percepção somática, do corpo, que se definha e morre. O Espírito porém, não cessa de trabalhar renovando suas vibrações na espiritualidade de um mundo maior, que não cessa de criar.

Quem se renova não cansa, essa mutação é característica do Espírito de vida. Essa é uma realidade única, espontânea consciência. Existir e ter consciência de sua existência é um ato pleno do Ser. A lei Ontológica da consciência é que a única maneira de existir é ter consciência que existe. É um tratado de seres em geral, ou ciência do ser, considerada em si mesma, independente do modo pelo qual se manifesta. É um pouco de imaginação e ética.

Uma coisa, porém, é apreender uma imagem, outra formar pensamentos sobre a natureza das imagens em geral. A nossa percepção está determinada por conceitos comuns que revelam a ignorância do meio em que convivemos.

Se nos examinamos sem preconceitos observamos que se opera espontaneamente a discriminação entre a existência como coisa e a existência como imagem. Então seriamos capazes de perceber a sutileza existente como distinção de tempo a imagem que comumente temos do tempo. Sempre lhe damos um pendor reflexivo da imagem que vulgarmente temos a seu respeito.

Não seriamos dignos de contar as aparições que denominamos imagens. Mas sejam ou não evocações voluntárias, ela se dão, no momento mesmo em que aparecem, como algo diverso de uma presença real. A imagem do tempo, por exemplo, só a conhecemos como passado que nos proporciona lembranças e as vezes algumas gratas recordações. Essa imagem não representa o tempo real que está ao nosso lado acompanhando o presente nos nossos pensamentos como existente no mesmo plano. Esse momento de vida, é o momento esperado.

*Advogado, jornalista, cronista e historiador.

Dois de novembro

Dr. José Francisco de Souza* | Garanhuns, 09/11/1991

Dia de finados, consagrado aos mortos, já está modificando. A crença já não desperta mais a esperança de se constatar a presença dos entes queridos. O fator de ordem econômica reduziu as possibilidades de se renovarem os túmulos. A ostentação não mais se projeta no sentido vertical. Voltou a ser o que sempre foi uma jacente tampa de mármore.

A vida é plena em si mesma. Não implica em exaltação. Ela se manifesta em todas as coisas criadas e existentes no universo do nosso Divino Celestial. É portanto, uma dádiva de Deus. A função do amor que preside a existência faz-se substituída pelo fenômeno da dor  que impele para renovação. A história de cada vida é a pedra de toque dos atos, ou melhor de seus próprios atos, que desgasta o tredo engano até que brilhe a verdade em plenitude.

A verdade é a vida. E a vida não se esconde, e nem repousa na escuridão tumular. O cemitério é um dormitório, onde o somático cochile enquanto se decompõe. A difusão, isto é, o poder que têm suas substâncias de se penetrarem mutuamente, também mostra que a matéria é contínua.

Examinando-se uma pedra jacente na estrada, julga-se que está em repouso, pois não é vista a deslocar-se. Quem, no entanto, lhe pudesse penetrar na intimidade da substância, para logo se convenceria de que todas as suas moléculas se acham em incessante movimento. No estado ordinário, esse ato é de todo imperceptível.

Os mentores do mundo espiritual, que iluminam todas as coisas visíveis e invisíveis. Que consagram o mundo de fluídos purificadores entre dois ordenamentos espirituais, testemunham com as suas presenças, que a morte não existe. Que a história de cada existência humana se constata em princípios determinados pelo progresso moral.

A presença dos seres humanos, na Terra, é a síntese dos inúmeros capítulos de outras experiências que se interligam trabalhando futuros sucessos, felizes ou desventurados, conforme as matizes anteriores que os desencadeiam. Quando, advindo a morte, o desenlace, o Espírito desperta, inevitavelmente assomam-lhe o comportamento na esfera nova.

Não sendo esta mui diversa da terrena, ele se entrega ao desbordar da insensatez, naufragando na turbulência do caráter enfermo e postergando o momento da aquisição da paz. Ai nascem os planos para esforços ignóbeis sob o comando da inferioridade mantida, quando seria a oportunidade de reavaliação de resultados, partindo para conquista dos melhores entendimentos são transmitidos, a nós pelos Espíritos executores da vontade de DEUS.

Poucas são as entidades que procuram iluminar os espíritos, ainda preso ao fardo da matéria.

Defrontando a vida depois da destruição dos tecidos carnais seria compreensível que acudissem à mente a noção de imortalidade e a necessidade de fruí-la em experiência de felicidade. Não é porém, o que normalmente acontece. Muitos espíritos permanecem preso aos sentimentos de posse materiais. Esse estado de perturbação os mantém na erraticidade nos umbrais, onde sentem-se influenciados pelas paixões, e hábitos ainda impregnados da vida material. Esse estado se modifica de acordo com o progresso atribuindo ao entendimento de liberdade.

Aferrados aos instintos que vitalizam no jogo das falsas necessidades, aclimatam-se e comprazem-se neles, buscando dar prosseguimento às suas manifestações, mesmo quando desaparecidos os feixes nervosos do instrumento carnal que lhes permitem exteriorização. Daí resulta uma insistente fixação psíquica nas reminiscências que se corporificam, fazendo que os desvarios assumam o lugar da fúria dos desejos, até quando se identifica com o progresso através do entendimento.

Esses espíritos são homens desencarnados, muitos usando de seu livre arbítrio, apreciam a luz das velas acesas pela as almas dos finados. Para a romaria é prova de prestígio.

"Os espíritos nesse dia ao chamado dos que na Terra lhes dirigem seus pensamentos, como fazem noutro dia qualquer. No dia de finados, isto é, nesse dia, em maior números se reúnem nas necrópoles, porque então também é maior, em tais lugares, o das pessoas que os chamam pelo pensamento. Porém, cada espírito vai lá somente pelos seus amigos e não pela multidão dos indiferentes". Um prece feita de alma e coração abertos, é muito mais importante, que a concentração de muitas pessoas em torno dos túmulos pomposos.

Sucedem que as feições legítimas propiciam vitalidade e alegria, pela permuta de vibrações afins, que estabelecem as correntes de segurança e paz nas vidas que se entrelaçam.

*Advogado, jornalista, cronista e historiador.

domingo, 3 de agosto de 2025

Salto no tempo

Lívia Souto e Anchieta Gueiros
Lívia Souto e Anchieta Gueiros

Dr. José Francisco de Souza* | Garanhuns, 08/09/1984

Muitas pessoas estão ligadas em tudo que determina o futuro. Não alcançam a capacidade de penetrar na realidade. Nem podem alçar um voo às paragens do alcandorado. Fogem do presente como pretendendo saltar no tempo e no espaço. Essa psicologia inspira a angústia permanente. Onde o desejo de criar no Eterno se anula por meios escusos. Nesse estado, o homem perde o reflexo de sua própria imagem, porque ignora o valor de suas mais amplas possibilidades. De sua capacidade de se renovar sem receio da presença do desconhecido. É o processo de idolatria das coisas. O tempo é usado em produzir coisas, esquecendo-se que, na realidade o ser o humano não é simplesmente coisa. É imagem e semelhança.

Todos entendem os seus gestos, a sua perspectiva se deslumbra, como pessoa humana, torna-se mais atraente, e a sua mensagem toma conteúdo e forma adequada. Assim o ser humano proporciona melhores alternativas de escolha. Embora esteja ainda sob o domínio do estado de carência. De dúvida de se autoanalisar no sentido de encontrar-se a si mesmo. Essa vacuidade é falta de apercebimento às suas tendências naturais. Apresta-se na direção de tornar-se mais vigilante. Seus desejos se modificam de modo integral em busca do melhor.

O seu universo completa-se e se renova em cada instante, operando a multiplicação de sua criatividade. É a força indomável de sua natureza, que não se modifica pela influência do ambiente. Nele, tudo depende das probabilidades crescentes de seu mundo interior. Não procura dar um salto no tempo, porque não se modifica aquilo que existe. A realidade é sempre presente, tem que ser vivida em todos os momentos. Hoje é sempre um dia apropriado à solução da maioria dos conflitos.

Isto porque tudo o que se movimenta dentro do tempo, fica gravado eternamente. A história que registra a passagem dos séculos, não deve ser simplesmente repetida. E sim vivida com intensidade. Disso ninguém pode fugir a memória das coisas sempre nos lembra. Assim é que a história deve ser contada, tal como sucedeu. Não se deve alterar o sentido real e nem se possibilitar os desvios das normas de ficção. As cidades como os corpos dos homens, transformam-se em cinzas. Não subsistem ao tempo. Os fatos que produzem efeitos históricos são determinados por causas destinadas pelo mundo da espiritualidade maior. Não é só eterno enquanto permanece, é eterno por sua natureza.

Esse fato é incontestável, como tal deve ser interpretado e proclamado sem alteração. Mesmo que não seja muito agradável. O mal de todos é a pretensão de  se ocultar a realidade dos acontecimentos. As pessoas pensam tanto no futuro que ocultam ou ignoram o seu  estado presente. Talvez sejam as únicas que ainda se dão ao gosto amargo dos dissabores de não se conduzirem fielmente diante de narrativas dos fatos. Só os que vivem na penumbra das ilusões têm medo da presença real.

Os bons possuem um coração puro e por isso não se renegam. Não se conturbam com a interpretação do  apóstolo de que todos morrem diariamente. Não se comportam pela negativa dos altos propósitos da vitória e da verdade. Os que agem em contrário deveriam se internar no "Pavilhão de Restringimento no Ministério da Regeneração", onde os Espíritos são preparados para enfrentar com resignação e paciência as provas da outra dimensão da vida.

*Advogado, jornalista, cronista e historiador. 

quarta-feira, 30 de julho de 2025

Erich Fromm

José Francisco de Souza

Dr. José Francisco de Souza* | Garanhuns, 29/03/1980

A entidade básica do processo social é o indivíduo com seus desejos e receios. Suas paixões para o bem ou para o mal. Para se perceber essa dinâmica, impõe-se o conhecimento da capacidade de cada homem. É algo sintomático o receio que cada um tem de ser ele mesmo. De enfrentar-se com todos os seus problemas. Esse desespero, medo interior, muitas vezes, deforma a vontade. Esta vontade se projeta pela força de uma compulsão interior. Desejo de ser livre em todos os seus movimentos. Em psicologia ficar sozinho, é sentir o crescimento do seu próprio Eu. Por incrível que pareça, muitos indivíduos vivem bloqueados pelo terror do desvão de sua maneira de viver. A triagem moral não lhes agrada. As emoções são impulsos. A sua detecção nem sempre torna perceptível o fenômeno. Há muitas opções diferentes.

O medo a liberdade, ensejou uma análise vertical do grande psicanalista ERICH FROMM. O seu ponto de vista, de ordem científica defendido neste livro difere profundamente do ponto de vista de Freud. Não critica o procedimento cultural do mestre de VIENA. Apenas, observou a sua temática pelo prisma da sociedade atual. O contexto sócio econômico do mundo hodierno, deu nova dimensão a certos conceitos. A sociedade de consumo é tiranicamente poderosa. O império do capital pertence aos grupos multinacionais. Consolidou-se assim a escravidão humana.

Apenas um palpite feliz. Os arquétipos são para Jung "complexos" da humidade, produzidos por traumas coletivos. Assim como traumas infantis produzem os chamados complexos psicanalíticos, as condições coletivas pelas quais passou a humanidade, em suas fases de desenvolvimento primitivo, teriam produzido as arquétipos. Como se vê as analogias do organismo Spenceriano tantas vezes  combatido pelos seus antagonistas. Na época atual novas aplicações lhe foram dadas. Discordamos da teoria do inconsciente coletivo como causa e origem de arquétipos coletivos. Estes super-humanos no campo das indagações científicas. Da cultura humanística são Espíritos de esfera superiores que se propõem conduzir o progresso da humanidade. Este é ponto pacífico para nós.

ERICH FROMM, psicanalista da corrente moderna  discordava do criador da psicanalise: FREUD. O mestre Fromm falecido a pouco acreditava no homem superior como arquétipo da sociedade: "cremos que o homem é primordialmente um ser social, e não como Freud admite, primordialmente autossuficiente e só seguramente necessitando de outros para satisfazer suas necessidades instintivas." Nesse sentido a psicologia dos encontros é imperativa. A disparidade entre a orientação biológica de Freud e a orientação de Fromm; é questão de realce do homem como elemento integrante da sociedade.

E não como materialista em gênero e número impondo-se ao fenômeno social. O homem não foi feito para ser esmagado pela sociedade. Entre o indivíduo e a sociedade deve haver coexistência pacífica. Como discípulo em muitos pontos discordam um do seu mestre. O fundamento da psicanálise de SIGMUNA a FREUD era a teoria da libido como força instintiva da vida sexual. Tudo depende dessa energia reprodutora da espécie humana. Esta, para Freud, era a razão única, instrumento, ou arma de que dispomos para darmos sentido à vida. Para prescindirmos das ilusões religiosas e outros tabus que escravizam o homem. Ao longo dos inúmeros livros, Fromm defende e apresenta a tese de que a liberdade tem duplo significado para o homem hodierno: a de que ele se emancipou das autoridades tradicionais e tornou-se um "indivíduo", mas que ao mesmo tempo ficou isolado. Acha que a vida não careça de nenhuma justificativa dada pelo sucesso ou qualquer outra coisa, em que o indivíduo não seja subordinado nem manipulado por qualquer força alheia a ele; quer seja o Estado ou máquina econômica. Foi um arquétipo no sentido do homem e seus ideias não sejam a interiorização de exigências externas, mas sejam realmente dele. É o mesmo conceito espiritual do homem. Como se contraria e se contesta princípios que alimentam a alma. Como esse espírito iluminado foi alvo de ferrenhas e bárbaras perseguições no nazismo. Nunca se abusou tanto das palavras para esconder a verdade. "Creio que todo homem representa a humanidade". "Somos diferentes quanto à inteligência, saúde, talento".

ERICH FROMM nasceu em Frankfurt, Alemanha, estudou psicologia, sociologia e filosofia nas Universidades de Frankfurt, Munich e Heidelberg; nesta última Universidade fez doutorado em filosofia, antes de ingressar para o famoso Instituto Psicanalítico de Berlim, onde se demorou vários anos. Após a tomada do poder pelos nazistas na Alemanha, emigrou para os Estados Unidos, onde radicou-se, tendo adotado a nacionalidade norte-americana. Com a idade de quase 80 anos desencarnou fechando os olhos para esta vida material. O seu desenlace aconteceu na sua Pátria de adoção, Estados Unidos. ERICH FROMM um dos reformadores da psicanálise, um dos gênios da humanidade. Além de outros livros que enriquecem o patrimônio cultural da humanidade escreveu: "Psicanálise da Sociedade Contemporâneo", "Análise do Homem", "O medo à liberdade", "Conceito Marxista do Homem" e "Meu Encontro com Max e Freud".

ERICH FROMM  foi um dos mais profundos estudiosos dos arcanos da alma humana e da sociedade moderna.

*Advogado, jornalista, cronista e historiador.

sexta-feira, 27 de junho de 2025

2º Festival de Inverno de Garanhuns


Dr. José Francisco de Souza*(foto) | Garanhuns, julho de 1992

Hoje  não choveu. Foi um dia festivo pleno de sol. Os raios do Astro - Rei iluminaram as colinas dos sete recantos da cidade. Houve uma poética modificação científica a respeito do tempo-espaço. O dia  toma uma nova dimensão de vida. E a noite cai triste e brumosa, manifestação plena da estação de inverno. Contudo, não há algo do silêncio. As folhas da gigantesca árvores da Praça D. Moura, não se movimentaram. Não é estática, é predominantemente um recolhimento. Esse recolhimento da vida vegetal é um estágio de tempo cronológico. O tempo no sentido psicológico é algo diferente não propriamente um fato é um estado.

O Centro Cultural está revivendo os seus dias marcantes no predomínio da arte. Teatro, exposição de arte plástica, palestra em temática moderna, representação de vários ordenamentos culturais, onde o universo da inteligência domina. No local da realização do Festival, uma feira de artesanato, comidas regionais, estará instalada, com está permanentemente, entre o Centro Cultural e a Praça Guadalajara - local dos  shows.

Barracas umas após outras cercam a praça feericamente iluminada. Praça D. Moura, Rua 15 de Novembro e adjacências, o estacionamento de carros paralisam o trânsito. Até alta madrugada, milhares de pessoas se concentram na Guadalajara ao ritmo das músicas de cantores famosamente credenciados. Artistas de renome nacional.

A cidade das flores, mais uma vez está revelando a sua vocação turística. Praças bem ornamentadas, e limpas. Saudável pela sua própria natureza a cidade centenária é um centro de saúde pública onde a cólera não se manifesta. O povo vive com o riso espontâneo e natural por força da própria razão de viver em Garanhuns.

Esses acontecimentos nem sempre são superados pelo desejo incontido de certos políticos de mentalidade primária. Os  princípios da ética imperam pela naturalidade. Revelam-se pelas características do progresso intelectual de um administrador altamente qualificado. Ivo Amaral é o maior entre os seus iguais. É uma sublimação natural de homem público que não é só um grande condutor de homens, é sobretudo um autêntico humanista. A sua filosofia de vida é a consagração dos méritos e valores do homem como criador de possibilidades no sentido do bem.

Os instrumentos do festival, cujas músicas nos proporcionam uma inquietação natural do nosso sono. Contudo, mesmo assim nos desperta um desejo de transmitir algo do nosso universo intelectual como nessa quinta-feira em que escrevemos essa crônica. De qualquer modo a presença do festival não nos proporcionou qualquer perturbação.

"O desejo de sensação nos torna apegados à música, à posse da beleza. A nossa dependência das linhas e formas exteriores apenas nos indica o vazio do ser, vazio que enchemos com a música, a arte, ou o silêncio deliberado. É por este vazio inalterável preenchido ou encoberto com sensações que existe o constante medo ao que  é, aquilo que somos.

Assim, não obstante, a nossa terceira idade, rica de experiências desejamos que muitos festivais de Inverno se realizem em nossa  cidade de Garanhuns terra dos meus Pais.

*Advogado, jornalista, historiador e cronista.

Chico Xavier


Dr. José Francisco de Souza*

Todo indivíduo tem compromisso com o seu  tempo sem desenvolvimento científico assinala Kardec não se criaria no mundo o clima necessário à compreensão do Espiritismo. "A mente é uma estrutura psicônica formada de átomos mentais e depois da morte do corpo pode comunicar-se com as mentes encarnadas. (Espírito ao Tempo), o autor desse Livro, um estudioso da fenomenologia espírita em todas as suas dimensões. O Professor Herculano Pires, mestre em  psicologia e ciência afins. Aceita os ensinamentos da  doutrina codificada por  Kardec: "Importante revelação se processa na época atual e nos mostra à possibilidade de nos comunicarmos com seres do mundo espiritual". O Livro dos Espíritos, alicerce inabalável da nova revelação, obra básica do Espiritismo. Marcou com a sua estrutura filosófica as investigações espirituais no mundo. A mediunidade revelou a sintonia vibratória entre dois mundos. Nesse setor, a mudança do homem tem se completado através de  sensitivos como Chico Xavier.

Em verdade o amor é um  sentimento altamente espiritualizado. E se manifesta por meios de variados aspectos. A mediunidade é uma das faculdades inatas a todo ser humano.

Vamos acompanhar o raciocínio do maior fenômeno mediúnico, que vem  convocando todas atenções dos estudiosos no campo da ciência, da religião, e da filosofia. Francisco Candido Xavier: "vamos dizer, a mediunidade é peculiar a toda criatura humana, todas as pessoas são portadoras de valores mediúnicos que podem ser  cultivados ao máximo, desde que a criatura se dedique a esse gênero de trabalho espiritual. De modo que, muitas vezes, encontramos uma certa dificuldade no  problema mediúnico da  Doutrina Espírita. De modo geral, a pessoa só se  diz médium quando se sente a um passo, ou vinculado a um processo obsessivo. Quando sente arrepios, muita perturbação, muito assédio, muita angustia,  então se diz que essa pessoa é médium. Bem, aí, já é médium, assediado, médio poente, a mediunidade está enferma. Mas a pessoa  sã, em plenitude dos seus  valores físicos, pode perfeitamente estudar a própria mediunidade e ver  qual o caminho que sua  faculdade pode tomar".

"Uma criatura que desenvolva a sua própria mediunidade, desenvolva-a educando-se, procurando aprimorar a sua capacidade cultural, os valores, vamos dizer, os seus valores de  experiência humana, os contatos no campo da mediunidade, o seu dom de  servir; essa criatura encontra na mediunidade, um  campo vastíssimo de trabalho e de felicidade porque, a felicidade verdadeira vem do trabalho bem aplicado, daquele trabalho que constitui um serviço pelo bem de todos.

Dentro da Doutrina Espírita, o médium é uma  criatura não  considerada fora de série de criatura humana. Ele é um ser humano, com fraquezas e as perfeições potenciais de toda a criatura que vive no mundo terrestre.

Francisco Cândido Xavier é, sem dúvida, uma fixação de virtudes humanas. Síntese do amor personificado em sua estrutura espiritual. 

*Advogado, jornalista e historiador / Garanhuns, 8 de Março de 1980.

Créditos da foto: https://pt.wikipedia.org/wiki/Chico_Xavier

sábado, 1 de junho de 2024

Festas Juninas

José Francisco de Souza

Dr. José Francisco de Souza* | Garanhuns, 30/06/1984

Antes das últimas tentativas de algo importante poderemos ter lindas imagens. Elas não são fidalgas porque se improvisam na época de São João. Hoje as fogueiras não podem crepitar sobre o leite do asfalto. As barracas de fogos também foram proibidas para evitar explosão, como já acontecera. Os artifícios da pólvora com seu deslumbramento visual são muitos raros, quase não existem. Contudo, no palco da vida há espaço livre para todos. É sempre proveitoso a busca de maiores dimensões. Os festejos juninos existirão sempre. Quadrilha, samba, coco de roda, casamento matuto, forró pontilhado de músicas e ritmos adequados. Isso desafia o passado, seu tempo é sempre presente.

São presentes e eternos no quadro da paisagem nordestina. Todos sentimos a beleza matutina de uma flor entre os cabelos de uma jovem. Essas lembranças se debruçam em algum recanto da nossa memória. São acontecimentos que marcaram a nossa caminhada. Assim começa a contagem regressiva. A mente procura repetir-se a si mesma e as imagens familiares se nos afiguram como retratos de memória. Isso é natural. Não há quem não se preocupe com os seres humanos e suas condições. A condição determina a sua maneira de viver. E seu comportamento revela algo de seu mundo interior.

Ao nosso universo mental aflorou a pitoresca figura do cidadão CAMILO. Era um homem pobre, casado e pai de numerosa prole. Sua esposa e filhas além dos trabalhos domésticos, ajudavam ainda o seu esposo na sua profissão.  Ele era sapateiro. Gostava de beber para espantar os "fantasmas". Quando chegava o São João toda família entrava no samba. As meninas tomavam conta da sala. Eram sambistas notáveis. Todos os presentes participavam ativamente. Fechava a roda e as meninas improvisavam versos descrevendo o comportamento de cada participante. A brincadeira tinha tudo o que caracterizava a festa junina, destacando-se a faceirice e a criatividade dos improvisos. Isso durava tanto quanto a noite se afastava, revelando a madrugada do dia seguinte.

Nos intervalos as meninas faziam roda em torno a fogueira, onde dois carvões à superfície da água de uma bacia branca buscava o encontro. Se eles se encontrassem o casamento seria certo. Esse prenúncio era muito esperançoso. Os que participavam dessa brincadeira eram jovens repletos de energia. Portadores da vivacidade natural ao jovem sonhador e cheio de esperança. O samba de parelha trocado pela sua própria natureza era contagiante. O ritmo monótono de sua cadência transfigurava-se morta de cansaço.

CAMILO tinha algo dos desejos e dos defeitos que merecem a personalidade humana. Homem simples e complexo ao mesmo tempo. Era um pouco mais do grupo das festas juninas liderança absoluta das nossas mais tocantes tradições. Passado o dia santificado. Ele e a família retomavam o fio de suas responsabilidades profissionais. As meninas alegres e prazenteiras batiam sola e os sapatos de encomenda ficavam para a entrega. As comemorações dos festejos juninos na casa de CAMILO, prolongava-se até as madrugadas do dia de São Pedro.

Ele não perdia oportunidade de se revelar digno de não se frustrar pelos complexos da pobreza. Sua humilde profissão não subestimava a sua capacidade de alcançar os seus objetivos sociais. Era estimado por todas que privavam de sua amizade. Conquistou a alegria de viver ao seu modo. A sua condição tratava-se especificamente de impossibilidade de ordem  econômica. Essa circunstância não lhe constrangia o bom relacionamento. Todo mundo o conhecia e proclamava o ordenamento de sua conduta respeitável como chefe de família e como cidadão.

Esse estado varia no tempo e no espaço. Em cada momento novos valores se impõem. Cada instante tem a sua característica própria. Essa característica era fundamental à conduta do sapateiro CAMILO  e sua família. Era uma artista fidalgo, cujo comportamento como chefe de família se refletia na conduta exemplar de suas filhas. O samba das noites juninas eram a prova de fogo. Talvez não exista mais aqui na terra. Mas as suas pernas hoje bambas, foram rainha dos sambas das noites de São João que certamente não festeja mais. Contudo esse trabalho de hoje é dedicado a CAMILO como um preito de saudade. (*Advogado, jornalista e historiador).

Um mundo diferente

José Francisco de Souza Dr. José Francisco de Souza* Esse mundo diferente não é mera  ficção. É um conceito de possibilidades reais. Mesmo, ...