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segunda-feira, 11 de agosto de 2025

Assisão faz show inesquecível em Iati

Lívia Souto, AssisãoAnchieta Gueiros e as vocais da banda

Aos 84 anos o "Rei do Forró" este ano completa 62 anos de carreira com 826 músicas gravadas por diversos artistas. Assisão é Patrimônio Vivo de Pernambuco

Neste domingo (10), a cidade de Iati, em Pernambuco, testemunhou a 9ª edição da Festa da Agricultura. O evento contou com uma apresentação inesquecível do cantor de forró Assisão, que contagiou a todos com seu genuíno estilo musical nordestino.

História de Vida

Nascido da Fazenda São Miguel, Francisco Assis Nogueira, popularmente chamado de Assisão, ganhou reconhecimento mundial com suas canções e se transformou em um símbolo da música regional.

Com 84 anos, o músico tem um vasto histórico. Além de ser um notável compositor e intérprete, ele se destaca como um pioneiro. Assisão foi um dos primeiros artistas do forró a inserir, desde o começo dos anos 80, os sons da guitarra, baixo, teclado e bateria em suas composições, e mesmo com essa abordagem inovadora, manteve a essência do verdadeiro forró.

O artista integra uma geração de forrozeiros, junto a nomes como Jorge de Altinho, Alcimar Monteiro, Flávio José e Novinho da Paraíba, que são considerados defensores do autêntico forró, aquele inspirado por Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Trio Nordestino e Dominguinhos. Apesar da forte concorrência com grupos que distorcem o estilo, Assisão continua a ser uma das principais atrações nas grandes e renomadas festas juninas do Brasil, como em Caruaru e Campina Grande. Além disso, o cantor se destacou por suas diversas aparições em programas de televisão, como o Clube do Bolinha, na TV Bandeirantes nos anos 80, e em várias outras emissoras ao longo dos anos 90 e no início do século XXI.

Assisão já lançou 46 discos e é autor de mais de 800 composições, suas músicas também fazem sucesso na voz de outros cantores como Elba Ramalho e o Trio Nordestino. Entre os seus grandes sucesso se destacam: “Alegria e Sorriso”, “Peixe Piaba” “Eu Tenho Uma Novinha Pra Você”, “Já Saiu Rock, Tango, Rock” e “Agora é Forró Que Vamos Ter”, “Pau Nas Coisas”, “Pequenininha” que já possui mais de 240 regravações, e “Esquenta Moreninha” (Esquenta moreninha/ tem uma fogueirinha no meu coração…/ Eu vou cair na brincadeira nesse São João/ levar meu bem junto à fogueira nesse São João / não quero saber de tristeza nesse São João/ quero alegria e muita festa nesse São João…) que é considerada por muitos como um dos Hinos do São João.



Terezinha, Maria Andreia, Anchieta Gueiros e Lívia Souto


Lívia Souto e Anchieta Gueiros


Terezinha, Maria Andreia, Anchieta Gueiros e Lívia Souto


Assisão e Anchieta Gueiros


Edson, Anchieta Gueiros, Marcelia, Maria Calado, Lívia Souto, Maria Andreia e Ana Luisa

domingo, 3 de agosto de 2025

Salto no tempo

Lívia Souto e Anchieta Gueiros
Lívia Souto e Anchieta Gueiros

Dr. José Francisco de Souza* | Garanhuns, 08/09/1984

Muitas pessoas estão ligadas em tudo que determina o futuro. Não alcançam a capacidade de penetrar na realidade. Nem podem alçar um voo às paragens do alcandorado. Fogem do presente como pretendendo saltar no tempo e no espaço. Essa psicologia inspira a angústia permanente. Onde o desejo de criar no Eterno se anula por meios escusos. Nesse estado, o homem perde o reflexo de sua própria imagem, porque ignora o valor de suas mais amplas possibilidades. De sua capacidade de se renovar sem receio da presença do desconhecido. É o processo de idolatria das coisas. O tempo é usado em produzir coisas, esquecendo-se que, na realidade o ser o humano não é simplesmente coisa. É imagem e semelhança.

Todos entendem os seus gestos, a sua perspectiva se deslumbra, como pessoa humana, torna-se mais atraente, e a sua mensagem toma conteúdo e forma adequada. Assim o ser humano proporciona melhores alternativas de escolha. Embora esteja ainda sob o domínio do estado de carência. De dúvida de se autoanalisar no sentido de encontrar-se a si mesmo. Essa vacuidade é falta de apercebimento às suas tendências naturais. Apresta-se na direção de tornar-se mais vigilante. Seus desejos se modificam de modo integral em busca do melhor.

O seu universo completa-se e se renova em cada instante, operando a multiplicação de sua criatividade. É a força indomável de sua natureza, que não se modifica pela influência do ambiente. Nele, tudo depende das probabilidades crescentes de seu mundo interior. Não procura dar um salto no tempo, porque não se modifica aquilo que existe. A realidade é sempre presente, tem que ser vivida em todos os momentos. Hoje é sempre um dia apropriado à solução da maioria dos conflitos.

Isto porque tudo o que se movimenta dentro do tempo, fica gravado eternamente. A história que registra a passagem dos séculos, não deve ser simplesmente repetida. E sim vivida com intensidade. Disso ninguém pode fugir a memória das coisas sempre nos lembra. Assim é que a história deve ser contada, tal como sucedeu. Não se deve alterar o sentido real e nem se possibilitar os desvios das normas de ficção. As cidades como os corpos dos homens, transformam-se em cinzas. Não subsistem ao tempo. Os fatos que produzem efeitos históricos são determinados por causas destinadas pelo mundo da espiritualidade maior. Não é só eterno enquanto permanece, é eterno por sua natureza.

Esse fato é incontestável, como tal deve ser interpretado e proclamado sem alteração. Mesmo que não seja muito agradável. O mal de todos é a pretensão de  se ocultar a realidade dos acontecimentos. As pessoas pensam tanto no futuro que ocultam ou ignoram o seu  estado presente. Talvez sejam as únicas que ainda se dão ao gosto amargo dos dissabores de não se conduzirem fielmente diante de narrativas dos fatos. Só os que vivem na penumbra das ilusões têm medo da presença real.

Os bons possuem um coração puro e por isso não se renegam. Não se conturbam com a interpretação do  apóstolo de que todos morrem diariamente. Não se comportam pela negativa dos altos propósitos da vitória e da verdade. Os que agem em contrário deveriam se internar no "Pavilhão de Restringimento no Ministério da Regeneração", onde os Espíritos são preparados para enfrentar com resignação e paciência as provas da outra dimensão da vida.

*Advogado, jornalista, cronista e historiador. 

segunda-feira, 21 de julho de 2025

O redemoinho (conto)


Clovis de Barros Filho*

São Paulo (SP) - Costumava quase todas as manhãs quando estava no sítio do meu avô lá por volta das 10 horas ir ao sítio de minha tia que ficava cerca de 2 km do dele. Isso era muito frequente principalmente no verão na estação das frutas. No sítio do meu avô havia muitas árvores frutíferas. Porém, o sítio da minha tia era um paraíso de cajueiros, mangueiras, goiabeiras e jaqueiras tudo em grande quantidade. Quem disse que ia na casa delas? Ficava o tempo todo no meio das fruteiras colhendo e me deliciando com as frutas mais bonitas e frescas. Costumava ir por um estreito caminho de terra batida onde era mais fácil encontrar uma raposa do que uma pessoa transitando por aquelas bandas. Naquela dia me atrasei um pouco. Quando percebi já era meio dia e com certeza minha avó já deveria estar colocado o almoço à mesa para ser mais claro uma deliciosa galinha caipira. Tomei o estreito caminho de volta nem sequer passara na casa de minha tia para dar um alô. Àquela altura o calor era insuportável e tinha que andar quase 2 km sob  sol forte. Toquei em frente. Faltando uns 500 metros para chegar em casa do meu avô parei um pouco para descansar sob a  sombra convidativa de um pequeno cajueiro à margem da estradinha. 

Sentei-me no chão e me encostei no tronco. O mormaço era tão intenso que comecei a cochilar. Nem cheguei a cerrar os olhos quando ouvi um silvo e uma forte ventania que se aproximava. Era um pequeno redemoinho normal naquela região, o qual levantava muita poeira e levava no seu vórtex muitas folhas secas e alguns pequenos galhos. Como apareceu, foi embora sem deixar rastro. Levantei-me então para ir embora. Estava faminto e certamente o pessoal me esperava para o almoço. Ao levantar-me ouvi um forte uivo e uma ventania muito mais forte ainda da que acabara de presenciar. Um grande redemoinho se aproximava arrastando consigo galhos grandes, retorcendo e derrubando pequenas árvores que encontrava à sua frente. A invés de me proteger no cajueiro, cometi o erro de correr estrada afora. Não demorou muito para ser alcançado pela força do vento. Primeiro senti o impacto dos galhos nas costas, depois um turbilhão de areia me castigou as pernas e a minha cabeça. Comecei a ficar tonto, e antes de perder os sentidos percebi que meus pés não tocavam mais o chão firme. Fui literalmente engolido pelo redemoinho. 

Quando acordei daquele pesadelo, estava estatelado no chão bem em frente a casa de vovô. Tentei me levantar. Meu corpo doía muito. Com muito esforço consegui me erguer. O estranho era que meus pés pareciam não tocar o chão firme. Parecia que ainda estava flutuando no ar. Com aquela estranha sensação me dirigi à casa que fica apenas uns 10 metros de onde tinha caído. Meu avô dormia no chão da varanda. Aquilo ele só fazia após a refeição. Conclui então que chegara atrasado para o almoço. Forçado, mais atrasado, passei próximo dele que dormia profundamente. Entrei em casa fui à sala e tomei um copo d'água. O gato da minha tia que sempre levantava a cabeça a qualquer movimento estranhamente não notou a minha presença e continuou cochilando no batente da janela. Continuava com a sensação de que flutuava no ar pois não sentia nada abaixo do solado dos pés. Me dirigi à cozinha. Minha vó e minha tia já retiravam os pratos da mesa pois pelo jeito já deveriam ter almoçado. Nem olharam para me cumprimentar. Tentei falar com elas, porém, em vão, era como se não existisse. Pela primeira vez comecei a ficar realmente assustado. Algo muito estranho tinha acontecido comigo ao ser engolfado pelo redemoinho. Tentei tocá-las mais nada, não esboçaram nenhuma reação. Sentei-me num banco de madeira que havia próximo e assustado comecei a chorar. Passaram-se alguns minutos sem que ninguém notasse a minha presença na casa, era como se estivesse invisível. Acho que decorridos mais de uma hora que adentrara à casa voltei à sala para tomar água. Dessa vez notei que  gato parece ter sentido a minha presença e ficou olhando na minha direção. Aquilo me deixou animado cheguei mais perto, porém ele continuou no seu canto quieto. 

Minha tia passou perto e continuou ignorando minha presença. Repentinamente senti uma forte sensação que estava caindo. E caí mesmo. O barulho espantou o gato. Minha tia entrou na sala correndo. Eu fazia um esforço danado para me levantar minha tia espantada perguntou o que estava sentindo e o que tinha acontecido pois meu corpo estava todo cheio de arranhões, falei para ela e disse que tinha caído de um cajueiro mais tava tudo bem. Minha avó também ficou muito assustada. Bem filho, você chegou na hora do almoço é só seu avô chegar da roça e vamos servir a galinha que lhe prometi. Meu avô não tardou a chegar. Sentamos à mesa e tive que inventar a história da queda para justificar aquele fato estranhíssimo. Se conto a verdade talvez eles nunca entenderiam e quem sabe nunca acreditariam. Estava faminto. A galinha maravilhosa. Terminado o almoço começaram a recolher os pratos enquanto meu avô foi tirar o seu cochilo costumeiro deitado sob sombra da varanda. Eu fiquei ali, calado pensativo, sem respostas para o ocorrido e assim se passaram muitos anos e até hoje não encontrei uma explicação lógica para o fato. Será que fiz uma viagem no tempo?

*Clovis de Barros filho,  nasceu na Serra da Prata (Iatecá). Estudou no Colégio Diocesano de Garanhuns do Admissão ao Científico onde concluiu em 1968. Reside em São Paulo desde 1970. É Licenciado e Bacharel em Química Industrial pela Universidade de Guarulhos e Químico Industrial Superior pelas faculdades Osvaldo Cruz - SP.

Créditos da foto: https://natureza.colorir.com/meteorologia/furacao.html

sábado, 21 de junho de 2025

Atração maior


João Marques dos Santos | Garanhuns, 2009

No palco

Yolia Simmonova dançava

entre bambolês

eles se esgarçavam

à graça do corpo

e toques da alma


da plateia

eu via uma deusa

caída de Saturno

brincando com anéis

e explicando o universo.

*João Marques dos Santos, natural de Garanhuns, onde sempre residiu, é poeta, contista, cronista e compositor.  Teve diversas funções nas atividades culturais da cidade: foi Presidente da Academia de Letras de Garanhuns, durante 18 anos, Diretor de Cultura do Município e, atualmente, é presidente da Academia dos Amigos de Garanhuns - AMIGA. Compôs, letra e música, o Hino de Garanhuns. Mantém, desde 1995, o jornal de cultura O Século. Publicou quatro livros de poesia: Temas de Garanhuns, Partições do Silêncio, Messes do azul e Barro.

quinta-feira, 7 de setembro de 2023

Prêmio Nobel e Lula


Clovis de Barros Filho* | São Paulo, 2019

São Paulo (SP) - Ganhar o Nobel não é para qualquer mortal. O eventual outorgado tem que ter algo mais. Diria mesmo vocação para santo. No Brasil muitas personalidades ao longo do tempo mereciam esse laurel. Dom Helder Câmara pela sua luta pelos mais pobres. Chico Mendes, Betinho, Dom Paulo Evaristo Arns, irmã Dulce entre outros. Essa vitória do ministro etíope foi merecida pelo seu empenho pela paz na região. Ironicamente,  talvez o cara que todo mundo esperava pelo menos aqui no Brasil levar o prêmio aparentemente nem cogitado foi.

No caso o Lula. E com razão. Lula não tem perfil de santo. Lula é um político e como tal tem que engolir sapos, às vezes fazer pacto com o diabo. Lula é um guerreiro, um lutador que muitas vezes renuncia as suas ambições particulares. Lula muitas vezes é obrigado em defesa dos excluídos da soberania do seu país partir para a porrada. Como um cara desses poderia convencer os Reis da Suécia e da Noruega a conceder o prêmio? Lula está acima disso. 

*Clovis de Barros filho nasceu na Serra da Prata (Iatecá). Estudou no Colégio Diocesano de Garanhuns do Admissão ao Científico onde concluiu em 1968. Reside em São Paulo desde 1970. É Licenciado e Bacharel em Química Industrial pela Universidade de Guarulhos e Químico Industrial Superior pelas faculdades Osvaldo Cruz - SP.   

domingo, 3 de setembro de 2023

Bem vindo ao mundo dos algoritimos e das fake news

Clovis de Barros Filho* Crônica de 2018

São Paulo (SP) - Hoje em dia falar em algoritmo e fake news virou moda. Claro que a maioria das pessoas não tem nem ideia do que seja essa nova febre mundial pelo menos no que diz respeito ao que seja algoritmos. Resumidamente, o algoritmo é uma sequencia de cálculos ou procedimentos finitos que levam à realização de uma tarefa. Quando essa tarefa é executada por computadores os programadores transformam os comandos na linguagem da máquina . Daí, milhões e milhões de informações são processadas  e disparadas e milhões e milhões de tarefas são realizadas quase que instantaneamente.  O efeito dos algoritmos são detectados por exemplo muito intensamente nas mídias sociais em particular  no Facebook, Whatsapp, no Google e no Twitter. Hoje em dia praticamente não há uma tarefa no nosso cotidiano que não seja realizada sem a ajuda dessas ferramentas e aplicativos. Por exemplo, se você deseja ir há um determinado lugar e não sabe o endereço, não precisa mais folhear o velho e volumoso  Guia de Endereços e lá  ficar procurando página por página perdendo muito tempo. Hoje, com  a ajuda do algoritmo os aplicativos no seu celular ou no seu laptop indicam não só o lugar o qual você está procurando, mais também a distância que fica de onde você está, o tempo que você levará para chegar lá, as diferentes opções que você poderá escolher etc etc etc. Infelizmente, o lado obscuro desses aplicativos e ferramentas que utilizam o algoritmo como o seu "anjo da guarda" que faz tudo e pode tudo, é que eles são usados também de forma criminosa por empresas inidôneas as quais difundem sem sua autorização, o seu perfil, seus costumes, seus desejos, enfim , tudo aquilo que eles porventura possam utilizar inclusive para manipulá-lo numa eleição. E o pior, mudar o seu voto. Eles traçam o seu perfil que vão desde suas preferências como um consumidor o que você gosta mais de comer, como gosta de se vestir etc etc.. Aproveitando desse perfil e sem que você tenha autorizado, você começa a receber dezenas e dezenas de informações sobre aquilo que você poderia começar a comprar pois eles já sabem de antemão as suas "fraquezas". No caso da política, a coisa é também muito séria como falei. Suas preferências políticas fazem parte desse cardápio. Se você pertence a determinado partido, todas as informações que você ira receber e são milhares, são todas programadas para induzirem você a mudar o voto incluindo ai fatos verdadeiros, mais infelizmente também as notícias falsas sobre o candidato de sua preferência as chamadas fake news. O primeiro grande escândalo das fake news no mundo veio justamente do país que inventou essas tecnologias que foram os Estados Unidos da América. No pleito de 2016 elas foram utilizadas contra a candidata do Partido Democrata a senadora Hillary Clinton. Essas  fake news foram disparadas de plataformas como o Whatsapp, o Twiter e o Facebook  contra a senadora, cujas consequências culminaram e tiveram papel primordial como sabemos, na eleição do seu concorrente o candidato do Republicano Donald Trump. Nos Estados Unidos está correndo nos tribunais processos que apuram a responsabilidade dessas plataformas de mídia no episódio, porém, até agora não houve uma definição final.

Aqui no Brasil nas eleições de outubro passado também há fortíssimas evidências de que milhões de mensagens falsas foram disparadas contra o candidato do PT Fernando Haddad para favorecer o candidato vencedor Jair Bolsonaro e que estão sendo investigados pelo STF  e precisam ser apuradas antes da posse do novo presidente, em primeiro de janeiro, pois se isso realmente aconteceu, e desde que foram feitas sem declaração dos custos ao TSE caracterizariam crime eleitoral.

Portanto, o mundo começa agora a entender qual o poder do algoritimo na era da informática e das mídias sociais, o seu potencial de construção de um mundo novo onde tarefas e informações que levariam meses para serem realizadas e processadas são praticamente feitas à velocidade da luz. Mais também, essas mesmas ferramentas se utilizadas de forma criminosa podem  destruir pessoas, grupos sociais, minorias e até países.

*Clovis de Barros filho nasceu na Serra da Prata (Iatecá). Estudou no Colégio Diocesano de Garanhuns do Admissão ao Científico onde concluiu em 1968. Reside em São Paulo desde 1970. É Licenciado e Bacharel em Química Industrial pela Universidade de Guarulhos e Químico Industrial Superior pelas faculdades Oswaldo Cruz/SP.

sábado, 2 de setembro de 2023

O pau pombo e o novo prefeito


Clovis de Barros Filho | Ano de 2019

São Paulo (SP) - Morei quase dez anos bem pertinho do Pau Pombo. Até hoje não sei o por que desse nome. Na verdade, durante todo esse tempo que o frequentei quase todos os dias, nunca vi um pombo sequer voando nas redondezas muito menos alguma árvore com esse nome (que existe). Bem, mais isso não vem ao caso. O fato é que esse pedacinho de paraíso encravado no centro da Suíça Pernambucana é um dos símbolos mais conhecidos e admirados da nossa cidade. A exuberância das suas árvores, os canteiros floridos a água das fontes, o canto dos pássaros, o encanto das borboletas, o canto incessante das cigarras no começo da primavera fazem desse oásis um lugar ímpar para o encontro de casais apaixonados, pessoas a procura de descanso, e para o deleite dos turistas que visitam a nossa querida cidade. Quando muito jovem ainda, lá no final dos anos 60 costumava frequentar principalmente aos domingos o o parque. Havia até um pequeno  jacaré no lago das colunas que dá acesso ao parque. Adorava comer uma codorna assada no bar do Tati que era uma espécie de caverna de pedra próxima ao lugar onde se realizavam os bailes aos domingo pela manhã, ao som de Milionários, La Bamba, e as músicas orquestradas do inesquecível Ray Connif. Eu via aquele pessoal dançando, muitas mulheres bonitas. Porém,  muito tímido, não me atrevia a convidar nenhuma delas a balançar o esqueleto com receio de levar um fora. Na verdade, sempre fui um péssimo dançarino. Corpo duro, daqueles que de uma hora para outra pode tropeçar e dar o vexame de levar a sua parceira ao chão. Então, achava melhor ficar observando os casais e continuar comendo minha codorna assada.

Bem, falei do Pau Pombo inspirado na poesia postada pelo Sr. Antônio Inácio Rodrigues por sinal muito bonita e para falar um pouco das eleições para prefeito que se aproximam. Aqui no Blog do meu amigo Anchieta leio muitas reportagens sobre o Sr. Givaldo Calado. Conheci Givaldo ainda no Colégio Diocesano quando aluno, se não me engano ele exercia a função na época 1965/68 de algo como um censor geral. Sempre atento ao desenrolar e do que acontecia nas salas de aula,  fiel ajudante do Mons. Adelmar. Givaldo não parava um minuto correndo pra cá e pra lá nos corredores do nosso querido ginásio, sempre resolvendo algum problema. Ele era particularmente pelo que percebia, muito amigo de dona Almira Valença. Givaldo era muito amigo também da minha tia que trabalhava na secretária do colégio, Alidenor Ferreira Costa. 

Não estou fazendo campanha para o Givaldo, porem, se depender da sua performance enquanto braço de direito do Padre Adelmar e da dona Almira pode ser uma boa surpresa para a cidade. Espero que ele ou outro qualquer que ganhe as eleições lembrem-se da vocação turística de Garanhuns, pensem grande e se espelhem em cidades como Gramado, Campos de Jordão e façam da Cidade da Flores um imenso jardim.

*Clovis de Barros filho,  nasceu na Serra da Prata (Iatecá). Estudou no Colégio Diocesano de Garanhuns do Admissão ao Científico onde concluiu em 1968. Reside em São Paulo desde 1970. É Licenciado e Bacharel em Química Industrial pela Universidade de Guarulhos e Químico Industrial Superior pelas faculdades Osvaldo Cruz - SP. 

Foto: Parque Ruber van der Linden (Pau Pombo). Créditos da foto: http://brasilnetnoticia.blogspot.com

segunda-feira, 28 de agosto de 2023

A revanche do Seu Canais

Por Clovis de Barros Filho*

São Paulo (SP) - Trabalhei durante muito tempo numa empresa química aqui em São Paulo. Naquela oportunidade, tínhamos como parceiro e fornecedor uma grande fábrica alemã cujo diretor técnico era um senhor muito sério e competente chamado  Sr. Canais. Falar com o senhor Canais não era tarefa fácil. Primeiro porque era difícil entender  seu português enroladíssimo. Segundo, porque ele era muito protocolar se fazia de difícil era como se fosse dono (no fundo mandava mesmo). O sujeito para falar com ele tinha que passar antes por duas senhoras, a recepcionista e em seguida a secretária. Seu Canais não ria nunca, tratava os assuntos com a maior seriedade era sempre uma reunião tensa fosse qual fosse o assunto. Tratava a secretária com todo respeito e quando era para pedir que servisse um cafezinho, a moça entrava na sala e percebia-se o medo que tinha do chefe. Tive muitas reuniões com o Seu Canais todas sempre com esse nível de formalidades. Sem piadinhas, sem conversas amenas. 

Isso foi lá pelos meados dos anos 80, tempo que ainda solteiro costumava ir sempre ao Rio de Janeiro de férias. Foi numa dessas belas manhãs de domingo céu azul, sol causticante na praia do Leblon lotada, com muita gente bonita que resolvi ficar. Primeiro, sentei no calçadão da orla e fiquei observando o vai e vem das pessoas principalmente na quantidade de mulheres bonitas que literalmente enchiam a praia. Passado um tempo, decidi ir a um bar nas proximidades comer algo e tomar um chopp gelado. Sentei numa das mesinhas estrategicamente voltadas para o mar, bem na divisa com a calçada. Ali permaneci muito tempo comendo um delicioso sandwiche e tomando chopp. As mesas ao redor estavam todas tomadas. O frenesi dos garçons trazendo as bebidas e comidas misturava-se com o barulho dos fregueses já pra lá de altos.

Via-se muitos turistas estrangeiros quase todos acompanhados de nativas da cidade. Tinha uma das mesas afastada da minha no entanto, onde a animação parecia bem maior. Havia um senhor gordo sem camisas, de shorts já com a pele branca bem  queimada pelo sol àquela hora, acompanhado de duas tremendas mulatas tipo passista de escola de samba na maior algazarra como se estivessem num ambiente reservado. A coisa estava quentíssima por lá. As duas mulheres pareciam muito à vontade e se divertindo muito com o seu acompanhante o qual com certeza deveria ser o patrocinador da festança. Bem, fiquei curioso observando no que ia acabar aquilo. O senhor gordo estava de costas, portanto não conseguia ver de quem se tratava. Repentinamente, ele pediu a conta e os três levantaram-se para ir embora. Qual não foi minha surpresa ao ver que aquele senhor de idade, festeiro e sem nenhum escrúpulo no momento era nada mais nada menos que o  respeitoso diretor da empresa alemã que nunca ria. O senhor Canais. Por pouco não engasguei com o que acabara de presenciar e o que sobrara do sanduiche. Seu Canais levantou-se com suas duas mulatas a tiracolo, pagou a conta e desapareceu na multidão. A partir daquela data nunca mais tive qualquer contato ou vi o festeiro Canais.

*Clovis de Barros filho,  nasceu na Serra da Prata (Iatecá). Estudou no Colégio Diocesano de Garanhuns do Admissão ao Científico onde concluiu em 1968. Reside em São Paulo desde 1970. É Licenciado e Bacharel em Química Industrial pela Universidade de Guarulhos e Químico Industrial Superior pelas faculdades Osvaldo Cruz - SP.

quinta-feira, 10 de agosto de 2023

Charles Darwin e os treinadores de futebol


Clovis de Barros Filho*

São Paulo (SP) - Aqui na região sudeste até por ser uma região onde o futebol é uma força bem mais significativa que no nordeste, há um debate muito mais amplo  e constante sobre os efeitos e o por quê da constante "dança dos técnicos" do futebol os quais mudam mais de time do que o homem de cuecas.

Há uma clara tendência que mais e mais técnicos sejam dispensados num espaço de tempo cada vez menor. Essa tendência já é mais acentuada na América Latina. No entanto, ao poucos vai se alastrando mundo a fora. Isso na minha opinião é irreversível. Claro que haverá pontos fora da curva como aconteceu recentemente no Manchester United onde o seu treinador Alex Ferguson ficou no cargo por mais de 20 anos. As críticas algumas pertinentes outras não, ainda não focaram na causa real desse fenômeno se concentrando muito mais nas causas aparentes e nos seus efeitos. 

Essa constante mudança de treinadores para mim, é um fenômeno sociológico mundial em todos as camadas da sociedade. O descarte do velho e do feio, a substituição daquilo que não dá lucro imediato, a competitividade exacerbada onde não há lugar para perdedores, tudo isso faz com que aqueles que são a parte  mais fraca do elo vão pouco há pouco sendo substituídos ou em  muitos casos sucumbindo. Quisera eu ter uma bola de cristal para saber onde isso vai dar e qual será o final desse samba do crioulo doido. Porém, uma coisa é certa. Isso pode não acabar bem. 

Há uma conta excessivamente alta que nosso corpo e nossa mente pagará por ser submetido a esse elevado estresse do cotidiano gerado em função dessa competitividade desvairada. Seria mais uma prova ou uma variante da Teoria da Evolução das Espécies de Charles Darwin onde ele explica a seleção natural? Onde só sobreviverão os mais fortes (geneticamente) e os que se adaptarem melhor ao seu meio? Quem sabe? O problema é que nessa teoria não foi levado em conta o "fator econômico". 

O fator econômico é uma importantíssima variante  que influencia de forma crucial e  dramaticamente esses costumes e transformações, e a velocidade como ela interferirá nesse processo. Claro que  Charles Darwin  dedicou os seus estudos direcionados primordialmente para as transformações e evolução das espécies observando o comportamento de animais na natureza. Porém, ela traz no seu bojo muitas conclusões que podem  ajudar a entender muitos  fenômenos que acontecem no nosso mundo atual.

*Clovis de Barros filho nasceu na Serra da Prata (Iatecá). Estudou no Colégio Diocesano de Garanhuns do Admissão ao Científico onde concluiu em 1968. Reside em São Paulo desde 1970. É Licenciado e Bacharel em Química Industrial pela Universidade de Guarulhos e Químico Industrial Superior pelas faculdades Oswaldo Cruz - SP. 

Evolução do Futebol / Créditos da foto: Revista Placar.

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