segunda-feira, 4 de agosto de 2025

Momento Esperado

Dr. José Francisco de Souza* | Garanhuns, 11/01/1985

Esperamos tanto o momento, e quando ele chega é tão rápido, que até parece não ter acontecido. Essa ânsia que domina em cada um de nós, mobiliza nossos sentimentos, tornando-os cada vez mais profundos e carentes. Introspecção que nos proporciona meios adequados e definitivos do autoconhecimento.

Meio eficaz de amplas possibilidades no sentido de alcançarmos o mundo gratificante a se consolidar em todos os segmentos de nossas atividades sociais. Dessa conquista estamos a esperar os instantes de nossa existência. Viver é lutar, e sobretudo é também relacionar-se. Todos nós somos parte um  do outro, somos dotados de Espírito, essência divina, a construir o seu Reino dentro de cada um de nós. A auto vigilância é importante.

A temática preferível do nosso mundo moral se acentua em todos os atos ordenados à busca da plenitude de nós mesmos. Constituiu-se a razão de ser dos nossos objetivos, a se completarem na esfera do presente. "Do hoje que, foi, o ontem tão ansiosamente esperado". Natural é, estejamos preparados para novas coisas, e acontecimentos novos que não estavam na pauta do nosso ordenamento diário. A opção é a seguinte: ficaremos sempre onde estamos para descobrir o que somos. A nossa ligação com o mundo pelo emocional é muito forte e por demais comprometedora.

O silêncio do compasso da espera é sintomático. A mente continua como receptora e transmissora de pensamentos e ideias, não podemos ficar parados quando tudo nos rodeia se movimenta. O que existe não é servidão moral nem espiritual porque não altera o descanso de quem utiliza o seu mundo interior. Descanso é apenas, uma percepção somática, do corpo, que se definha e morre. O Espírito porém, não cessa de trabalhar renovando suas vibrações na espiritualidade de um mundo maior, que não cessa de criar.

Quem se renova não cansa, essa mutação é característica do Espírito de vida. Essa é uma realidade única, espontânea consciência. Existir e ter consciência de sua existência é um ato pleno do Ser. A lei Ontológica da consciência é que a única maneira de existir é ter consciência que existe. É um tratado de seres em geral, ou ciência do ser, considerada em si mesma, independente do modo pelo qual se manifesta. É um pouco de imaginação e ética.

Uma coisa, porém, é apreender uma imagem, outra formar pensamentos sobre a natureza das imagens em geral. A nossa percepção está determinada por conceitos comuns que revelam a ignorância do meio em que convivemos.

Se nos examinamos sem preconceitos observamos que se opera espontaneamente a discriminação entre a existência como coisa e a existência como imagem. Então seriamos capazes de perceber a sutileza existente como distinção de tempo a imagem que comumente temos do tempo. Sempre lhe damos um pendor reflexivo da imagem que vulgarmente temos a seu respeito.

Não seriamos dignos de contar as aparições que denominamos imagens. Mas sejam ou não evocações voluntárias, ela se dão, no momento mesmo em que aparecem, como algo diverso de uma presença real. A imagem do tempo, por exemplo, só a conhecemos como passado que nos proporciona lembranças e as vezes algumas gratas recordações. Essa imagem não representa o tempo real que está ao nosso lado acompanhando o presente nos nossos pensamentos como existente no mesmo plano. Esse momento de vida, é o momento esperado.

*Advogado, jornalista, cronista e historiador.

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