quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Ecos do Centenário de Garanhuns em 1979

Ivo Tinô do Amaral
Prefeito Ivo Tinô do Amaral no hasteamento das bandeiras

Jornal O Monitor | 10 de fevereiro de 1979

ACADEMIA DE LETRAS

Em homenagem ao Centenário de Garanhuns, ocorreu às 20:30 horas, na sede social da Academia de Letras de Garanhuns, à Rua 15 de Novembro, uma Sessão Solene, com o comparecimento de figuras de proa da cultura local. Falaram entre outros o Dr. Rilton Rodrigues, Presidente da aludida Casa do Saber desta terra. A sessão ocorreu no sábado último, com a presença da Banda de Música do Município.

FAMOSOS CANTORES

No sábado dia 3, à noite, na avenida Santo Antônio, Quartel General das festividades populares do Centenário, apresentaram-se os grandes cantores nacionais, Luiz Gonzaga, o "Rei do Baião", nascido na cidade de Exu, e João Gonçalves, arrancando delirantes aplausos da grande  multidão. Luiz Gonzaga cantou a música "Onde o Nordeste Garoa", letra de  Onildo Almeida, atual Diretor da Rádio Cultura do Nordeste, de Caruaru. A música é sobre esta cidade, onde fala sobre Simôa Gomes, as flores e o clima de Garanhuns "Onde o Nordeste Garoa".

BAILES

A Associação Garanhuense de Atletismo (AGA), o Independente Atlético Clube (IAC) e outros, fizeram grandes bailes, na véspera do dia  do Centenário da Cidade (3 de fevereiro).

SERESTAS

Às 24 horas do sábado, foi iniciada na Prefeitura, uma Seresta, onde compareceram elementos seresteiros desta cidade e de Pesqueira. Várias ruas foram percorridas pelos "boêmios".

OTONI RODRIGUES  PROPAGANDA

Sucesso absoluto, o carro de som da firma Otoni Propaganda, de Vitória  de Santo Antão, tocando na Avenida Santo Antônio, músicas da jovem guarda (discoteque), fazendo a moçada vibrar. Umas 500 pessoas de ambos os sexos, estevam dançando a música estridente, a música que faz corações em pedaços, palpitando ao ritmo do  carro com seus maravilhosos alto-falantes.

Esse carro a cores, fez irradiar a missa campal e a apresentação da Orquestra Sinfônica do Recife, e ao mesmo tempo fazia a própria gravação.

O carro custou 3 milhões de cruzeiros e a firma tem mais 2.

O controlista é o Sr. José Luiz e o seu auxiliar, Alcidézio.

Alegria contagiante. Entusiasmo da mocidade garanhuense que gosta da  música quente, tipo Dance Days.

Esse carrinho berrante, jamais será esquecido. Ele buliu demais com a turma jovem esta é a verdade.

ORQUESTRA SINFÔNICA DO RECIFE

Simplesmente maravilhosa, a participação da Orquestra Sinfônica do Recife, sob a regência do afamado maestro Mário Guedes Peixoto, defronte a Catedral de Garanhuns, às 18hs do dia 4 - data magna do Centenário de Garanhuns. Músicas apresentadas, pela ordem: Nabuco, de Verdi, Finlandia, de Sibelius (opus 26 - nº 7), Ciranda, de Guedes Peixoto, Dança do Cavalo Marinho, de Levino Ferreira, Guarani, de Carlos Gomes, uma  das maiores músicas do  mundo, no gênero, 1812 - Abertura Solene, de Tchaikovsky. Essa música é baseada na guerra franco-russa, principalmente na batalha de Moscou. O início dela é com o hino antigo da Rússia (tempos do Czar). Aparece, também acordes da bela "Marselhesa", o grande Hino da França. No final dessa música, ocorreram 5 tiros de canhão de 2 peças postadas defronte o Colégio Santa Sofia. Tais tiros, fazem parte da imortal música. Foi também destaque, essa apresentação.

Queremos agradecer ao  violinista Álvaro Mattos Vieira, bacharel em Direito, compositor e Secretário do  Centro de Formação Profissional da Orquestra Sinfônica do Recife, que ajudou nesta reportagem. Ele envia ao prefeito Ivo Amaral, o seu fraternal abraço pela grande festa centenária.

A MISSA CAMPAL

Às 17 horas, ocorreu a missa campal em frente a Catedral de Santo Antônio de Garanhuns, concelebrada pelos Bispos Dom Tiago Postma, Acácio Alves, de Palmares (filho de Garanhuns) e o do ex-Bispo Dom Adelino Dantas um dos  grandes amigos desta terra. 14 sacerdotes, auxiliaram a preciosa missa solene, inclusive os monsenhores Adelmar da Mota Valença, Tarcísio Falcão e o padre Benevenuto, o novo Pároco de Santo Antônio. Falaram o Bispo de Garanhuns e  Monsenhor Tarcísio, que historiou a terra dos Garanhuns, desde os seus primórdios até a data presente, inclusive na parte religiosa.

Autoridades presentes, entre outras: prefeito Ivo Amaral e esposa, Senador Aderbal Jurema e esposa, Secretário de Agricultura, Sr. José Neto, ex-prefeito, Dr. Luiz Souto Dourado, ex-prefeito Amílcar da Mota Valença, vereador José Ferreira Filho e esposa, Sra. Maria Santana Capitó, professor Erasmo Vilela, Sr. José Sales Primo, Sra. Elisa Callou, irmã do saudoso monsenhor Anchieta Callou e, o jornalista Ulisses Pinto, representando este semanário.

CANNES PRODUÇÕES CENEMATOGRÁFICAS

Presente ao acontecimento máximo de nossa terra,  o Coordenador de produção Ricardo Santiago e Erondi Lucena, de reportagens, além de um auxiliar. Eles filmaram todas as festividades de Garanhuns, a fim de produzirem um filme documentário, que será passado em quase todas as grandes do País. A prefeitura fez o devido  contrato e a nossa terra será observado através do  filme, ficando mais conhecido graças ao dinamismo do prefeito Ivo Tinô do Amaral.

ALVORADA FESTIVA

No dia 4, quando a nossa cidade completava 100 anos, graças ao projeto do deputado provincial, Silvino Guilherme de Barros (Barão de Nazaré), filho do Cabo, mas representante da cidade de Nazaré, neste Estado, a cidade acordou com estrondos de  bombas e foguetões por todos os bairros da cidade (Santo Antônio, Boa Vista, Heliópolis, Magano, São José e Aloísio Pinto). Era a grande Alvorada Festiva. Era a Cidade do Coronel Antônio Souto, o primeiro prefeito constitucional que iniciava uma nova era, de  paz, de trabalho, de fé, de grandeza de nossa gente, dentro de sua "destinação histórica" no dizer da Mensagem do prefeito Ivo Amaral, assinada nesta gloriosa data.

BANDEIRAS HASTEADAS

Ao som da banda MANOEL RABELO, tocando o Hino Nacional, verificou-se  defronte ao Palácio Municipal Celso Galvão, o hasteamento das Bandeiras do Brasil, de Pernambuco, de Garanhuns  e dos Estados Nordestinos. A de nossa Pátria, deste Estado e a de nossa terra, coube a gloriosa tarefa do hasteamento por parte, respectivamente, pelo prefeito do Município, Sr. Ivo Tinô do Amaral, Cel. Augusto Tavares, Comandante do 71º B. I (Batalhão do Agreste) e vereadores Antônio Edson, Presidente da Câmara Municipal.

Numa homenagem ao jornal O Monitor, o Sr. Ulisses Pinto, hasteou a bandeira do Rio Grande do Norte.

O Hino do Centenário de Garanhuns, foi também tocado nessa ocasião.

Foi um espetáculo de profundo sentimento cívico por parte dos presentes, inclusive autoridades municipais, estaduais e federais, os primeiros movimentos das festividades, dentro do programa da COCEN, que sofreu algumas alterações, mas no bom sentido de melhorar ainda mais a festa jamais vista em nossa cidade.

BACAMARTEIROS

Merece destaque especial, a iniciativa do pecuarista Antônio Guerra , de ter formado uma boa equipe de bacamarteiros, a fim de dar brilho às festividades. Como se sabe, o Guerra é gente que gosta do bacamarte, para fins pacíficos. Por isso foi o manobreiro. Disse ele que houve 1.300 tiros controlados, no pátio da Rádio Difusora, no Monte Sinais, no Cristo Redentor (alto do Magano, 1025 metros acima do nível do mar), em frente à Prefeitura e durante a solenidade da pedra fundamental do Monumento do Centenário, lá no alto da Boa Vista, perto do atual Monumento da Independência, inaugurado a 7 de setembro de 1923.

Tomaram parte nessa brincadeira tradicional de nossa gente, elementos do Castainho e da Rua São Miguel, desta cidade, Riacho do Mel, Padra do Navio e Brejo Velho, de Paranatama e dos Neves, de Jupi.

RADIALISTA SOLON GOMES

Entre outros, merece uma homenagem deste jornal, o radialista José Solon Gomes, filho também desta terra, que foi um dos timoneiros da grande festa Centenária, através da sua voz vibrante e equilibrada.

O "Compadre Solon", pertence a Rádio Difusora de Garanhuns, uma das glórias desta cidade, hoje dirigida pelo competente e fidalgo, Lúcio Mário, da terra do Cel. Chico Heráclio, mas muito ligado a nossa gente.

GALERIA DOS EX-PREFEITOS

No dia 4, às 10;40hs, no Edifício da Prefeitura, realizou-se a Inauguração da Galeria dos Ex-Prefeitos desta terra.

A Mesa dos trabalhos, ficou assim constituída: Ivo Amaral, o nosso prefeito, Cel. Tavares, Cmt do 71º B.I. Mtz, ex-prefeitos Souto Dourado, Everardo Gueiros, Pedro de Souza Lima, além dos drs. José Henrique Wanderley Filho, Secretário de Indústria e Comércio, representando o governador Moura Cavalcanti, Antônio Edson de Araújo Lima, Presidente da Câmara Municipal e professor Erasmo Vilela.

O prefeito Ivo Amaral, fez um importante pronunciamento agradecendo a presença dos ex-prefeitos, dos familiares de outros, inclusive de alguns já falecidos. Disse que fez convite para todos os ex-chefes da Edilidade e para as famílias. Contudo, muitos, ainda faltam entregar retratos.

Devemos dizer que alguns passaram dias, à frente do Município, como Interventores, Presidentes da Câmara, como Vice-Prefeitos.

Até aquela solenidade, constavam da galeria os  prefeitos, Cel. Antônio da Silva Souto, primeiro Edil de Garanhuns e genitor do Dr. Antônio Souto Filho (dr. Soutinho), José de Almeida Filho, Euclides Dourado, genitor do Dr. Souto Dourado, Dr. Celso Galvão, Antônio Cesário Brasileiro, Dr. Luiz da Silva Guerra, Cel. Francisco Simão dos Santos Figueira, Dr. Mário Matos, Sr. Mário Sarmento Pereira de Lira, Sr. Aloísio Souto Pinto, Tomaz da Silva Maia, Dr. José Henrique Wanderley, Everardo Gueiros, Álvaro Rocha, Abdias de Noronha Branco e Pedro de Souza Lima. Em nome dos  ex-prefeitos falou o Dr. Everardo Gueiros, que, ao que parecia era o mais moço dos que já passou pela Prefeitura, embora por poucos dias. Foi uma bela peça oratória.

Muitos familiares dos  ex-prefeitos, estiveram presentes, como o Dr. João Luiz Monteiro Guerra, médico no Rio de Janeiro e filho do Dr. Luiz da Silva Guerra, Dr. José Maria Brasileiro, filho do Sr. Antônio Brasileiro, Fernando Pinto, filho do Sr. Aloísio Souto Pinto, Dr. Givaldo Calado e esposa, representando Amílcar da Mota Valença, Drs., Antônio e Joaquim Figueira, irmão do Cel. Figueira, Antônio Sarmento de Pontes e esposa, irmão de Mário Lira, dona Sílvia Galvão, viúva do Dr. Celso Galvão, Dr. José Henrique Wanderley Filho, representando seu pai, Dr. José Henrique, Jorge Branco e esposa, representando o Sr. Abdias Branco. Pessoas também presentes entre outras: Drs. José de Abreu Santos, Aurélio Muniz Freire e Rilton Rodrigues, Juízes das 2ª., 1ª. Varas e do Crime, respectivamente, Dr. José Amaral, Delegado de Polícia, Sr. Jaime Pinheiro, Secretário de Planejamento Municipal, Dr. Paulo Tavares, Sr. Adalberto Vilela Calado, residente no Recife, filho do  antigo comerciante desta terra, Aureliano Calado, professor José Rodrigues da Silva, Diretor de O Monitor, Irmã Julieta Maria de Sá Leitão, Diretora do Colégio Santa Sofia, jornalista Nelson Paes, autor da letra do Hino do Centenário, jornalistas Davi Lima, Ulisses Pinto, Adelson José Costa Silva, Mauro Lima, Jaime Luna de Oliveira Luna e o seu filho, também jornalista Marcílio Luna, um dos grandes vultos da imprensa do Recife, Sr. José de Carvalho Florêncio, Secretário do governo municipal, radialista Solon Gomes, monsenhor Tarcísio Falcão, Dr. Mair Lapenda antigo promotor e Cidadão de Garanhuns, Dr. Uzzae Canuto, também Cidadão desta terra, através da Câmara, Dr. Urbano Vitalino Filho, Dom Gerardo Wanderley, beneditino, Dr. José Tinoco, deputado eleito pela região, Radialista e Jornalista Aguinaldo Barros, Dr. Petrônio Fernandes, Diretor do Colégio Municipal Padre Agobar Valença, Sr. José Neto, Secretário de Agricultura do Município, senhorita Antonieta Santos, Secretária do prefeito Ivo Amaral, Sr. Eudes Pires, Agente da Previdência Social de Garanhuns, vereadores Audálio Ramos Machado, Florismundo Carrilho de Morais, José Ferreira Filho, Dr. Paulo Faustino de Albuquerque, Osvaldo Ferreira, Dr. José Inácio Rodrigues, chefe da Ciretran loca, fotógrafo Waldemir Pessoa de Carvalho, conhecido agora como o "fotógrafo do Centenário", Dr. Abelardo Fernandes, Marçal Pedrosa, Sr. José Maria Costa, da Fazenda Estadual, Paulo Francisco Gomes, servidor desta Edilidade, Dr. Othoniel Furtado Gueiros, Sr. Orlando Wanderley, Cidadão de Garanhuns, bancário Pedro Leite Cavalcanti, professor Evanderly Felix da Costa, Dr. Osvaldo Gonçalves de Medeiros, Antonio Vaz da Costa Neto, Sra. Djanira Branco de Pontes, Senhorita Gracieth Branco, Sr. Genésio Pessoa de Albuquerque, gerente da Caixa Econômica Federal de Garanhuns.

A Rádio Difusora, através do radialista Solon Gomes, transmitiu os acontecimentos. Compareceu a Banda Manoel Rabelo, a fim de dar uma melhor dimensão as festividades. Logo após, foi servido refrescos gelados de variadas frutas.

Livro: Luís Jardim As Múltiplas Faces do Talento

Autor: Marcílio Lins Reinaux

Editora: Inojosa

Ano: 1991

Tipo: Usado

Conservação: Bom Estado

Páginas: 208

Medidas: 15x22

R$ 50,00 + frete

Livro: A Cobertura Jornalística da Hecatombe de Garanhuns 1917

Autor: José Cláudio Gonçalves de Lima

Editora: Livro Rápido

Ano: 2017

Tipo: Novo

Páginas: 417

Medidas: 14x20,5

R$ 60,00 + frete

Livro: Todos os caminhos nos conduzem ao lar

Autor: Jule C. Spach

Editora: Bagaço

Ano: 2000

Tipo: Usado

Conservação: Bom Estado

Páginas: 421

Medidas: 14x21

R$ 70,00 + frete

(A obra não feneceu)

Crônica e Marcílio Reinaux*

Inegavelmente a semente plantada para a germinação do Colégio Quinze de Novembro, foi muito bem fecundada. Só os que viveram contudo, o dia-a-dia da grande instituição, podem aquilatar os sacrifícios e a luta insana para levar avante tão auspicioso ideal. Mas quem faz alguma coisa de útil sem sacrifícios? Parece mesmo que nada tem o devido valor, se o suor e até as lágrimas não caírem como um forte tempero que sedimenta a vida das grandes instituições. O Colégio, foi, é, e será iniludivelmente sempre assim. Os longos dias dessa sua história trajetória, são testemunhos eloquentes e que Deus, esteve bem perto, sempre presenta na vida dos grandes missionários, que as deram para o cumprimento da missão a que vieram.

Nos primeiros anos da década de 1960 permanecia na direção do educandário Dr. Jule Spach. Nos anos seguintes ela ficou a cargo do professor Arthur M. Lindsay que diante de outros compromissos com a missão ficou apenas um ano. Voltaria depois para mais outro período de direção. Com a saída do professor Arthur Lindsay ocupou a direção do Colégio o Reverendo Ismael Feijó de Melo. Inegavelmente o pastor Ismael impregnou o colégio de uma maior e mais forte ação espiritualista, ao lado das atividades educacionais.

Nos anos de 1967 a 1975 o Quinze ficou com a responsabilidade direcional do Reverendo Josias Rocha. Um bom período, segundo se atesta, conforme testemunho de ex-alunos desse tempo.

A partir de final 1975 voltou a direção o professor Arthur Lindsay, que - segundo se sabe - foi um período difícil de ser enfrentado. A valiosa colaboração do professor Lindsay neste segundo período da sua administração, prolongou-se por pouco mais de um ano, isto é durante o ano de 1978, quando no final teve que regressar aos Estados Unidos.

Em princípios de 1979 ocupou a direção o professor Nivaldo Felipe, demonstrando incomparável competência como gestor dos negócios do colégio. Fase difícil a anterior, agora com novas perspectivas...

Livro: Fatos de Miracica (Garanhuns, Pernambuco)

Autor: Hugo Pereira de Lima e Osmar Paulino de Vasconcelos

Editora: CEPE

Ano: 2019

Tipo: Usado

Conservação: Ótimo Estado

Páginas: 233

Medidas: 15,5x22,5

R$ 100,00 + frete

De Baraúnas a Miracica

Corria os idos de 1924 e a localidade onde hoje se insere o distrito de Miracica, expendia-se expressivamente pela força pujante da produção de Café e de Caju. O chamado Ouro verde, o café garantiu por muitos anos, o nascimento de um dos mais alvissareiros distritos de Garanhuns. Na verdade, Miracica foi fundada no mês de Março daquele início de século, pelo senhor Cândido de Araújo Neves, popularmente conhecido como "Caboclo Neves", o destemido agricultor, tratou de estimular a cultura do café e do caju, enquanto incentivava a aglomeração de residências no começo da Vila, que recebeu a princípio o nome de Baraúnas. Com a campanha de erradicação do café no final dos anos 30 e começo dos anos 40, toda a região de Miracica sofreu forte queda econômica, passando a manter-se praticamente com a produção de caju e outras culturas agrárias hoje comuns na região.

Livro: Anatomia de Uma Tragédia A Hecatombe de Garanhuns

Autor: Mário Márcio de Almeida Santos

Editora: CEPE

Ano: 1992

Tipo: Usado

Conservação: Bom Estado

Páginas: 304

Medidas: 16x23

R$ 140,00 + frete

Livro: Othoniel Gueiros O Leão do Senhor

Autor: Everardo Ribeiro Gueiros

Editora: Comunigraf

Ano: 2006

Tipo: Usado

Conservação: Ótimo Estado

Páginas: 233

Medidas:15x21

R$ 40,00 + frete

Livro: Chico Heráclio O Último Coronel

Autor: Reginaldo Heráclio

Editora: CEPE

Ano: 1979

Tipo: Usado

Conservação: Bom Estado

Páginas: 230

Medidas: 15,4x22,5

R$ 100,00 + frete

Livro: Os Cintra de São Bento

Autor: Sebastião Soares Cintra

Editora: CEPE

Ano: 1983

Tipo: Usado

Conservação: Bom Estado

Páginas: 309

Medidas: 16x23

R$ 150,00 + frete

terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Pesquisa refaz primazia poética na Literatura Brasileira

A temida e devastadora Inquisição, arma destrutiva da Igreja Católica, responsável por centenas de prisões sumárias e execuções na fogueira, entre os quais os próprios Bento Teixeira e Bartolomeu Fragoso

Manoel Neto Teixeira*

O pesquisador, acadêmico e escritor pernambucano José Paulo Cavalcanti Filho acaba de desnudar um equívoco histórico na literatura brasileira: ao manusear arquivos na Torre do Tombo em Lisboa, a propósito do seu pronunciamento como novo membro da Academia das Ciências de Lisboa, constatou que, ao contrário de todos os registros históricos, de que Bento Teixeira seria o primeiro poeta brasileiro, esta primazia deve-se ao poeta Bartolomeu Fragoso.

E  justifica, ao confrontar datas: A Prosopopeia, de Bento Teixeira, foi publicada em 1601, enquanto a obra poética de Bartolomeu Fragoso vem de entre 1579 e 1952. E, creio que terá valido a pena esta releitura do papel que teve, entre nós, por se tratar de algo muito relevante para a literatura brasileira. Mudando um marco, até aqui generalizadamente aceito, de atribuir essa primazia a Bento Teixeira - por conta de poema claramente posterior, no tempo, aos de Bartolomeu Fragoso, esclarece.

Esses outros pontos foram comentados em conferência que o Dr. José Paulo Cavalcanti Filho proferiu, dia 11 do corrente, na Academia Pernambucana de Letras. Ocasião em que distribuiu brochura sobre o tema de sua pesquisa na Torre do Tombo, entre os convidados - acadêmicos, escritores, professores e pesquisadores que lotaram o salão nobre da APL, da qual faz parte.

Na oração de posse na Academia das Ciências de Lisboa, o escritor José Paulo Cavalcanti disse, entre outros aspectos: "É uma honra enorme fazer parte  desta Academia das Ciências de Lisboa, denominação que passou a ter com a República. Agradeço aos agora confrades e o faço na figura de dois personagens relevantes. Um representando a direção, presidente da Casa e de sua classe de Letras, o Professor Dr. José Luís Cardoso, tão generoso nesta  acolhida; e outro representando seus membros, o ilustre acadêmico Antônio Valdemar, símbolo da cultura portuguesa, inclusive por seu trabalho incansável de aproximar as duas Academias, esta e a Brasileira de Letras, onde tenho a honra de ocupar a Cadeira 39 - que tem como patrono um personagem familiar a Portugal, o historiador Francisco Adolfo de Varnagem, o visconde de Porto Seguro. A todos, e a cada um, muito obrigado".

Discorrendo sobre "O triste Fim de Bartolomeu Fragoso", Dr. José Paulo observou que "Não se trata de uma descoberta pessoal. Primeiro a se manifestar a respeito foi o historiador Victor Eleutério. Cabendo-me agora estudar mais detalhadamente, na Torre do Tombo, o processo da Inquisição que sofreu e pelo qual foi condenado. Com detalhes sobre os caminhos que percorreu e a vida que teve em terras do Brasil; ainda, e especialmente, para tornar públicos os seus poemas, até agora desconhecido, já vertidos em um português que se possa compreender nos dias de hoje".

Na sua obra Literatura no Brasil Colonial, o professor e escritor pernambucano José Brasileiro Vilanova registra que "não será possível admitir que a literatura brasileira, pelo simples fato de ter sido escrita aqui, mas que cresceram nos moldes lusitanos, com mentalidade portuguesa e linguagem da Corte, excetuados casos esporádicos, entre outros, Gregório de Matos e Caldas Borba. De fato, falta-lhes ainda o espírito brasileiro.

Entre a farta documentação manuseada nos arquivos da Torre do Tombo, Dr. José Paulo discorre sobre a instalação e o papel do "Santo Ofício", a temida e devastadora Inquisição, arma destrutiva da Igreja Católica, responsável por centenas de prisões sumárias e execuções na fogueira, entre os quais os próprios Bento Teixeira e Bartolomeu Fragoso. Discorre sobre a vida familiar de ambos, suas viagens para o Brasil, bem como sobre as suas respectivas obras.

Na saudação ao acadêmico José Paulo Cavalcanti, sob o título "Pernambuco Universal", Dr. Antônio Valdemar, jornalista, escritor e também membro da Academia de Ciências de Lisboa, discorre sobre o seu extenso currículo, obras, destacando Fernando PessoaUma Quase Autobiografia, com sucessivas edições. 

*Manoel Neto Teixeira (foto), historiador e jornalista, autor, dentre outros títulos, da série MULTIVISÃO, composta de dez volumes, é membro da Academia Pernambucana de Letras Jurídica. E-mail: poysneto@yahoo.com.br | Texto transcrito da Revista Cultural O Século |Janeiro de 2024.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Livro: Retalhos de Garanhuns - Volume XVII

Autor: Anchieta Gueiros & Ulisses Viana

Tipo: Novo

Ano: 2025

Páginas: 40 (Livro com Lombada Canoa e grampo)

Medidas: 15x21

R$ 10,00 + frete

Livro: Almanaque de Garanhuns de 1937

Autor: Felix Rui Pereira

Editora: Livraria Helena

Ano: 1937

Tipo: Usado

Conservação: Ótimo Estado (Capa Dura)

Páginas: 216

Medidas: 16x21,5

R$ 800,00 + frete

Livro: A Terra dos Garanhuns

Editora: Escolar

Ano: 1954

Tipo: Usado (Capa Dura)

Conservação: Bom Estado

Páginas: 187

Medidas: 16,5x23

R$  700,00 + frete

Livro A Terra dos Garanhuns "Um Registro Histórico"

No ano de 1954, um livro antigo surgiu como um tesouro da história de Garanhuns, imortalizando os acontecimentos e personagens que moldaram essa cidade encantadora. Este tomo empoeirado, com suas páginas amareladas e capa desgastada, é muito mais do que um simples registro do passado; é um portal para uma era distante, uma janela para os tempos em que Garanhuns estava em plena transformação.

João de Deus de Oliveira Dias

Nas suas páginas, há relatos detalhados sobre a fundação da cidade, as tradições que resistiam ao tempo, os líderes que moldaram seu destino e os eventos que deixaram marcas indeléveis na sua história. Os escritos revelam os momentos de glória e os desafios enfrentados pelos habitantes de Garanhuns naquela época.

A cada página virada, somos transportados para um tempo onde as ruas eram diferentes, onde as vozes e os sons eram outros. É como se os personagens retratados nas páginas pudessem ganhar vida, contando suas histórias, compartilhando suas alegrias e tristezas, suas lutas e conquistas.

Esse livro antigo não é apenas um registro, mas um legado precioso, uma herança que conecta as gerações passadas e presentes, preservando a identidade e a essência de Garanhuns. É um convite para explorar e entender as raízes de uma cidade que se orgulha de sua história e tradições

Ao manusear suas páginas delicadas, somos lembrados da importância de preservar não apenas o livro, mas também a memória e o legado daqueles que viveram e construíram Garanhuns em. Este livro é um testemunho silencioso de tempos passados e um guia para entendermos e apreciarmos a cidade que é hoje, enraizada na rica tapeçaria de sua história.

"Terra dos Garanhuns" foi elaborado em comemoração ao "Tricentenário da Expulsão dos Holandeses do Território Pernambuco (1654-1954)", e também apresentado no "Congresso de História", como contribuição do autor na década de 1950,  o professor João de Deus de Oliveira Dias, escreveu o livro "Terra dos Garanhuns". Trabalho que foi realizado com entusiasmo no meio tão rico de possibilidades econômicas e de tradições históricas vividas, onde homens da envergadura de Antônio da Silva Souto, Euclides Dourado, José Alves Tororó, José de Almeida Filho, Napoleão Marques Galvão (Pai de Celso Galvão), Arthur Maia, Tomás da Silva MaiaJoaquim Maurício Wanderley, Cônego Benigno Lira, Jerônimo Gueiros, José Tavares Correia, Luiz Brasil, Ruber van der Linden e muitos outros que aqui nasceram e viveram.

Seguindo  as pegadas brilhantes do grande técnico garanhuense, Ruber van der Linden, que o mesmo decidiu escrever o trabalho, intitulado de "Terra dos Garanhuns". Trabalho finalizado em janeiro de 1954. 

Retalhos de Garanhuns - Volume XVI

Autor: Anchieta Gueiros & Ulisses Viana

Tipo: Novo

Ano: 2025

Páginas: 35 (Livro com Lombada Canoa e grampo)

Medidas: 15x21

R$ 10,00 + frete

“Retalhos de Garanhuns - Volume XVI”, traz biografias de importantes personagens da História de Garanhuns e do Agreste nos séculos XIX e XX, figuras que se destacaram na Política, Cultura, Educação, Religião, Medicina e na vida militar, alguns reconhecidos além das fronteiras pernambucanas. A leitura desta obra nos proporciona conhecer as origens e os feitos de cada biografado. Revela fatos marcantes, curiosidades, imagens, e nos dimensiona para o momento histórico para que o leitor possa compreender os acontecimentos e a importância dos personagens para a História.

Volume XVI

Francino Ferreira Caldas 

Os Heróis de Garanhuns

Arthur Brasiliense Maia

Luís Jardim

Carmosina Monteiro de Araújo

Professor Miguel Jaselli

A Grandiosidade de uma Obra

Zé Cardoso

Retalhos de Garanhuns - Volume XV

Autor: Anchieta Gueiros & Ulisses Viana

Tipo: Novo

Ano: 2025

Páginas: 42 (Livro com Lombada Canoa e grampo)

Medidas: 15x21

R$ 10,00 + frete

Retalhos de Garanhuns - Volume XV”, traz biografias de importantes personagens da História de Garanhuns e do Agreste nos séculos XIX e XX, figuras que se destacaram na Política, Cultura, Educação, Religião, Medicina e na vida militar, alguns reconhecidos além das fronteiras pernambucanas. A leitura desta obra nos proporciona conhecer as origens e os feitos de cada biografado. Revela fatos marcantes, curiosidades, imagens, e nos dimensiona para o momento histórico para que o leitor possa compreender os acontecimentos e a importância dos personagens para a História.

Volume XV

Lampião Visita a Fazenda do Deputado Souto Filho

Colégio Santa Sofia do Meu Tempo

Isaura Gonçalves de Medeiros

Dr. Celso Galvão

O Castigo do Padre Adelmar

O Canhoto já foi o Rio do Leite

Um trem na Lembrança

Antônio Silvino e Elpídio Branco em 1930

O Aprendiz de Tipógrafo que Comprou uma Gráfica

Pedro Sapateiro

As Serenatas em Garanhuns no Início do Século XX

Retalhos de Garanhuns - Volume XIV

Autor: Anchieta Gueiros & Ulisses Viana

Tipo: Novo

Ano: 2025

Páginas: 39 (Livro com Lombada Canoa e grampo)

Medidas: 15x21

R$ 10,00 + frete

Retalhos de Garanhuns - Volume XIV”, traz biografias de importantes personagens da História de Garanhuns e do Agreste nos séculos XIX e XX, figuras que se destacaram na Política, Cultura, Educação, Religião, Medicina e na vida militar, alguns reconhecidos além das fronteiras pernambucanas. A leitura desta obra nos proporciona conhecer as origens e os feitos de cada biografado. Revela fatos marcantes, curiosidades, imagens, e nos dimensiona para o momento histórico para que o leitor possa compreender os acontecimentos e a importância dos personagens para a História.

Volume XIV

Memórias de Monsenhor Adelmar da Mota Valença (II)

Senhor Artur

Assombração no Parque Euclides Dourado

A Sopa de Mirabeau

A Sociedade Cultural de Garanhuns

O Pacificador Doca Ivo

Júlio Eutímio Brasileiro

João Paes de Carvalho

A Rotunda

Qualquer Semelhança

Os Craques de Garanhuns

Equipe do Flamengo de Garanhuns

Nos Campus dos Garanhu, o Nascer de uma Cidade

Luiz Siqueira

O Sobrado de Francino Ferreira Caldas

Retalhos de Garanhuns - Volume XIII

Autor: Anchieta Gueiros & Ulisses Viana

Tipo: Novo

Ano: 2025

Páginas: 34 (Livro com Lombada Canoa e grampo)

Medidas: 15x21

R$ 10,00 + frete

Retalhos de Garanhuns - Volume XIII”, traz biografias de importantes personagens da História de Garanhuns e do Agreste nos séculos XIX e XX, figuras que se destacaram na Política, Cultura, Educação, Religião, Medicina e na vida militar, alguns reconhecidos além das fronteiras pernambucanas. A leitura desta obra nos proporciona conhecer as origens e os feitos de cada biografado. Revela fatos marcantes, curiosidades, imagens, e nos dimensiona para o momento histórico para que o leitor possa compreender os acontecimentos e a importância dos personagens para a História.

Volume XIII

A Bela Praça Jardim

Francisco Veloso da Silveira

A Prisão do Cangaceiro João Coxó

Maestro Fernand Jouteux

Zé Pitanga - Tipo Popular

O Rastejador Tenente Raimundo

Rossini Moura e os Amigos do Jornal O Monitor

Sede do Sport Club

Cônego Benigno Lira

A Garanhuns do Meus Avós

domingo, 11 de janeiro de 2026

Jesus Cristo

Jesus Cristo

João Marques* | Garanhuns

Jesus, no seu tempo, era conhecido ou reconhecido por poucos. Não eram todos que acreditavam em suas palavras. As curas é que atraiam, e muitos o tinham apenas como mais um profeta. No meio dos discípulos, dos parentes ou da gente que o cercava, era uma pessoa comum, com algumas características próprias ou diferentes.

Seu rosto era natural, de um hebreu normal. E podia ser olhado à vontade. Sorria, também. Sua mãe, também, era normal. E, na época, ninguém a via como santa, era uma mulher igual às outras.

O homem Jesus era bonito, já pela lucidez que transmitia o rosto. Face larga, olhos azulados, sobrancelhas estendidas e finas, e de um brilho escuro. Cabelos e barba alourados e crescidos, não muito longos, conforme o costume. Um sorriso ameno e constante no rosto, de uma expressão animadora. Como quem está sempre contente. Andava de sandálias rústicas, roupa simples. E gostava de ficar só, a não ser quando estivesse conversando ou falando a muitos. Tratava sua mãe como Senhora... seu pai, com uma palavra de tratamento, sem tradução, que significava a pessoa a quem se deve respeito e obediência... Irmãos e discípulos pelo nome, muitas vezes pelo nome e o sobrenome. Era costume. E, apesar de homem simples, tinha gestos solenes, tratos amáveis.

Não repetia o que havia dito, ou o mesmo assunto, preferia dizer com outras palavras, como se falasse de algo novo. Sua fala era muito viva, vibrante, daí ser sempre superior nos diálogos. Numa conversa, ninguém conseguia contrariá-lo. Inclusive, os governadores e os sacerdotes não tiveram condição de conversar muito tempo. Não permitia ser tratado como Senhor, ou de forma diferente, com reservas. Recolhia-se da presença de todos, quando ia orar. E aos olhos de alguns, parecia outra pessoa, tal a atitude de paz e transfiguração do rosto. Quando reapareceu aos seus apóstolos, ressuscitado do corpo crucificado, a aparência não pôde ser reconhecida por todos, e nem todos o viam direito... Em espírito, o seu rosto ficou mais rejuvenescido, e de uma luz tênue e atrativa. É o que sei, pelo pensamento e pela graça de Deus.

*João Marques dos Santos, natural de Garanhuns, onde sempre residiu, é poeta, contista, cronista e compositor.  Teve diversas funções nas atividades culturais da cidade: foi Presidente da Academia de Letras de Garanhuns, durante 18 anos, Diretor de Cultura do Município e, atualmente, é presidente da Academia dos Amigos de Garanhuns - AMIGA. Compôs, letra e música, o Hino de Garanhuns. Mantém, desde 1995, o jornal de cultura O Século. Publicou quatro livros de poesia: Temas de Garanhuns, Partições do Silêncio, Messes do azul e Barro. João Marques dos Santos faleceu em 22 de setembro de 2024.

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