A beleza é uma sensação de rara água ou de raro quilate... Como um brilhante sem jaça. Somente que, este, para seguir, é necessário ou o dinheiro, ou o acesso a certa especialização (perito), ou pelo menos à sua exposição.
Ela se gera do gesto inconsciente e meio desajeitado da mãozinha infantil que prende nosso dedo... Do olhar purificado (pelo saber de uma existência inteira) de um velho. Ou purificado (pela dor), de um doente, de um que não é perfeito, de quem rejeitou as coisas do mundo em demanda de um mundo mais real e maior.
A beleza está em tudo. E a própria dor gera a beleza; aí, estão as obras de arte (música, pintura, literatura, dança... enfim, as mil expressões da arte que refletem o impulso da captação do raio de beleza que feriu determinado homem e o fez criar na dor).
Você vai pela rua e, inesperadamente, um "flash" de beleza o fere. Você vê determinada paisagem, um pôr-do-sol, uma flor, uma criança, os olhos azuis amigos e sorridentes de um mendigo, um sorriso aberto de acolhimento, lágrimas de medo (infantil) convertidas em sorriso, até mesmo a sinuosidade do andar de um animal ou a elegância de alguém: beleza. A alma é iluminada. Mais um tesouro interior.
Mas a beleza é mais: é cada pessoa com seus defeitos e virtudes. É a percepção madura do que seja infância e adolescência. Da própria maturidade. E do alcance da velhice que se sente rica e não tem a quem doar, sua riqueza de sabedoria e experiência.
Beleza é mais ainda: é a descoberta de um mundo interior onde se pode criar um ambiente luminoso, alegre, pacificante, acolhedor. Um mundo, onde alguém habita. Alguém que é a própria Beleza. Que destrói o vazio, a solidão, o medo e ensina a ver, a perceber, a interpretar os sinais presentes em toda parte, da Presença.
Beleza é bem mais do que sentimento. É vida, É saber que, em tudo, existe um sentido profundo. É estar mais vivo do que nunca. É constantemente mudar, crescer, partir. Sem, no entanto, perder a própria identidade, estabilidade, permanência.
Beleza é esta felicidade vibrando na alma. Este saber de coisas e gentes que, às vezes nem se viu. É captação de que somos alguém para alguém.
É o outro nome da felicidade.
*Professora, cronista, jornalista e escritora.

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