sábado, 2 de agosto de 2025

Pós revelações com Luzinette Laporte

Luzinette Laporte de Carvalho

Luzinette Laporte de Carvalho* | Garanhuns, 2010

Eu queria a palavra nascida de todos os  sonhos que pastoreias, para dizer-te o meu amor: a espécie (rara) de amor com que te  amo.

Eu te amo. É uma formula. Mas uma forma sempre nova. Ela tem sentido próprio, pessoal, intransferível, segundo a pessoa a quem se refere, segundo o sujeito do amor que é dado. Segundo quem a diz. Segundo o  sujeito que ama.

Permite-me que o diga a ti, de modo meu, a meu modo global. A meu modo simples: eu te amo. De um amor sempre novo - recém-surgido, recém-nascido (tão antigo porém) - e puro-luminoso.

Amo-te. Isto envolve teu corpo, tua alma, teu espírito. E ouso dizer que meu amor é (absolutamente) diferente daquilo que a maioria chama de amor.

A ele pouco importa os sinais do tempo desligado pelo corpo e pela alma. É a ti que amo, ao que carregas em ti de poesia, sonho, beleza, dor, frio de serra, calor dos (nossos) entardeceres à orla do mar, tepidez das  noites de veludo nos verões. Eu te amo.

Meu amor por ti é assim igual à tua luz em mim: minha luz em ti. Soma tua angústia e teu ciúme, que eu  posso acalmar com um beijo sobre teus olhos cerrados, com um sorriso, uma palavra, um olhar.

Amo teu espírito cujo misticismo compreendo e reverencio. Teu espírito e tua alma que se fazem um comigo de modo tão integral que jamais estamos longe um do outro, qualquer que seja a distância.

Eu te amo assim. E assim permaneço no (teu) amor. Assim tendo dizer-te meu amor por ti (nestas revelações todas). Tento - tão inutilmente tento- dizer este singular absoluto.

Tenho, para dar-te, este amor que ouso chamar de feminino: as dimensões todas da mulher.

A palavra maior - oceano e céu - só a pronuncio ao teu ouvido, quando a distância mede o não-espaço entre os corpos e os eus.

Até lá! Até lá, quando a palavra nascida de todos os  sonhos (que pastoreias) puder ser pronunciada.

Crê em mim: meu amor não é feito apenas dos  elementos do sempre. É composto também dos  elementos do nunca, do para-sempre, do...

Deixa que, agora, fale o meu silêncio: as palavras não chegam até lá. Lá, onde sabes que estou e sou aguardo, abrigo e esperança.

*Professora, cronista, jornalista e escritora

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