sábado, 2 de março de 2024

Os mananciais de Garanhuns

Parque Pau Pombo, Garanhuns | Década de 1940

Esse estudo é uma monografia 'Os Mananciais de Garanhuns', de José Gundes de Barros Sobrinho, apresentada em Curso de Pós-Graduação da Universidade de Pernambuco.

'A principal intenção desse estudo é tentar salvar as nossas áreas de mananciais do município, através da conscientização da população e dos gestores, para que se possam recuperar essas áreas com investimento municipal, estadual e federal, e por se tratar de um grande problema de ordem mundial e de interesse da população como um todo', diz Gundes. Ele acentua que quase todas as nascentes de água potável de nossa cidade estão contaminadas pela poluição do despejo de esgotos, aterros de lixos e entulhos de construções, 'situação essa que ao longo do tempo existiu sobre algumas  nascentes e o mais grave com autorização do poder público municipal, como é o caso das nascentes do Pau Pombo e Pau Amarelo'.

Segundo o pesquisador, existem estudos em que a água da nascente Serra Branca foi considerada a terceira melhor do Brasil, porém, 'os recursos naturais da cidade de Garanhuns não estão sendo  tratados como deveriam por seus administradores e, também, pela população'.

OS MANANCIAIS

Ele analisa manancial por manancial, a começar pelo da Vila Maria, 'de grande importância para a cidade de Garanhuns e região, como, também, para a bacia do Rio Mundaú'. Até os anos 1970 do século passado foi considerado como um dos estuários naturais mais  importantes do município, porém, 'como é normal acontecer onde existe o recurso natural que é a água, as pessoas começaram a se instalar, iniciou-se um aglomerado de casas de tábuas - posteriormente conhecida como Rua da Tábua - com pessoas de baixa renda, que viviam da sobra das águas da nascente para lavarem roupas para a população. Hoje ainda existe essa população, que foi beneficiada pelo poder público municipal, que construiu uma lavanderia comunitária'.

Antes da industrialização da Fazenda Serra Branca - informa a monografia - a Vila Maria era um dos  pontos principais de abastecimento de água potável. Entretanto, diz Gundes: 'Constatamos em observação nas nascentes um total abandono pela empresa que durante tanto tempo utilizou o recurso natural, como também do poder público municipal que nada faz em relação à preservação, através de projeto para desviar as águas que são jogadas sobre as nascentes, como também os esgotos sanitários das áreas próximas à área do manancial'. O autor da monografia junta como partes do mesmo problema os poderes públicos e os moradores da área que, por falta de orientação, contribuem para degradar as nascentes, entre outras formas, com a sua transformação em áreas de banho.

PARQUE PAU POMBO

Gundes recorre à história para dar a dimensão do Parque Ruber van der Linden, ou Pau Pombo, para a cidade de Garanhuns. Citando Alfredo Leite Cavalcanti, diz que ali havia banheiros públicos, onde a população tomava banho antes de existir água encanada nas residências. No manancial do Pau Pombo - segundo a monografia - na época de Ruber van der Linden foram feitos inúmeros benefícios para que a população pudesse usufruir da área preservada como espaço de lazer. Um dos  principais benefícios foi a construção de uma barragem (açude) sob orientação de Ruber van der Linden. A barragem foi destruída em um temporal que provocou grande deslizamento de metralhas.

Durante muitos anos foi coletada a água do manancial do Pau Pombo. Relatório da Compesa (Plano de Desenvolvimento Urbano - anos 1978/79) dizia que a qualidade da água era  muito boa mas foi deixada de lado e isso fez com que a contaminação se tornasse inevitável, com entulhos e lixos jogados no local, inclusive através da descarga de caminhões de lixo que era coletado em toda a cidade, com autorização dos gestores da época.

O que diz José Gundes sobre o manancial de  Pau Amarelo: "A área de preservação que deveria existir dos nossos mananciais estão praticamente nas mesmas condições, porém, podemos dizer que em Pau Amarelo temos uma particularidade: é que a população da redondeza chegou dentro do que chamamos de 'buraco da liberdade', pessoas construíram suas residências a menos de 20 metros dos locais onde as nascentes lá estão e se servindo das águas que jorram constantemente, sem parar. Um local de muita beleza, se não fossem os contrastes provocados pela população e pela degradação e contaminação provocadas no decorrer dos  anos'.

'Uma outra observação que podemos fazer em relação ao manancial de Pau Amarelo - continua Gundes - é que continua com muita frequência o despejo do esgoto sanitário da área, que, é também, uma das principais nascentes para a bacia do Mundaú, e se observa que os bairros próximos cresceram muito e a drenagem segue totalmente para aquele manancial. É lamentável o descaso para com o nosso meio ambiente, que mesmo com o tempo que está sendo maltratado continuam lá nossas nascentes jorrando sem cessar, pedindo socorro para sobreviver'.

O trabalho abrange os mananciais de Olho D'água, da Fazenda Serra Branca, Fazenda Flamengo, águas minerais São Luiz e outras propriedades particulares que abrigam importantes fontes. Todos os mananciais - públicos e privados - sofrem o mesmo processo de degradação ou estão ameaçados, daí o pesquisador apresentar os projetos de recuperação que passam pelo esgotamento sanitário do município. (Transcrito do jornal Sete Dias de 12 de novembro de 2012).

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