Cyl Gallindo
POEMA II
(Aos últimos recém-nascidos)
Toma criança um pedaço do meu grito
e te espraia na amplidão desta manhã,
vai plantá-lo por todos os recantos da carne viva
que inevitavelmente a noite te perseguirá.
Leva-o, criança: eu já estou morto. Fui retido
nas orlas de olhares-tumba, enfeitados
de medalhas, de emblemas, de condecorados...
Este grito tem a essência da Liberdade,
que foge da liberdade-mortuária. E sempre foge
de quem limita a voz, o gesto e a coragem.
Vai criança sempre inevitavelmente vai
não deixes nunca besouro algum
morder a vidraça dos teus olhos:
A morte involuntária não é liberdade
Como, por que e quando somos o centro vital?
Não vamos demonstrar segredos
mas participar dos segredos
nas possíveis engrenagens de todo o sistema astral!
Vai criança sempre inevitavelmente vai
aprende a colocar o verbo
na plataforma polida
para viajarem juntos
nos confins da liberdade.
Vai criança sempre inevitavelmente vai
não esperes que a manhã morra
nem que este grito se escorra
no patamar das idades.
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