terça-feira, 14 de abril de 2026

Ódio gera ódio

João Marques dos Santos

João Marques* | Garanhuns, novembro de 2018

As máximas que, geralmente, se aplicam à vida, são conhecidas. Não seguidas, infelizmente. Se fossem observadas, na prática, por  todos, o mundo seria muito melhor. Ensinamentos predominantes em religiões e códigos morais e filosóficos. O problema, ou o grande problema, é que as palavras são tomadas em diversos sentidos, de acordo com o entendimento de cada um. Daí, esses ensinamentos, do bem, serem empregados, muitas vezes, para o mal. Ou, se não diretamente para o mal, são as máximas tomadas para justificar comportamentos egoístas e agressivos. Adulterados seus verdadeiros sentidos, são as palavras usadas como rótulos ou imagens distorcidas. Assim foi, e é com muitas religiões cometendo absurdos em nome da  verdade.

A verdade, por exemplo. A verdade ensinada por Jesus Cristo não é a mesma verdade de César, de sua moeda, cuja efígie era a sua  própria figura. Essa verdade, a cristã, não é confundível com o que se busca numa campanha política, numa promessa política. A libertação, pelo conhecimento da verdade, é para a vida eterna. Nunca de um governo egoísta, odioso, que se volta para o ouro e para objetivos mesquinhos.

O ódio está arraigado no seio do povo brasileiro, desde a desastrosa campanha política de 2014. A disputa entre Aécio neves e Dilma Rousseff acendeu o ódio e a perseguição. E, na campanha recentemente acabada, o ódio se repete. Muitos dos candidatos insuflaram isso. Perseguição e vingança. Falácias de acusação e humilhação do adversário. Falas ridículas e depoimentos comprometedores, muitas vezes, depois, dados por enganos, equívocos, excessos de entusiasmo. Tudo isso é danoso e dispõe o País a um futuro violento. A verdade, assim, está muito longe do correto, da humanização do povo. E, sem a paz, quaisquer tentativas de governo dos homens é falível, acaba piorando o que já estava ruim. O ódio gera ódio, apenas. Abrandem a fala, o gesto e essa atitude grosseira, dominante entre eleitos, derrotados e o povo que vota. E espera soluções com a paz democrática, e não com perseguições odiosas em nome de uma verdade que não liberta, e não representa a realidade do Brasil. 

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