terça-feira, 31 de março de 2026

Simplesmente viver


Dr. José Francisco de Souza* | Garanhuns, 30 de maio de 1987

Viver é bem relacionar-se, É sentir profundamente o desejo do diálogo. Um passo deve ser dado no sentido de esvaziar à mente. As ideias preconcebidas induzem a estática mental. Para isso, o mais  importante é o efeito de uma autoanalise completa. Uma espécie de renovação nasce o processo das coisas que nos  rodeiam. Assim a nossa mente se liberta do velho. E passa a se objetivar no currículo do que é novo.

Esse impulso criado, é essencial para que possamos criar um mundo novo. Um diferente estado de relação uma diferente estrutura moral. Essa realidade existe em cada um de nós. É uma nova maneira de viver, agindo harmoniosamente. A busca que gera os conflitos desaparece. Implica em nova maneira de pensar e de viver simplesmente, livre dos problemas. Nós somos os problemas.

A vingança, a violência com a sua crueldade, a destruição do ser humano, através de declaração de guerra em terra, e nas estrelas, são declaradas pelos  homens que ostentam a força pela desumana impiedade. As guerras só se materializam na plenitude selvagem, porque é raro o homem que seja livre. Todos justificam as guerras nacionais e internacionais.

Sem a libertação desses propósitos de  violência, de decomposição física e moral, por mais que fizermos para dissipar a confusão e trazer a ordem à estrutura social, nada conseguiremos. Os sofrimentos se renovam e as angústias permanecem. Tais fatos nos parece evidentes, se observarmos, os acontecimentos políticos e sociais que se desenrolam no mundo. 

Há  o apreender que começa com o autoconhecimento, um aprender oriundo da percepção das atividades diárias, o que fazemos, o que pensamos, a natureza de nossas mútuas relações, maneira como o nosso mundo responde a cada incidente e desafio do cotidiano viver. Se não estamos cônscios de nós mesmos, se  não conhecemos como a nossa mente reage a cada desafio da vida, não há autoconhecimento. Não existe bom relacionamento entre os seres humanos, porque  não alcançamos a sabedoria.

O melhor para os homens é sempre um problema de escolha. O fato de ser melhor não decorre que seja o mais desejável. Ser filósofo é melhor do que ser estupido, e ganhar dinheiro, porém não é  mais desejável para o que carece das coisas da vida. O poder, não deve ser desejável sem a prudência. Mas, a prudência é desejável sem o poder. Uma coisa sempre manifesta por si mesma a sua  essência, não é uma propriedade mas uma definição.

Mas, em grau secundário, a vida de acordo com a outra espécie de virtude é feliz, porque as atividades que concordam com esta condizem com a nossa condição humana. Os atos corajosos e justos, bem como outros atos virtuosos, nós praticamos em relação uns aos outros, observando nossos respectivos deveres no tocante a contratos, serviços e toda sorte de  ações e iniciativas que ligam os homens uns com os outros através do entendimento.

A sabedoria prática também está ligada as caráter virtuoso e este à sabedoria, já que os princípios de tal sabedoria concordam com as virtudes morais e  retidão moral concorda com ela. Ora essas virtudes são humanas, por  conseguinte, humanas são também a vida e a felicidade que lhes correspondem.

As premissas necessárias mediante as  quais se efetua o nosso raciocínio não devem ser propostas diretamente e de forma muito explicita. Convém, que pairemos acima delas o mais longe possível. 

*Advogado, jornalista e historiador 

Foto: Garanhuns - Parque Ruber van der Linden (Pau Pombo. Créditos da foto: Anchieta Gueiros.

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