terça-feira, 31 de março de 2026

Ato de libertar


Dr. José Francisco de Souza* | Garanhuns, 24 de março de 1984

Não é desistência de princípios, nem violação de  todos os sistemas. Implica em alcançar o porque das  modalidades impostas, que nos domina cautelosamente. Com muita sutileza. São normas que a psicologia nos  apresenta como orientação. Nesse estado de coisas a nossa liberdade é comprometida. A nossa atenção é desviada pela representação do exterior. O que representa não é o real. É mais o que queremos. Nem sempre o nosso desejo é bom e razoável. Divergência e acomodações de pensamentos se dividem. Se bifurcam em positivos e negativos conforme o estado de Espírito.

Essa instabilidade emocional domina quase todos os setores da conjuntura política. Afirma-se e nega-se ao mesmo tempo que se elabora algo de estranho. O campo mental de muitos homens amolda-se de modo e de aspecto sui generis. As contradições se revelam e acentuam o seu domínio. É a negação da personalidade. A autoafirmação seria o mais importante a vida do ordenamento social. Essa tomada de posição individual é a linha mais correta da evocação humana. É a manifestação plena de um bom estado de consciência. É a emancipação restrita de certos contornos do mundo social; das comunidades que se chocam e se assemelham pela analogia dos  contrários, dos opostos. A sensação, o contato, e a finalidade do desejo de ser o que  em verdade deveria não ser. Será que refreando os sentidos se alcança o caminho certo para o ato de se libertar?

A resposta é não. Porque não há caminhos para se chegar a um ponto de segurança chamado de LIBERDADE. Mesmo porque na vida não há segurança. Nada é seguro em si mesmo, tudo se transforma. Neste sentido a libertação é algo de novo. Sua busca se opera desde que o homem tomou consciência de si mesmo. Se a libertação se nos apresenta como algo de novo. Não se pode chegar ao novo por caminhos velhos. Liberdade é coisa muito importante. É um acontecimento moral muito elevado. Temos de mergulhar às profundidades do silêncio para sentir o seu  desabrochar. O silêncio que não é fuga à realidade, nem isolamento. É um recolhimento, onde as forças vivas se multiplicam, projetando as vivas expressões do sentimento humano. Quanto mais o homem se aprofunda nos conhecimentos, e sobretudo, nas  sublimações da sabedoria, mais  silencioso, e discreto é o universo mental. Mundo em que a criatividade se renova constantemente.

Olvida-se que a natureza é coisa de sua perfeição, os sintomas modificam-se corrigindo-se espontaneamente por uma espécie de regeneração, ou autodepuração. Podem coexistir caracteres compensados de valor social. Silêncio não é reclusão. É acima de tudo sublimação da beleza interior de cada um de nós. Aí a  fonte das virtudes humanas se purificam. Crescem de dentro para fora, como a flor cuja função natural é trescalar perfume. Quando o homem atinge a maioridade no seu  universo interior passa a ser discípulo amado. E quando se alcança o mandato de discípulo, o MESTRE APARECE. Isso não é muito explicável, porque o que  se explica não é verdade. Note-se o silêncio de CRISTO diante da indagação de Pilatos: "O que é a verdade?".

O silêncio dentro do homem é condutor de libertação porque saboreia-se as leis eternas. Quem nunca viveu essa simbiose do silêncio sominal-sideral não tem a mesma ideia de sua fascinante realidade e indizível beatitude. O homem assim cosmificado, ouve a silenciosa legislação  do universo, e vive plenamente o ato integral de sua libertação.

Advogado, jornalista e historiador.

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