Pesquisas contemporâneas conduzem pensadores e cientistas à preocupação com o comportamento da mente humana, visto que elas comprovam ensinamentos de antigos filósofos. Aturdidos com o resultado de tais experiências, homens de ciência resistem em entregar-se à evidência dos fatos e, por esse motivo, levantam hipóteses, criam sistemas, lançam novas nomenclaturas, como se quisessem "encobrir o sol com uma peneira". Entretanto, Boirac dizia: "Nada mais brutal do que um fato". A mente humana (como sempre aconteceu) demonstra a presença de uma gama infinda de fenômenos inusitados, causando impacto e surpresas a tantos. Para tudo isso, a ciência erige rótulos, inova, cataloga fenômenos, julgando assim haver tudo entendido e explicado. No entanto, o Espiritismo continua desafiando a argúcia e a inteligência de "sábios e entendidos", pois a nossa doutrina sempre esclareceu, dentro da lógica e seguindo métodos experimentais, a fenomenologia mental, espiritual.
Para a Psicologia clássica, o comportamento do homem é seu objeto, preocupação maior de sua atenção. Mas, quando a "ciência do comportamento" assim se dirige através de sua metodologia, de suas técnicas, procurando observar e explicar a conduta individual ou coletiva, ela esbarra na superfície do quanto busca estudar. Isso acontece porque não interessa à ciência psicológica, tomada aqui em seu sentido restrito, considerações sobre a realidade do Espírito. Se teorias ou afirmações psicológicas ultrapassam o tradicionalismo academicista, levantando indagações e trazendo respostas que se fincam no cerne da personalidade humana (o espírito), tais fatos interessam somente a alguns psicólogos, os quais, indiferentes à opinião oficial da ciência, encontram motivos de profundidade nos sentimentos, nas emoções, no comportamento das criaturas.
A Parapsicologia afirma a natureza especial da energia mental. Diz que a força psíquica a comandar os fenômenos extrassensoriais não é de ordem física. Essa aceitação no campo das pesquisas parapsicológicas assume imenso valor para a aplicação e colocação no âmbito da Psicologia. A mente é o veículo do Espirito, instrumento para a exteriorização do psiquismo profundo. A inteligência, a memória, o discernimento, o livre-arbítrio, a vontade não são tão somente produto da organização celular. Se assim acontecesse, nossos laboratórios, num esfregaço de células neurocerebrais, numa de suas lâminas, estariam mostrando, materialmente, as faculdades superiores da inteligência humana.
Dentro das diversas escolas psicológicas, a Psicologia é vista como ciência do comportamento, da conduta, da consciência ou da mente. A psicologia Espírita acolhe a qualquer desses posicionamentos, porém numa conotação diferente do tradicional modo de ver, porque, para o Espiritismo, as atitudes comportamentais da criatura derivam da alma, do Espírito encarnado. Para os espíritos, o comportamento assume um sentido global, pois que não podemos separar ou desvincular o homem do que ele é integralmente. J. B. Rhine levanta uma questão de grande monta quando diz que a Parapsicologia reintegrará a Psicologia no seu objeto perdido, como ciência da alma. E, sem que a nossa opinião tenha qualquer mérito de mudar estruturas ou coisas estabelecidas, igualmente nunca aceitamos a Parapsicologia em posição autônoma, independente, senão como um método de trabalho, instrumento da própria Psicologia.
Nossa respostas psicológicas são condicionadas à estatura espiritual em que nos encontramos, na conformidade do crescimento individual de cada criatura, seja qual for o estágio do homem. Não entendemos o psiquismo humano sem o Espírito que o vivifique. Do contrário, seríamos um cadáver, e não uma criatura. Corporalmente, somos letras animadas pelo Espírito, e, sem este, a expressão somática não passa de coisa morta, no ensinamento de Tiago.
*Jurista e escritor / Garanhuns, PE - 2011.

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