Não se impõe o desenvolvimento espiritual das criaturas, porque, tal tarefa, compete, a cada um. Inegavelmente, há um esforço grandioso de líderes e pessoas que se devotam ao ministério das coisas do espírito, objetivando a evangelização da criatura humana. Louvamos a necessariedade de quantos que assim agem, desde a mais remota antiguidade. Sempre houve uma preocupação de grupos e de pessoas, no levantamento moral do mesmo grupo e das mesmas pessoas. A história registra a passagem de homens pelo caminho da vida, cuja presença, qual marco de imortalidade, assinala todas as épocas da humanidade. Quase sempre, suas vidas foram relegadas a segundo plano, enquanto viviam e, somente depois e muito depois de suas mortes, foram reconhecidas pelos valores carreados ao mundo.
Antes da antiguidade greco-romana, a velha Índia, pontificava em sinais de autêntica luz, esparzindo ensinamentos de lídima espiritualidade. A sabedoria hindu, hoje penetrando todos os recantos do ocidente, iluminando a espiritualidade de todos os povos, canta as sublimes canções do amor e da imortalidade. A cultura chinesa também derramou para todos nós, lições de grandiosidade espiritual, como se a filosofia de Confúcio, em muitos de seus traços, fosse abraçar-se aos postulados de um Khrisma. Os mistérios do remoto Egito, nas iniciações não menos misteriosos, a tudo emprestando um caráter enigmático e profundo, trouxeram sua contribuição a todos as épocas. A imensa sabedoria da vetusta Grécia traz aos nossos dias a sublimidade dos ensinamentos filosóficos, contribuindo à compreensão da comunicação entre os vários planos do universo, bem ainda, a lei das vidas sucessivas.
Remontando-se à cultura dos povos de antanho, sentimos que o tempo, em sua marcha vagarosa, para uns, ou apressada, para outros, traceja a evolução de todos nós. Qual esplendoroso sol, cujos raios penetram de luz os ambientes da terra, a influência dos antigos mergulha na intimidade do conhecimento humano. Não é sem razão a assertiva de que os mortos governam os vivos. Entanto, esta afirmação deve ser sentida e interpretada em sua dimensão própria real, porque, em verdade, aqueles a quem chamamos "mortos", jamais morreram. Continuam vivos e bem vivos, sem as limitações a que ainda continuamos presos, nós, que nos dizemos vivos. Falamos a espiritualistas, a criaturas crentes da sobrevivência do espírito a esta vida. E, para eles, os que assim creem, perece apenas a expressão corporal, continuando o ser, o verdadeiro ser, em sua real dimensão.
Todos os gênios da espiritualidade antiga, da Índia, à gloriosa Grécia, preparava os caminhos do Nazareno. Em todos eles, encontramos sinais evidentes e anunciadores de um Cristianismo, mesmo antes de Cristo. A Boa Nova, contudo, cantou e iluminou o mundo, nas palavras cheias de sol e de amor. Era o Cristo, traçando novos roteiros, marcando com a sua presença, outro divisor de épocas, num mundo que se tornou conhecido por "antes" e "depois" Dele.
A humanidade ainda caminha, qual viajor a desconhecer as metas de sua viagem. Depois de tantos marcos e de tantos sinais, de tanto esforço e de tanta abnegação, continuamos quais crianças teimosos e egoísta, explodindo os impulsos de nossa violência. Sem querermos crescer espiritualmente, simplesmente passamos a ignorar os grandes vultos e suas expressivas mensagens, num mundo que espantosamente se agiganta em progresso material. E as vozes daqueles a quem cultuamos a memória, continuam soprando aos ouvidos ensurdecidos deste século e também, falando a tantos cegos, que se julgam portadores de bons olhos...
*Jurista e escritor.

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