Na busca incessante daquele algo mais que dirige o homem, o grande pensador Paul Brutton empurra-nos à descoberta e à aceitação da criatura espiritual que somos. Até a ciência biológica dá-nos uma lição, nesta parte, de significativa profundidade, se não quisermos ficar tão somente no formalismo das palavras. Assevera a Biologia que, a cada sete anos, há uma renovação integral de nossas células, transformando-nos totalmente em nossa conformação biológica. Desse modo, dentro de tal espaço setenário, passamos a ser biologicamente outros, a despeito de continuarmos sendo os mesmos.
Destarte, os biologistas deixam-nos a pensar de maneira paranormal, conduzindo-nos, sem que o percebam, ao campo de uma parabiologia. É interessante sabermos ter havido mudança tão radical em nossos corpos (segundo o entendimento científico) e, no mesmo espaço de tempo, prosseguirmos com os mesmos traços a nos caracterizarem, continuando bem viva a nossa imagem, conservando a nossa identificação pessoal. Diante de tal transformação celular (que não nos mudou em nossos traços e nossas características individuais, sem nos distinguir em nossa individualidade, mas diferenciando-nos dos outros), é como se a própria Biologia, depois de fazer como fez aquele enunciado, também nos afirmasse: o homem não é o seu corpo, não é a sua conformação anátomo-fisiológica, pois ele é muito mais que tudo isso.
Se você experimentou tamanha transformação celular, continuando a ser você mesmo, ainda quando diante da grandiosidade de tal comportamento biológico em seu corpo, claro que se verificou alguma coisa além do ensinamento convencional, acadêmico. Doutrina de maior profundidade diria que todos, ao nascermos, já trazemos em nós um modelo organizador biológico, responsável direto pelo comando de tudo quanto diga respeito ao comportamento, à manutenção e à transformação orgânica, vital. Chama-se a essa doutrina de Transbiologia, Parabiologia, Biologia Parapsicológica ou simplesmente Parapsicologia, pouco nos importaria a sua denominação. Tudo isso também não passaria de um apelido com o qual procuramos chamar a atenção para os fenômenos. Estes existem e sempre existiram antes que a ciência dos homens com eles se importasse.
O modelo organizador biológico, que em nós se esconde, que não é visto e ainda não detectado por processos usuais, parecendo-nos um ser enigmático, evidenciando-se, contudo, em argumentos racionais, dizendo de sua presença, de sua realidade. É o perispírito do homem, arquivo de todas as suas conquistas, dominadas e dirigidas pelo Espírito. É nele e por ele que passamos a entender uma fisiologia transcendental, parafisiológica. André Luiz nos ensina que, um dia, quando a nossa medicina reconhecer a presença em nós outro corpo - o perispírito, psicossoma ou, simplesmente, corpo espiritual, segundo Paulo de Tarso e nele começar a trabalhar nossas enfermidades, a ciência humana iniciará uma nova era de progresso, bem mais sentida pela humanidade. Parece que a ciência já inicia os primeiros passos nesse caminho, pois atualmente é grande o interesse de cientistas e de estudiosos pelas pesquisas da mente, fazendo-o dentro de outros métodos, por outros processos, diferentes daqueles tradicionais em que sempre se perdeu.
A compreensão ou a aceitação desse modelo organizador biológico, o famoso MOB, quer em termos de conhecimento normal, tradicional, quer num conceito de paraciência, iria contribuir ao entendimento racional de muitos fenômenos ainda inexplicados pela chamada Ciência oficial. Muitas criaturas continuam "em parafuso" (usando aqui linguagem comum), em campos religiosos, científicos ou filosóficos, simplesmente porque, teimosa, intransigente ou preconceituadamente, persistem avessas aos conhecimentos novos, numa espécie de "alergia ao progresso", na feliz expressão do insigne filósofo Herculano Pires.
Embora reconheçamos haver muito progredido, acolhendo o modelo organizador biológico como realidade bem significativa, comandando toda a nossa vida orgânica, toda a nossa expressão fisiológica, ele, por sua vez, recebe orientação segura da Entidade profunda que somos. Isso porque ele, o MOB, não é você, mas um instrumento, ainda que sutil, etéreo, sob direção da personalidade profunda, que é o Espírito.
*Jurista e escritor / Garanhuns, PE - 2011.

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