Chego à certeza de que viver é igual a ficar numa escola, em um determinado nível ou curso de formação. O aprendizado está em tudo, na alegria e na dor. O tempo, como nas estações, determina para cada pessoa fases mais ou menos intensas, satisfatórias ou não.
É grande a juventude, e maior o envelhecimento. Em cada quadrante, divisões em diferentes vivências. Umas de favorecimentos, outras de contrariedades. Todas são livros abertos, para os devidos aproveitamentos morais.
Chego à racionalidade de aceitação... receber de bom grado o que se apresenta, que vem mais cedo ou mais tarde. Um tempo de grande renúncia, quando é preciso apartar-se da vida ideal vivida, dos brios e de tudo que modelara uma personalidade, e aderir de corpo e alma à realidade que se apresenta ou é desvelada como uma pedra, antes escondida entre ramagens e flores.
E é de bom senso, por toda vida, não se contar com lauréis e diplomas. O espírito de renúncia é sobretudo originado na legítima humildade. É o que da vida se aproveita em caráter peremptório. A vida é assim... o que me ocorre! Um futuro presente e intenso, tão intenso, que se parte, ruidoso, do passado.
*João Marques dos Santos, natural de Garanhuns, onde sempre residiu, é poeta, contista, cronista e compositor. Teve diversas funções nas atividades culturais da cidade: foi Presidente da Academia de Letras de Garanhuns, durante 18 anos, Diretor de Cultura do Município e, atualmente, é presidente da Academia dos Amigos de Garanhuns - AMIGA. Compôs, letra e música, o Hino de Garanhuns. Mantém, desde 1995, o jornal de cultura O Século. Publicou quatro livros de poesia: Temas de Garanhuns, Partições do Silêncio, Messes do azul e Barro.

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