sexta-feira, 13 de junho de 2025

Da horizontalidade

João Marques dos Santos

João Marques* | Garanhuns

Quando se dorme se morre

de corpo estirado na cama

e da morte se levanta

vivo da viva cama

e da claridade do sonho

que só a vida relembra

estendida de sol e chão


quando se morre se dorme

deitado o corpo para sempre

tão bem deitado que acaba

ao próprio pó nivelado

e só de alma se sonha

e mais se vive e se lembra

com o claro de outro sol.

*João Marques dos Santos, natural de Garanhuns, onde sempre residiu, é poeta, contista, cronista e compositor.  Teve diversas funções nas atividades culturais da cidade: foi Presidente da Academia de Letras de Garanhuns, durante 18 anos, Diretor de Cultura do Município e, atualmente, é presidente da Academia dos Amigos de Garanhuns - AMIGA. Compôs, letra e música, o Hino de Garanhuns. Mantém, desde 1995, o jornal de cultura O Século. Publicou quatro livros de poesia: Temas de Garanhuns, Partições do Silêncio, Messes do azul e Barro.

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