Já se disse que o homem passa mas sua obra fica, permanece. A assertiva remete-nos à ambiguidade, que caracteriza a realidade humana.
Ou seja, abarca a finitude, inerente à nossa condição e, ao mesmo tempo, nos coloca frente à possibilidade de transcendermos, pela força da arte, da fé e da capacidade de abstrair.
Cada um, conforme suas virtudes pessoais e oportunidades que se lhe oferecem, ao longo da vida, pode mais ou pode menos.
Mons. Adelmar da Mota Valença é dessas criaturas que veio à terra, faz cem anos, agora, para dizer e confirmar essas virtudes e possibilidades.
A sua passagem biológica - e aqui se confirma, indistintamente, a finitude que acomete todos os seres, na vontade e na obra do Criador -, foi dessas passagens que se multiplicam na grandeza e na força da obra, da ação e da pregação tendo sempre na virtude e na bondade a razão maior do agir e do conceber.
Menino que fui e menino cresci colhendo as lições desse Mestre do bem dizer e do fazer melhor, aos ouvidos e à consciência dos milhares de discípulos, que tivemos a oportunidade e felicidade de passarmos (ou permanecermos?) pelas carteiras desde a Capela até as salas de aula do querido Diocesano de Garanhuns, onde ele concebeu e projetou a sua obra por 44 anos ininterruptos.
Sim, nas salas de aula, onde as ciências eram - como ainda são - ministradas sem absolutismo dogmáticos, eis que o slogan da bandeira que abraçou - "ciência e fé" - sempre exaltado e exercitado quais grandezas e virtudes próximas, que se completam para melhor leitura do que somos e do poderemos ser.
Mons. Adelmar - e aqui não podemos excluir suas irmãs Almira, Arlinda, Alódia e Anita - que completaram, ao seu lado, esse que foi, sem nenhum favor nem exagero, um dos maiores projetos pedagógicos da história do ensino em Pernambuco e no Nordeste, constitui e significa, na mente e na consciência de cada um de nós, essa bandeira a tremular indelevelmente.
A celebração do centenário de seu nascimento nos remete ao reconhecimento que se manifesta não apenas nas palavras mas sobretudo, conforme suas pregações e recomendações, nos gestos e ações que cada um dos seus alunos carrega e exercita vida afora.
É o que podemos e devemos ofertar, agora, nesse transcurso do tempo, para agradecer e exaltar a sua obra, o seu exemplo, a sua pregação de fé, quais realizações que transcendem à mera contagem do tempo cronológico.
Por último, quero lembrar os dias maravilhosos que convivi com ele, durante alguns meses, em 1993, realizando a pesquisa que culminou com a publicação do livro - O Diocesano de Garanhuns e Mons. Adelmar (de corpo e alma) -, franqueando-me seus arquivos pessoais, apesar da timidez e humildade que abarcavam a sua pessoa. Arquivos esses que contam capítulos dos mais significativos da própria história de Garanhuns, durante grande parte do século XX.
*Manoel Neto Teixeira fez seus estudos - primário, secundário e clássico, como se denominavam, à época, concluindo-os em 1965. É membro da Academia de Letras de Garanhuns, Academia Pernambucana de Letras Jurídicas e Academia Olindense de Letras.
Fonte: Livro "Monsenhor Adelmar da Mota Valença - Vida e Obra - Centenário de Nascimento 1908 - 2008. Coordenação das Irmãs Cândida Araújo Corrêa e Mirtes de Araújo Corrêa - Acervo: Memorial Ulisses Viana de Barros Neto
Foto: Manoel Neto Teixeira fazendo a 1ª Comunhão na Capela do Diocesano, 12 de outubro de 1955.

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