sábado, 2 de setembro de 2023

Quadros - Poema de Arthur Maia

 Narração:  Anchieta Gueiros

Resgatando e Preservando Nossa Memória

Poema

Quadros...

Arthur Brasiliense Maia

Desponta a aurora. Palpitam ninhos,

Cheios de cantos de Passarinhos.


É o mês das flores, o mês de incenso.

Pleno de luzes, de brilho intenso.


Da noite, os astros amedrontados

Em bando foram-se apressurados.


Canta o Regato. Suspira a Brisa.

Bênção divina, pelo ar desliza.


Sol rutilante. Pelas campinas, 

Lírios e rosas, cecenas, boninas.


Dois ou três pares de namorados,

Sorrindo, seguem de braços dados.


Também, tu segues, bianco vestita,

Toda risonha, toda catita.


Deixas, seguindo, pelo caminho,

O aroma suave do rosmaninho.


E os maus olhares, seguem-te o rastro,

Luz de minha alma, formoso astro...


E sem mais forças para jornada, 

Langues, feridos de atroz cansaço,

Deixam ficar-se, mulher amada

Na ebúrnea curva do teu regaço.

Garanhuns, 16 de Outubro de 1915.

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