Narração: Anchieta Gueiros
Resgatando e Preservando Nossa Memória
Poema
Quadros...
Arthur Brasiliense Maia
Desponta a aurora. Palpitam ninhos,
Cheios de cantos de Passarinhos.
É o mês das flores, o mês de incenso.
Pleno de luzes, de brilho intenso.
Da noite, os astros amedrontados
Em bando foram-se apressurados.
Canta o Regato. Suspira a Brisa.
Bênção divina, pelo ar desliza.
Sol rutilante. Pelas campinas,
Lírios e rosas, cecenas, boninas.
Dois ou três pares de namorados,
Sorrindo, seguem de braços dados.
Também, tu segues, bianco vestita,
Toda risonha, toda catita.
Deixas, seguindo, pelo caminho,
O aroma suave do rosmaninho.
E os maus olhares, seguem-te o rastro,
Luz de minha alma, formoso astro...
E sem mais forças para jornada,
Langues, feridos de atroz cansaço,
Deixam ficar-se, mulher amada
Na ebúrnea curva do teu regaço.
Garanhuns, 16 de Outubro de 1915.
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