segunda-feira, 7 de agosto de 2023

O lado positivo do espírito emboaba


José Antônio da Costa Porto*

Tivesse eu nascido em Garanhuns não hesitaria um momento, engajando-me, de armas e bagagens, nas hostes do "emboabismo" de Waldimir Maia Leite, porque seu velho burgo alcance a autodeterminação, repelindo comandos "teleguiados"  - a palavra é do belicoso confrade do PARALELO -  retomando a tradição de ser  dirigida pela "prata da casa". Afinal, uma comunidade que se pode ufanar de "ínclita geração" de "líderes nativos" - e lembraria, a esmo, Manoel Jardim, Sátiro Ivo, Júlio Brasileiro, Souto Filho, Mário Lira, Elpídio Branco, Tomas Maia, Euclides Dourado, Aloísio Pinto para falar apenas dos mortos - firmou direito a repetir o orgulhoso brasão dos paulistas - "non ducor, duco", não aceitando "donatários" sem a marca do "cunho telúrico". Claro que esta "exaltação" do emboabismo há de entender-se em termos, dentro da concepção arejada de que também os chamados "forasteiros" podem ter sua vez, desde que  passem pela crisolda integração no meio, pela longa vivência, pelo amor à terra de adoção, pela identificação com os anseios comunitários. Li, por exemplo, numa edição do O MONITOR a lista dos que disputam a sucessão de Amílcar Valença e sei que nem todos são filhos da terra, nasceram noutras ribeiras, o caso, por exemplo, de Ivo Tinô do Amaral, "jagunço" de minha "pusila respublica" - Canhotinho, porque se não estou em erro, nasceu em Salobro, do então distrito de Lajedo, então fazendo parte do município que deveu sua autonomia a um "forasteiro" aclimatado na nova comuna - o Coronel Paiva, de Jupi, à época integrando o velho "curado de São Bento".

Do clã do velho Amaral de Salobro, cuja altura moral se pode medir pela figura ímpar de um homem "fora de série" - Dom João da Mata, uma das mais requintadas expressões de grandeza humana' - Ivo quase perdeu o sinal de origem, tornando-se um garanhuense da melhor cepa, e bravo militante político, se me afigura credenciado a reeditar a boa tradição dos grandes edis da terra de Simôa Gomes, com o mesmo clã e alma dos que melhor serviram à cidade, entre os quais líderes de grupos opostos - Amílcar e Souto Dourado.

Moço, de certo aspirando a outras "áfricas", sonhando aquelas "cousas" grandes e cousas futuras da "cabocla" do Morro, no Esaú e Jacó, de Machado de Assis, o matuto de Salobro faz jus à confiança do eleitorado que vai, a 15 de novembro próximo, decidir a sucessão de  Amílcar Valença. Acredito nas urnas de novembro próximo, o drama do eleitorado da terra será optar, porque, para honra da política local, os vários nomes me parecem do melhor gabarito. Ivo não faz má figura neste páreo, tendo tudo para acaudilhar a preferência dos seus conterrâneos por adoção. E se o ajudarem, como crédito de confiança que ele lhes pede, estou certo de que ao cabo Garanhuns é que sairá ganhando.

*Advogado, jornalista, historiador e político / Canhotinho, 10 de Outubro de 1976. Faleceu em 3 de dezembro de 1984 na capital pernambucana.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Os rumos da humanidade

Jesus de Oliveira Campelo | Garanhuns Se compararmos o comportamento da humanidade de hoje com de décadas passadas, vamos verificar que exis...