Cyl Gallindo | Conquistou prêmio nacional de poesia | Friburgo/RJ
Poema II
Aí vão minhas palavras a bordo duma ratoeira.
Quero soltá-las, dize-las. Mas quem as ouve? Não sei!
Mergulhá-las no profundo, não é destino para um rio.
Transformá-las em gesto alado, quem dera?
Pois o ar está prensado, guilhotinado na poeira.
Se dizes: "- O barco é livre, do remo a força é própria,
no pescado não se interfere, pode andar na superfície!".
Eis aí as minhas palavras: abruptas, soltas de si.
Quero juntá-las, dizê-las, sem receio dos caminhos:
fazem tudo para retê-las, armados nos incisivos.
Devo, então, plantar uma árvore, no quintas de minha casa
que se chame Liberdade. Os seus frutos são palavras,
nascidas de um novo dia. Amadurecerão tranquilos:
como estrume terão sabres e algemas desoladas
e nas folhas a clorofila do calor dos meus vizinhos.
.jpg)
Nenhum comentário:
Postar um comentário