José Rodrigues da Silva* | Garanhuns, 09/09/1978
Tio Chico, ai vem a eleição, porque o senhor não se candidata a um posto eletivo? O senhor já notou que o seu mosqueiro presta mais serviço à terra do que grandes hospedagens que somente servem para os medalhões se deleitarem mas que os pobres nunca passaram à porta? Como é bom o sarapatel, a mão de vaca, o sangue de boi com feijão que o senhor prepara! O senhor dá agasalho ao ajudante de pedreiro, ao trabalhador de caminhão, ao varredor de ruas, aos que aqui residem e contribuem para o crescimento de nossa cidade bonita!
Não deixe Tio Chico que aqueles que somente se lembram do clima bom de Garanhuns, do seu povo pobre, do seu solo rico, com capacidade de produzir legumes, frutas saborosas, nos tempos de eleição. O senhor, Tio Chico é muito mais útil do que eles.
O Senhor, Tio Chico, serve muito mais a Garanhuns, do que aqueles que tem uma propriedade junto à cidade, com capacidade de se tornar o maior centro produtivo, visto ter a melhor água da cidade, mas que vive completamente abandonada, sem produzir ao menos um caju, enquanto ele vive nababescamente, desfrutando o sabor dos bons vinhos, nas noites dos milionários aniversários e quando se lembra de Garanhuns é para abusar da paciência dos que aqui trabalham ou de uma forma ou de outra constroem a grandeza da terra.
Já observou, Tio Chico, que nas vésperas das eleições todo mundo aparece em Garanhuns procurando mostrar o caminho da salvação e que somente nesta época é que os tripa-forras, os eleitos da natureza, os vingados da sorte mostram aos pobres como podem conseguir comida, educação e até a magia prá se tornarem ricos?
É contra essa gente que Rodrigues da Silva, escrito com letras grandes ou pequenas, como queiram combatendo, certo de que o seu "ôba ôba" vai incomodar aqueles que se propõem ajudar nossa ciddade mas que o fazem com a intenção de promover candidatos oposicionistas, sem a mínima condição eleitoral.
Se o povo, somente tivesse para comer o pão produzido por essa gente, a humanidade inteira morreria de fome. Duvido que aquele rapaz os seus candidatos, tenham plantado, durante toda vida, ao menos um pé de feijão. Por eles, a cidade do Magano se cobriria de melão; mas, melão bravo, aquele que a natureza plantou.
Nasci aqui, aqui aprendi a trabalhar, aqui aprendi a sofrer, aqui aprendi não temer o mês de agosto, soprem os ventos de onde soprarem.
Tenho certeza, Tio Chico, que esse seu mosqueiro não tem isenção de nenhum imposto municipal. sei que o senhor contribui para a urbanização da cidade, pagando todos os emolumentos que lhe são cobrados, sem isenção de nenhum. Conheço uma senhora que trabalhou 25 anos na casa da "nobreza", pertencente a um dos salva pátria e foi jogada para fora sem um centavo de indenização. Isto será dito nos comícios, nesta campanha política, alto e bom som.
Sou favorável a crítica quando ela é construtiva ou quando é feita por quem está à altura de fazer, sou contrário a quem se prevalece dela para difamar quem fala alguma coisa pelo bem comum.
*Jornalista, professor, cronista e historiador.

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