terça-feira, 14 de abril de 2026

Visagem

João Marques dos Santos

João Marques* | Garanhuns

Em algum lugar do mundo, uma mulher de cabelos brancos, de rosto humilde e abatido, ajoelha-se em casa, à frente de um quadro na parede, de um Coração de Jesus, com uma fita enlaçada. A expressão do rosto é do mais profundo recolhimento, de quem se sente longe e pobre. As mãos cruzadas, em prece. Não fala, balbucia, pensa, e se dirige intencionalmente a Deus. Mas de tão longe e de tão fraca, que se acha um trapo, uma coisa imprestável, inútil. O que lhe resta é o sentimento de amor, e pede por todos, não por si mesma, para que estejam livres. Pede, principalmente, pelos que estejam mais longe, que não conhece. Com tudo, as mãos trêmulas, agradece por restar-lhe ainda o amor, e pelas mãos de ajuda dessa força levanta-se, beija o santo, vai à janela, abre-a e escancara o maior sorriso que se possa dar ao mundo. Esperem!

*João Marques dos Santos, natural de Garanhuns, onde sempre residiu, é poeta, contista, cronista e compositor.  Teve diversas funções nas atividades culturais da cidade: foi Presidente da Academia de Letras de Garanhuns, durante 18 anos, Diretor de Cultura do Município e, atualmente, é presidente da Academia dos Amigos de Garanhuns - AMIGA. Compôs, letra e música, o Hino de Garanhuns. Mantém, desde 1995, o jornal de cultura O Século. Publicou quatro livros de poesia: Temas de Garanhuns, Partições do Silêncio, Messes do azul e Barro.

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