domingo, 5 de abril de 2026

Dinheiro não é tudo


João Marques* | Garanhuns, Maio de 2015

O dinheiro surgiu no passado, como elemento de troca. Objeto para facilitar simplesmente os negócios. E não começou em forma de moeda cunhada ou papel impresso. Tomavam-se animais ou determinado cereal como padrão, de valor certo e combinado, para ser entregue ao vendedor, como pagamento ou compensação no negócio. Com o tempo, veio o dinheiro equivalendo ao ouro. Veio em substituição a vacas ou a outros objetos de  valor. O ouro tomou conta do mundo. Dos negócios e da dignidade humana.

O substantivo "avareza" foi acrescentado ao dicionário e à vida. O avarento, que só pensa em acumular dinheiro. Não se satisfaz só com o necessário. Quer sempre mais e por isso, não ajuda a ninguém. E, se ajuda, faz em poucas ocasiões e ao mínimo que possa. Faz muita conta do que lhe pode diminuir a fortuna. É como se a pessoa não se satisfizesse como o ar que respira. E quisesse cada vez mais ar, para respirar igual a um grande animal -  um rinoceronte. Quer ser tempestade. Abismo profundo, para engolir tudo ao redor.

Há estas pessoas entre nós todos. Não se refere aqui os afortunados, os que trabalham e têm bens, dinheiro, ouro. Não são estes, desde que não sejam mesquinhos. O que se diz aqui são os desgraçados, por abundância. Que fazem questão de importância irrisória, que não vai afetar a monta dos lucros e nem prejudicar o STATUS conquistado. A ganância é exercida nos negócios, para assegurar mais e mais o poder de possuir muito. E muitos envelhecem e continuam fazendo conta de adição e multiplicação (divisão e subtração, nunca), como se não morressem. A avareza é praticada por prazer, hábito de poupar sempre, amontoar dinheiro no nome próprio. A dignidade para estas pessoas é possuir. O nome é mais significativo. Faz questão de vir a ser lembrado, no futuro, muitas vezes perto de "Finado Rico".

*João Marques dos Santos, natural de Garanhuns, onde sempre residiu, poeta, contista, cronista e compositor. Teve diversas funções nas atividades culturais da cidade: foi Presidente da Academia de Letras de Garanhuns, durante 18 anos, Diretor de Cultura do Município, foi presidente da Academia dos Amigos de Garanhuns - AMIGA. Compôs, letra e música, o Hino de Garanhuns. Manteve, desde 1995, o jornal de cultura O Século. Publicou quatro livros de poesia: Temas de Garanhuns, Partições do Silêncio, Messes do azul e Barro. João Marques desencarnou em 22 de setembro de 2024.

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