Só no grande silêncio, o homem comum escuta a voz de sua infinita solidão. Nesta existência sentimos a necessidade inexplicável de uma separação. Talvez seja a viagem que todos fazemos um dia à nossa pátria de origem, à pátria do Espírito. Essa nova dimensão de vida é chamada vulgarmente de morte. Esse desprendimento é inerente à vida. Quando nascemos esse processo se inicia no sentido biológico do termo. Contudo, no ar leve do dia, somos surpreendidos por caminhos infinitos de esperança, a correr na claridade.
Naquele tempo a rua 15 de Novembro era muito diferente e não possuía o número de casas como hoje. No local está o jardim da praça que tomou seu nome, era um tapete esmeraldino de grama. De pés descalços e braços nus como diria Cassimiro de Abreu, corríamos não atrás de borboletas azuis, e sim de pequena bola de futebol. O panorama era mais agradável à saúde e a jovialidade espiritual. A linha férrea ficava à nossa frente. E o trem partia às oito horas da manhã. Logo após o trem o trole conduzia o "chefe de linha" que era "Seu Gracindo" figura de porte impressionante para todos os meninos do nosso ambiente. Onde hoje reside a família "Faustino" ali nasceu Luiz Américo, um dos rebentos da família de Américo seu genitor era "pedreiro", homem pobre e honrado. Desse casal Manoel Américo e TAPUIA, nasceram muitos filhos: Antônio José Américo (Seu Dé) Luiz Américo e Hermes e ainda Júlia, Lídia, Maria e Dida, que era nossa madrinha. Todas se constituíam o ornamento da graça feminina do nosso tempo.
Depois de muito tempo e de muitos anos relativamente bem vividos moralmente. Aos poucos foram tomando novos rumos e deixaram de viver ou entre nós, com a ausência deles ficou para todos nós a lembranças carinhosa de um convívio sadio e honrado José Américo (Seu Dé) trabalhou muitos anos nas oficinas gráficas do "Norte Evangélico", foi também o grande jogador de futebol, defendeu as cores do Esporte Clube de Garanhuns e do Botafogo Esporte Clube, grande amigo e companheiro de lutas, hoje, ao que parece reside na capital paulista. Só o nosso amigo Luiz Américo permaneceu aqui.
LUIZ AMÉRICO, homem honrado e amigo sincero, portador de uma lealdade muito profunda. Sempre gostou de música. Soprava diariamente o seu instrumento em casa. Depois casou-se, e com a morte de seus pais, tentou a vida na agricultura, possuía uma pequena propriedade ou seja um Sítio no "Muniz". A família foi crescendo e as dificuldades aumentando e não encontrou mais condições de manter a sua terra pois sempre foi um homem pobre de vida modesta. Voltou a residir aqui na cidade dos arrebóis. Trabalhou com vários prefeitos.
Foi guarda arrecadador mas sempre integrado na Banda Musical Manoel Rabelo. Era um homem modesto e pobre e de muita dignidade. Conduta ilibada. Tocava com seu instrumento particular ou seja com seu instrumento próprio. Era considerado como colega e ótimo companheiro de vida artística. Gostava de espalhar o bom som e harmonia. Assim vivia da maneira possível sem praticar atos que desabonasse a sua dignidade. Seu comportamento psicológico era de um cavalheiro de alto porte. Quando jovem também praticou esporte, e era um inveterado entusiasta de nossa seleção.
LUIZ AMÉRICO, filho de Garanhuns, nasceu à rua 15 de Novembro, pertencia a tradicional família dos "Rodrigues". Seus genitores foram amigos e vizinhos dos nossos. Homem honrado na legítima expressão do termo, que soube como pessoa humana ocupar com dignidade o espaço de sua vida aqui na terra. Nos encontramos na praça 15 e ele não sabia que estivemos doze dias na casa de saúde, às portas da morte. Lamentara por não nos ter visitado. E dias depois, sexta-feira, estávamos em frente à nossa residência, e Luiz, em uma destas tardes mornas de dezembro. Três dias depois, quase de repente, fechou os olhos para este mundo e nos deixou como recordação de nossa velha e tradicional amizade o seu ÙLTIMO ADEUS.
*Advogado, jornalista, cronista e historiador.

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