No coração do homem de bem, em todas as circunstâncias, não guarda ódio, nem rancor contra os seus semelhantes. Há muito espaço sempre ocupado, onde os moralistas de subúrbio não encontram receptividade. Pensa, e age harmoniosamente ditado pelo sentimento mais nobre do ser, da criatura humana, que é a sublimação do amor. Esse sentimento é tão puro quanto é simples. É o ordenamento da felicidade que exalta pelo desdobramento de tudo que é simples.
Os destruídos dessa coragem moral só alcançam as coisas pelo prisma da arrogância. As concentrações preparatórias são tocadas por um festival de milionários, um leilão de consciências, onde a pessoa humana vale pelo que pesa, e não pela nobreza de seus sentimentos. É o exagero dos que não conseguem raciocinar.
Não obstante muitas luzes, cujas lâmpadas são opacas e sombrias, como se fossem chamas decadentes. Não adianta a indagação dessas coisas que nem eles mesmos podem explicá-las.
Se fossem portadores de cultura de ordem vertical, onde a profundidade revela os efeitos da sabedoria de seu universo intelectual, o entendimento começava a brincar com os pensamentos e palavras, como fazem os poetas... Em sua presença, sem contar com a idade cronológica, todos nós somos eleitos das musas.
O fio desse raciocínio não se alcança por meio de esforço mental. Só o que é natural e espontâneo pode sentir os efeitos de sua sublimação. Só o bom homem que sofre pelo sentimento de alguns de seus auxiliares, está a altura de penetrar na verticalidade desses conceitos de humanismo puro e elevado. É óbvio que não nos propomos a esclarecimentos desnecessários, porque o sentimento é mais puro e mais sábio do que as palavras.
Assim, não tentaremos descrever aquilo que para nós é a verdade, pois seria uma tentativa impossível porque ninguém pode descrever ou transmitir tudo de uma experiência. Cada um de nós precisa vivê-la por si mesmo. Isto porque ninguém pode entender nada por nos. Somos únicos e independentes para agir livremente. Por consequência, se vivemos sob esta concepção, a nossa ação é restritiva. A nossa ação é um esforço constante, incessante, infinito. E este esforço está sempre voltado para a segurança.
"Naturalmente, quando há esta busca de segurança, há temor, e este temor cria a contínua consciência do que chamamos "EU". As mentes da maioria das pessoas estão presas nesta ideia de conseguir, de atingir, de subir mais e mais alto, por regras escusas. Isto é, na ideia de escolher entre o essencial e o não essencial. Ora, a questão não é saber como preencher esse vácuo, mas antes verificar qual a sua causa. Para nós, vacuidade é ação nascida da escolha na procura do lucro. A vacuidade aparece quando a ação se origina da escolha.
*Advogado, jornalista e historiador / Garanhuns, 4 de Outubro de 1986.
Créditos da foto: Anchieta Gueiros

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