Podem até estranhar essa denominação à pessoa do Padre Adelmar.
Ele foi um ser humano de cujo valor, ninguém sozinho (a) pode fazer-lhe o perfil. Cada pessoa que teve contato com ele, conhecia seu aspecto austero. Para todos porém ele revelava seu humor, condescendência, compreensão, indulgência. Falo do total: todos. Havia, porém, nele, uma tamanha compaixão pela fraqueza do próximo que me deixou até agora, encantada. Era aquela expressão de Jesus que ele encarnava em seu dia-a-dia: "Sede misericordiosos como vosso pai do Céu é misericordioso".
Muitas - quantas vezes - vi o Padre consolar as chagas morais e espirituais. Ele possuía, realmente, o olhar de quem era habitado pelo Espírito de Deus. Com uma palavra ou um olhar - se a gente soubesse ouvir e ver - ele reduzia a nada, o julgamento de qualquer um sobre alguém. Era a encarnação do Evangelho: "Sede misericordiosos" ...E isso estendia-se às necessidades materiais. Quantos ex-alunos pobres recebiam bolsas de estudo? Ouvi de uma mulher cujo filho estudara durante anos em determinado Colégio, porém, tendo ficado viúva, não podia mais pagar. Embora tantos anos naquele estabelecimento, não conseguiu uma bolsa para seu filho. Alguém falou-lhe sobre o Padre. Ela o procurou. Recebeu a bolsa, o fardamento, sapatos, livros. Ela dizia: "Encontrei um verdadeiro cristão no Diretor do Diocesano. Ouvi muitos se dizerem cristãos, mas somente ele agiu como cristão, para comigo e meu filho. Só ele"
Durante os 12 de outubro, festa do Diocesano, quantos depoimentos de ex-alunos que jamais poderiam alcançar os elevados postos que atingiram, não fosse a generosidade do Padre Adelmar.
Se fossemos narrar tudo, não terminaríamos nunca.
Celebrar o Centenário do Padre é celebrar grandeza de alma e coração. É celebrar sacerdócio vivido em plenitude. E dizer para quem não o conheceu, a inteligência privilegiada, a cultura profunda que se abrigavam na sua humildade, mas que se respirava através de cada palavra e gesto.
Felizes aqueles que tiveram a alegria de conviver com ele. Era uma lição viva do Evangelho.
*Professora, jornalista e escritora.
Fonte: Monsenhor Adelmar da Mota Valença (Vida e Obra) / Centenário de Nascimento 1908 - 2008 / Coordenação das Irmãs Cândida Araújo Correia e Maria Mirtes de Araújo Corrêa / 2008.

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