quarta-feira, 11 de junho de 2025

Parque dos Eucaliptos

Garanhuns - Parque Euclides Dourado em 11 de dezembro de 2020. Créditos da foto: Anchieta Gueiros

Neide Tavares*

Parque Euclides Dourado. Este é um ponto que faz parte do cotidiano garanhuense ao indicar, e ao levar o turista para conhecer a cidade. O Parque Euclides Dourado também faz parte do nosso trajeto, quando estamos percorrendo ruas.

Quem nasceu e se criou nesta cidade como eu, e muitos outros, sabe: O Parque faz parte da nossa vida, pois desde a nossa infância, somos frequentadores daquele lugar aprazível. Ainda menina, esta é a primeira lembrança. Levada por meus pais, em tardes de domingos, íamos ver os  animais de várias espécies que ali habitavam. Depois, íamos passear, encontrar pessoas conhecidas que saíam com a  mesma intenção, e também aproveitávamos para tomar um refrigerante naquele barzinho que funcionava na pequena construção branca de torre arredondada, azul, que me encantava pela sua arquitetura e por servir de abrigo para  inúmeros pombos, aumentando assim a beleza do Parque. Eram tardes alegres, (não sei se motivado pela minha infância) passadas entre o perfume dos eucaliptos que admirávamos pelo seu porte e altura. E eram tantos! Ali, gostava de apanhar umas sementes, que caíam das arvores e com os quais as meninas da minha idade costumavam fazer colares. Saíamos com as mãos perfumadas, como se levando um pouco do Parque conosco. Também na infância as vaquejadas e rodeios ali realizados, nos quais admirávamos o cavalo do fazendeiro Jorge Branco, (patrão do meu pai), cujo nome "É com farinha", achávamos bastante engraçado e nunca pudemos esquecer.

Mais tarde, com nossas filhas crianças costumávamos levá-las para correr nas bicicletas alugadas na garagem de  Jeasir, o que se tornava um grande divertimento, principalmente depois que consegui aprender a correr com elas, aproveitando a beleza das manhãs ou tardes ensolaradas. Noutras vezes fazíamos piqueniques e até comemorávamos aniversários. Nisto tudo o Parque servia de  palco e como era agradável aquela sensação de liberdade entre os eucaliptos que nos protegiam do sol, e através dos  quais avistávamos o céu azul de verão.

Um pouco mais tarde, foi cenário da "Feira do  Folclore", e tínhamos um grupo que colocava uma barraca de comes e bebes, incentivado pelo então secretário de educação e cultura, Prof. Luiz Henrique de Almeida, e todos os anos tirávamos o primeiro lugar em organização e ganhávamos sempre um troféu. Eram três dias dedicados à Feira e esquecíamos até as nossas outras atividades, pois a família inteira ali se integrava para depois com o lucro usarmos em consultas e compras de óculos para crianças carentes. E o Parque a nos oferecer o recanto necessário, como também para inúmeras outras barracas, que junto conosco animavam a "Feira do Folclore". Trabalhávamos e nos divertíamos junto com os casais: João de Bolinha e Ana, Constantino e Ilza, Zé Alberto e Vilma, Eriberto e Jane, Nadinho e Julieta, Otaviano e Socorro, Antônio Amaro e Safira, Adeildo e Babá. Ficamos até famosos pelo caldinho de "Lero-Lero", que todos procuravam e cujo nome foi inventado por Zé Alberto, que  sem saber o que vendia, quando lhe perguntavam, teve a  iniciativa de dizer: é "Lero-Lero". E assim o nome continuou.

Euclides Dourado, nome dado ao Parque dos Eucaliptos, foi prefeito duas vezes em Garanhuns. Segundo jornais da época, era um garanhuense dos mais ilustres e respeitáveis no meio social e logicamente, político. Melhorou a cidade com suas realizações, sem auxílio do Governo Federal. Dotou Garanhuns de uma área, destinada a recreio, com pistas de patinação, quadra de tênis, campos de futebol e voleibol. Nada mais justo que este recanto possua hoje o seu nome, além de existir também uma rua no bairro de Heliópolis que ele próprio ao lado do filho ajudou a fundar.

*Escritora, historiadora e professora. Crônica publicada em 1997.

Foto: Garanhuns - Parque Euclides Dourado em 11 de dezembro de 2020. Créditos da foto: Anchieta Gueiros

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