quinta-feira, 12 de junho de 2025

Livro "Multivisão - Cultura, Comunicação e Literatura - Tomo III" de Manoel Neto Teixeira

Pinto Ferreira
Pinto Ferreira (foto)

O jornalista, escritor e professor universitário Manoel Neto Teixeira publica excelente ensaio intitulado Multivisão (Política, Arte e Cultura), onde  demonstra mais uma vez o seu talento polimorfo, com informações preciosas sobre os vários aspectos da cultura em suas diferentes manifestações. O livro é escrito na  linguagem direta e comunicativa de um jornalista, que é também professor, em suma, um agente da comunicação, que encanta o leitor pelo seu estilo direto, lógico, comunicativo, próprio do  escritor moderno.

Manoel Neto Teixeira é ainda professor ensinando a disciplina de Sociologia Jurídica no curso de Direito da Faculdade de Ciências Humanas de Pernambuco, pertencente à Sociedade Pernambucana de  Cultura e Ensino. Trata-se de uma matéria  generalista com conteúdo humanista que torna a dita Faculdade um templo ecumênico de ideias.

O livro de Manoel Neto Teixeira é diversificado, daí o nome Multivisão, com estudos diferenciados, breves como as crônicas de Machado de Assis e encantadores pela sua simplicidade e conteúdo. Temas diferentes são ventilados, sobre personalidades culturais, acontecimentos e situações vivenciadas em Pernambuco. Embora curto o trabalho, pode ser lido com deleito e encantamento.

O autor é uma pessoa que vai marcar época em Pernambuco, porque se lhe deve a edição do  jornal O Judiciário, que circula com uma larga tiragem, e sobretudo tendo como enfoque o direito, a sociologia, a política, jornal que fazia falta em Pernambuco e   que preenche uma lacuna importante, daí a sua grande circulação em todo o país, especialmente nas Seccionais da OAB e também dos Institutos dos Advogados, irmanados com a corporação profissional maior.

Este tipo de imprensa já teve larga circulação anterior em Pernambuco. Além de nossa região ser pioneira na fundação do primeiro jornal do Brasil, O Diário de Pernambuco, em 1825, também foi uma sementeira de muitos jornais menores, porém de densidade cultural, dirigidos por intelectuais como Tobias Barreto, Martins Júnior e tantos outros. Deve-se inclusive a Tobias Barreto um jornal alemão intitulado Deutscher Kaempfer (Lutador Alemão), publicado no município pernambucano de  Escada em 1875, do qual saíram apenas cinco números, dizendo que Tobias era o único tipógrafo, o único escritor e o único leitor, pela ironia de seus adversários.

Manoel Neto Teixeira é também membro da Academia Pernambucana de Letras Jurídicas que o escolheu por unanimidade para tanto e  tem como patrono o jornalista Assis Chateaubriand, professor de Direito Romano da Faculdade de Direito do Recife e criador de um dos maiores impérios jornalísticos do Brasil.

Manoel Neto Teixeira é uma figura simples e modesta, que  oculta um talento inegável como historiador e  jornalista, com uma obra original divulgada no jornal O Judiciário, que marca época em  Pernambuco. É também autor de uma numerosa obra como historiador e memorialista e assim ficará consagrada na história cultural da nossa terra.

*Luiz Pinto Ferreira - Jusfilósofo, autor de mais de 200 títulos versando sobre Direito, Sociologia, Filosofia, Educação, Política e Literatura, membro de dezenas de Academias e Institutos de Ciência e Letras, do Brasil e de vários países. Recife / 2009.

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