quarta-feira, 16 de agosto de 2023

Victória


Genivaldo Almeida Pessoa* | Garanhuns, 2006

REVOLUÇÃO toma conta do coração! Expande-se pelo corpo e alma de quem a absorve. A ideia de ter e possuir em cativeiro íntimo, reverencia-se na altivez do existir. Colhe-se então, retalhos sentimentais aglomerados em âmago humano. Aflora-se carinho, afeto, AMOR...! Sentimentos são inatingíveis pelas agressões comuns e, são subalternos à reciprocidade do que ou de quem se gosta, impondo até mesmo a submissão na constituição do vivente. Tornando-nos superiores, agregados ao que voluntariamente nos subjugamos sem reações opostas e, nosso físico tenro pela  pequenez biológica de um ser vivo, venera-se acoplado à alma o valor do transcendental.

FILHA! Quantas as têm; Quantas as podem ter...? Pessoas que as podem ter, outras que possam desejar, bem podem imaginar a racionalidade do GERAR! No início, alvo minúsculo, pedaço de carne humana, envolta no aspecto do querer e do gostar. GOSTAR? Muito pouco... FILHA! Inexiste o gostar ou só querer: AMAR, ser agora dependente, ter sangue correndo em veias do ser filial, é algo supremo sem alcance para a diminuta compreensão do saber limitado do  homem PAI. FILHA! Revestida pela singularidade de meiguice, compleição corporal de ternura, semblante de semelhança paternal, como bem julga egoisticamente o orgulho paterno. Tu és FILHA, pelo dom natural do "CRESCEI E MULTIPLICAI" que por certo DEUS presenteia a muitos, que privilegiados possam em abraços e beijos amenos e múltiplos balbuciar com vaidade e emoção dizendo: MINHA FILHA. TE AMO! O adulto PAI torna-se criança também, brinca com a boneca, relata estórias infantis, mesmo fatigado, ainda após dia extenuante de trabalho cotidiano, revigora-se com o afago e aconchego ao peito adulto, abraçando a maior riqueza que a vida e o ser supremo, conseguiu proporcionar. Eleva-se ao mesmo tempo, o bater acelerado do coração submisso ao PAI, quando voz infantil faz ecoar o chamado espontâneo de PAINHO...!

PEDAÇO de gente que em vida é pedaço de mim, é também pequena, adolescente, adorada, sempre menina: SIMONE!

*Professor, poeta e escritor.

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