Paulo Dácio de Melo (O Poeta da Natureza)
Eu me vejo aqui pensando e faço uma pergunta:
Onde está o País que nasceu entre riqueza, um gigante em beleza? A terra toda coberta, gigante em esplendor pela própria natureza?
De frutas árvores tão belas, um gigante em beleza e o perfume das flores perfumavam a natureza; e o vento passeava contemplando toda beleza e espalhando o perfume em meio à natureza?
Já se foram os meus pais, fizeram essa pergunta e eu me encontro também, perguntando a mesma coisa.
A onde está o país mundo lindo que nasci: Cachoeiras, lindos rios, sei que jamais voltará.
A onde será que está o liquido mais precioso da vida, que jorrava com abundância formando o manancial?
Cachoeira, belos rios, cacimbas tão azuladas azuis da cor de anil, jorrava por este solo desse imenso Brasil.
Que saudade que eu tenho, desse mundo que passou; uma vida sem malícia de inocência e amor; hoje o que consigo ver é maldade e destruição; o que será que fizeram, com a beleza do sertão?
Desmataram toda a terra, acabou a cobertura, subiu a temperatura, secaram todas nascentes, e morreu a criatura, e afugentou toda a gente. Fugiram para a cidade, para não morrer de fome.
Escravizaram o homem, em favelas da cidade; pobre homem analfabeto, sem nenhuma instrução. Desmataram toda a terra. Esta foi a maior maldade que fizeram com o sertão.
Maldito sejam os governantes, que roubaram esta vida e a esperança deste pobre sertanejo; que ainda vive infeliz, ainda sonha em voltar, e já não consegue mais, não tem água e não tem vida, queimaram a vegetação, obrigado seu progresso, com a sua ambição, pela miséria e a maldade e a tristeza do sertão.
Sai governo entra governo, e o sertanejo esperando melhorar, mais tudo continua do jeitinho que está. Como diz a cantiga da perua, é de pior a pior, e tudo continua.
Garanhuns, ano 2017.
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